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Berlim : Nichts ist für Immer ou Nada é para Sempre

06 de agosto de 2013 1

Fazia tempo que o Luciano Leonetti Terra não escrevia para o blog , acho que isto ajudou-o a nos brindar com um dos textos mais inspirados que já li sobre Berlim , obrigada e parabéns!

Há lugares que dão a impressão de que há um para sempre. Cidades que resistem há séculos apenas com pequenas alterações. Aquele castelo da idade média, aquela igreja romana, aquele templo grego. Como se a vida pudesse ser vivida sem mudanças e sem traumas. Lugares dos sonhos de alguns que morrem de medo do inesperado, do novo e do desafiador. Para esses que buscam a morna paz da continuidade Berlim não é o lugar ideal.

A capital alemã é daqueles lugares onde a mudança é visível. Em guindastes por toda a parte, em paredes ainda furadas por tiros do passado. Pedaços de um muro concreto aparecem a cada esquina. Dores e preconceitos gritam em monumentos que lembram que mudanças trazem novos tempos. Berlim é cidade para os que buscam o novo a cada instante. É cidade para os fortes de espírito, para aqueles que resistem as dores do passado que pulsam em suas mentes.

Estar em Berlim e não sentir um desconforto, uma certa culpa pela dor alheia é impensável. Todos estão envolvidos. E, independentemente do lado, estão interconectados com a história.

Enxergar os dois lados é tão necessário quanto chorar seus mortos. Somente quando do lado oposto pode-se ter a real dimensão da dor e do sofrimento. Sempre haverá algozes e vítimas intercalando posições. Aqueles que um dia foram vítimas, hoje erguem muros.

Os que foram algozes lutam pela liberdade irrestrita. Enquanto alguns descendentes ainda choram ao lembrar o sofrimento de seus antepassados, outros se envergonham das atitudes dos seus. E na vergonha buscam a solução, o respeito. Buscam a compensação construindo uma nova geração que respeita os direitos e a individualidade alheia. Em Berlim sente-se a máxima de que é proibido proibir. Quem achar que o outro não pode ser como acredita que deve ser, se sentirá totalmente deslocado. Não sobreviverá a tanta liberdade.

Berlim é terra dividida por cicatrizes físicas que podem ser vistas nas diferentes texturas de seus calçamentos.denuncia que um dia houveram dois lados. Apesar da unificação política, ainda há resquícios de um preconceito que aos poucos vai dando lugar à tolerância e ao respeito.

Monumentos chocam os mais sensíveis. Mães de pedra hoje choram seus filhos mortos em nome daquelas que um dia derramaram lágrimas mornas e inaceitáveis. Mães alemãs e mães do mundo em uma mesma dor independente do lado político de seus filhos. Ou as lágrimas de umas foram mais nobres do que das outras? Seres humanos lutando por aquilo que acreditavam. Todos iludidos por uma supremacia passageira.

O que se vê nas ruas berlinenses é um povo vibrante, em movimento. Todas as raças convivendo em harmonia. A alegria geral pode ser apenas aparente. Provavelmente muitos ainda choram escondidos com medo do passado e do futuro. Esses devem temer as novas mudanças que em breve virão.

E nesse continuo caminho para frente, estar em Berlim é poder olhar o passado vendo o futuro. É sentir na pele que a vida é muito mais dinâmica do que muitas vezes aparenta ser. É buscar na história aquilo que um dia foram certezas e que logo ali na esquina se mostraram equivocadas. Quem não for capaz de fazer tal reflexão poderá não entender o ritmo da cidade. Corre o risco de não aproveitar o que Berlim pode oferecer de mais nobre: a certeza que nada é para sempre e que sempre haverá uma verdade, mesmo que passageira.

Ich Liebe Berlim !

28 de novembro de 2012 8

A Sabrina é uma leitora e amiga aqui do Viajando com Arte, ela morou uns tempos em Paris e viajou pra caramba por todos os cantos da Europa. Este post já estava prometido há tempos, demorou mas valeu a pena, a descrição dela sobre a cidade de Berlim está show!!! Confiram:

  

 

Cheguei em Berlim com muitas expectativas, pois sempre ouvi de todos os meus amigos que já visitaram que era uma cidade especial. Bom, eu posso acrescentar mais milhões de adjetivos à Berlim, pois na minha opinião é a cidade mais show de toda Europa!!!

Berlim é historia pura! Mas o que eu mais gostei na verdade talvez eu nem consiga explicar… foi a “ambiance” (como dizem os franceses)… a atmosfera da cidade.

Ha muita coisa para se ver e visitar, entre elas:

A igreja Kaiser Wilhelm-Gedächtniskirche, destruída em 1943 durante um bombardeio na Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra os destroços foram removidos, e foi construído uma parte nova e moderna, que hoje é também um memorial. As suas ruínas impõem um respeito inexplicável. Como se a gente pudesse ver um pouco dos horrores da guerra alí na nossa frente.

  

  

  

  

  

A praça Gendarmenmarkt – Pela majestade dos seus edifícios e a sua simetria, é considerado como o exemplo mais belo da arquitetura néo-classica em Berlim e também o “square” mais bonito da Europa. Os franceses construíram a catedral da direita e os alemães com inveja construíram a da esquerda!

                                                    

 

 

Berliner Dom, a catedral, simplesmente o “monumento” mais maravilhoso de todos! Eu comprei um postal que é uma foto da catedral bombardeada na guerra. Impressionante!

 

 

 

Na verdade eu achei isso de praticamente tudo ter sido destruido durante a guerra muito impressionante. A gente sabe que foi assim, ouve, pensa e imagina, mas quando se esta em Berlim é que se tem uma verdadeira idéia de tudo isso. Em Berlim de cada 10 prédios 6 foram completamente destruidos e 3 danificados, ou seja… so restava 1 inteiro. E hoje a cidade esta la, linda e imponente, tudo reconstruido, renovado, remodelado. Realmente impressionante.

 

 

 

Berlim também é uma cidade democratica que propicia o acesso a informação a todos. Pelo menos eu achei. Eles não escondem o que aconteceu. Esta la exposto a céu aberto e de graça, pra todo mundo ver. Eu soube que foi bem dificil para os alemães se orgulharem da sua nacionalidade depois dos horrores do holocausto. Em ocasiões como jogos, olimpiadas e etc era bem dificil de ver alguém com a camiseta da Alemanha ou com bandeiras asteadas. Faz muito pouco tempo que eles conseguiram superar o trauma. Superaram mas não esqueceram, o que é importante!

 

Dentre os museus a céu aberto esta o famoso Check Point Charlie – um dos postos militar entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental durante a Guerra Fria. Na foto a representação de um soldado soviético que controlava a entrada para o lado oriental. Checkpoint Charlie se tornou um símbolo da Guerra Fria, representando a separação do leste e oeste, e — para alguns alemães orientais — uma estrada para a liberdade. Da até pra carimbar o passaporte com um “visto”. Custa 1 Euro, é claro!

 

 

 

 

 

 

 

Tem também a exposição a céu aberto e gratuita – Topografia do Terror – que conta a história do Nazismo. A exposição fica no terreno onde antigamente se situava os principais prédios do regime nazista. Neste lugar está sendo construído um museu que abrigará a exposição.

 

 

 

O controverso “Memorial aos Judeus Mortos da Europa ” – Imponente e tocante. Eu “gostei” muito do museu, mas tu sai de la mal. Não é recomendado para pessoas muito sensiveis!

“It happened, therefore it can happen again: this is the core of what we have to say. It hapen, and it can happen everywhere.” Primo Levi, sobrevivente do holocausto.

 

 

 

A “East Side Gallery ” – A maior extensão do muro reconstruída e conservada. Quase1 kilometro. Em 1990, 118 artistas de 21 países se encontraram no East Side Gallery para realizar a maior pintura a céu aberto do mundo. Eu achei impressionante ver o muro e saber de todas as historias que aconteceram naquela época… O surgimento do muro “da noite pro dia”, ele começou a ser construído em 13 de agosto de 1961, não respeitou casas, prédios ou ruas. Policiais e soldados da Alemanha Oriental impediam e até mesmo matavam quem tentasse ultrapassar o muro. Muitas famílias foram separadas e perderam o contato. O muro chegou a ser reforçado por quatro vezes. Possuía cercas elétricas e valas para dificultar a passagem. Havia cerca de 300 torres de vigilância com soldados preparados para atirar. As formas que a galera encontrava pra pular o muro, eram as mais diversas! Desde saltar das janelas de edificios que ficavam na margem, até se esconder em porta-malas, etc…

 

 

 

 

Ainda restam pelas ruas muitas placas como esta que indicam que ali existia o muro.

 

 

E hoje é possivel até levar pra casa um souvenir do muro!

 

 

 

 

A queda do muro não dependeu de nenhuma ordem oficial, apenas o desejo latente e cada vez maior de liberdade, união e reencontro, além do enfraquecimento dos regimes socialistas. Um mal-entendido em relação a um comunicado oficial do governo da Alemanha Oriental, somado às pressões políticas e sociais externas e internas, provocou a derrubada do Muro de Berlim. Na verdade Günter Schabowski, porta-voz do Politburo da Alemanha Oriental, recebeu do chefe do Partido Comunista o anúncio de que, no dia seguinte, iriam fornecer passaportes aos alemães para saírem. Mas, confuso, divulgou a notícia como se a concessão de passaportes – e a possibilidade de sair – fosse imediata. Isso provocou a multidão que foi as ruas e começou a pressionar. Os guardas sem saber o que fazer e sem orientação acabaram abrindo “as portas” do muro! E “vive la liberté”! Nos postais com fotos do momento da queda da pra se ver a alegria estampada nos rostos dos alemães!

 

 

 

 

 

Reunificada oficialmente em outubro de 90, a Alemanha rica e próspera luta ainda hoje para superar a desigualdade existente entre ossies (orientais) e wessies (ocidentais). Esses dias mesmo eu vi na TV que 3 em cada 5 alemães orientais nunca foram para o lado ocidental.

 

Eu também fiz um city tour de bike muito legal, durou 5 horas com direito a parada para o almoço num Biergarten! 

         

 

 

 

           

        

 

 

 

 

 

 

                    

 

Nada mais a dizer senão que Berlim é sem dúvidas a cidade mais show da Europa!

 

Sabrina Porcher – http://binaporcher.blogspot.com/

 

 

Berlim, Berlim

02 de dezembro de 2009 0

 

Conheci  Berlim em uma feliz coincidência histórica, chegamos lá apenas 5 dias após o aniversário de 20 anos da queda do muro, e o contato com esta cidade e sobretudo com a sua história tão única me fez refletir sobre a grande virada histórica decorrente deste fato. O  que nos parece inimaginável hoje era rotina “ontem” em Berlim – em uma Berlim dividida quando havia apenas o leste e o oeste, ou seja, dois sistemas incompatíveis competindo por sua vitória histórica diante de um mundo estupefato. Uma trincheira criada pela desconfiança e pelo confronto.

 

Os 20 anos que Berlim esteve dividida tiveram um impacto enorme na cidade, nas pessoas, que pode ser sentido até os nossos dias, muito embora caminhando pela cidade, tirando-se os paralelepípedos que demarcam o lugar onde outrora ficava o muro, a gente não perceba claramente o que era Berlim oriental ou ocidental.

   

 Fragmento do muro conservado, em frente onde ficavam antes os quartéis generais da Gestapo.

 

 Nesta foto você pode observar que existe uma linha de paralelepípedos no chão demarcando onde outrora passava o muro, e a linha acaba dentro de um prédio.

 

É interessante pensar como isso aconteceu, como uma única cidade acabou sendo usada por duas forças antagônicas que se consolidaram no final da segunda guerra mundial. De um lado a democracia livre do oeste e do outro o comunismo centralizado do leste. A cidade que fica no centro da Europa servia literalmente de fronteira entra as duas potências durante o auge da guerra fria.

Check point Charlie, um dos “postos de fronteira” mais célebres,  se tornou um símbolo da guerra fria e sinônimo de passagem para a liberdade para os alemães orientais.

 

Berlin é um grande exemplo de superação e, sobretudo, não tem receio de expor suas feridas e tentar aprender com os erros do passado, que, aliás, está exposto em todos os lugares importantes da cidade.

 

Um exemplo é um museu a céu aberto chamado de “Topografia do terror” que está localizado onde eram os quartéis generais da policia secreta do estado nazista – a Gestapo a partir de 1939. Foi aqui que os nazistas planejaram o genocídio dos judeus europeus e a perseguição sistemática e o assassinato de várias etnias que não estavam de acordo com a pureza da raça ariana. Hoje no local está sendo construído um memorial que abrigará toda a documentação do período.

 

 

Futuras intalações do Memorial chamado ” Topografia do terror”

 

Berlin não é só guerra e seu povo não é sombrio, muito antes pelo contrário, é uma cidade vibrante com um volume de atrações culturais que nem mesmo um mês seria suficiente para dar conta. Nos quatro dias que passei por lá pude conferir alguns dos seus inúmeros museus e fiquei muito bem impressionada com o Museu Judaico de Berlim, fundado em 1962 como resposta a contrução do muro.Seu novo prédio inaugurado em 1989, projeto do arquiteto Daniel Libeskind, engloba todo um conceito relacionado com a história da cidade, é uma obra prima em termos de arquitetura conceitual.

 

Museu Judaico de Berlim, obra de Daniel Libeskind. 

  

 

Em um dos grandes espaços vazios criados por Libeskind que representam a ausência dos judeus expulsos e mortos, vemos a instalação do artista Menashe Kadishman chamada de  “folhas caídas”.

 

  

Torre do Holocausto, o fim. Entra-se por uma pesada porta de metal em uma torre escura, onde se pode  vislumbrar alguma luz entrando por cima e ouvir sons indicando que a vida continua lá fora. A idéia concebida pelo arquiteto Daniel Libeskind, é nos fazer sentir quão longe da luz e da vida estavam aqueles esperando seu próprio exterminio.

 

 

Portão de Brademburgo, palco da grande festa no dia 9 de novembro de 1989, o dia da queda do muro.

 

Um dos vários museus de “Museumsinsel” ou ilha dos museus.

 

 

E para encerrar, uma bela homenagem ao nosso futebol, um grafite gigante estampada no bairro boêmio de Kreuzberg. :-D

 

 

Berlim, uma nova casa para Nefertiti.

20 de novembro de 2009 6

Combinamos dar uma esticadinha na viagem até Berlim neste frio novembro para ver a Nefertiti em sua nova morada. O Museu Egípcio de Berlin (Neues Museum ) acaba de ser reinaugurado. A obra de arte mais famosa do seu acervo é o busto de Nefertiti, mulher principal do faraó Akhenaton, de 1380 a.C.

A restauração do museu, que alberga as colecção da Pré-História, a colecção de História Primitiva e a colecção da Antiguidade, esteve a cargo do arquitecto britânico David Chipperfield, durou seis anos e custou 200 milhões de euros.

O reputado arquiteto tentou manter a estrutura e os materiais originais, optando também por deixar os buracos de balas do tempo da guerra na fachada do prédio, só as partes do Museu totalmente irreparáveis foram substituídas. Pela primeira vez desde o início da II Guerra Mundial, em 1939, reconstitui-se assim na sua plenitude o conjunto dos cinco edifícios que albergam valiosas exposições históricas e compõem a Ilha dos Museus de Berlim, declarada pela UNESCO como Património Mundial.

Além disto , quando planejamos a viagem, nem nos demos conta que em 9 de novembro de 2009 seria o aniversário de vinte anos da queda símbolo mais conhecido da cidade : Muro de Berlim. Foi uma feliz coincidência, mesmo chegando alguns dias depois da grande festa , ainda estamos aproveitando o clima de comemoração pelas ruas da cidade.

Berlin está repleta de memoriais e museus relativos ao período em que a cidade ficou dividida entre o mundo Ocidental e Oriental pelo famoso Muro de Berlim (1961-1989). Eu tinha estado por aqui há 10 anos atrás e fora o Museu de Checkpoint Charlie, uma das mais famosas ligações entre os dois lados, tive bastante dificuldade em encontrar informações sobre a localização das fronteiras. Agora a cidade tem marcações de tijolo no chão que indicam o antigo traçado.

Além disto está sendo contruído  o Memorial “Topografia do Terror” local onde  antigamente era a sede da SS e onde os piores crimes foram arquitetados. Como o prédio ainda não está pronto a exposição de fotos e documentos é ao ar livre o que a torna aina mais emocionante. 

Emocionante e desconcertante é o Memorial do Holocausto , localizado ao lado da Porta de Brandenburgo, um dos ícones da divisão da cidade. O Memorial aos Judeus da Europa assassinados pelos nazis, ou Memorial do Holocausto como é conhecido, foi inaugurado em 2005.
Projetado pelo arquitecto Peter Eisenmann, é composto por 2711 lápides de várias dimensões, num espaço equivalente a um campo de futebol onde o piso em várias alturas cria uma instabilidade para quem circula. Os blocos cinzentos não tem qualquer tipo de inscrições, o memorial é completado por um centro de informação subterrâneo, dividido em quatro salas. Aqui se relata o sofrimento dos judeus, durante o Holocausto e se encontram inscritos os nomes de 3,5 milhões de vítimas.