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O que comer na Itália? Dicas de gastronomia por região

05 de outubro de 2012 1

A Itália é uma festa para o paladar. Para um italiano , falar sobre um destino de viagem começa sempre com a pergunta básica:  come-se bem por lá? Não é por nada que a Inglaterra seja um roteiro maldito no país.

O ritual da mesa tem uma aura mística , nenhum encontro social que se preze acontece sem um bom vinho e muitos pratos e o célebre movimento slow food, que estimula a valorização das tradições culinária regionais, surgiu na Itália em 1989.

Meu objetivo hoje é dar algumas dicas do caminho das "massas, tomates , queijos e vinhos " para quem vai para Itália e não quer perder as delícias de cada região. As diferenças são muitas, e cada um se orgulha de seus produtos. Além disto não adianta você chegar na Toscana e querer comer um canolli siciliano que vai levar um desaforo de alguma mamma, tem que aprender a saborear também na época certa. Respeito pela tradição faz parte fundamental da cultura italiana. Mas vamos ao que interessa!

 

Piemonte : Queijo castelmagno, robiola e taleggio. Vinhos Barbera e Barolo e Barbaresco. Vinho doce de Asti. Trufas brancas e  negras de Alba. Panacota , doce de nata cozida com calda. Panetone Milanese.

Panacota Piemontesa

Ligúria: Pesto de Gênova, Vinho Valpolcevera.

Lombardia : Queijo gorgonzola e belpaese. Salames. Torrone de Cremona

Trentino Alto Adige : Vinho Santo e biscoito de amêndoas cantuccini.

Friulli- Venezia Giulia : Queijo montasio. Grappa. Presunto San Daniele. Vinho Pinot e Tocai.

Vêneto : Vinhos Valpolicella, Bardolino e Soave, que não é doce e nem suave.

Emília Romana : Vinagre Balsâmico de Módena. Mortadela de Bologna. Queijo Parmigiano Reggiano Grana        Padano de Parma e o frisante vinho Lambrusco.

Toscana : Vinhos Sassicaia , Tignanello e o Brunello de Montalcino. Queijo pecorino. Panforte di Siena, um doce de frutas secas.

Úmbria: Trufa negra de Norcia. Porchetta.

Lácio : Queijo pecorino romano. Spaghetti alla matriciana e carbonara e o leve vinho Frascati.

Sicília : Mini Tomates, pistache ,amêndoas e limão siciliano. Spaghetti alle vongole. Canollo, doce de ricota . Granita e Gelato em Notto. Caponata siciliana.

Granita , uma raspadinha com sabor de amêndoa e morangos

Sardenha : Queijo sardo. Vinho Cannonau e Carignano.

Mesa típica italiana

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Costa Amalfitana: il vero Dolce far niente por Milena de Oliveira

02 de outubro de 2011 4



A Itália é mágica! É puro deleite para todos os sentidos! Suas cores, formas, cheiros e sabores proporcionam um encantamento quase que imediato quando a conhecemos.

Dentre as diversas regiões turísticas da Itália, uma é especialmente bela: a Costa Amalfitana. Este pedaço singular do litoral italiano se estende entre Sorrento e Salerno, a 50 km ao sul de Nápoles, e compreende cidadezinhas históricas imperdíveis como Positano, Amalfi e Atrani. Percorrendo seus sinuosos 60 km do início ao fim, as paisagens são de tirar o fôlego de qualquer um e é aventura garantida para quem gosta de adrenalina.

 

De Ravello a Amalfi, pela “Costiera Amalfitana”

Construída sobre o penhasco, a estrada de mão dupla é tão estreita que em vários trechos não é possível dois carros ficarem lado-a-lado. Em outros, as curvas fechadas exigem manobras extremamente habilidosas dos motoristas, principalmente quando se trata de ônibus. Da janela, vêem-se casinhas, sobrados e igrejas acomodadas como se estivessem numa escadaria, em meio a uma vegetação exuberante, indo ao encontro do mais azul dos mares.

Classificada como patrimônio mundial da humanidade desde 1997, a Costa Amalfitana é procurada por turistas do mundo todo, especialmente europeus. Junho e setembro são os melhores meses para visitá-la pois, na alta temporada (julho e agosto), restaurantes, ruas e passeios em geral ficam cheios demais.

Sorrento é a maior e mais próxima cidade de Nápoles da costa. Chega-se lá após 1h de trem, o Circumvesuviana. Contudo, ainda é uma cidade pequena que concentra boa parte dos serviços no centro. Hotéis e restaurantes de categoria superior se espalham pela cadeia de montanhas que envolve a cidade, disputando a vista mais incrível. Lá de cima, bem ao longe, é possível enxergar o Vesúvio, vulcão inativo que em 79 d.C. destruiu as cidades romanas de Pompéia e Herculano.

 

Vista da terraza de um dos muitos hotéis em Sorrento

À altura do vilarejo também é possível se surpreender com o enorme rochedo sobre o qual a cidade se desenvolveu. Ao entardecer, este paredão de rocha calcária torna-se ainda mais belo, adquirindo os tons alaranjados da hora. Passear pelas ruelas estreitas, observando a arquitetura histórica e os artesãos locais trabalhando é um programa imperdível. À noite, a melhor pedida é jantar em um dos muitos restaurantes charmosos, com mesinhas na rua e comida típica. Pra finalizar, não esqueça de provar o limoncelo, licor feito com limões cultivados na região, tido como uma especialidade local.

 

        Uma delícia!                                                     

                                                                    

Piazza Tasso em Sorrento

 

Sorrento também é ponto de partida para quem quer conhecer as demais comunas da Costa Amalfitana, ou mesmo as ilhas de Capri e Ischia. Estas últimas são duas pérolas do mediterrâneo e podem ser visitadas em um dia cada, embora o ideal mesmo seja se hospedar por lá e ficar uns 3 dias para aproveitar ao máximo o que cada ilha oferece.

Amalfi destaca-se por ter sido a máxima potência marítima italiana durante a Idade Média. Por muitos anos no século X, concentrou-se ali toda riqueza proveniente do comércio mediterrâneo, monopólio anteriormente árabe, conquistado então pelos amafitanos. Assim, hoje, reconhecemos a herança desta época em algumas construções como a imponente Duomo de Sant’Andrea. Da sua escadaria ao seu campanário, tudo é rico em detalhes e história.

Em Amalfi, assim como Atrani, as ruas da vila são apenas peatonais e em alguns locais quase formam um labirinto. Há também passagens bastante apertadas e túneis onde é preciso curvar-se para não bater a cabeça no teto. Caminhar pelo interior da vila e depois até Atrani (5 minutos a pé) é o que de melhor pode-se fazer para contemplar as belezas do lugar.

Atrani é a menor comuna da costa, tendo apenas 956 habitantes. Sua estrutura turística é precária comparado-se com as demais vilas, e talvez seja esse o segredo que a torna uma das mais interessantes de se visitar, pois a preserva das mudanças negativas trazidas pelo turismo excessivo. Mas Atrani e Amalfi se revelam mesmo ao cair da noite, quando a maior parte dos turistas já se foram e as comunidades retornam ao ritmo sossegado dos seus moradores. Somente quem se hospeda numa das poucas hospedarias tem o privilégio de ver os meninos jogando bola na calçada, as senhoras conversando nos bancos da praça e os compadres bebendo e jogando no bar, cenas de uma vida simples, parada no tempo para quem está acostumado aos centros urbanos.

 

 Piazza de Atrani ao cair da noite       

                              

  Praia de Atrani

Ao contrário disso, Positano aparece como uma ótima opção para quem aprecia maior diversidade de serviços e comércio de qualidade. Destaque para a arte cerâmica local que é encontrada por toda parte, bem como para a conservação das vias e das casas, sempre decoradas com flores na primavera. Ao subir suas ladeiras, tem-se como recompensa uma vista maravilhosa, porém não mais encantadora do que aquela com que somos presenteados ao se chegar de barco no porto. Nesta última, Positano vai se descortinando aos poucos, a medida que nos aproximamos lentamente. Bem de frente, enxergamos sua praia principal, suas casas multicoloridas morro acima e a majestosa cúpula da sua duomo, repleta de azulejos cerâmicos em tons de amarelo, azul marinho e verde escuro.

 

 Chegando de aliscafo (barco rápido) em Positano

 

 A arte está presente nas ruas de Positano

Ravello, por fim, fica a 330 metros acima de Amalfi, foi construída sobre o precipício e por isso mesmo nos oferece uma das paisagens mais deslumbrantes de toda Costa Amalfitana. Um dos seus cartões postais é a vista que se tem a partir do mirante da Villa Rufolo, com seus jardins geométricos em primeiro plano e as comunas de Maiori e Minori à beira do Mar Tirreno ao fundo.

Ravello também é conhecida como a cidade da música da região da Campânia. Foi entre as suas belezas que o famoso compositor Ricardo Wagner, na segunda metade de 1800, obteve inspiração para compor algumas de suas obras mais conhecidas. Data desta época o início de uma estreita ligação entre a música erudita e este simpático vilarejo. Hoje, Ravello se orgulha de sediar um prestigiado festival de música clássica anualmente e ter recém inaugurado a Auditório Oscar Niemeyer para este propósito. Projetado pelo renomado arquiteto brasileiro, este anfiteatro foi motivo de discussão durante 10 anos pois temia-se  que sua concepção moderna pudesse impactar negativamente sobre o conjunto arquitetônico secular da cidade.

 

Vila Rufolo

 

                                                                                                      

 O projeto polêmico foi finalmente aceito

 

Sorrento, Amalfi, Atrani, Positano, Ravello,... Por tudo isso e muito mais, a Costa Amalfitana é especial e vale cada instante que passamos entre suas praias, montanhas, sua gente alegre e hospitaleira, sua gastronomia e atmosfera mediterrânea. É daquelas viagens que guardamos com carinho e saudade, e para onde sempre desejamos retornar. Lá é o lugar para se curtir a vida ao melhor estilo italiano e vivenciar a essência da expressão dolce far niente.