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Posts na categoria "Portugal"

Ilha da Madeira por Maria Amélia Flores

31 de agosto de 2012 0

Muito mais do que uma ilha, muito além de belas paisagens: a Madeira é uma verdadeira jóia da coroa portuguesa. Localizada há 600 km da costa da África e cerca de mil kilômetros de Lisboa, esta pequenina ilha de apenas 740 km² é pura história. Seu arquipélago também é pequeno: no seu entorno estão micro ilhas Desertas e Selvagens, além de Porto Santo, com suas areias brancas e mar azul. A Ilha da Madeira tem apenas 55km de leste a oeste e 25km norte/sul, facilmente percorridos de carro ou ônibus - a estrutura de estradas e túneis é referência mundial. Seu aeroporto é o menor da Europa, com parte construída sobre o mar.

Ilha de Porto Santo

Foi descoberta em meados de 1400, no período das grandes navegações. O relevo vulcânico, muito acidentado, foi sempre o fator dificultante: praticamente não há áreas planas na Ilha. E aí está a sua beleza: como virou importante ponto de parada dos navegadores que seguiam as Américas ou ao caminho das Índias, precisava produzir frutas e alimentos. A forma era preparar os terraços e desenvolver tudo o que podia: até hoje é reconhecida pela qualidade das frutas, principalmente maracujá e bananas. Estas formas de cultivo criaram mosaicos impressionantes nos paredões de pedra, uma paisagem única e inesquecível. Sua principal cidade é Funchal, seguida de Câmara de Lobos (uma legítima vila de pescadores, o tipo físico e vocabulário lembra muito as populações do litoral de Santa Catarina). O isolamento garante a tranquilidade: a ilha é muito segura. O clima agradável convida a caminhadas. São famosos os cultivos de flores, os jardins são impecáveis: sempre parece ser primavera!

Vista dos vinhedos do norte da Ilha - Seiçal

Vale dar a volta na ilha, ver o Cabo Girão - o ponto mais ocidental da Europa, o isolamento do "Curral das Freiras", o mar azul do Seixal.
Dentre a história e sabores da ilha, o vinho é o elemento mais importante, o cartão de visita, o toque gastronômico. Afinal, quem não conhece o molho Madeira? O autêntico tem que ser feito com o vinho Madeira. Mas bem longe do seu uso na cozinha, este vinho único é diretamente vinculado a história das grandes navegações.

Como último ponto de parada antes das caravelas seguirem cruzarem o Atlântico, em épocas em que água potável era artigo de luxo e doenças como escorbuto eram um dos maiores desafios do caminho, ter vinho a bordo era fundamental para a vida da tripulação. Na Madeira, começava a produção: o clima úmido, o difícil cultivo, o pouco conhecimento, fazia surgir um vinho branco muito ruim, que se oxidava muito rapidamente, ficava muito ácido, pouca graduação alcoólica. Assim, como era o que havia disponível, cabia aos marinheiros consumirem para sobreviver. Com o tempo, buscando melhorar o gosto do vinho, os marinheiros começaram a misturar rum à bebida.

Nas caravelas, os barris eram guardados tanto no fundo quanto na parte superior das mesmas, auxiliando no contrapeso do barco. Ficavam expostos a sol, frio, umidade. Em certo dia, um barril que continha vinho misturado a rum sobrou em uma viagem, retornando a ilha. A surpresa foi de que o vinho estava muito superior em relação ao que havia saído da Ilha: algo havia acontecido, mas não se sabia o quê. Para repetir o processo, passam a colocar barris com vinho mesclado ao rum a girar em barcos pelo oceano, ficando conhecidos estes como "Vinhos de Roda". Em seguida, descobriu-se que as condições de calor e umidade forçavam uma lenta oxidação que, quando combinada ao álcool vínico e açúcar residual da própria uva, fazia surgir aromas e sabores únicos, além de um vinho praticamente indestrutível.

As principais uvas cultivadas na iha da Madeira são Malmsey (Malvazia), Boal, Sercial e Verdelho, além da Terrantez (em processo de extinção). São milhares de pequeninos produtores que cultivam as uvas em terraços, com seis importantes vinícolas, localizadas entre Funchal e Câmara de Lobos, lado sul. A ilha elabora cerca de quatro milhões de litros. Madeira Wine Company, Pereira D'Oliveira, Henriques, HM Borges, Justino's além da pequenina Barbeito (uma boutique, considerada por Jancis Robinson "o Chateau Lafite da Madeira") levam para o mundo esta cultura, além de preservar o estilo, a história e suas coleções de vinhos antigos. Há também um movimento de pequenos produtores na parte Norte da Ilha, na região de Seiçal, elaborando vinhos brancos de autor.

Os vinhos da Ilha são fortificados, sendo excelente opção de aperitivo ou sobremesa. O mágico é degustar os Madeiras antigos: este processo de elaboração os deixa praticamente indestrutíveis. Os aromas delicados de um Madeira antigo remetem a nozes, mel, podendo variar conforme a uva utilizada. Se tiver a rara oportunidade de degustar um vinho centenário, aproveite, é uma experiência filosófica.

Durante o nosso próximo Tour de Vinhos a Portugal, reservamos três dias para explorar esta ilha e suas delícias. Selecionei as melhores vinícolas e melhores ângulos. A hospedagem é no hotel desenhado por Oscar Niemeyer. É a junção de vinho, arte, história e muita natureza, em um dos destinos mais charmosos do momento.

Maiores informações: http://www.portobrasil.com.br/PortugalTourdeVinhos.pdf

Passando por Lisboa

29 de agosto de 2012 5

Voltando da Europa agora em junho do ano passado, optei pelo vôo inaugurado pela TAP em 2011, Lisboa/Porto Alegre direto. Como o vôo sai de Lisboa as 9:40 da manhã, decidimos dormir em Lisboa e aproveitar a cidade.

Alguma semelhança com Copacabana?

E foi ótimo, Lisboa está muito legal, se come maravilhosamente bem e no verão,  com os dias longos deu pra ver muita coisa. Depois de uma rápida pesquisa na internet, achamos um lugar que alugava bicicletas a http://www.bikeiberia.com/ 10 euros para 4h.

Fizemos toda a margem do Rio Tejo, que é bem extensa de bicicleta, foi muito bom, pois a gente passa por várias atrações turisticas no trajeto, como o Mosteiro dos Jerônimos, pelos famosos pastéis de Belém, Torre de Belém, Monumento aos Descobrimentos, pelas Docas de Alcântara, onde tem vários restaurantes de peixes e frutos do mar, numa área legal na beira do rio que foi toda reformada.

Monumento aos descobrimentos

Mosteiro dos Jerônimos

Torre de Belem

Outro lugar muito interessante que você não pode perder é o Centro Cultural de Belém, um lugar multimidia, com várias galerias, exposições, cafés, restaurantes, lojinhas de museu e étnicas, esta foi a dica de um amigo brasileiro que mora em Lisboa.

Centro Cultural de Belem

Parada estratética em uma das cafeterias do Centro Cultural de Belem

Depois de entregarmos as bicicletas pegamos o elevador de Santa Justa que por 3 euros nos deixa no Largo do Carmo que fica no Bairro Alto / Chiado, um dos lugares boêmios e descolados da cidade.

Elevador de Santa Justa ou do Carmo

Pelas ruas do Bairro Alto

Caminhando sem muito compromisso achamos uma jóia, a Cervejaria Trindade, no local do antigo Convento da Santíssima Trindade, fundado no século  XIII. O lugar vale uma visita, as paredes tem vários painéis decorados com azulejos de inspiração maçônica, lindos. Sem falar que comemos um polvo maravilhoso lá.

Seguimos caminhando e deparei com uma loja bárbara, da fachada a gente não faz idéia da extensão meio labirintica do lugar, a loja chama Lost´in e bati altos papos com a dona, a Margarida.

 Ela tem coisas lindas, todas as roupas são confeccionadas na India, com aqueles tecidos indianos lindos, leves, mas com um design mais ocidentalizado.

 Nem preciso contar que fiquei maravilhada e esqueci do tempo lá dentro, para a grande sorte do Paulinho que estava comigo é que atrás da loja tem um terraço com uma vista linda da cidade, onde servem um tipo de mojito com frutas vermelhas e lá ele ficou bem distraído.

Ainda circulamos bastante pela região, nosso dia rendeu muito, acabamos comendo bacalhau neste quase boteco chamado " A antiga casa que faz frio

Última vista do Castelo de São Jorge, que domina o cenário da cidade.

Quanto ao vôo da TAP, eu só tenho a dizer que achei um luxo!! Embarcar em Lisboa de manhã e chegar em casa à tardinha sem aquele stress e horas de espera no Galeão ou em Guarulhos.

O único problema foi sair de lá com 30 graus e chegar aqui com 5.... também, nada que uma lareira não resolva.

Cervejaria Trindade: Rua Nova da Trindade, 20C -  Baixa/Chiado

http://www.cervejariatrindade.pt/

Loja Lost´in : Rua Dom Pedro V, 58

Lisboa mais perto de Porto Alegre em 2011.

01 de março de 2011 2

 

 

A TAP anunciou que a partir de junho terá 4 vôos semanais diretos entre Lisboa e Porto Alegre, vocês já imaginaram ficar livre de todas aquelas horas de espera em Guarulhos ou no Galeão?? Nem quero pensar no rombo na  minha conta bancária, pois ir pra Europa vai ser um abraço! Quase o mesmo que pegar o onibus aqui em Porto Alegre e amanhecer em Uruguaiana tchê!!

 Com essa idéia na cabeça, agora no verão quando fui passar uns dias em Paris, acabei agendando meu vôo pela TAP e resolvi passar 2 dias em Lisboa. Já faziam mais de dez anos que eu não ia até  Portugal e achei legal dar uma conferida na cidade.

Cheguei em Lisboa perto do meio-dia, apesar dos dias curtos de inverno ainda pude ver bastante da cidade que esta linda, muito cuidada, e teve muito da margem do rio Tejo reabilitada, onde antes era apenas cais de porto, eles construiram restaurantes, centros culturais, bairros totalmente novos na região do Parque das Nações, uma Lisboa moderna com cara de século XXI, onde morar e circular por ruas amplas e arejadas é sinônimo de qualidade de vida.

E isso sem perder aquele charme colonial, seus bairros centrais e tradicionais como o Rossio, Alfama, continuam com a mesma feição de antes, me lembrou muito São Luis do Maranhão, com fachadas de cerâmica e azulejos, sacadinhas, ruelas estreitas e muitas, muitas igrejas barrocas com fachadas familiares, afinal foram eles que um dia desembarcaram no Brasil e iniciaram a nossa colonização...





Como eu ia ficar por apenas 1 noite ,escolhi meu hotel depois de muita pesquisa, e acertei em cheio o hotel é simplesmente perfeito, lindo,sem ser pretencioso, tudo muito cuidado, café da manhã impecavel, produtos da L´Occitane, os quartos tem vista para o Rio Tejo. O hotel chama-se  Lapa Palacehttp://www.olissippolapapalacehotel.com/ .

Fica bem localizado no bairro da Lapa,  os taxis em Lisboa não são caros e detalhe, não sei se tive sorte, mas conheci um motorista de táxi que era simpático demais, muito gentil e brincalhão, tanto que no dia seguinte eu o chamei para me levar a fazer um tour pela cidade.


Esta era a vista da sacada do  quarto no Lapa Palace. Ao fundo o rio Tejo.

 


No primeiro dia depois de cilcular um pouco pela cidade e acabei parando na Cervejaria Brilha, um lugar bem tipico,  indicação de um amigo, pra comer um "prego" ...  que é uma espécie de sanduiche de pão francês com bife de filé dentro, claro acompanhado de um vinho tinto.

Cheguei em pleno dia dos namorados europeu que é no dia 14 de fevereiro, e eu sozinha acabei voltando para o hotel depois de ir ao cinema assistir ao maravilhoso Cisne Negro, filme com Natalie Portman. O hall do hotel é lindo, o prédio é um palácio do século XIX, e da recepção ouvi o som de um piano e fui até lá ver de perto, o pianista tocava num ambiente belíssimo, apenas para um hóspede do hotel e o som enchia todos os espaços, pedi ao garçom a coisa mais portuguesa que ele poderia me oferecer... um vinho do Porto, é lógico! Depois que o pianista soube que eu era brasileira tocou várias músicas nossas, linda execução.

Na manhã seguinte sai para fazer um belo passeio até a cidade serrana de Sintra que fica a apenas 35km de Lisboa. A rota é muito bonita, a gente vai costeando o mar, passando por Cascais, Estoril, estava um dia lindo.

 

 

Marginal que sai de Lisboa, passa por Cascais, Estoril, etc




Neste lugar conhecido como  "boca do inferno", seu Victor  parou pra tomarmos um expresso e para que eu pudesse admirar as ondas do oceano Atlântico batendo contra as pedras.

 

Seguimos e no caminho passamos pelo Cabo da Roca, que segundo dizem é o ponto mais ocidental do continente europeu. Como já dizia Camões nos Luzíadas " onde a terra se acaba e o mar começa".

 

 

Farol do Cabo da Roca

 

 

 

 

Começamos a subir a serra até Sintra, que é uma cidade pequenina, muito bonitinha, com vários atrações para se visitar, como o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, mas se você quiser ir só para almoçar ou  fazer um passeio, ok,  andar naquela região já é uma boa opção.

 

 

Cheio de esculturas pela cidade de Sintra.

 

 

 

 

Cafés e restaurantes no centrinho de Sintra.

De volta a Lisboa parei para almoçar na margem do rio, nas Docas de Alcantara, uma área que foi totalmente reabilitada, mais ou menos o que sonhamos que a prefeitura faça aqui em Porto Alegre no nosso cais do porto. O restaurante Cinco oceanos também foi indicação de amigos portugueses e lá pude saborear um robalo grelhado fantástico, acompanhado de um vinho branco Del a Deu.

 

 

Docas de Alcântara

Restaurante Cinco Oceanos.

Eu não poderia sair de Lisboa sem experimentar os famosos pastéis de Belém, seria quase uma heresia e como peixe é leve sobrou espaço para come-los como sobremesa e encerrar minha estadia em Lisboa com chave de ouro.

 

 

 Agora é só torcer para que as negociações da TAP com a Anac tenham êxito e que possamos estar brevemente a apenas uma noite de distância de Lisboa.

 

 

 

Rumo ao frio! Europa nos espera.

10 de fevereiro de 2011 4

Hoje estou aqui só para fazer um convite !

Estamos embarcando numa temporada de pesquisa para novos cursos e viagens. Nosso destino será Lisboa , Paris e Londres.

Prometemos deixar aqui muitas dicas e novidades. Estão todos convidados a nos seguir nesta viagem.

Aproveito para pedir dicas de quem andou por estes destinos há pouco tempo, aguardamos colaborações !

Abraços e até lá, brrrr!

Crônica de Lisboa

18 de agosto de 2010 5

O Paulo Pais é um português de Lisboa que conhecemos o ano passado no deserto de Erg Chebbi, no Marrocos. Imaginem vocês que estávamos ali no por do sol do deserto na maior tranquilidade, quando começamos a ouvir um buchincho em português! Eram estes 4 amigos, 3 portugueses e um brasileiro, estavam percorrendo o Marrocos de moto, jantaram conosco aquela noite e nos divertimos muito com as diferenças e semelhanças herdadas dos nosso colonizadores luzitanos.

A meu pedido o Paulo escreveu está crônica apaixonada sobre a sua cidade - Lisboa. Desfrutem!!

Visitar Lisboa

 

Sou apaixonado por Lisboa, vivi todos estes anos, cresci em Lisboa, vivi o espírito bairrista de Lisboa, mas, falar de Lisboa, é um prazer inenarrável, Lisboa encantos mil, lindas ruelas, lindos becos, mistério, magia, romantismo e momentos de grande nostalgia.

 Andar pelas ruas da baixa pombalina leva-nos imediatamente a séculos passados, parece que Lisboa ainda é a mesma, apenas nos damos conta que estamos no século XXI quando olhamos as roupas das pessoas que nos cercam.


Lisboa tem de ser desvendada a pé, é fascinante percorrer os lindos becos e caminhar pelo Chiado, um dos bairros mais típicos da capital de Portugal.
Surpreendemo-nos com a linda arquitectura pombalina, pois devemos a Marquês de Pombal a reconstrução quase total desta cidade encantadora  Lisboa ficou quase totalmente destruída depois do terramoto, Lisboa é uma verdadeira obra de arte arquitectónica, mesmo para quem sempre viveu aqui, descobre a cada passo pequenos pormenores que nos encantam.

Sempre gostei de viajar, e viajar é para mim um acto de cultura, superior a qualquer livro, é conhecer um pouco mais de um povo de uma cultura, desvendando segredos que só os naturais nos podem fornecer.

Esta crónica é um pouco disso, é o tentar mostrar em meia duzia de palavras, o que pode esperar de Lisboa, é o transmitir dentro das minhas capacidades de escrita o que se sente ao colocar uma mochila às costas, e partir sem rumo por Lisboa, tentando descobrir a cada passo, imagens que despercebidamente passaram ao lado em todos estes anos.

São sete e meia da manhã, de uma Sábado de sol brilhante, céu limpo, o frio matinal faz-me colocar um casaco por cima de um polo, sei que o tirarei em breve.

Olho para o Tejo, o meu Tejo, avista-se a outra margem, Almada, uma calma surpreendente enche-me de nostalgia, recordo as vezes que tive de saltar para dentro daquele rio para ir buscar bolas de futebol, sim as regras eram claras, quem atira tem que ir buscar, há trinta anos atrás uma bola de futebol valia ouro, para crianças que pouco mais tinham do que saber brincar.

 

 

 Belém

Olho para o Tejo , estou em Belém, um dos lugares mais bonitos de Lisboa, ao fundo de um lado avista-se a foz do rio, a mistura com um mar, forma uma ondulação de espuma branca, sempre foi assim, e sempre será, gerações inteiras viram estas ondas, gerações inteiras irão ver estas ondas, de uma coisa estou certo, iremos todos recordar este Tejo, do outro o Cristo Rei, como que a brindar Lisboa de braços abertos, como é bela esta paisagem ao mesmo tempo tranquilizante.

Inevitavelmente, e porque estou em Belém, tenho que ir comprar um pastel de nata, embora ache que é demasiado turístico, embora ache que não ficaria numa fila eternamente para comprar o dito bolo, não posso deixar de dizer que são mesmo deliciosos, peço dois com uma bica (café curto ) a canela e o açúcar por cima, são a combinação explosiva para nos tentar-mos ao terceiro, mas não, vamos passear que se faz tarde, e ainda temos muito para ver.

Embora Lisboa tenha do ponto de vista cultural e turístico, muito para ver, o meu objectivo é passear por Lisboa, é sentir os cheiros, sentir as pessoas.

Entro no eléctrico, coisa que já não fazia há anos, revivo mais uma vez o tempo em que este mesmo eléctrico me levava para todo o lado, bamboleando, lá sigo os trajectos mais antigos entre Belém e Santa Apolónia, a velha estação de comboios, zona mais antiga de Lisboa, passo por Alcântara, Santos, Cais do Sodré, onde fica o mercado mais antigo de Lisboa, o Mercado da Ribeira, não vejo o movimento de outrora, provavelmente estará desactivado, fruto dos grandes hipers que destruíram a vida das cidades.

 

Mercado da Ribeira

Como é bom desfrutar Lisboa, sem pressa, sem destino, decido ir à Feira da Ladra que se realiza todas as terças e todos os sábados, do nascer ao pôr-do-sol, por tendas, bancas ou mesmo por panos espalhados no chão, a especialidade é a segunda mão: móveis, ferro-velho, livros e revistas, roupa, dos discos de vinil mais antigos aos cds mais recentes, quadros, etc, etc.

Toda a espécie de antiguidades e objectos sobre cuja proveniência não se fazem perguntas, quanto mais cedo chegar-mos, mais hipóteses temos de fazer um bom negócio, é interessante ver aquele corrupio de gente.

Bebo mais um café, decido fazer as ruas estreitas da Graça, bairro muito bonito, com ruelas onde mal cabe um carro, o serpentear das ruas vai levar-nos até à baixa, o coração de Lisboa.

Passo Alfama, visitar Alfama é visitar a arquitectura, os sons e os odores da Lisboa antiga. Este é um dos bairros mais típicos de Lisboa. Nas suas estreitas e sinuosas ruas encontramos o tesouro escondido de Alfama e nas suas íngremes escadas respiramos a alma de Lisboa.

Em Alfama, ainda é possível ver vestígios das ocupações Romana e Árabe, duas das civilizações mais dominantes no passado de Lisboa.

As ruas estreitas, resultado da cultura Muçulmana, guiam-se por leis individualistas em que os espaços públicos não são importantes.

 Estas ruas são uma marca do Corão, onde pouco valor é dado às fachadas em detrimento do interior das casas.

Alfama foi em tempos lar de delinquentes, desafortunados ou ingratos e, devido à sua proximidade com o mar, foi também casa de muitos marinheiros.


Reconstruída pela população local depois do terremoto de 1755, Alfama correu o risco de ser demolida, o que felizmente não aconteceu uma vez que esta zona da cidade foi considerada um livro de história viva, onde o passado se mistura com o presente

Entro pelo Rossio a praça central de Lisboa, o corrupio de gente é apaixonante, famílias às compras, ou simplesmente a passear, o mendigo que tenta a sua sorte pedindo trocos, vejo a Rua Augusta a cair no Tejo, tiro mais umas fotos, quero chegar ao Chiado.

 

Rua Augusta

Subo a Rua do Carmo, lembro-me da musica dos UHF que imortalizou esta via, continua o tal subir e descer de mulheres bonitas em hora de ponta.

O Chiado é, hoje, uma área de comércio nobre com todo o tipo de facilidades e animação de rua.

 

Aqui encontramos hotéis, teatros, livrarias, museus, restaurantes, lojas de designers portugueses famosos e o famoso refúgio favorito de personalidades como Fernando Pessoa e Eça de Queiroz hoje eleito pelos alunos de artes :o café "A Brasileira".

Esta área tem aquele "je ne sais quoi", que não pode ser explicado... apenas sentido... Vê-se nos edifícios e vive-se na história do devastador fogo de 1988.

No dia 25 de Agosto de 1988, o Chiado foi devastado por um fogo que começou num armazém na Rua do Carmo e que se estendeu até à Rua Garrett.

 

Apesar de ainda serem visíveis algumas cicatrizes desse terrível acontecimento, um impressionante programa de recuperação devolveu ao Chiado a vida que em tempos teve e agora ele está melhor que nunca!

 

Apaixona-me Lisboa cada dia que passa, vejo os turistas a olharem com prazer para a minha cidade, e isto deixa-me orgulhoso, Lisboa é provavelmente a mais fascinante, apaixonante e satisfatória de todas as cidades da Europa!

Com céu azul todo o ano e um Inverno ameno, este Lisboa oferece oportunidades de compras fabulosas de “etiqueta de criador”, uma vida nocturna fantástica, empolgantes panoramas da cidade e do rio e um ambiente pitoresco onde eléctricos antigos nos levam através das estreitas ruelas empedradas até aos excelentes novos hotéis nas largas avenidas: o prático do antigo funde-se com a sofisticação do século XXI.

Agora, continuo para Alcântara, onde irei desfrutar do melhor prego do mundo com uma boa cerveja, porque andar por Lisboa dá fome, há 20 anos que frequento esta marisqueira e nunca comi mal, sempre que posso troco os restaurantes mais finos pela minha petisqueira “ Brilha”.

Depois? Depois regressa-se a casa com um sentimento de um dia bem passado, sentamos duas crianças ao colo e começamos contar a história de Lisboa…” Sou apaixonado por Lisboa…”

 

Até à próxima