Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Hungria"

Castelos, vinícolas e lagos - Pedalando pela Hungria

07 de novembro de 2014 1

Em agosto deste ano, verão na Europa, partimos em uma viagem em família pelo interior da Hungria. De bicicleta. Foi a melhor das aventuras, foram 7 dias pedalando entre lindos cenários, contato intenso com a natureza com as pessoas e degustando bons vinhos.

Contratei a mesma operadora que já tinha usado na nossa pedalada na Alemanha, a Bike Tours Direct, tudo funcionou muito bem e lá estávamos nós aterrissando em Budapeste. Um guia já nos esperava no aeroporto para nos levar até Vezprém uma cidadezinha a 122km de distância, onde começaria nossa viagem de bicicleta.

mapa bike Hungria

Este foi o nosso roteiro, já adianto que não foi uma barbada, fazíamos uma média de 40km por dia, o que de verdade não é nenhum problema, o que tornou o roteiro um pouco mais puxado foram as subidas. Como nosso roteiro incluia a região das vinícolas, estas ficam nas colinas acima do lago mais famoso da Hungria - o Balaton,  em alguns trechos encaramos umas subidas.

A Hungria tem um passado glorioso como parte importante do império Austro-Húngaro, e em Budapeste é onde este fausto e opulência se tornam bem presentes, o interior é lindo, mas bem mais modesto, afinal foram muitos anos vivendo sob o austero regime comunista.

Uma farta janta nos esperava no Hotel em Vezprém, aliás a comida servida em todo o nosso circuito foi deliciosa. Muito Goulash é claro, mas peixe grelhado e pernil de porco maravilhosos. Uma dieta variada e gostosa, pois precisávamos de toda a energia para pedalar!

IMG_0485

IMG_0488

Vezprém, também conhecida como a cidade das rainhas, porque foi aqui que a primeira rainha da Hungria, Gisele da Baviera,  e todas outras rainhas que se seguiram, foram coroadas. Visitamos a cidade antiga que tem um castelo e vários lugares históricos. A cidadezinha tem um astral legal, restaurantes, bares e bastante gente na rua.

Na manhã seguinte voltou nosso guia do dia anterior, que era igual ao tenista sérvio Djokovic, ele que levaria nossa bagagem diariamente até  nosso próximo destino e mais um guia que nos explicou todo o programa, nos entregou as bicicletas, mapas e o GPS, pois nosso roteiro era self guided, ou seja, nós conosco mesmo, éramos donos do nosso tempo, nosso único compromisso era deixar as malas até as 9h da manhã na portaria dos hotéis por onde passávamos.

IMG_5719

Partiu! Saimos de Vezprém em lindo dia de verão, nosso destino a cidade balneária de Balatonfured que ficava a 38Km de distância.

IMG_0103

Tudo super florido, muitas igrejas pelo caminho que era quase todo feito em ciclovias.

IMG_0107

Primeira vista do grande lago Balaton.

IMG_0036

Paradas ótimas no trajeto.

IMG_5671

Almoço no meio de um bosque, fresquinho, já estávamos quase no nosso destino.

IMG_5698

 O primeiro Goulash da viagem, a gente nunca esquece :) !

IMG_0046

Chegamos em Balatonfured à tardinha, a cidade é tão animada como as nossas praias no verão, cheia de restaurantes, bares, uma marina com muitos veleiros e muitas barraquinhas para degustar os vinhos da região.

IMG_5707

IMG_0081

Nosso hotel de Balatonfured era muito bom, com piscinas térmicas e restaurante bem servido. Importante – no nosso roteiro o regime era de meia pensão e o vinho sempre estava incluido! Para nossa alegra! :)

IMG_0425

Dias lindos de verão nos acompanharam nesta semana, pegamos também um temporal de verão, tomamos banho no lago, fizemos pic nics, visitamos castelos, o interior da Hungria e lindo e merece ser visitado.

IMG_5946

IMG_0313

Muitas lavouras de Girassóis pelo caminho.

IMG_5999
IMG_5849

Maças maduras.

IMG_5703

Veados em um parque nacional.

Em Tótvázsony, paramos em uma pousada nas colinas de vinhedos, em uma vinícola, um lugar lindo, tranquilo cercado de parreirais.

IMG_0219

IMG_6563

Um lugar que gostamos em especial foi Tihany, onde existe uma Abadia Beneditina de 950 anos, construída no topo de um vulcão extinto de onde se tem vistas incríveis de toda a peninsula.

IMG_6009

IMG_0372

 Vista de cima em Tihany.

IMG_5800

Vale logo abaixo do Castelo de Szigliget, destruído no século XVI pelos invasores turcos.

IMG_6616

Pic nic e sesta na grama macia, para fugir da hora mais quente do dia…

IMG_6689

Nas margens do Lago Balaton, as pessoas ficam como na praia.
IMG_0405

Foi uma semana memorável em familia, uma opção de viagem que eu super recomendo, agente não precisa ser super atleta para fazer e se divertir muito.
No próximo post vou contar sobre nossos dias em Budapeste, cidade impactante, belíssima, onde alugamos um apartamento ótimo, localizado no meio da muvuca por um precinho muy amigo!

IMG_0474

Pastor na volta a Vezprém.

IMG_0494

Último por do sol no interior da Hungria, no dia seguinte iríamos para Budapeste.

Foi uma semana memorável em familia, uma opção de viagem que eu super recomendo, agente não precisa ser super atleta para fazer e se divertir muito.
No próximo post vou contar sobre nossos dias em Budapeste, cidade impactante, belíssima, onde alugamos um apartamento ótimo, localizado no meio da muvuca por um precinho muy amigo!

Ahh eu não poderia encerrar o post sem apresentar nosso amigo Djoko com o Paulo, para vocês!

IMG_6103

Subindo ao Palácio Real de Buda

15 de dezembro de 2011 2

O último capítulo da saga de Luciano Terra em Budapeste

 PALÁCIO REAL

Vindo-se do lado de Peste e tomando-se o funicular que sobe o morro do palácio chegamos ao portal de entrada do mesmo: o arco do palácio totalmente talhado em pedra branca e ferro forjado. Nele os símbolos da dinastia húngara são retratados e podemos ingressar na residência real.

Primeiramente construído no século XIV foi sofrendo as interferências de várias épocas até chegar no que é hoje: uma mistura de estilos. No seu interior hoje estão diversas galerias de arte e a visitação é aberta ao público. A vista do alto e de dentro do palácio é extremamente privilegiada e já vale a visita. Os jardins super cuidados e todas as esculturas que ornam seu interior e exterior vêm totalmente de encontro ao bom gosto europeu.

Contornando o palácio e entrando em seus pátios pode-se encontrar em um deles a mais bela fonte de Budapeste: a Fonte de Matias (Mátyás-kút).

Fonte de Matias

Todo o complexo do Palácio é fantástico e o melhor é perder-se por seus aposentos e pátios e ir descobrindo construções maravilhosas. Se estiver um dia de sol, contemplar Peste e sua beleza de um dos mirantes é algo inesquecível.

 

IGREJA DE MATIAS (MÁTHYÁS TEMPLOM)

Este templo tem seu nome devido ao grandioso rei dos húngaros Matias que mandou construir no século XV a torre mais esbelta que ainda hoje se destaca na construção. A mesma foi palco de muitas coroações de reis. O interior de caráter neogótico transmite um clima medieval, uma intimidade aconchegante.

Ao lado desse templo está uma das construções mais interessantes de Budapeste: o Bastião dos Pescadores.

  Bastião dos Pescadores

BASTIÃO DOS PESCADORES (HALÁSZBÁSTYA)

Localizado no alto de um penhasco, ao lado do templo de Matias e de frente para o Danúbio, se encontra o complexo do Bastião dos Pescadores. Uma construç ão com um estilo que remete à idade média e que encanta seus visitantes, pela beleza e pela vista de praticamente toda a cidade.

Neste local há a estátua do fundador do estado Húngaro, o monumento a São Estevão. Primeiro rei húngaro deve-se a ele o cristianismo no país. Aqui o clima medieval é festejado e artistas fantasiados e com seus falcões nos remetem a séculos atrás. Um clima fantástico e totalmente bucólico.

Aproveite o momento e chegue perto de um dos mirantes, nele você poderá ver o sistema de radiais e bulevares do lado de Peste, as pontes do rio, a llha de Santa Margarita e bem a sua frente o Parlamento Húngaro. Uma vista totalmente fantástica. Aqui você entenderá a grandiosidade dessa cidade do leste europeu. 

PARQUE DAS ESTÁTUAS

O que fazer quando se ganha a liberdade depois de tantos anos? Ignorar o passado e seguir em frente? Eliminar todos os vestígios dessa época de dor e opressão e viver como se nada tivesse acontecido? Não, em Budapeste foi um pouco diferente. Lá, ao invés de destruir todas as lembranças de um tempo que todos querem esquecer, foi criado um parque, afastado da cidade e sem nenhuma ostentação, para lembrar a todos o que realmente aconteceu no período de dominação comunista.

Tomando-se um ônibus no centro da cidade você consegue chegar ao subúrbio de Budapeste e se deparar com o “gigantismo” das estátuas comunistas. Vale a pena sempre lembrar que a mensagem que os soviéticos queriam passar era: estado grande, cidadão pequeno. Nada como mostrar ao cidadão a sua insignificância para ele acreditar que não é alguém e se submeter a todos os tipos de desmandos de um governo totalitarista.

Nesse parque (que nada mais é que um pátio murado) estão algumas das estátuas que ficavam espalhadas pela cidade no período comunista. O que impressiona realmente é o seu tamanho. Destaque para as botas que restaram de uma gigantesca estátua de um lider comunista. Vale a visita para entrar um pouco no clima e sentir como terá sido esse tempo no leste europeu.

 

E assim foram nossos dias na capital Húngara. Dias de muita cultura, de muita contemplação e reflexão. Caminhar pelas ruas dessa cidade e sentir ainda a energia de um povo que se libertou e acordou depois de tantos anos nos trouxe fortes emoções. O espetáculo das luzes às margens do rio Danúbio em uma noite estrelada ficará eternamente em minha memória.

A beleza e o encantamento de visitarmos um país não tão conhecido e voltarmos com novas informações é maravilhoso.

Às vezes precisamos abrir um pouco mais a mente e ir em busca dessas culturas e linguas “estranhas”, pois somente vendo de perto o desconhecido poderemos entendê-lo um pouco melhor e com isso diminuirmos o nosso possível preconceito a seu respeito.

Hotel Géllert

Vá até lá e depois nos conte, tenho certeza que você não irá se arrepender. Boa viagem!

Vamos a Peste? Desbravando a Hungria por partes com Luciano Terra

09 de dezembro de 2011 1

Casa do Terror

No número 60 da Avenida Andrassy está um dos museus mais impressionantes que já visitei até o momento. Hoje esse prédio é um museu, porém nem sempre foi assim. Nesse número da avenida Andrassy, nesse mesmo prédio, ocorreram as maiores atrocidades da história Húngara do século XX. O mesmo representa toda a vergonha e a tragédia de dois períodos de verdadeiro terror para esse povo.

Casa do Terror

Inicialmente, na primeira metade da década de 1940, esse prédio, conhecido na época como “A Casa da Lealdade”(Hüség Háza), foi o quartel general dos Nazistas Húngaros. Após o fim da segunda guerra mundial e a queda do nazismo, o mesmo se transformou, de 1945 a 1956, no quartel general  das duas organizações comunistas :ÁVO e após ÁVH. As vítimas e os algozes podem ter mudado, porém o terror e a perseguição continuaram como nos tempos do nazismo. Torturas, prisões arbitrárias, perseguições. A população Húngara nunca sabia se não iria terminar o seu dia nos porões dessa residência.

Hoje, na forma de museu, a Casa do Terror quer celebrar as vítimas de todo esse passado, mas também lembrar a todos os atos terroristas dessas duas ditaduras e pedir para que o povo jamais deixe que isso volte a ocorrer novamente.

Na entrada desse museu o visitante já leva “um soco no estômago”. Imagine a cena: no centro de um saguão com paredes repletas de fotos preto e branco em alto relevo de todas as vítimas do terror mencionado, sobre uma estrutura trapezoidal, descansa um tanque de guerra em tamanho real. Essa estrutura trapezoidal na realidade é uma fonte de onde escorre por todos os seus lados um óleo escuro e denso, em uma cascata de fluxo suave e sutil, sem emitir som algum, apenas aquela imagem de uma substância viscosa escorrendo suavemente até a base. A luminosidade, o cheiro, o clima, fazem o visitante mergulhar diretamente na energia do lugar. Novamente, os sentimentos afloram e um misto de revolta, medo, compaixão vêm à tona de uma só vez e você se sente totalmente vulnerável àquela situação, onde você poderia ter sido a vítima, mas também poderia ter sido o algoz.

Após esse choque inicial você mergulha em várias salas que contam toda a história desses dois períodos de terror húngaro. Uma outra parque interessante são os porões do prédio onde estão até hoje as celas de prisão e tortura, todas tão bem preservadas que você poderá ter a sensação de ouvir os gemidos e gritos da última vítima do local.

Por fim, uma sala com todas as fotos dos algozes das duas épocas (nazistas e comunistas) e o mais interessante: em cada foto a data de nascimento e morte de cada um deles. Alguns com a data de morte ainda em branco, ou seja, será que aquele doce velhinho que você cruzou na última estação de trem não seria um deles?

Se ficou curioso e quiser mais informações entre no site: www.terrorhaza.hu

 CATEDRAL DE SÃO ESTEVÃO (SZENT ISTVÁN BAZILIKA)

Construída em um período de 50 anos possui em sua arquitetura a influência de três arquitetos que lideraram seu projeto no decorrer de todo esse tempo em obras. Foi inaugurada em 1905 e mistura os estílos classicista e neorenascentista. Seu interior é grandioso com afrescos de artistas húngaros famosos e tem uma nave espetacular. Há ainda a possibilidade de subir até um mirante ao redor de sua nave principal e a vista de lá lhe dá a possibilidade de ver Budapeste nos seus 360 . Pode-se ver o Parlamento, o rio, Buda e seu castelo, o mercado público e muitos dos belíssimos prédios da região.

 

MERCADO CENTRAL (KÖZPONTI VÁSÁRCSARNOK)

O prédio do Mercado Central de Budapeste é um espetáculo a parte. A beleza já começa de longe quando pode-se avistar o mosaico colorido de seu telhado. Este prédio inicialmente foi uma estação ferroviária porém o seu interior foi reformulado e se transformou no maior mercado fechado da cidade. Ali você poderá encontrar todas as curiosidades populares da cidade: comidas típicas, artesanatos e muito mais. Vale uma visita no final da tarde para um lanchinho e um café.

 

PARLAMENTO (ORSZÁGHÁZ)

O parlamento foi inaugurado em 1896, quando a Hungria celebrou o seu aniversário de 1000 anos, e ali foi realizada uma assembléia nacional, porém o prédio só foi terminado em 1904. O prédio possui duas alas simétricas intermediadas pela cúpula de 96 metros de altura. Nas duas alas, que são idênticas por dentro e por fora, trabalharam a Câmara dos Nobres e a dos Burgueses. Hoje em dia o país possui apenas uma câmara que funciona em uma das alas. A outra, que está vazia, pode ser visitada em grupos organizados. A maioria dos afrescos e vitrais são obras de dois famosos artistas húngaros: Károly Lotz e Mihály Munkácsy.

A vista a partir da beira do rio Danúbio em frente ao Parlamento é maravilhosa. Caminhar pelas escadarias ao longo da margem do mesmo e ver de um lado os detalhes desse grandioso prédio e do outro lado a parte medieval de Buda é um passeio imperdível. O danúbio pode não ser azul, mas isso nem irá fazer falta com tudo que você poderá ver ao seu redor.

Homenagem aos judeus

Caminhando por essa mesma margem encontramos sem querer um dos “monumentos” mais tocantes da cidade. Com tantas histórias de sofrimento e superação sempre temos que estar atentos aos sinais do passado e de homenagens ao mesmo. Ali bem ao lado do rio, encontramos uma homenagem muito simples, um monumento sem pompa, sem grandiosidade física, mas de uma delicadeza tocante. Sapatos fixados à lage da calçada, com suas pontas apontando para o rio, para as águas gélidas do Danúbio. Ao olhar para essa cena você se pergunta: e os seus donos, onde estariam? Ao ver que o estilo dos sapatos são da década de 1940 não precisa dizer mais nada. Esses sapatos são uma homenagem às centenas de judeus que desapareceram para sempre na época do nazismo e que todos sabiam que eram jogados ao rio desaparecendo em suas águas para sempre. Apenas um lembrete daquilo que um dia foi uma das maiores atrocidades da humanidade.

O DANÚBIO E SUAS PONTES

O rio Danúbio separa e ao mesmo tempo une os dois lados de Budapeste. Por causa dele que a cidade foi construída ali. Em tempos idos a navegação era fundamental para o transporte de pessoas e cargas e ainda hoje é possível chegar a Viena e outros locais da Europa pelo Rio. Além de seu lado “prático” o rio traz uma beleza especial à região. A vista de um lado ao outro, as construções e morros, seus penhascos e toda a história encantam os visitantes.

PONTE DAS CORRENTES- Por muito tempo as duas margens do rio apenas interagiam através de barcos e balsas que bailavam de um lado a outro do rio. Porém quando a primeira ponte de pedra foi construída no começo do século XIX a relação entre os dois lados se intensificou. Até hoje essa ponte é conhecida pelo mesmo nome: A Ponte das Correntes (Lánchid). A obra seria uma ponte suspensa em correntes de ferro enormes, com poucos pilares no rio devido a sua grande correnteza. Para se ter uma ideia da sua importância, naquela época a outra ponte fixa do Danúbio ficava apenas em Viena. As decorações de ferro fundido transmitem dignidade, calma e equilibrio,e leões monumentais guardam a entrada da ponte.

A ponte que temos hoje não é a mesma que foi inagurada no século XIX e sim uma cópia fiel a mesma. A primeira foi totalmente destruída na segunda guerra mundial como objetivo estratégico de separar os dois lados da cidade.

PONTE DA LIBERDADE (Szabadság hid) – esta ponte foi construída em 1896 e naquela época era a maior ponte do mundo que se baseou na técnica famosa de Gerber, onde se constrói dois pilares e depois se coloca um outro corpo independente que liga as duas extremidades.

PONTE DE ISABEL (ERZSÉBET-HID) – construída em homenagem à imperatriz Sissi do império austro-húngaro, ela foi a primeira ponte suspensa de grande envergadura  a não ter pilares na água. Também destruída completamente no final da segunda guerra mundial foi a última a ser reconstruída, apenas em 1964. Esta não foi reconstruída exatamente como a anterior e perdeu muito de suas ornamentações, porém se manteve esbelta como se flutuasse sobre a água do rio.

Hoje em dia o rio possui outras pontes que fazem a ligação das duas partes da cidade em pontos estratégicos e importantes. O rio já não é mais uma barreira de separação e sim um elo entre partes de uma mesma cidade e de uma mesma nação.

Seguimos na próxima com uma visita a Buda.

Budapeste - duas cidades unidas por um rio. Por Luciano Terra

06 de dezembro de 2011 10

Como bons viajantes já tínhamos o roteiro de ônibus e depois metrô até o nosso hotel e essa tarefa foi extremamente fácil, já que tudo é muito bem sinalizado. O primeiro estranhamento, sendo este o primeiro país do leste europeu que visitamos, foi das estações antigas do metrô e da ausência de controle e de roletas na entrada das mesmas. Um “quê” de civilização que não estamos acostumados por aqui.

Instalados no hotel partimos para a melhor parte de toda viagem: desbravar um novo território. Início de noite e saímos a caminhar sem rumo pelas redondezas e ao final de uma grande avenida nos deparamos com uma estação de trem fantástica (que mal sabíamos seria nela que tomaríamos o trem ao final da visita rumo a Viena), nela descobrimos que ali foi uma das paradas do tão famoso Expresso do Oriente que ligava Paris a Istambul em tempos idos. Uma jóia da arquitetura e um charme a parte no leste Europeu.

Já que falamos em charme a primeira noite foi encerrada com um cafezinho no mais que charmoso café New York, do Hotel New York Palace que por acaso ficava nas proximidades de nosso hotel e que é considerado um dos 10 cafés mais bonitos do mundo.

Hotel New York Palace

PRIMEIRA MANHÃ EM BUDAPESTE – AVENIDA ANDRASSY  

Budapeste na realidade são duas cidades unidas por um rio: o Danúbio. De um lado Buda, do outro Peste.

No lado de Peste as avenidas  partem do rio e dirigem-se aos arcos da cidade, cruzando bulevares são raios de uma roda gigantesca. Esse sistema também se encontra no lado de Buda, porém não de forma tão clara.

Vista de Peste a partir do Palácio Real

Vista de Buda

Uma dessas avenidas de Peste é a Avenida Andrássy que liga o centro ao parque Municipal. Sendo assim, em uma manhã nublada e fria pegamos o metrô na estação ao lado de nosso hotel rumo ao final dessa avenida para iniciarmos o nosso passeio de volta pela superfície. A nossa estação final seria a Széchenyi Fürdö (sim, vá acostumando com os nomes, você terá que checar no mapa pelo menos umas três vezes para conseguir assimilar as palavras. Sobre a pronúncia? Esqueça, se você nunca teve aulas de húngaro não fará a mínima idéia. Use o bom senso e dê muitas risadas nessa comunicação quase impossível!) que fica dentro do parque Municipal.

O parque Municipal é o maior parque público de Budapeste e, a mais de 250 anos, é o local preferido das pessoas. Ele é repleto de prédios históricos, restaurantes típicos, zoológico, circo, parque de diversões e as termas de Széchenyl que aproveita as fontes termais de 74 C que aqui brotam da terra. Em dias frios você pode ver o vapor saindo das águas dos laguinhos do parque.

Em frente às termas está o Castelo de Vajdahunyad (Vajdahunyad vára) construído em 1896 para ser o Pavilhão da História. Em frente a esse castelo há um lago que no verão é utilizado para andar de barco e no inverno para patinar no gelo. Como pegamos o começo da primavera o mesmo estava seco na transição de uma função para a outra (teremos que voltar no inverno para patinar!).

Castelo de Vajdahunyad

Saindo do parque em direção à avenida Andrassy chega-se a um dos principais cartões postais de Budapeste: a praça milenária ou Praça dos Heróis (Hösök tere). Lembra da foto na Zero Hora lida no avião? Então, este foi o cenário da mesma.

Praça dos Heróis

A praça dos heróis é um imenso espaço aberto ladeado por dois museus (Museu de Belas Artes e Sala de exposições) com prédios fantásticos e super bem cuidados que valem a visita, e ao fundo por um monumento espetacular aos heróis húngaros.  No centro desse monumento há um obelisco de 36 metros de altura dedicado à glória. Em cima o arcanjo Gabriel levanta os símbolos do reino húngaro. Há ainda duas colunatas de 85 metros de largura onde sucedem-se os reis, governadores e os revolucionários mais importantes do país. Em cima, nos pontos extremos da colunas, podemos ver quatro conjuntos de estátuas alegóricas de bronze representando o Bem Estar, a Guerra, a Paz e a Sabedoria.

Representação da Guerra

Vendo tamanha beleza não pude deixar de imaginar como terá sido nos tempos de submissão ao bloco soviético, onde os comunistas espalharam estátuas gigantescas, e de mau gosto, por todas as partes representando o trabalho, Lênin e tantos outros símbolos da URSS. Essas estátuas precisavam ser gigantescas para mostrar ao povo que o governo tinha a força e o cidadão era apenas um ser minúsculo e que tinha apenas que se submeter aos seus mandos e desmandos. E aí entra uma das grandes curiosidades de Budapeste.  Esta foi a única cidade a preservar algumas dessas estátuas, não em seus lugares de origem, mas em um parque afastado que falaremos mais adiante.

Deixando a praça dos Heróis no sentido oposto ao Parque Municipal, entra-se na Avenida Andrassy, uma das principais vias de Budapeste e local de reunião da aristocracia, de prédios históricos, praças e rara beleza. Caminhar por essa avenida nos remete diretamente ao passado e sentir a atmosfera nostálgica aflora sentimentos, que aliados ao conhecimento da história do local, ambíguos, de dor, saudade e paz. Não tem como não se imaginar em tempos idos, durante a primeira e a segunda guerras, lembrar dos nazistas, dos comunistas e sentir o que este povo deve ter passado em todos esses anos. Porém, também imaginar como se sentem agora, livres de toda essa opressão de anos sem fim, de censura total e irrestrita.

A Avenida Andrassy é assim: prédios fantásticos, com fachadas que são obras de arte, casas impecáveis e praças históricas perfeitamente bem cuidadas. Em um primeiro momento uma avenida residencial, porém que vai se tornando mais agitada e comercial à medida que vamos nos aproximando do centro. Nela está a Ópera Nacional da Hungria (Magyar Nemzeti Operaház) prédio pomposo do final do século XIX. Entretanto, para mim, o ponto alto desta avenida está em um prédio chamado: CASA DO TERROR , conto para vocês no próximo post.

 Ópera Nacional da Hungria

Hungria , um pouquinho de História. "Um povo Magiar no meio de tantos Eslavos"

06 de dezembro de 2011 4

 Um relato envolvente do nosso colaborador Luciano Terra.

A viagem a Budapeste começou em um final de manhã de outono do hemisfério sul. Três voos, duas conexões e muitas horas nos aguardavam; chegaríamos ao nosso destino somente no outro dia, no final da tarde no horário local. Ao entrar no primeiro voo, ainda em Porto Alegre, recebi uma Zero Hora da comissária de bordo e ao abri-la me deparei com uma foto da Praça dos heróis Húngaros, um dos cartões postais de Budapeste. Um dia antes haviam tido manifestações pela paz mundial e naquela foto o símbolo da paz, esculpido por velas e centenas de pessoas, anunciava que nossa viagem seria especial. Um prenúncio que nos deu energia para enfrentar tantas horas de viagem e nos remeteu diretamente ao nosso destino.

Sempre tive uma grande atração e curiosidade em relação a Budapeste. Minha orientadora de mestrado era húngara, vinda ao Brasil em um dos últimos navios antes de começar a segunda guerra mundial, e sempre falava sobre a sua terra e seu povo. Muitas vezes havia presenciado diálogos entre ela e sua mãe e aquela lingua me fascinava. Tão diferente, tão complexa a nossos ouvidos. Só não imaginava o quão realmente complexa ela era também na escrita, o que pudemos comprovar “in loco”, tentando ler nomes de ruas impossíveis de assimiliar.

Catedral de São Estevão vista de Buda

UM POUCO DE HISTÓRIA – TENTANDO ENTENDER OS SENTIMENTOS AO VISITAR BUDAPESTE

Como explicar o que senti ao visitar Budapeste? Essa é uma pergunta que me faço até hoje e que muitas vezes não tenho resposta. Ao chegar lá e me deparar com esse país que despertou mais uma vez para o progresso e a liberdade há tão pouco tempo, depois de muitas décadas de entorpecimento e mão de ferro do bloco soviético, as sensações vieram à tona totalmente descontroladas. Um misto de dor no peito, de sofrimento, de saudade de algo inexplicável, de ternura e compaixão brotou em mim sem que eu pudesse compreender. Esses sentimentos me acompanharam durante todo o tempo que fiquei por lá e a cada lugar visitado, a cada monumento visto, as sensações foram apenas crescendo e precisei parar e tentar entender isso tudo.

Um povo Magiar no meio de tantos Eslavos. O preconceito e a luta começaram desde cedo e a história húngara é feita de batalhas pela liberdade e respeito. Os húngaros veem de duas raízes: fino-ugórica e turca, que se uniram por volta dos anos do nascimento de Cristo. Seu idioma também deriva destes dois idiomas antigos. Os povos parentes dos húngaros na Europa são os finlandeses e os estonianos.

 

A Hungria, para a maioria das pessoas deste lado do planeta, normalmente é uma incógnita, sabe-se muito pouco sobre esse país, sua história e seu povo. Sendo uma dessas pessoas, fui em busca de algumas literaturas sobre a história e cultura húngaras, para tentar entender um pouco mais da estrutura e valores dessa terra tão distante do leste europeu.

O primeiro livro que li foi “Hungria 1956… e o muro começa a cair”, um relato fantástico do levante húngaro desse ano, onde pela primeira vez um país do bloco soviético se revoltou contra a política repressiva da URSS. Porém antes de chegar nesse ano, precisa-se ir um pouco mais além e entender um pouco mais da história desse país.

O ano de 1956 foi um ponto rumo ao qual convergiram linhas de força variadas. Sua razão de ser e sua dinâmica se entrelaçam com a complexa história húngara que antecedeu a revolução. Sócia minoritária, de 1867 até 1918, de um império multinacional (a monarquia Dual dos Habsburgo), a Hungria foi envolvida meio que a contragosto numa conflagração que não lhe prometia ou assegurava nada: a Primeira Guerra mundial. Dito e feito: ela esteve entre os que foram mais severamente punidos pelos vencedores, perdendo para seus vizinhos 2/3 de seus territórios e metade de sua população.

O trauma ocasionado por tamanha punição, reforçado por suas consequências práticas, converteu a necessidade de revogar essa sentença no tema dominante da política húngara do entre-guerras. Catastroficamente essa obsessão tornou quase inevitável que, seduzida pelas promessas de uma Alemanha que, a partir de 1933, com a chegada dos nazistas ao poder, também lançava mão de reivindicações semelhantes para mobilizar sua população, a Hungria aderisse à campanha expansionista do Terceiro Reich e acabasse participando de outra guerra que não lhe dizia respeito e que se contrapunha a seus interesses legítimos. O preço pago por se aliar à invasão da URSS, além de perdas militares e civis devastadoras, foi a incorporação do país ao bloco soviético.

Em decorrência disso, uma nação potencialmente próspera viu-se reduzida a um empobrecimento compulsório.

Essas longas décadas propiciaram aos húngaros uma espécie singular de experiência política, uma capacidade de conviver com adversidades irremediáveis, frustações crônicas e humilhações cotidianas, enfim, uma sabedoria empírica que os tornou alertas e saudavelmente impermáveis a promessas irrealizáveis.

Um post interessante e que faz um resumo, escrito e fotográfico, do levante de 1956 segue abaixo para que você tenha uma dimensão melhor de tudo isso que relato:

http://www.ccibh.com.br/Dwnlds/1956portugal.pdf

 

E assim, envolto em toda a história de dor, sofrimento, luta e liberdade cheguei a Budapeste em um final de tarde de primavera. Já na imigração vimos que a lingua não seria nada fácil de se familiarizar, e entenda aqui que em momento algum pensamos em falar alguma coisa, apenas tentar ler, à nossa maneira, e conseguir se locomover através de suas ruas e monumentos.