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Posts na categoria "Minas Gerais"

Inhotim , para aprender a gostar de arte contemporânea e ainda curtir a natureza

25 de outubro de 2015 3

Vem mais um feriado pela frente , o dólar esta nas nuvens e ainda tem férias a vista ? Uma dica para um programa cultural em família é a visita ao megacomplexo de arte contemporânea em Minas Gerais. Sei que pode parecer estranho , principalmente se as crianças forem pequenas . Mas não descarte ainda, a gente só aprende a gostar daquilo que é familiarizado , e Inhotim é a mais agradável opção para um primeiro contato , tanto para crianças quanto para adultos.

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Tudo muito lúdico , integrado com a natureza e simplesmente lindo , de chorar de tão lindo e bem organizado! Para brincar , fazer picnic, correr solto e curtir sem pressa. Ainda dá para tomar banho de piscina dentro de uma obra de arte , ouvir o som da terra e se divertir aprendendo. Se ainda tem alguma dúvida , de uma olhada nas fotos abaixo, acho que não vai restar nenhuma.

Pavilhão Adriana Varejão

No último ano fizemos nossa primeira visita oficial a Inhotim. Organizamos a viagem para um grupo fechado da Bienal do Mercosul e com isto ganhamos o privilégio de termos 0 acompanhamento da curadora Júlia Rebouças.

Mobiliário Hugo França : Tamboril

Minha última visita ao jardim botânico/museu tinha sido em 2011, e de lá para cá muita coisa já mudou. A velocidade do crescimento do complexo vai de acordo com seu título de arte contemporânea, assombroso! E isto que o próprio idealizador de tudo aquilo , Bernardo Paz, nos confidenciou : seu objetivo e aumentar em mais de cinco vezes o número de pavilhões, incluir pista de pouso , hotéis e até shopping center ( sei não!) .

Júlia Rebouças , Bernardo Paz e Patrícia Druck

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Mas por enquanto tudo está perfeito e, já, gigantesco! Os pavilhões novos dedicados a Ligia Pape e Tunga são tudo de bom . Quando falo em “pavilhão” , não se enganem , nada parecido com blocos amorfos e sem graça, são estruturas pensada pelos melhores arquitetos do Brasil , respeitando em sua forma as obras que irão abrigar .

Tteia de Ligia Pape

O pavilhão de Tunga fica numa parte de mata bem fechada , uma experiência onde a natureza invade a obra. Ficamos sabendo que as performances de inauguração no início de setembro foram muito fortes e interessantes, com a comunidade muito envolvida.

 

Fonte:/fotografia.folha.uol.com.br/

Novo Pavilhão Tunga

O passeio exige preparo físico , são colinas repletas de obras ao ar livre espalhada em mais de 100 hectares de jardins. Existe o transporte de carrinhos elétricos, mas eles não cobrem todo o parque , além de não serem suficientes para todos os visitantes. Mas vale cada pingo de suor derramado , e isto que pegamos quase 40 graus neste final de semana.  Uma opção bem legal é a obra de Jorge Machi , uma piscina onde pode-se entrar literalmente, providencial neste dia!  Piscina é a realização escultórica de um desenho que o artista fez de uma caderneta de endereço com índice alfabético, aqui transformada numa obra site-specific que é também uma piscina aberta ao público. 

Esta é outra dica importante, a gente aqui do sul tem uma imagem de Minas Gerais uma terra linda , que é , mas montanhosa e fresca. Ledo engano , esta região está na intersecção entre cerrado e mata atlântica e é muito quente em quase todas as estações! Roupas leves, sapato confortável, chapéu e protetor solar são indispensáveis.

Olafur Eliasson com um caleidoscópio gigante

Na minha primeira visita fiquei apenas um dia por aqui , o que me permitiu uma visão bem limitada e rápida. Desta vez pudemos fazer mais descobertas de obras “escondidas” na mata  ou mesmo mais distantes do núcleo do parque. Aconselho a aproveitar a viagem e ficar pelo menos dois dias no parque , indico um hotel bem charmoso nas proximidades , a Pousada Nova Estância em Brumadinho 

Amei a árvore de bronze de Giuseppe Penone , “construída” e amarrada entre 4 árvores naturais que vão incorporá-la com o tempo, chama-se “Elevazione”.

A Geosfera com a obra “Da Lama Lâmina” de  Matthew Barney  é outra visita impactante.

 “Imensa” de Cildo Meireles  , brinca com a mistura de palavras e formas de mesas e cadeiras .

O som da terra capta a 220 metros de profundidade os sons que nosso planeta emite, uma obra de técnica e muita acuidade. Interessante e instigante. Pena que não gravei para vocês ouvirem , muda muito de intensidade conforme as interferências do meio. Obra de Doug Aitken chamada “Sonic Pavillion”.

Para finalizar Helio Oiticica sendo visitado por uma família inusitada

Para quem gostou deste post e quer informações sobre viagens em grupo ou assessoria privada :

www.viajandocomarte.com.br 

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Para quem quer mais informações sobre Inhotim:

  http://wp.clicrbs.com.br/viajandocomarte/2012/10/24/o-jardim-museu-mais-lindo-do-mundo-esta-no-brasil-voce-conhece-inhotim/?topo=77,1,1,,,77

Tiradentes, Festival de Gastronomia 2013 com notas de um passado reinventado

01 de agosto de 2013 5

O Festival de Tiradentes é um dos maiores eventos gastronômicos do país. Tudo começou há 16 anos, com o intuito de reunir os melhores chefs de cozinha e artistas, na cidade símbolo do charme mineiro. O evento já recebeu os mais renomados chefs do Brasil e do mundo, além de visitantes de vários países, que se deliciam nos festins, degustações, shows e exposições. Um sucesso que gera emprego, renda e acaricia os mais exigentes paladares.”

 

Dia 24/08/2013 – 11h

A Trajetória do Maní- Helena Rizzo e Daniel Redondo

Programação completa: http://www.culturaegastronomia.com.br/programacao.php

179534 467074283319686 1080416776 n Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes


Minas  estava nos meus planos fazia muito tempo. Queria encontrar a história gloriosa das Gerais , fazer um mergulho em cidades com ecos do passado. Fiquei com dois corações, tinha vontade de voltar a Ouro Preto que deixara boas lembranças, mas como todo o presente espera pelo passado para nos comover optei por inovar , Tiradentes, São João del Rei e Congonhas do Campo me chamaram com mais veemência, e acho que acertei na escolha.

Tiradentes está mais para uma experiência vivencial do que para um destino turístico , não é repleta de “atrações ” mas nos oferece um clima bucólico e muitas possibilidades de mergulhar no passado reinventado em toda sua plenitude imaginária.

 

Tiradentes é bem menor do que outras cidades coloniais mineiras, não tem nenhum resquício de cidade grande , entenda-se favelas penduradas nas encostas poluindo a paisagem. É muito conhecida pelo artesanato e pela bela serra que emoldura seu centro histórico . Apesar de ser tão antiga quanto Mariana e São João del Rei, surgiu para o turismo há míseros 20 anos, quando um grupo de artistas se mudou para lá e restaurou seu antigo explendor  , transformando-a na joia de bom gosto e meca de gastronomia que é hoje.

Chegamos a cidade depois da inebriante visita a Inhotim ( http://wp.clicrbs.com.br/viajandocomarte/2011/09/24/o-jardim-museu-mais-lindo-do-mundo-esta-no-brasil-voce-conhece-inhotim/?topo=77,1,1,,,77 ) .

Era uma responsabilidade grande para a pequena Tiradentes, nos encantar depois de tanto equilíbrio estético experienciado no dia anterior. Domingo , ao final de uma tarde sonolenta, nos hospedamos na pousada Pequena Tiradentes , uma miniatura da cidade super transada, onde todos os móveis são passíveis de serem levado para casa. A pousada não o que se possa chamar de uma bagatela, aliás, Tiradentes em geral sabe valorizar sua fama e cobra por isto, mas o atendimento e o bom gosto compensam, a loja é linda e o café-da-manhã delicioso.

Recepção da Pequena Tiradentes

Bar e restaurante da pousada 

Mesa da perdição, o café-da-manhã

Loja da Pequena Tiradentes, mas na verdade todos os móveis e objetos que fazem parte da decoração estão à venda

Partimos para uma caminhada de reconhecimento e fomos arrebatados pelo charme do lugar. A praça principal parecia cenário de novela das seis, pessoas conversando nas esquinas , se despedindo do domingo com a calma peculiar ao mineiro. Mas a cidade é muito mais do que a praça e seus arredores, tem recantos , capelas, casas e uma serra maravilhosa a ser desbravada. Sorte nossa, segunda-feira a cidade era praticamente particular! À noite chegávamos a ouvir nossos passo ecoando nas ruas vazias,  experiência única.

Para quem prefere se hospedar no centro da cidade , uma ótima opção é o Solar da Ponte.

Capítulo à parte são os restaurantes e a culinária local . Comida mineira é famosa e muiiito saborosa! Mas Tiradentes tem uma feição mais sofisticada, oferece opções muito especiais e já é famosa pelo festival de gastronomia que acontece há 15 anos em fins de agosto! Nos nossos três dias na cidade fizemos um tour gastronômico e troxemos de volta para casa uma “manta” de pão de queijo e feijão tropeiro com bacon acoplada a nossa cintura .

No quesito restaurantes gourmet começamos pelo Tragaluz que tem um nome poético e uma cozinha inspirada, fomos muito bem atendidos e comemos maravilhosamente bem, só não provamos a famosa sobremesa de goibada frita com sorvete de queijo, uma falha no currículo. Falo isto porque tinha feito uma pesquisa do tripadvisor e os leitores reclamavam muito do atendimento e da soberba dos garçons,  não foi nosso caso! Verdade que todos são adeptos da slow food, muito antes de ela ser lançada em qualquer outro lugar, mas isto é uma característica local que deve ser apreciada sem moderação!

No dia seguinte nossa escolha foi o Atrás da Matriz, conhecido pelas pizzas e pelos pratos de bacalhau! Charmoso e também bem atendido.

Não chegamos a experimentar a Cantina Perrella, dizem que é melhor italiano da região, a simpática dona me permitiu entrar para fotografar o que não é sempre bem vindo! Lindinho e charmoso ele é, ficou para a próxima! Muitos locais fecham terça-feira , portanto atenção nas reservas!

Para almoçar uma boa dica foi o Panela de Minas, para uma comida mais típica! Tutu a mineira, couve e torresmo , uma bomba deliciosa!

Tiradentes tem dentre suas igrejas a Matriz de Santo Antônio, construída em 1710 é a segunda igreja mais rica em ouro do Brasil, perdendo somente para a de Salvador , é uma uma quase miniatura Barroca. No interior do templo há um órgão datado de 1788, considerado um dos quinze mais importantes do mundo.Várias ruas da cidade contam com calçamento singular, em pedra capistrana, e nos informaram que um projeto de lei pretende retirar os automóveis do centro histórico, uma iniciativa polêmica mas que deve proteger  a riqueza local.

A Matriz em três diferentes horas do dia. Meu momento Mylene Monet!

Detalhes da arquitetura Barroca

Vista da Serra desde a Matriz

A Estrada de ferro Oeste de Minas foi inaugurada em 1881 com a presença do Imperador Dom Pedro II, funcionando ininterruptamente até hoje. O trem é puxado por locomotivas a vapor popularmente conhecidas por “Maria Fumaça”. Há exemplares de fins do século XIX, mas as locomotivas que circulam são do início do século XX. Hoje somente o trecho de 12 quilômetros que liga São João del Rei a Tiradentes está em funcionamento. Os trens partem nas Sextas, Sábados, Domingos e feriados as 10h e 15h de São João del Rei e 13h e 17h de Tiradentes. Um passeio bem legal para fazer com crianças.

Existem voos entre BH (aeroporto da Pampulha) e São João Del Rei  pela Trip. Uma boa dica, até porque as estradas de Minas estão em estado bem precário e muito mal sinalizadas , são 180km de BH até Tiradentes e 3h de viagem.

Sigo contando minhas experiências em Minas Gerais nos próximos posts, trilha pela calçada do escravos, descobrindo Bichinho,  São João del Rei e Congonhas do Campo. Se alguém tiver alguma crítica , sugestão ou dica mande para nós pelo e-mail encontroscomarte@terra.com.br.

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Bichinho é a meca do artesanato mineiro

17 de novembro de 2012 5

Minas tem uma paisagem interiorana meio Sítio do Picapau Amarelo, casinhas de pau a pique e lindas quaresmeiras floridas em setembro. Mas não se enganem , é muito árido no inverno , e este ano sofreu bastante com incêndios em suas reservas naturais. No verão muita vezes sofre com a chuva intensa e com o calor.

Depois de um inverno chuvoso no RS, o que eu mais queria era aproveitar o bom tempo para fazer uma trilha a pé junto a Serra de São José  nas imediações de Tiradentes. A Pousada Pequena Tiradentes nos indicou a agência  para organizar o passeio que prometia uma caminhada de 2h até o pé da serra com direito a banho de cachoeira e passagem pela antiga calçada dos escravos. O tempo vinha sendo bom até demais,  pois fazia mais de 90 dias que não chovia em Minas , o que praticamente impossibilitava a cachoeira de ter qualquer vestígio de água. Aproveito para lembrar que o interior de Minas é um forno úmido no verão , portanto evitem esta época para visitar o estado, deixem a visita para o próximo outono.

Tudo bem , não seria o pó da estrada que iria nos deter. No munimos de cajados e roupas frescas e seguimos nosso guia morro acima numa trilha bem cerrada no meio do mato. Tudo muito instigante, principalmente se descontar o fato de que nosso guia era quase mudo, ao contrário do que costuma acontecer, o guri não abria a boca , nem para responder nossas perguntas. O jeito foi tentar montar o quebra-cabeça com poucas peças mesmo.

Calçada dos escravos

A calçada dos escravos era uma passagem pelas montanhas que os locais usavam para desviar o ouro retirado das minas sem passar pela fiscalização da coroa. O que sobrou foram algumas pedras no chão. Ao final da trilha a marcação da Estrada Real mostra a importância destas paragens no mapa da riqueza colonial brasileira, ela ligava Minas ao Rio de Janeiro e Paraty e está demarcada por pequenos pedestais.

Primeira Fonte – Ana Laura Diniz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  O segundo programa do dia foi visitar Bichinho , a meca do artesanato local. Não tente imaginar o tamanho da cidade , porque apesar de ter a fama de alimentar TODAS as lojas de Tiradentes e Ouro Preto ela é muito , mas muito mesmo , menor do que você possa imaginar.

Pichação num muro , bem se vê que é uma meca de artistas

Rua principal de Bichinho

Uma boa dica é fazer o trajeto de 8km  a cavalo, principalmente se o carro que vocês estiver guiando for próprio! A estrada destrói até caminhonete 4×4, é um terror! Levamos quase meia hora para fazer os 8km. Além disto o passeio a cavalo é aprazível pois a paisagem é linda.

Bichinho tem duas instituições quase oficiais, a Oficina de Agosto e o Tempero da Ângela. A primeira é o maior centro de artesanato local, uma bela visita.

Oficina de Agosto

O segundo é uma unanimidade entre os locais, o melhor restaurante de comida mineira da região. Mas não se assuste na entrada, ele é bem  simples (até demais, eu diria) mas o tempero é bão desmais.

O charme maior é que a comida é servida sobre um fogão à lenha , onde ela está sendo feita. Tudo muito genuíno. Quiabo, feijão tropeiro, couve, torresmo e o que mais couber no seu estômago, antes de começar a azia.

Um pouco do ambiente e moradores de Bichinho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Confesso que o artesanato local me decepcionou um pouco, acho que a globalização tem nos tirado a surpresa de encontrar coisas regionais. Quase tudo que vi por lá , tinha uma carinha de feira de artesanato já vista em outras bandas, mas eu sou suspeita , meio avessa a lojas. Como Bichinho é a origem de de quase tudo que conhecemos como artesanato mineiro, vale muito a visita. Quem gosta de garimpar , garanto que encontrará maravilhas e vai até me xingar, aceito de antemão o xingamento!

 

Dentre os artigos mais típicos estão estas cruzes de papel “escabelado” que eles usam nas portas de entrada das casas. Adorei todas , só esqueci de perguntar a história desta tradição. Depois me contaram que sobre a tradição das cruzes enfeitadas nas portas existe para celebrar a véspera do dia de Santa Cruz, 03 de maio, para que se tenha proteção o ano todo e são trocadas anualmente. Acabam ficando até o ano seguinte!

  

Para agradar com um presentinho bem típico , o símbolo do espírito santo impera. Pombinhas brancas em todos os formatos.

Para me despedir, duas  namoradeiras avisam que no próximo post vou contar sobre a Fundação Oscar Araripe e mostrar um pouquinho mais de Tiradentes.

O jardim museu mais lindo do mundo está no Brasil. Você conhece Inhotim?

24 de outubro de 2012 25

Se você nunca ouviu falar em Inhotim não perca mais nem um minuto para conhecer!

Yayoi Kusama

Para brindar aproveitar a primavera ainda seca e amena de Minas Gerais, nada melhor do que se deleitar com um lindo jardim botânico e museu de arte contemporânea integrados.

Sabe aqueles lugares que te surpreendem em todos os aspectos, Inhotim é muito mais! É mais que um jardim botânico, mais que um museu de arte contemporânea, mais que um exemplo de arquitetura moderna e mais do que eu já vi em qualquer lugar do mundo em todos estes quesitos. Mas o principal é que está no Brasil, em Minas Gerais e poucos brasileiros conhecem!

Galeria True Rouge de Tunga

Se você não tem programa para o próximo feriado , pegue um avião para Belo Horizonte e viaje 60 km de carro até Brumadinho para desfrutar de tudo isto por meros R$25,00 . Se você tem programa , desvie a rota que não vai se arrepender nenhum minuto. Se forem férias , melhor ainda pois ainda dá para conhecer Tiradentes , Ouro Preto e outras riquezas mineiras das quais vou falar mais adiante.

 

Edgard de Souza

Eu tinha escrito sobre Inhotim ano passado , mesmo sem conhecer pessoalmente, o linck para quem estiver interessado na história do lugar está aqui: http://wp.clicrbs.com.br/viajandocomarte/2010/11/01/inhotim-coloque-na-lista-dos-destinos-imperdiveis-no-brasil/?topo=77,1,1,,,77

Inhotim é um projeto de um magnata mineiro , Bernardo Paz que vendeu a empresa de siderurgia e resolveu investir num projeto mirabolante, construir um museu de arte contemporânea em meio a natureza e de quebra criar um dos mais importantes e bem montados jardins botânicos do Brasil. Eu que estive no Jardim Botânico de Porto Alegre faz pouco , fiquei triste ao lembrar de nosso mal cuidado e fraco exemplar. Mas todo o projeto foi feito com paixão e sem muito planejamento prévio , até porque se assim fosse deveria ter sido construído num local de mais fácil acesso .

O projeto paisagístico é de Burle Marx e o trabalho sensorial nos evoca o jardim do Éden. São 100 hectares de cores e aromas escolhidos com um cuidado especial , criando uma atmosfera de deleite em cada curva do caminho. Cinco lagos ornamentais  com a maior coleção de palmeiras da América são dispostas de forma harmônica , quase poética. Para quem cuida de um pequeno jardim e se emociona quando desabrocham as primeiras glicínias e jasmins perfumando o ar na primavera , entendem bem do que estou falando!

Os recantos por onde espalham-se os pavilhões que abrigam as obras de artistas  brasileiros e estrangeiros são pensados para terem uma sintonia perfeita com as espécies naturais que lhes abraçam. Os aromas de eucaliptos e acácias estão até agora impregnados na minha memória. Nas 17 galerias as obras são expostas alternadamente, porém 21 artistas tem pavilhões próprios perenes. Dentre os mais conhecidos estão Tunga, Cildo Meireles , Helio Oiticica e a ex-esposa do mentor , Adriana Varejão. As exposições são sempre renovadas, e galerias são anualmente inauguradas. A intenção é promover o diálogo constante com o entorno de montanhas e mata!

 

Adriana Varejão

Hélio Oiticica

Galeria Miguel Rio Branco

Eu sei que muita gente deve estar pensando, “eu não gosto de arte contemporânea, não tenho o que fazer neste lugar!”

Ledo engano, você só não vai apreciar Inhotim se não gostar de natureza, nem harmonia e nem tão pouco apreciar o belo! E mesmo com muita expectativa não tem como não se surpreender com o que encontra por lá. Mas já está difícil visitar o museu inteiro num dia só. Algumas galerias ocupam espaços mais distantes da entrada e para isto existem uns carrinhos de golfe que fazem o transporte. Ouvi falar que estão construindo um hotel dentro do complexo, seria providencial porque de outra forma é só voltando para BH ou ficando na por perto em pousadas bem simples e relativamente caras.

Coleção de Palmeiras

A terceira onda do Inhotim são as instalações site-specific: o artista selecionado escolhe um local determinado e cria não apenas a obra para aquele lugar, como interefere na concepção do edifício que vai abrigar a obra. O sonho dourado de qualquer artista do mundo.

Hugo França foi para Trancoso no no começo dos anos 80 e conheceu o pequi vinagreiro – madeira que revolucionaria sua vida. As canoas eram feitas dessa árvore, uma herança indígena, mas a descoberta revolucioária do designer foi que as raízes centenárias sobrevivem às queimadas. Pelas mãos do profissional, elas se transformam em móveis escultóricos,  capazes de resgatar a natureza bruta onde quer que sejam expostos. Inhotim conta as mais monumentais esculturas mobiliárias que o designer já produziu, reparem nos bancos espalhados por todo o jardim , um verdadeiro “desbunde”.

 

Tamboril

Tudo conspira a favor, até os restaurantes estão integrados no ambiente e formam um cenário perfeito para apreciar a deliciosa culinária mineira, aqui nada tradicional e bastante inovadora.  São 10 opções entre lanchonetes e 2 excelentes restaurantes o Tamboril e o Oiticica.

Restaurante Tamboril

Aberto de quarta a domingo e aos feriados, Inhotim oferece visitas temáticas (arte ou natureza), com monitores, além de visitas educativas para grupos , que devem ser agendadas previamente.

O jornal The New York Times, em referência ao Inhotim, citou certa vez que “poucas instituições se dão ao luxo de devotar milhares de acres de jardins e montes e campos a nada além da arte, e instalar a arte ali para sempre”. Para nossa sorte e deleite!

Formas da Natureza

“E quem está falando não é um rato de museu, não. Tenho pouca paciência com o gênero. 90 minutos, duas horas no máximo é o que agüento antes de virar abóbora. Até a cara de conteúdo eu costumo perder no meio do caminho. Em museus grandes e sobretudo em bienais acabo sofrendo uma overdose conceitual. Entro em coma artístico.Eu não entendo xongas de arte, mas pelo jeito que fui tocado por tudo o que vi, me arrisco a palpitar que a curadoria busca obras que causem impacto também no público leigo. Nada passa batido. Pelo menos algum dos seus sentidos vai entender por que aquilo foi posto lá para você contemplar (às vezes, interagir).”

                                                                                                 Ricardo Freire: “Inhotim , o melhor passeio que você ainda não fez”.

Estamos embarcando novamente para lá neste final de semana, com um grupo da Bienal do Mercosul. Em breve montaremos uma viagem para todos os interessados, aguardem notícias.

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Congonhas do Campo, procurando Aleijadinho entre feirantes e camelôs

16 de outubro de 2011 11

Eu tinha uma lembrança muito vaga de Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, algo meio infantil , uma imagem difusa onde se misturavam algumas figuras reais com santos Barrocos. Pois a realidade não foge muito de minhas lembranças. O trabalho de Aleijadinho e mestre Athaíde é de um naturalismo estonteante, algo para marcar a memória e encantar os olhos.

A cidade de Congonhas do Campo quase nos faz desistir de entrar para visitar o Santuário , é pobre , suja e desorganizada. Nenhuma placa indica a localização de um dos maiores tesouros de Minas Colonial , mas não desista , vale o sacrifício e quem sabe diminua algum tempo em nosso purgatório!

O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos é formado por uma Basílica Barroca um adro com os 12 Profetas em pedra sabão e 6 capelas que retratam a Via Crúcis com figuras em tamanho natural esculpidas em madeira, começou a ser construída em 1776 em agradecimento a uma graça concedida , tendo como modelo a Santuário de Bom Jesus do Monte em Braga , Portugal. Tem uma riqueza e equilíbrio ímpar, nos deixa um  sensação de ter voltado no tempo ou quiçá no espaço , para um Portugal do século XVIII.

O sacro caminho desenrola-se em ziguezague, subindo por uma ladeira simbólica na qual organizavam-se procissões de penitência para expiar as culpas da sociedade opulenta do final do século XVIII neste importante centro de mineração do Novo Mundo. Hoje a penitência tinha que ser feita pelos governantes locais que permitem que uma feira livre aconteça aos domingos, quase não respeitando a riqueza histórica, uma zoeira que faz o santuário quase ser invadido por vendedores e camelôs.

Mas tirando a mistura de religiosidade e comércio, o santuário está bem cuidado, não se permite mais o acesso direto aos profetas que, com isto, estão protegidos de vândalos e loucos e as capelas tem as mais de 66 figuras esculpidas em perfeito estado de conservação.

Os Doze Profetas é um conjunto de esculturas  em pedra sabão feitas entre 1795 a 1805 pelo artista Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, e seu Atelier.

Esta é a vista da cidade desde a colina de Matosinhos.

Beco dos Canudos

O beco dos Canudos também integra o acervo arquitetônico do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos. É de grande importância paisagística na composição do cenário observado. Os antigos casarios ali localizados dão harmonia a todo o conjunto. Possui calçamento que remonta do século 18 e atualmente abriga lojinhas de artesanato local. A pequena rua não comporta carros, portanto, é somente utilizada por pedestres.


As cenas da Via Crucis são feitas em cedro e as capelas parecem caixinhas de música que poderemos tirar a tampa para as figuras se moverem ao som de uma música sacra.

Jesus carregando a Cruz às costas – tropeça, observado pelas Santas Mulheres ou filhas de Jerusalém, uma com rosto que parece o Anjo da Paixão. Trajes recordando as figuras de presépios de barro dos fins do século XVIII. Maravilhosa figura do Cristo, expressão horrorizada do rosto, dedos tensos, pernas sangrentas, rosto do soldado ao fundo é a caricatura do rosto do Cristo, sempre na tradição portuguesa. Feitos pelo Aleijadinho somente o Cristo e a mulher que enxuga as lágrimas com o lenço. A pintura das estátuas foi encarregada a Manuel da Costa Ataíde, o grande pintor mineiro do século XVIII.

A crucifixão mostra a grande vítima em holocausto. É o apogeu de uma história contada com a carne viva da veia artística, nem todas as figuras são dos mestres, mas o conjunto é uma obra harmônica e tocante.