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Trilha pelo topo do mundo - Cordilheira Huayhuash, Peru.

07 de setembro de 2018 0

Ano passado fizemos a trilha de Salkantay, próximo a Cusco, que foi uma experiência muito legal, éramos um grupo de 12 pessoas do mundo inteiro. Mas meu coração pulsava pelas montanhas no norte do Peru onde em 2015, havíamos feito a trilha da Laguna de Santa Cruz na Cordilheira Blanca.

Se você quiser saber mais sobre Huaraz e a Cordilheira Blanca olha aqui: http://www.viajandocomarte.com.br/trilha-e-avent…ra-branca-peru/

Na ocasião jantamos na melhor (única : )  ) creperia em Huaraz, a do francês Patrick, e ele falou muito sobre a beleza impressionante da Cordilheira de Huayhuash, aquilo ficou marcado a fogo na minha mente e voilá! 3 anos depois estávamos de volta a Huaraz, a meca latino americana de trilhas e escaladas.
Desta vez a pegada era bem mais forte, a trilha seria de 6 dias e mais 2 trilhas prévias  de aclimatação, ou você está achando que andar entre 4000 e 5000 metros de altitude é moleza?

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Aqui nós 3, eu, Luisa e Ana, saindo para nossa primeira trilha de aclimatação, em uma montanha próxima a Huaraz.

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Tudo correu bem nas trilhas de aclimatação, nada de soroche,  como eles chamam o mal da altitude. A gente se sente um pouco mais ofegante, mas tem várias pessoas que passam mal, os sintomas mais comuns são dor de cabeça e enjôo. Mas treino é treino e jogo é jogo, só lá nas montanhas que realmente poderíamos saber como nosso organismo iria responder.

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Tudo certo, muita expectativa, zarpamos em uma viagem de van de umas 6 horas.
E aqui transcrevo meu diário dos dias que se seguiram:

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Saindo da estrada Pan americana, a paisagem já começou a mudar.

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Este é o mapa do nosso circuito

Dia 1 – Maracancha ou Cuartelhuain.

Saimos de Huaraz as 9hs, dia lindo de sol. Gravei a chamada para o nosso podcast do Peru e pegamos a estrada em direção ao sul, a mesma que vai para Lima. Depois de 1 hora entramos a esquerda e entramos em uma estrada cênica tendo a Cordillera Huayhuash ao fundo, lindo demais.

Paramos ao lado de um rio de corredeira em um lugarzinho gramado perfeito e almoçamos papas com crema de espinaca. As comidas de acampamento aqui são deliciosas, os “chefs” das trilhas fazem cursos de culinária especial para acampamento, a gente come trutas assadas, cereais com frutas aquecidos, sopas energizantes, tudo muito bom.

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Nosso pic nic durante a viagem.

Seguimos viagem por estradinhas cada vez mais estreitas e ingremes.

Entrando para dentro do vale.

Chegamos a Llamac e depois entramos no parque na vila de Pocpa, 15 soles por pessoa.

Chegamos ao acampamento em torno das 14:30, já havia 2 grupos e chegaram mais.

Tomamos o cha da tarde e agora começou a chover, espero que não dure tanto tempo.

Parou a chuva e o final de tarde foi lindo, dourado, auspicioso.

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Entardecer de tirar o fôlego previa um começo auspicioso para o nosso grande desafio

Dia 2 - Cuartelhuain / Mitucocha.

Saimos as 6hs e cruzamos o passo Cacanan 4700m

Depois seguimos e almoçamos e subimos o segundo Passo através do lugar chamado Quebrada Caliente. E a chuva gelada feito mini granizos nos pegou no caminho.

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Esta foto foi logo depois da primeira subida forte, a gente acha que não vai conseguir afinal 4.700mt, é um bocado, mas o segredo, é respeitar o seu ritmo, ir devagar, e quando a gente chega lá no topo, o sentimento é indescritível.

Foi muito difícil, um desafio enorme, fazermos em 1 dia o que as pessoas normalmente fazem em 2 dias, caminhamos 11 hs e chegamos no acampamento já quase escuro. Foi muito, muito, muito exaustivo.

Acampamos ao lado da lagoa Mitucocha.
O lugar é fantástico, mas só pudemos apreciar o cenário quando amanheceu, ontem estávamos completamente exaustas, jantamos e capotamos.

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Quando amanheceu o visual era este, e toda a bronca do dia anterior já havia passado

 Dia 3 – Laguna Carhuacocha – Passo Carniceiro (4.800mts)

Saimos as 7h 30 e o trajeto foi cinematográfico, lindíssimo, 3 lagunas e subimos, subimos até o miradouro a 4400m. Uma das paisagens mais lindas que já vi na vida. As vezes ouvíamos uns estrondos ameaçadores que eram pequenas avalanches e gretas estourando. A água das lagoas era muito verde, foi uma visão inesquecível.

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Lupinas nos acompanharam por todo o caminho.

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Visão espetacular das 3 lagoas

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Nestor nosso guia preparando o almoço.

Ali naquele lugar espetacular sentamos para descansar e comer um lanche.

Mas ainda era cedo para festejar, nos esperava um dos pasos mais duros, o Carniceiro, com este nome sugestivo subimos por ele até o topo de 4800m e lá no teto do mundo, almoçamos.

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No topo do Carniceiro

Mas ainda estávamos a quase 3 horas de caminhada do acampamento e começamos a descer com um sol forte por um vale lindo.

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Quando olhamos na direção que estávamos seguindo de um minuto para o outro havia se formado um céu escuro ameaçador e víamos mangas fortes de chuva mais ao longe. Quando a tempestade nos alcançou era um vento forte com mini granizos de neve que açoitavam o nosso rosto, caminhamos uma meia hora nestas condições, quando de repente assim como veio, a tempestade e as nuvens se foram o sol voltou e chegamos ao acampamento pelas 4h da tarde. Ana que foi a cavalo e por outro caminho evitando o Carniceiro havia chegado ao acampamento as 13:30, bem descansada e faceira.

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Arrumamos tudo, jantamos, na janta sempre temos uma sopa deliciosa de entrada, ontem foi de Zapallo, (moranga) depois frango com cogumelos e arroz e uma mini torta de sobremesa.

As 9h fomos dormir, dormi muitíssimo bem, foi restaurador.

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lanchinho da tarde.

Dia 4 – domingo – Passo Portachuelo (4750mts) / Laguna Viconga

Saimos 7:15h do acampamento, com bastante neblina e logo abriu um dia magnifico de sol, hoje fomos todo o trajeto juntas, Ana no cavalo e Luisa e eu caminhando. O dia foi ótimo, tivemos um Paso Portachuelo, leve não tão ingreme. Vistas incríveis de montanhas, lagos verdes um lago enorme, o Viconga que serve de reserva de água em caso de seca.

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Fizemos um lanche após o Passo, e depois subimos ao longo da barragem, para cairmos em um vale lindo, verde, uma área super remota, com cachoeiras, e aprendemos que neste mesmo lugar era usado como campo de treinamento da facção terrorista Sendero Luminoso. Até chegarmos ao nosso acampamento as 13:30, foi o dia mais light e que chegamos mais cedo. Aqui tem 3 piscinas termais com água extremamente quente, tomamos banho! Foi uma glória! Já estávamos nos sentindo um tanto azedas e poder relaxar o corpo cansado naquela água quente foi maravilhoso! Tempo tão lindo que colocamos a mesa e almoçamos ao ar livre, memórias para a vida.

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Piscinas de águas termais, perfeito para depois de dias de trilhas, um luxo!

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Dia 5 – Laguna Viconga / Passo Cuyoc (5.000mts) / Passo Guanacpatay ( 4.300mts)

A noite passada foi fria, o ar estava fino e o céu absurdamente estrelado, nestas horas me dou conta porque estou neste lugar, porque tantas horas caminhando, e me sinto minúscula diante desta natureza onipresente, dos seus barulhos noturnos, das águas correndo cristalinas, e parece que chego muito próxima do paraíso, ou ou menos do que penso ser o paraíso e tudo faz sentido.
Hoje raspamos o topo do mundo, subimos o Passo Cuyoc o mais alto de todo o circuito, 5000mts, a visão é incrível, o dia estava ensolarado e nosso astral animado. Descemos e almoçamos em um vale gramado, e nosso guia, muito gente boa, o Nestor, nos permitiu até uma sestiazinha gaúcha no sol.
Seguimos pela quebrada Huanactapay e acampamos em Rinconada a 4.300mts.

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mãos de 5.000 mts, o lugar mais alto de todo o circuito – Passo Cuyoc

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almocinho no sol, a gente merecia!

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Nosso último acampamento, lugar lindo demais.

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Dia 6 -  Huayllap / Huaraz

Acordamos cedinho, e partimos para aquele que seria nosso último dia de caminhada, nesta noite passei muito mal fui acometida pela maldição de Cortez, se é que vocês me entendem… foi um deus nos acuda, durante a noite. Comecei caminhando, mas depois da 2a parada, estava me sentindo muito fraca e montei no cavalo. Subimos bastante, e garanto que prefiro mil vezes estar sobre as minhas pernas do que montada a cavalo naqueles desfiladeiros, mas eu não tinha escolha. A descida foi caminhando por um vale tranquilo e bonito, até chegarmos a um vilarejo onde a van estava nos esperando para uma longa jornada de volta a Huaraz.

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Viajando com Arte Podcast - para ouvir a qualquer hora

09 de maio de 2018 0

Tá no ar: Viajando com Arte.
A nova série de podcasts do America Podcast Collection.

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Nessa série de três episódios, Clarisse Linhares e Mylene Rizzo, as criadoras do Viajando com Arte ​ – Viagens de experiências, contam as maravilhas da Rússia, Turquia e Peru sob um olhar muito especial.

Vem ouvir e ficar com muita vontade de conhecer esses lugares!

https://soundcloud.com/americapodcast/sets/viajando-com-arte

 

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Descobrindo novos caminhos no Peru : Deserto de Paracas

17 de abril de 2018 13

 

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Depois de conhecer , Lima, Cuzco, Machu Picchu e o Vale Sagrado e ter simplesmente se apaixonado pelo Perú, queríamos mais,  nossa vontade era ficar e poder explorar todos os recantos deste país que dá lições de como receber bem as pessoas. É importante relatar para vocês o tamanho da hospitalidade deste povo que é humilde sem ser servil e ao mesmo tempo tem orgulho de ser peruano. Cada vez que volto ao Peru eu fico mais encantada, seja pela beleza natural, pela história do seu povo, das suas antigas crenças pagãs, e sobre tudo pela sua autenticidade.Dos muitos  lugares que tenho andado por aí dificilmente encontrei uma cultura tão genuína.. Quando a gente anda pelo Vale Sagrado, aquele povo colorido, as mulheres carregando as crianças em panos coloridos nas costas, não estão ali para serem vistos pelos  turistas, as pessoas estão somente levando sua vida da mesma maneira que seus ancestrais incas faziam.

Nesta viagem exploratória colocamos Paracas no nosso roteiro. Paracas fica na beira do Pacífico a 250 km ao sul de Lima e de lá saem 2 ou melhor 3 passeios imperdíveis.

O primeiro e mais famoso sai precisamente da cidade de Pisco, que fica uns 20km de distância de Paracas, Do aeroporto de Pisco saem os voos que sobrevoam as famosas linhas de Nazca, você não está lembrando das linhas de Nazca? Lembra daquele livro “Eram os Deuses astronautas?” Pois este livro questionava se aquelas figuras enormes feitas no deserto não teriam sido feitas por seres de outro planeta.A verdade é que até hoje nenhum estudioso chegou a uma teoria conclusiva de como foram feitas, o que se sabe é que elas estão  lá intocadas há pelo menos 1500 anos.São figuras enormes de macaco, colibri, condor ( a maior de todas com 360metros),aranha, além de muitas outras linhas que se assemelham a campos de pouso. A visão destas misteriosas figuras no meio do deserto é impactante. Os voos são feitos em aviões Cesna que levam até 12 pessoas, e leva uns 30 minutos de Pisco até chegar nas linhas de Nazca.

Decolando a bordo do Cesna em Pisco. Depois de 30 minutos de vôo chega-se as famosas Linhas de Nazca

O vôo é tranquilo, pois no deserto o céu é quase sempre azul, mas confesso que, quem tem estômago delicado é complicado, pois o piloto inclina muito o avião hora para a direita ora para a esquerda afim de as pessoas possam ver bem as figuras lá embaixo.

E começa o show das figuras, vejam ali o macaco.

O beija flor, uma das mais nitidas.

A aranha.

O segundo passeio, que confesso foi o que mais me deslumbrou, foi conhecer as Ilhas Ballestas, conhecidas como as Galápagos do sul.

Nossa lancha saiu do Hotel Paracas – http://www.libertador.com.pe/pt/2/1/5/paracas-hotel, que aliás é um espetáculo! Vou falar mais sobre ele na sequência. Nossa primeira parada na lancha foi depois de 10 minutos, quando deparamos com uma imensa figura como que entalhada na pedra de um morro, a figura conhecida como “Candelabro”. Existem teorias que dizem que o candelabro tinha a função de um farol, sinalizava para os navegadores a proximidade da terra.

Saindo do pier do Hotel Paracas

O enigmático “Candelabro”, seria como um farol para os antigos navegadores?

Seguimos de lancha por mais uns 20minutos até chegarmos nas Ilhas Ballestas, são várias ilhotas de pedra onde não se pode descer, e o interessante e lindo é que as ilhas são cobertas de pássaros de muitas espécies, pinguins e leões marinhos. É um verdadeiro santuário ecológico, eu só tinha visto uma cena parecida na National Geographic, as aves deram um espetaculo, aquelas revoadas com milhares de pássaros, ver os leões marinhos a 1metro de distância, foi muito legal, foi inesquecível.

Chegando nas Ilhas Ballestas

Várias grutas com muitos ninhos.

 

muitos leões lagarteando ao sol.

Conhecer estas  ilhas foi de verdade uma experiência marcante.

Nosso terceira aventura foi no deserto. Saimos à tardinha em camionetes 4×4 em direção ao deserto. O famoso rally Paris / Dakar que agora acontece nesta região . Então já viu né? A gente se sentiu fazendo parte da corrida mais glamorosa das areias.

O famoso rally Paris / Dakar que agora acontece nesta região.

Eram dunas muuuito altas e nossos motoristas aceleravam e faziam umas curvas bem radicais, uma dose de adrelalina na medida certa.

Depois de uma parada estratégica para ver o sol se por lindíssimo como só no deserto, seguimos em direção do leste, quando para a nossa surpresa a camionete da frente parou sobre a crista de uma duna e quando nos aproximamos tivemos a visão do que nos aguardava.

 

Alto astral contagiante

Até que deparamos com este acampamento nos esperando….

Champanhe, vinho, espetinhos, quitutes peruanos e música, o que poderámos pedir mais?

Como vocês puderam ver o Perú tem infinitas possibidades de lugares para todos os tipos de turismo. Citei aqui 3 passeios bárbaros que conseguimos fazer em apenas 2 dias.

Deixo vocês aqui com umas imagens deste verdadeiro oásis no deserto – o Hotel Libertador Paracas! Adios!

 

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Uma trilha , um destino , mil opções . Peru sempre!

03 de agosto de 2015 0

Na próxima quarta-feira, dia 5 de agosto, teremos um happy hour para contar sobre as variadas opções de trilhas , hospedagem e passeios possíveis na muitas paisagens do Peru.

O bate papo vai rolar às 19h na Porto Brasil , Hilário Ribeiro 202/903.

Todos convidados , só confirmar pelo fone 3025.2626

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Em Setembro - mais um roteiro do Viajando com Arte: PERU!

15 de julho de 2015 0

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Um pequeno grupo irá desbravar com Mylene Rizzo a trilha LARES – de lodge a lodge!

Um roteiro para quem quer aventura (na sua medida) mas também não abre mão do conforto e da boa gastronomia peruana.

Com passeios de bicicleta, pic-nic no Vale Sagrado, aulas de história em Cuzco e Machu Picchu .. e todos os detalhes que quem já viajou conosco conhece.

Aqui o roteiro em detalhes :

https://issuu.com/mondaycomunicacao/docs/peruadventure?e=0

Informações pelo viagens@portobrasil.com.br ou pelo fone (51) 3025.2626
‪#‎portobrasil‬ ‪#‎peru‬ ‪#‎aventura‬ ‪#‎trilhaLares‬ ‪#‎viajandocomarte‬

No rastro dos quechuas: a Trilha Inca até Machu Picchu

30 de março de 2015 1

“Caminhar é ter falta de lugar”, disse Michel de Certeau. “É o processo indefinido de estar ausente e à procura de um propósito”. O filósofo francês pincela, em poucas palavras, a qualidade mística que tem acompanhado, ao longo do tempo, a singela prática de se locomover com as próprias pernas.

 

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As lhamas são as mais famosas, mas não as mais frequentes visitantes quadrúpedes da Trilha Inca

 

A circundação do Monte Kailash, no Tibete, é tida como um rituais mais sagrados do budismo e do hinduísmo. O Caminho de Santiago, na Espanha, é reverenciado e percorrido por milhares de peregrinos anualmente. E o nosso continente também abriga um desses itinerários que compõem o panteão das trilhas mais conhecidas e desejadas do mundo: a Trilha Inca.

 

A Trilha Inca fascina não só pelo esplendor geográfico, mas sobretudo pela herança cultural que guarda. Estendendo-se por mais de 40 quilômetros (a rota possui algumas pequenas variações), ascende a partir do rio Urubamba, atinge o seu pico a 4200 metros de altitude, e depois desce até 2720 metros, altura na qual fica o portão do sol, que dá acesso às ruínas de Machu Picchu.

 

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Uma das tantas descidas por entre sítios arqueológicos

 

Três amigos de longa data me convocaram para a expedição, e, apesar de estarmos no Peru bem no meio da temporada de chuvas, não houve como recusar o convite. Sabíamos que, quando chegássemos a Machu Picchu, depois de quatro dias de caminhada, provavelmente veríamos mais nuvens que ruínas. Sabíamos que teríamos de enfrentar uma garoa persistente na maior parte do tempo. Mas sabíamos que sabíamos muito pouco sobre a cultura do povo que um dia constituiu o maior império das Américas, e foi a consciência dessa ignorância que nos motivou a mergulhar no universo Inca para aprender mais sobre ele… a começar pelo fato de que o próprio nome da trilha talvez não fosse o mais adequado.

 

- Quechua era a denominação do povo que habitava essa região. – Honório, o nosso guia durante a caminhada, explicou assim que adentramos a primeira subida do primeiro dia. – Inca era o título exclusivo do rei desse povo, em um determinado período. Houve Incas mais importantes e Incas menos importantes, mas, quando falamos de “cultura Inca” ou “Trilha Inca”, na teoria, estamos falando de uma cultura restrita a esses reis, ou de uma trilha que só eles percorriam… E olha: eu duvido que qualquer Inca um dia tenha feito essa caminhada que a gente está prestes a fazer, viu…

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Cusco, ponto de partida para a maioria das expedições, já oferece vislumbres da cultura quechua

Enquanto os Incas não se aventuravam pela trilha que conectava a capital do império, Cusco (“umbigo do mundo”, em quechua), à cidadela sagrada de Machu Picchu, muitos outros o faziam. Estruturas circulares de pedra pontilham as margens do caminho, a cada quatro ou cinco quilômetros. Quando uma mensagem precisava ser transmitida entre um lugar e outro, mensageiros se encarregavam da tarefa: corriam até uma dessas estruturas, e compartilhavam o aviso com o próximo companheiro, que já devia estar esperando ali. Depois, esse segundo mensageiro corria até o próximo ponto de “passagem”, a partir de onde outro quechua levaria a mensagem adiante, numa espécie de telefone sem fio de grandes proporções, até que o aviso chegasse ao seu destino.

 

- Em outras palavras – Honório não continha seus devaneios quanto ao passado glorioso daquele caminho –, mesmo há muito tempo atrás, esta trilha já era cheia de gente correndo pra lá em pra cá.

 

A superlotação de fato chegara, em tempos recentes, a um nível insuportável. Deparando-se com o desafio de preservar uma das rotas mais cobiçadas do mundo, o governo peruano decidiu impôr um limite de visitantes simultâneos à Trilha Inca. Hoje em dia, somente 500 pessoas (200 estrangeiros, 300 carregadores e guias) podem transitar por ela no mesmo dia.

 

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No ponto de maior altitude durante a trilha, com o sugestivo nome de “passagem da Mulher Morta”

 

- A medida freiou o crescimento das operadoras de turismo da região – nosso guia lamentou –, mas foi necessária. Já bastam o próprios nativos que não sabem cuidar desse patrimônio…

 

A explicação para o resmungo ficou pendente. Nossos pulmões já estavam comprimidos pela altitude. A voz não encontrava brecha entre as inspirações, ansiosas pelo oxigênio rarefeito. Chegando perto do ponto mais alto da trilha, no segundo dia de caminhada, evitávamos falar muito e ocupávamos a boca com punhados anestesiantes de folhas de coca.

 

Foi mais tarde, já de volta a Cusco, que compreendemos um pouco da reclamação de Honório quanto a um suposto desdém para com Machu Picchu. Na periferia da cidade, trombamos, por acaso, com um artesão descabelado. Sem parar de trabalhar em uma representação de Pachamama (divindade quechua relacionada à Mãe Terra), cumprimentou-nos e nos convidou para conhecer seu humilde ateliê.

 

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O artesão de Cusco lapidando uma pequena escultura de Pachamama

Sem tirar os olhos dos talhos que desenhava na sua figura, explicou-nos estar lidando com serpentina, uma pedra encontrada na região da Trilha Inca, e com supostas propriedades energéticas. Lastimado, confessou ter de surrupiar estoques de sua matéria-prima ilegalmente:

 

- Desde que limitou o acesso de não-residentes ao perímetro da trilha, o governo tornou ilegal a exploração da serpentina. Isso quer dizer que, para que eu continue trabalhando, tenho de “roubar” pedras da minha própria terra…

 

Não julgamos o artesão. O carinho com que esculpia evocava um respeito que tratamos de absorver. E, o fascínio que ele mesmo parecia sentir por aquele material, nós pudemos experimentar já chegando ao final da nossa caminhada.

 

O terceiro – e penútimo – dia de trilha era o menos íngreme de todos. Por entre úmidas florestas, e através de trilhas estreitas que ladeavam precipícios, tivemos vislumbres rápidos de uma série de montanhas que lembrava o cenário extraterestre do filme Avatar. As nuvens, contudo, não davam trégua. Nos acompanhavam, como que tentando esconder o que pudessem para adiar a nossa surpresa diante da majestosidade do ambiente em que penetrávamos.

 

Blocos de serpentina foram anunciados pelo nosso guia, antes do último pernoite no sagrado território quechua:

 

- Ali, Felipe – Honório apontou -, abraça aquela pedra esverdeada e tenta sentir um pouquinho da energia dela. Muitas construções nessa trilha foram edificadas com ela.

 

O cansaço e a dor nas coxas se fizeram notar quando tentei sucumbir ao poder da serpentina. Depois de alguns segundos acocorado, envolvendo a pedra com os braços, desisti da empreitada e acabei cedendo ao sono latente.

 

O dia seguinte começaria às três da manhã. Às seis, deveríamos chegar ao portão do sol, e enxergar Machu Picchu ao vivo pela primeira vez. Dentro da cidade sagrada, teríamos todo o tempo do mundo para abraçar pedras e sermos abraçados pela energia delas. Deixaríamos de “estar ausentes”, e talvez fôssemos encontrar o propósito daquela jornada.

 

Caso contrário, não haveria problema. Arranjaríamos outra “falta de lugar”. Escolheríamos outro destino (outro percurso!). E começaríamos a planejar uma próxima peregrinação. No final das contas, caminhar é muio mais do que ir de um ponto a outro. Como já diria o poeta: caminhar é preciso.

 

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Em meio às nuvens e às multidões, nós comemoramos: Machu Picchu só vai perder o encanto quando a fotografia, além de cores e formas, conseguir reproduzir o misticismo

 

Felipe Sant’Ana Pereira | Março de 2015

Para saber mais sobre programas e roteiros do Viajando com Arte acesse o site:

www.viajandocomarte.com.br

Taquile: no meio do Titicaca, uma ilha cheia de pedras, cores e deuses

03 de fevereiro de 2015 1

Por Felipe Sant’Ana Pereira

Janeiro de 2015

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Tenho o costume de me benzer com as águas novas que encontro. Fiz isso na primeira vez em que molhei os pés no Pacífico, no Índico, no Mediterrâneo e no Adriático. Chegando ao lago Titicaca (que, pelo tamanho, até podia ser mar), sucumbi ao mesmo impulso.

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Crianças se protegem do sol debaixo das dezenas de pórticos ao redor da ilha

 

Tido como sagrado pelos quéchuas (ou Incas, como os espanhóis preferiram chamar), o lago é o berço mitológico do povo que ocupou Cusco e depois unificou todo um império no altiplano sulamericano. Talvez pela conotação histórica, emane da superfície d’água uma energia difícil de enjaular em palavras. Sendo um dos lagos mais altos do mundo, o Titicaca se agiganta em direção ao horizonte num azul cobalto encrespado pelos ventos constantes, e que rivaliza com o céu numa batalha pelo olhar reverenciado dos que o encaram: a cabeça se move para cima, e para baixo, contente com a própria indecisão.

Foi a inércia desse movimento (olhar pra cima, olhar pra baixo…) que respondeu ao primeiro contato que tive com um nativo de Taquile, uma das maiores ilhas do lado peruano do lago (mais ou menos 60% dele ficam no Peru, e 40%, na Bolívia). Inês, uma agricultora, ofereceu-se para me hospedar caso eu quisesse passar lá mais do que o tempo estipulado entre a chegada e a partida do barco operado por uma agência de Puno, cidade a alguns quilômetros dali. Desembarquei em Taquile para ficar por duas horas, e acabei ficando por dois dias.

Aos azuis onipresentes, somavam-se as cores das roupas tradicionais. Os habitantes da ilha reivindicam ser donos das tecelagens mais finas de todo o Peru, e muitos dos tons que tingem as calças, cintos, coletes e capuzes tem um propósito mais do que estético. Chulia é o termo quéchua para a touca que encima os cabelos de todos os homens locais. As vermelhas simbolizam que aquele que a veste é casado; as brancas são usadas por solteiros; e as coloridas, em teoria, adornam somente cabeças que já foram ou são autoridades políticas na região.

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 Um líder local ajeita sua chulia, orgulhoso

 

- E onde vocês compram elas? – eu perguntei a Inês, minha anfitriã, enquanto ela cozinhava uma sopa de quinua recém colhida e me apontava a coleção de chulias do marido, pendurada na parede.

- Comprar? – ela enrugou a testa e parou até de girar a colher de pau dentro da panela, para prestar atenção no canto religioso que vinha do seu radinho de pilhas. Em seguida, prosseguiu. – Nós nunca compramos roupas, Felipe, tirando um par de tênis para as crianças, vez ou outra. Cada um costura aquilo de que precisa.

A resposta dela foi adquirindo sentido com o passar da tarde, enquanto eu me dirigia ao monte mais alto de Taquile: pelos caminhos de pedra (não há ruas, carros, bicicletas e nem mulas de carga na ilha), topei com dezenas de senhores e senhoras, sentados em muretas, com os queixos fincados no peito, e as agulhas, em emaranhados de lã.

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Uma senhora desvia a atenção da manta que costura para posar para a foto – o olhar continua pendendo para baixo

 

No cume do monte, ruínas circulares protegem uma cruz de madeira, que reina solitária. No pórtico que dá acesso ao altar sob ela, uma inscrição raspada na pedra passa quase despercebida: no entrar. Sem saber se a ordem era de cunho espiritual ou meramente vandalístico, achei melhor não arriscar. Ajoelhei-me, toquei algumas pedras, fechei os olhos e, distante da água, deixei que o vento me abençoasse dessa vez.

 

Durante a janta, servida logo depois do pôr do sol, Inês disse ter sido sensata a minha relutância. O cume do monte é sagrado para os taquileños: é lá que, somente uma vez por ano, realiza-se a cerimônia de oferenda a Pachamama.

Uma das duas filhas de Inês, que jantavam ao meu lado, anteviu a pergunta engasgada em minha garganta e se prontificou em responder:

- Pachamama: a Mãe Terra. Nós nunca fomos lá em cima, mas papai diz que é preciso respeitar a tradição. Todos os quéchuas fazem oferendas pra Ela, e, em troca, ela cuida das nossas plantações.

E com quanto carinho Pachamama vinha cuidando das terras daquela família! As batatas selvagens, o arroz branco, e o chá de muña que me eram servidos tinham um gosto marcante, com um quê de terroso, e um toque que só podia ser divino, mesmo.

Para as duas garotas, a janta não tinha todo esse ineditismo. A caçula acompanhava o radinho já rouco (a essa altura, as pilhas já precisavam ser trocadas), sabendo de cor todas as sílabas do canto adventista que não parava de ser entoado.

- Eu vou na igreja todos os dias de manhã. – ela contou orgulhosa, quando percebeu ter minha atenção, entre uma garfada de batata e um gole de chá. – Minha irmã vai quase sempre. E mamãe vai uma vez por semana. Parece pouco, mas pra quem era católica, já está mais do que bom… – ela piscou para mim como se o gesto pingasse um pouco de zombaria no que recém dissera.

Inês veio da cozinha com mais um bule de água quente, e explicou a brincadeira da filha: a igreja católica, erguida na praça central, e outrora sempre cheia, vinha perdendo popularidade. Parte da população migrara para uma das três igrejas adventistas, construídas nas últimas décadas, e que vinham conquistando a simpatia de nativos através de suas cerimônias, mais entusiasmadas que as católicas, e mais frequentes que as relacionadas a Pachamama e companhia.

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Taquile não tem ruas, carros, bicicletas ou mulas: tudo e todos transitam por caminhos como esse

 

Findo o papo e a comida, espiei o céu, antes de dormir. O azul quase despido de nuvens, da tarde, deixara como legado uma noite pontilhada de brilho. Eram tantas – e tão luminosas! – as estrelas, que parecia que a própria Pachamama tinha espirrado glitter no espaço.

A manhã seguinte foi ocupada com um passeio rumo ao lado sul da ilha. Mais esparsamente populado, abriga uma praia deserta que, nas palavras de Inês, “deve ser tão linda quanto as do Brasil”. Ela não estava exagerando. Enfeitiçado de novo, pelo mesmo par de azuis, sentei em uma pedra e fiquei intercalando a leitura de um romance barato com a contemplação dos arredores durante horas. Só voltei a mim quando um barquinho adentrou a baía pela lateral, ancorou na praia e despejou meia dúzia de turistas na areia. O guia, que veio na frente, me acenou com a cabeça.

- Tá sozinho há muito tempo aqui, menino? – ele se aproximou estendeu a mão.

Aquiesci e o cumprimentei.

- O rei da praia. – ele sorriu, complacente, e arrumou a chulia que já pulava pra fora da cabeça. – Como um deus.

O grupo caminhou ilha adentro, não sem que antes todos se despedissem de mim. Achei graça do gesto, e do respeito que o envolveu. Qualquer que fosse a crença que o guia tinha em mente, eu era só um discípulo.

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Segundo Inês: “tão linda quanto as praias do Brasil”

 

Para quem gostou deste post , visite nosso site e descubra outros passeios em grupos especiais ou contrate uma assessoria particular para montar sua própria viagem :)

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Trilha e aventura na Cordilheira Branca - Peru

18 de junho de 2014 6

O sonho de conhecer a Cordilheira Branca já me acompanhava há um bom tempo.

Fiquei literalmente enfeitiçada com a beleza do lugar, sonhava acordada  com aquele céu pesado de estrelas, com os picos nevados e rios de água cristalina.

Pesquisei tudo o que encontrei sobre as trilhas e encontrei muito pouca coisa, sabia que vinha gente de todas as partes do mundo para caminhar e escalar suas montanhas, li que está entre os 5 melhores trekings do mundo. Não existe muita informação disponível , mas através da Porto Brasil  que é nossa parceira nas viagens do Viajando com Arte, conseguimos um programa TOP com a Lima Tours do Peru.

A  Cordilheira Branca ou Yurak Janka (na língua quéchua) foi declarada Parque Nacional Huascarán em 1975. E foi protegida pela UNESCO como patrimônio natural da humanidade em 1985. O lugar é  um destino fantástico para viagens de aventura e ecoturismo; nesta cordilheira estão localizados as melhores trekings   da Cordilheira dos Andes, assim como as melhores  montanhas para escalar.

Fora que o lugar tem uma beleza de tirar o fôlego, para todo lugar que a gente olha sempre tem um cenário absurdamente lindo.

Samos de Lima no ônibus leito que nos levaria  450Km ao norte, até a cidade de Huaraz, capital da província de Ancash e base para todas as aventuras. Huaraz  não tem nenhuma qualidade extraordinária, acho que no passado tinha lá o seu charme colonial espanhol, mas depois que o terremoto de magnitude 7.9 em 1970 destruiu muito da cidade, ela foi se reerguendo sem muita preocupação estética.

Mas tem bons hotéis e bons restaurantes, é imprescindível ficar ao menos 1 dia em Huaraz para se aclimatar a altitude. Huaraz está a 3.100m, e a gente sente o ar rarefeito quando tenta dar uma corridinha ou subir escadas, para dizer o mínimo, tem pessoas cujos sintomas são fortes dores de cabeça e em alguns casos mais extremos náuseas e vômitos.  Muita calma nesta hora, não é comum isto acontecer se você tomar alguns cuidados básicos, ficar em repouso logo na chegada, tomar muito liquido,  o chá de coca ajuda muito, não é a toa que os nativos historicamente mascavam a folha de coca para ter mais energia e resistência.

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Praça principal de Huaraz – Montanhas por todos os lados

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Bistrot de Los Andes,  junto com a Creperia do Patrick, ótimos  lugares para comer em Huaraz.

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Independente de qualquer propósito,  o Peru é para mim um dos melhores lugares do mundo para viajar, gastronomia fantástica, reconhecida mundialmente, povo receptivo e caloroso que conserva uma autenticidade como poucos e as paisagens.. ahh aí que o Peru me pega de jeito, que lugares! Machu Picchu e arredores são outro capítulo quando se fala de natureza, Lima que também tem muito charme, enfim passear pelas ruas de Huaraz me deu muito prazer, observar as pessoas, os mercados, o artesanato.

A equipe que nos recebeu da  Cordilheira Branca Adventures foi nota dez, eles nos entregaram uma sacola de viagem onde colocamos o necessário para fazer 4 dias de trilha, roupas de baixo quentes para dormir, o saco de dormir que cada um tem que ter o seu, neste quesito não poupei, pois meu único medo era passar frio, já que dormiríamos a uma altitude média de 4.000 m, à noite a temperatura pode cair fácil para os 10 graus negativos.

Nada de muito peso, pois eram as sacolas que seriam carregadas pelas mulas durante o trekking.

Nosso grupo era de 4 pessoas Luisa, Rafaela, Carolina e eu, e nossa na nossa equipe eram 3 pessoas para cuidar de nós, nosso guia Willy, Rolando nosso super cozinheiro e Jesus –  dono das mulas e responsável pela montagem do acampamento.

As 7h da manhã de um dia lindo de junho, partimos de Huaraz em uma van, que serpenteou pelas montanhas durante quase 5 horas até chegarmos ao nosso ponto de partida - Vaqueria. Escolhemos fazer a trilha de Santa Cruz, que é das mais populares, são 4 dias e 3 noites de trilha.

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Depois de mais ou menos 1 hora, saímos do asfalto e pegamos a estrada de terra, o cenário ficando cada vez mais bonito.

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Passamos por várias plantações de Amaranto e Quinua.

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No caminho paramos para admirar a beleza da Lagoa de Chinancocha.

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E começamos a subir – subir e nunca mais paramos de subir, a estrada serpenteava e a cada curva, olhávamos o vale e a lagoa de Cinancocha ficando cada vez menor – vertigem….

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Esta foi a estradinha que subimos.

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Chegamos em Vaqueria, no inicio da tarde e depois de encontrar Jesus e eles prepararem as mulas, começamos nossa caminhada. A temperatura boa, começamos descendo um vale e passando por um vilarejo, esta primeira tarde o trajeto era de 9 Km.

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Mulas carregadas – Partiu!

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No caminho cruzamos com vários pastores de ovelhas e cabras

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E alguns até arriscando um comércio …

Já era quase noite quando chegamos ao nosso acampamento, o que tornou as coisas um pouco mais complicadas, pois a gente tem um ritualzinho de coisas para organizar, separar as roupas de dormir, os lenços umedecidos que são muito úteis para fazer um banho de gato, sim são 4 dias sem banho! Confesso pra vocês que não foi um problema, dá tranquilamente para contornar, até porque  a gente  não sua, mas se você é daqueles que não dorme sem banho, esta não é a sua praia!

Eu estava tão deslumbrada com a natureza, que queria parar o relógio, eternizar aquela torrente de sentimentos que me atropelavam, uma sensação total de comunhão com o universo.

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 Nosso guia Willy nos acompanhava com um cavalo, para o caso de alguém se machucar, aqui estávamos longe de tudo.

Rolando e Jesus iam na frente, e quando chegávamos o acampamento estava montado e eles sempre nos esperavam com chás, café e alguma coisa boa para comer, um luxo só! Sempre montavam as barracas perto de outros grupos, não eram muitos, gente de todos os cantos do mundo, ingleses, franceses, russos, israelenses, uma Babel ! Brasileiros não cruzamos nenhum.

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Acordávamos cedo, e depois do café começávamos a caminhar, fomos brindadas com lias lindos de sol.

O segundo dia foi de longe o mais puxado, foram 8 km de subida, sendo que 5 deles foi uma subida muito íngreme, para cruzar o Passo  de Punta Union, chegar lá em cima foi  inesquecível, vários sentimentos misturados – superação, alegrias compartilhadas, todo mundo fica eufórico.

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Começa a subida …
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E finalmente chegamos no Passo, subir até aqui com pouco oxigênio foi punk, mas a paisagem recompensou todo o esforço.

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Beleza, beleza até onde alcançava o olhar

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Muitas Apachetas pelo caminho, as pedras empilhadas tem caráter mágico e servem para marcar caminhos.

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Willy, nosso guia, trechos as vezes dificeis para o cavalo.

E lá embaixo já avistamos o lugar do nosso próximo acampamento. Fiquei muito impressionada com um casal de ingleses que carregavam tudo nas mochilas, barraca, panelas, etc, achei demais, a menina carregava 20kg nas costas, ao cabo deste segundo dia que foi o mais puxado ela estava aos prantos, exaustão total.

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Chegamos com sol alto – delicia, tempo para se jogar na grama descansar, comer, estávamos com o dia ganho.

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Eu imagino que você esteja se perguntando – “tudo muito lindo, mas e o banheiro?” 
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 Eles pensaram em tudo :) !

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Nosso chef Rolando mandando ver!

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Prato veggie da Rafa!

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Este foi o lugar mais alto que dormimos, também o mais frio, nossa barraca amanheceu coberta de geada.

E seguimos mais dois dias de trilhas passando por lagoas, gramados que pareciam campos de golfe, flores, muitas flores pelo caminho. Foi uma experiência muito forte, para mim que sou de pouca fé em assuntos de religião, foi uma como uma vivência espiritual, uma relação intensa com a natureza, sai uma pessoa diferente daquelas montanhas.

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Equipe completa: Willy, Eu, Rolando, Carolina, Luisa, Jesus e Rafaela. Valeu pessoal!

Depoimento de Viajantes "Peru com Arte"

30 de maio de 2014 0

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Encarando o Peru

“Fiz uma viagem para o Perú com as meninas do Viajando com Arte/ Porto Brasil!!! No início, relutei, Peru, insegurança, grupo e outros receios! Chegando em Cusco embarcamos em uma nave pilotada pelas gurias do Viajando com Arte, Clarisse e Mylene. Começei a conhecer um outro planeta chamado Peru. Fomos recebidos por um povo hospitaleiro, simpático e afetivo, um povo orgulhoso da sua descendencia americana-INKA! Eu que sou descendente de europeus colonizadores, que cometeram várias barbáries nesta nossa América Latina, fiquei confuso, com inveja e orgulho deste sentimento. Explodiram emoções e pensamentos nunca experimentados por mim! Mas a viagem seguiu, paisagens, gastronomia, habitos e cultura de um mundo novo! As gurias nos surpreendendo a todo instante com almoços, jantares, piqueniques e passeios de perder o fôlego ( nos dois sentidos, chegamos a 4200m de altitude!) Os de trem, simplesmente indescritíveis, só indo lá para ver! Os guias locais atenciosos e afetuosos, Erik, Magali,Mário, ……e Zulema, esta minha preferida, rolou até um clima entre nós,hehehe! O grupo daqueles de deixar saudade e uma vontade de continuar viajando, sem falar nas aulas de história das gurias ( a Clarisse não te deixou falar né Mylene?). O vinho prometido ainda vai ser tomado gurizada medonha! Uma viagem inesquecível!!! Viajei a um Planeta chamado Peru!!! Agradeço a todos os viajantes desta nave!!!”
Vasco Rosa

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Claudia Gasperin , Mylene Rizzo e Leila Germany

Gurizada medonha!
O depoimento do Vasco foi perfeito, mas gostaria de deixar umas palavras aqui também. Como representante da ala feminina e majoritária do grupo (mazááá!), como Colorada (aêêêêê!) e como participante da primeira “viagem com arte”. Já conhecia Clarisse e Mylene há alguns anos quando, apaixonada por história, comecei a frequentar os cursos. Grécia, França, Itália, tudo com gostinho de querer voltar aos lugares que elas nos apresentavam e ensinavam a ver com outro olhar.

E aí num almoço corrido no intervalo do trabalho Cláudia me avisa: as gurias vão ao Peru, visitar Machu Picchu e Lago Titicaca, estás a fim? Pronto, lascou. Frase absolutamente irresistível pra mim: Leila, vamos viajar? E para conhecer um lugar que sempre tive vontade…lógico que sim! Na madrugada do dia 18 lá estávamos todos, ainda sem nos conhecermos direito, meio zonzos de sono mas sem dúvida animados para a aventura.

E QUE aventura! E QUE grupo! Unido, parceiro, com espírito aberto e disposto a curtir tudo com leveza. Nenhuma cara amarrada (mesmo com a cabeça rachando, o fôlego de um asmático em crise, o coração pinoteando e o estômago dançando chula com o intestino), sem reclamações, enfrentando umas indiadas beeeem boas, como sair bicicleteando com chuva no meio da lama misturada a titica (sou phynna…) de ovelha, cabra, cavalo e sabe-se lá o que mais, rindo e achando tudo ótimo.

Grupo que aguentou com bravura os efeitos da altitude e das comidas, com alternância de vítimas… Grupo que se superou na escalada do Wayna Picchu, para mim particularmente extenuante mas gratificante como desafio pessoal. Grupo que viveu momentos de magia como a apresentação de cada um, todos sentados no chão de Sexy Woman (pros íntimos) ou Sacsayhuaman (pros nativos) e dando as mãos para invocar Haram Pacha!!!

E a primeira visão da maravilhosa, emocionante e indescritível Machu Picchu. E o piquenique perfeito numa colina do Vale Sagrado com vista para os terraços Incas. E o nascer e o por-do-sol sobre o Titicaca, quase tão espetacular como o de Porto Alegre (sim, sou bairrista!) E…sei lá, tanta coisa linda que vimos e tão cedo não sairá de nossa lembrança, nossos corações, nossa alma… Depoimento longo, mas precisava dizer que adorei a experiência, que seja a primeira de muitas viagens “arteiras”!

Agradeço a atenção, organização e eficiência da equipe da Porto Brasil e, acima de tudo, do carinho e dedicação da Clarisse e da Mylene e da GRANDE parceria de toooodos vocês do grupo. Bjo!

Leila Germany

Lago Titicaca a bordo do trem do Andean Express

29 de maio de 2014 2

O Peru não cansa de me surpreender. A cada viagem para lá , e já são cinco nos últimos quatro anos, descubros novos destinos e me encanto com diferentes experiências .

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Desta vez o diferencial foi o Lago Titicaca. Queríamos encontrar a história gloriosa da origem dos Incas, fazer um mergulho em lugares com ecos do passado. Fiquei com dois corações, tinha vontade de voltar ao deserto de Paracas que deixara boas lembranças, mas como todo o presente espera pelo passado para nos comover optamos por inovar , e a experiência de viajar dez horas pelo altiplano andino no Andean Express nos chamou com mais veemência, e acho que acertamos na escolha.

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Saímos de Cusco as 8h da manhã e embarcamos num trem com ares de exploradores do século XIX. A velocidade não ultrapassa os 50km/hora , várias refeições são servidas enquanto a paisagem muda na janela como se fosse um documentário da natureza andina, o que faz da viagem um deleite para todos os sentidos. No último vagão , envidraçado e aberto para uma contemplação geral , música e dança folclóricas são apresentadas de maneira singela e simpática , como o povo peruano se mostra em todos os momentos.

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O pisco souer embalou a animação

Uma parada estratégica no ponto mais alto da travessia nos faz sentir no topo do mundo , são mais de 4 mil metros de altitude e o ar gelado custa a entrar nos pulmões. Mas o que tira a respiração mesmo são as manadas de lhamas e alpacas que correm soltas pelos campos e os picos nevados que emolduram corredeiras geladas! Uma feirinha de artesanato colorido está armada e claro que ninguém resiste!

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Seguimos nossa trajetória , rumo ao lago navegável mais alto do mundo. Dividido entre Peru e Bolívia o Titicaca é quase uma divindade, é amado e temido pelo locais. Depois de um dia repleto de imagens enternecedoras , chegamos a Puno.

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O Lago Titicaca está mais para uma experiência vivencial do que para um destino turístico , não é repleta de “atrações ” mas nos oferece um clima bucólico e muitas possibilidades de mergulhar no passado reinventado em toda sua plenitude imaginária.

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A cidade de Puno é bem menos glamurosa do que outras cidades turísticas peruanas, não tem nenhum resquício histórico, e ao longe parece uma favela penduradas nas encostas , sem revestimento e nem pintura em suas construções. É muito conhecida pelo artesanato e principalmente por ser a porta de entrada da cidade de ilhas flutuantes feitas de junco totora, os Uros.

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Aqui tudo muda , o turismo é super organizado e controlado. Cada uma das 80 Uros tem uma ou duas famílias vivendo em algumas casinhas de junco e recebem somente um barco de turistas por semana , para apresentar seu modus vivendi e vender seu artesanato colorido de junco e lã!

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Parece um museu a céu aberto, todo o processo de feitura das ilhas de totora é explicado pelos habitantes, antigos descendentes da tribo de aimaras que sobrevivem por ali. Começaram seu périplo de viver sobre as águas para fugir da tribo dos quéchuas que habitavam as margens. É um visual interessante , diferente e colorido.

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Seguimos pelas águas do Titicaca em direção a Bolívia, com a cordilheira nevada ao fundo e depois de 2 horas de navegação chegamos a ilha de Taquile, um ponto perdido no meio deste mar de água doce onde uma população isolada sobrevive do que alega ser a melhor tecelagem do mundo.

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Fomos recebidos com música , mas tenho que confessar que a todas estas já estava meio farta de flautas e ritmos andinos!

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As tradições são mantidas pelo isolamento, mulheres não olham no rosto de estranhos, as solteiras usam um lenço preto que esconde seu rosto , hábito valorizado pelos homens locais. A fiação é feita por elas , mas a tecelagem com agulhas somente pelos homens. É um lugar onde o tempo parou e a gente se sente invadindo o túnel do tempo.

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Partimos para uma viagem de reconhecimento , de descobertas de um mundo único e isolado. Obrigada aos nossos companheiros que partiram nesta aventura de descobertas conosco e encararam tudo com espírito espostivo e alto astral.

Que venha a selva peruana e suas montanhas intocadas , quem sabe de uma próxima vez!

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