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Cambodja parte II - Phnom Penn e os "Killing Fields"

22 de novembro de 2011 0

 

 Royal Palace / Moonlight Palace  

 

 

          Chegamos na capital no início da tarde vindos de Angkor. O calor era sufocante:  era só sair do ar condicionado que o suor aflorava. Largamos as coisas no hotel e fomos conhecer o Royal Palace conjunto arquitetônico no centro da capital.

          São vários prédios, o Throne Palace por exemplo, originalmente construído em madeira (1860) quando a capital mudou para cá, o Moonlight Palace e muitos outros. Os jardins têm grande influência francesa e os detalhes da construção são tailandeses. O Silver Pagoda faz parte do conjunto e nas suas galerias encontramos a “Ramayana Scenes”,  hoje bastante deterioradas pela ação do tempo. Em alguns lugares dos prédios, os macacos circulam livremente olhando para os turistas com curiosidade.

Throne Palace

macacos e monges

Silver Pagoda

Ramayana Scenes

          Dali, fomos visitar o Museu Nacional, que tem lindas peças da história do povo Khmer. Há também uma bela avenida acompanhando o rio Mekong, considerada a principal zona turística, concentrando a maioria dos hotéis e restaurantes.

Museu Nacional

Museu Nacional

 Riverside Avenue

           O problema em Phnom Penn é que, devido ao calor e à umidade, não se consegue admirar as paisagens caminhando. O negócio é fazer roteiros curtos, sempre a bordo dos “Tuk – tuks“, já que o trânsito é caótico e incompreensível para nós: qualquer sentido é permitido para motos, bicicletas, scooters e Tuk – tuks em várias ruas e avenidas. Impossível entender como aquilo fluia, aparentemente sem controle, e, até onde vimos, sem acidentes. Para facilitar, optamos por contratar um “Tuk – tuk” permanente por  U$ 15,0 / dia.

                    Na manhã do dia seguinte, fomos conhecer Choeung Ek, o principal dos chamados “Killing Fields”. Situado a uns 20 Km de Phnom, o local é hoje um marco na história do Cambodja, destinado a perpetuar na memória de todos as atrocidades cometidas por Pol Pot e seus correligionários do Khmer vermelho.

 “Stupa” / Killing Fields

 Ali, toda a barbárie era extravasada sem os requintes da tecnologia. No Cambodja da época, não havia dinheiro para comprar balas e os adversários do regime (que em linhas gerais eram todos) eram sacrificados com machadadas, enxadadas ou decapitados. Para se ter uma noção do tamanho da tragédia, assim que tomaram o poder, Pol Pot e seu  Khmer vermelho esvaziaram  todas as cidades, removendo a população para o campo. A capital virou uma cidade fantasma. A utilização de óculos era motivo para uma sentença de morte, pois associavam sua utilização com a necessidade de ler que já demonstrava uma mente contestadora dos novos valores . Os filhos dos condenados eram mortos também, pois uma das máximas do regime era ” Para acabar com as ervas daninhas, é preciso arrancar  suas raízes”. O resultado 30 anos depois é que praticamente não existem velhos no País.

Ossos

Arvore onde matavam crianças batendo contra o tronco

interior do Mausoléu, crânios e roupas

   

           Não há como visitar o local e não colocar em dúvida a razão do ser humano. É chocante, assustador e, ao mesmo tempo, didático de como ciclicamente o homem retorna a bestialidade. Saímos de lá pesados e calados, sentimentos que foram se esvanecendo à medida que cruzávamos com o povo nas ruas:  são risonhos, amistosos e decidiram reconstruir a história do país, apesar de protagonizarem aquela tragédia.

 Cova coletiva 100 corpos sem a cabeça   

         Dali, fomos para o “Russian market”, onde todos os artigos imagináveis são encontrados. Não resitimos 10′ caminhando por seus corredores estreitos, pois a sensação térmica passava dos 40ºC. Voltamos ao hotel para nos refugiarmos no ar condicionado e desfrutar de uma relaxante massagem. Para o jantar, seguimos uma indicação da revista de bordo da Bangkok Airlines, o Van’s , restaurante tradicional de cozinha franco – cambojana. O prédio é antigo, de arquitetura típica da Indochina dos filmes de antigamente e a comida era excelente, com preços risíveis.

 Russian Market

 

          Em nosso último dia em Phnom, fomos conhecer alguns outros pontos turísticos: Phnom Vat, onde a cidade nasceu; o antigo mercado, onde exploradores gastronômicos encontram um mundo a ser descoberto e, por fim, fomos passear na beira do rio.  Até lá, no distante Cambodja, já descobriram o potencial turístico de uma orla bonita com atrações, bares e restaurantes, coisa que Porto Alegre ainda não fez. À noite, fomos noutro restaurante, localizado em um terraço que se debruçava sobre a avenida da beira rio. O astral era ótimo; o problema é que, como era ao ar livre, depois de meia hora já não aguentávamos de calor e tivemos que ir embora.

Phnom Vat

             Para concluir, recomendo muito visitar o Cambodja. Além do aspecto cultural (Angkor é uma das maravilhas do mundo), como o País está recém redescobrindo a democracia, o fluxo turístico ainda é pequeno se comparado aos lugares tradicionais, sem contar o atrativo dos preços muito baixos. Melhor ir  antes que os Europeus, que estão começando a invadir as praias do País, tomem conta. Para aqueles que podem achar que não tem tanta coisa assim para ver, sempre se pode incluir lugares, como Tailândia, Vietnã, Malásia, Singapura, Laos ou mesmo Bali, como fizemos e que contarei como foi no próximo post.