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Posts na categoria "Praga"

Um roteiro de Segway em Praga

11 de abril de 2013 0

Os passeios de Segway estão ficando cada vez mais populares em cidades turísticas pelo mundo afora. Pois acho bárbaro , são silenciosos, menos espaçosos que motos e carros e proporcionam um contato mais próximo com a natureza.

Praga é uma cidade perfeita para eles, super pequena  e compacta é especialmente encantadora cedo pela manhã quando a maioria dos turistas ainda está dormindo. Como é muito montanhosa , cheia de altos e baixos, o que deixa qualquer um exausto ,  o segway resolve um roteiro para reconhecimento do que está por vir. Além disto é muito fácil de ser manuseado e não requer pratica nem habilidade, o único senão é que ainda não alugam para passeios individuais , sem a presença de guias.

Partimos para um passeio pela Ponte Carlos, milagrosamente vazia as 7:30h da manhã. Só isto já valeu acordar bem cedinho. Seguimos para a Praça de Staré Mesto onde subimos na Torre do Relógio na prefeitura velha, um visual incrível que eu aconselho muito. Comemos uma das especialidades locais numa banquinha do centro , o stradlik , uma casquinha açucarada bem gostosinha principalmente se devorada quente.

Dali uma passada pela Casa Municipal ao lado da Torre da Pólvora, centro de arte e sede da Orquestra Sinfônica que é um tesouro da arquitetura art nouveau restaurado em 1997. Reparem nos detalhes que são divinos. Na casa funcionam dois restaurantes e uma sala de apresentações.

O Museu do Comunismo tem uma fachada estranha  e também na Nové Mesto esta o único prédio moderno do centro da cidade , projetado por Frank Gehry o “Ginger e Fred” ou Dancing House é uma referência diante do Vlatva.

 

No Bairro Judeu visitamos o inquietante cemitério , uma das jóias medievais da cidade. A partir de 1439 os judeus foram impedidos de enterrar seus mortos fora do gueto de Josefov o que os impeliu a usar cada túmulo muitas vezes. Impressionante a devoção das meninas em frente ao túmulo de um rabino adorado no país.

Terminamos o passeio  em Mala Strana , o bairro do  Castelo e subindo um pouco mais até o Parque  Petrin de onde se tem a vista mais linda de Praga. Esta subida pode ser feita de teleférico também, o que é pratico pois na descida todo santo ajuda, até os tchecos .

Escultura em homenagem aos mortos no comunismo , na subida do Monte Petrin

Na volta , já sem nossas rodas nos pés , entramos para visitar o Castelo que é quase um bairro inteiro entre muros, com a Catedral de São Vito e seus vitrais de artistas consagrados como o tcheco Edward  Mucha, várias Igrejas de diversas épocas e a Viela Dourada com uma das casas atribuídas a Franz Kafka. Descemos a pé pela famosa rua Nerudova com suas casas belamente conservadas e símbolos medievais nas fachadas.

Ao lado da Ponte Carlos , na antiga olaria Herge, almoçamos  divinamente no restaurante do Museu Kafka a beira do Vlatva, um dos mais caros da cidade mas que vale pela apresentação , sabor e visual.

O Museu Kafka vale uma visita ,com mostras multimidias sofisticadas e reunião de primeiras edições deste que foi “um judeu entre alemães, um ateu entre judeus e um escritor em alemão entre tchecos”.


Para um primeiro dia foi uma escolha perfeita, deu para curtir e fazer um roteiro completo de reconhecimento para depois escolher onde voltar e curtir os outros dois dias na cidade

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CAFÉ DO MUSEU SMETANA – PRAGA

22 de setembro de 2011 1

Dica de Café Literário do Luciano Terra!

CAFÉ DO MUSEU SMETANA – PRAGA

Em final de tarde no leste europeu, seja em qual estação do ano for, você poderá ler seu livro predileto tendo a seus pés um rio que segue seu curso suavemente. De um lado você poderá vislumbrar uma ponte medieval e ao fundo um castelo magnífico que com o cair da tarde irá ficar a cada minuto mais iluminado. Enquando você folheia suavemente as páginas, um aroma de café irá surgir no ambiente e o som de um compositor local irá completar esse cenário perfeito.

Neste momento escrevendo estas poucas linhas sinto ainda a brisa de início de primavera, em um início de manhã sem nuvens e de temperaturas amenas. Ao sentar em uma das cadeiras à beira do rio Moldávia (Vltava) pude viajar em um cenário atemporal, onde o moderno se confunde com o antigo e onde seus sentidos são colocados à prova. Sua visão não consegue captar toda a beleza do local, seu tato está enlouquecido entre a suavidade das páginas de um livro e a aspereza de mesas e cadeiras de ferro trabalhadas. Seu olfato sente o aroma de café e de tortas doces maravilhosas chegando à mesa e causando pane em seu paladar. Para completar, sua audição se embriaga ao som de um dos compositores mais famosos do leste europeu: Bedrich Smetana.

http://www.youtube.com/watch?v=bJJfEfP9JVk

Estou falando do café do museu Smetana em Praga (Novotného lávka 1, 110 000 Praha 1). Este museu é totalmente dedicado à vida e obra do famoso compositor tcheco Bedrich Smetana (1824 a 1884). Está situado no centro de Praga em um pequeno bloco de prédios bem ao lado da Ponte Carlos e na margem direita do rio Vltava, ali na Cidade Velha. Além da tradição do local e de toda a magia da música clássica tcheca o local é de tirar o fôlego. A vista é inebriante e única. Mesmo se você não curtir café, livro ou música clássica (o que seria um pecado… afinal você precisa gostar de pelo menos um deles, certo?) vale pelo ambiente externo e sua magia. Você ainda pode aproveitar para entrar no museu e conhecer um pouco mais sobre a vida e obra deste que foi o precursor da música clássica em lingua tcheca.

Aproveite e se delicie…

Praga , parques para se perder (parte IV)

01 de agosto de 2011 0

ÚLTIMO DIA EM PRAGA – VYSEHRAD E PARQUE PETRÍN

Um pouco mais afastado do centro você poderá encontrar o Parque de Vysehrad. Se você gostar de caminhar poderá ir a pé sem problemas, porém aconselho ir de metrô (tem uma estação que lhe deixará nas proximidades) e voltar caminhando pela beira do rio. Esse parque possui fortificações do século 17 que foram reforçadas durante a ocupação francesa de 1742. Os pontos altos são a vista da cidade, já que fica em um local elevado e de onde você poderá ver o Rio, Mala Strana, o Castelo de Praga e várias outras construções. A natureza nesse local também é interessante, repleta de árvores e jardins. Ainda dentro de Vysehrad você poderá visitar a Igreja de São Pedro e São Paulo e o Cemitério onde está enterrado Franz Kafka e outros nomes famosos da história de Praga. Com vista para o Rio você poderá avistar as ruínas das Termas de Libuse, antigo bastião de defesa do castelo medieval. Segundo a lenda Vysehrad foi a primeira sede da realeza tcheca. Aqui a princesa Libuse teria profetizado a futura glória da cidade de Praga.

PARQUE DE VYSEHRAD

TERMAS DE LIBUSE

Depois de algumas horas curtindo a beleza de Vysehrad saímos por um dos portões do parque e seguimos para a margem do Rio Vltava. De lá até o centro da cidade fomos caminhando pelo passeio à beira do rio  e passando por cisnes nadando nas águas límpidas, pontes de ferro modernas e outras de pedra mais antigas, e tudo isto emoldurado pela beleza da vista da outra margem e das construções ao longo do caminho. Alguns poucos quilometros depois cruzamos uma das pontes do rio e seguimos em direção ao parque Petrín. Outro exemplar de beleza e organização na encosta de um morro da cidade.

O Parque Petrín eleva-se 318 metros acima da cidade. Seu nome teria vindo de um Deus eslavo ao qual se faziam sacrifícios no morro. O parque é repleto de caminhos calçados, grandes gramados e árvores de vários tipos, por onde você poderá ir caminhando e desfrutando desse ar de campo em plena cidade. A cada passo você estará alguns centímetros mais acima do nível da cidade e quando perceber e virar-se terá uma das vistas mais bonitas de Praga. Lá de cima você verá todos os principais pontos da cidade e ela irá se mostrar por inteiro para você. Depois de três dias caminhando por várias regiões e desbravando cada centímetro da parte histórica de Praga, este foi o fechamento perfeito da nossa jornada.

PARQUE PETRIN

Tente imaginar a cena: um gramado perfeitamente aparado e árvores “renascendo” no começo de mais uma  primavera. Ao fundo você pode avistar um castelo e várias torres de igrejas. A sua frente os telhados de uma cidade antiga e o colorido de suas fachadas emoldurados acima por um céu azul e abaixo pelas águas de um rio que corre seu curso por entre ruas e pontes medievais. Com essa vista você espalha uma toalha sobre a relva e deita para curtir um picnic e esperar o sol se por no leste europeu.  Não seria o final perfeito para uma viagem de sonhos? Se você concordar comigo, deixe de sonhar e comece a planejar a sua viagem para Praga. Lá você irá poder saborear desse momento  e de muitos outros, basta liberar a sua imaginação e estar atento às belezas ao seu redor. Lembre: não adianta estar no lugar mais lindo do universo se você não tiver a sensibilidade de identicá-lo.

 

DICAS RÁPIDAS:

- Assista ao clipe DIVANO do grupo Era que foi totalmente gravado em Praga e entre no clima da cidade. http://www.youtube.com/watch?v=96i6eL-3F9E

- NÃO DEIXE de ir a um, ou mais, espetáculos do Teatro Negro de Praga. Você encontrará várias opções, escolha a que mais for de encontro ao seu gosto teatral.

- Leia o livro 1989: o ano que mudou o mundo e entenda melhor tudo o que se passou no final dessa década e a importância desses acontecimentos para o mundo.

- Compre um CD de música tcheca contemporânea. Eu comprei uma seleção das melhores músicas do ano anterior à minha visita.

- Quando fui tinha uma loja de “souvenir” na viela dourada que vendia objetos de cerâmica que imitam metal. Comprei um “mini-cálice” de estilo medieval que você jura ser de metal. Uma ótima lembrança do estilo medieval da cidade.

- O guia visual da Folha de São Paulo é um ótimo guia detalhado de toda a cidade. Utilizei apenas esse guia e consegui me localizar perfeitamente em toda a cidade.

- Não deixe de brincar com a pronúncia e as palavras dessa língua que soa tão diferente aos nossos ouvidos. Aproveite e tente identificar palavras latinas, você irá se surpreender com algumas tão próximas, e algumas iguais, ao português!!!

- Divirta-se e deixe-se contaminar por essa cidade!!!



Praga , muito além do castelo (parte III)

30 de julho de 2011 2

A noite de Praga é extremamente festiva e você encontrará uma opção que venha de encontro aos seus interesses. Bares, restaurantes, cassinos, teatros, casas noturnas, ou seja, tudo que uma capital pode lhe oferecer, e o melhor, tudo perto.

PRAÇA DA CIDADE VELHA À NOITE

Uma outra região imperdível de Praga é a da Rua Vaclavské Namesti, dentro da chamada Cidade Nova . Nessa rua você encontrará como marcos a Praça Wenceslas, o famoso Grande Hotel Europa e o Museu Nacional. Esse último um prédio de 1890 com uma arquitetura interessantíssima e um interior deslumbrante. Não deixe de visitá-lo. Também nessa região você irá encontrar muitas lojinhas de “souvenir”, cristais tchecos, restaurantes, bancos, cambios e muito mais. Aconselho ir no final da tarde, a luz do sol sobre o museu Nacional renderá muitas fotos.

 RUA VACLAVSKÉ NAMESTI

 MUSEU NACIONAL

Entre tantas delicias de Praga, uma delas é uma massa doce assada ao redor de um cilindro de inox e após coberta com açúcar e canela – TRDLO. O nome é impronunciável porém o sabor é delicioso. Com um chá, café, ou um bom refrigerante gelado, é o lanchinho necessário para mais algumas horas de caminhada. Nós comemos o nosso primeiro TRDLO em uma feirinha de Páscoa que estava acontecendo na Rua Vaclavské Namesti. Além das banquinhas de TRDLO outras serviam iguarias tchecas deliciosas. Vale arriscar e deixar o paladar descobrir novos sabores e texturas. Sem medo e sem preconceito.


PONTE CARLOS E MALA STRANA

No segundo dia em Praga acordamos cedo e saímos para mais uma longa caminhada. O dia estava novamente iluminado por um sol de primavera delicioso. A temperatura estava amena e perfeita para flanar pelas ruas dessa encantadora cidade. Nosso foco do dia era desbravar Mala Strana e a região do Castelo, porém para tanto precisaríamos cruzar o maior cartão postal de Praga: a Ponte Carlos (Karlúv Most).

A Ponte Carlos foi construída em 1357 e até 1741 era a única ponte que ligava os dois lados da cidade. O caminho entre as duas margens do rio sobre essa ponte é no mínimo interessante, sem falar da vista que você tem dos dois lados. O ingresso na mesma se dá através de “portais” sob torres em estilo gótico e com isso você já entra nesse clima medieval e é automaticamente remetido a mais de 600 anos atrás. Imaginar como seriam os arredores dessa ponte na época da sua construção é um exercício fascinante para a mente, deixe-se levar…  Ao longo da ponte você cruza por dezenas de esculturas sobre os pilares laterais. Você verá desde um crucifixo com dizeres em hebraico, até imagens de Santos como São João Batista, São Venceslau e São João Nepomuceno. Essa última imagem já com alguns lugares desgastados  devido ao costume local de passar a mão em busca de sorte. Com certeza você passará diversas vezes pela Ponte Carlos em sua estada em Praga, mas não deixe de ir até lá no final da tarde e ver as luzes da cidade surgindo no horizonte.

PONTE CARLOS

Ao chegar a Mala Strana subimos uma ruela medieval sinuosa e que leva ao Castelo de Praga e suas igrejas. No caminho você poderá vislumbrar todo o encantamento dessa parte de Praga e ainda visitar a Igreja do Menino Jesus de Praga. Vale mais pela curiosidade do que pela beleza. Antes de ir até lá ouvi relatos emocionados de muitas pessoas que haviam visitado esse local. Se você for muito católico poderá sentir o mesmo, porém para mim infelizmente não foi tão emocionante assim, muito pelo contrário, senti um ar de “mercantilismo” e não gostei muito! Nessa mesma região você encontrará várias outras igrejas e entre elas a de São Nicolau, mais um exemplar da arquitetura da região.  Se você gosta de arte sacra…


 IGREJA DE SAO NICOLAU



CASTELO DE PRAGA E HRADCANY

Já saindo de Mala Strana e entrando na região do Castelo de Praga, subimos mais um pouco  e nos depararamos  ao longe com o Palácio Schwarzenberg. Nossa primeira impressão foi de uma fachada em estilo renascentista revestida com pedras salientes em forma de pirâmides, porém de perto pudemos perceber que era uma ilusão de ótica e que na realidade eram apenas figuras geométricas desenhadas em uma parede plana e que, devido à perspectiva, ao longe pareciam “sair” da fachada. Um toque florentino no clima boêmio da cidade. A riqueza de detalhes é impressionante e faz com que esse palácio erguido entre 1545 e 1576 se torne um dos pontos altos da viagem. Alguns metros antes de chegarmos em frente ao mesmo começamos a ouvir uma música clássica e assim percebemos que havia um casal de violinistas tocando na calçada exatamente em frente a esse palácio. Um toque de arte perfeito que completou o clima mágico do momento.

 PALÁCIO SCHWARZENBERG

A grande atração dessa região é o Palácio de Praga e a cidadela de Hradcany. Aqui começou a história de Praga e dentro dessas muralhas havia um palácio, três igrejas e um mosteiro. Por volta de  1320 esse povoado foi formado e depois de algumas modificações nos diversos reinados, hoje é a sede do governo da República. Ao cruzar os seus portões você mergulha em um mundo medieval de gárgulas, armaduras, câmaras de tortura e ruelas que remetem a tantos filmes que você já viu dessa época de nossa história. Logo na entrada você se depara com duas esculturas do século 13 chamadas de “gigantes em luta” e caminhando um pouco mais você estará em frente a Catedral de São Vito construída  por volta de 1372. De construção imponente e cheia de detalhes, essa catedral é de uma beleza fantástica. Vitrais cheios de detalhes e repletos de cores, fachada repleta de imagens, gárgulas de lingua de fora, uma enxurrada de informações que beiram ao excesso, mas que no conjunto nos fazem delirar de puro extase. Essa construção pode parecer a “grande jóia” do local, e para muitos poderá ser, porém para mim o grande tesouro do local é  uma igreja muito mais simples e rústica, porém fascinante. Circundando a Catedral de São Vito temos diversas ruelas com suas construções da mesma época e com seus telhados escuros. Um pouco além nos deparamos com o tesouro que acabo de falar: a Basílica de São Jorge. Fundada entre 915 e 921, ampliada em 973 e reconstruída após um incêndio em  1142, possui ainda seu teto de madeira. Aqui Santa Ludmila (primeira mártir cristã da Boêmia) foi estrangulada por sua nora enquanto rezava ajoelhada e está enterrada nessa igreja. Seguindo em frente, ainda dentro dos muros de Hradcany, encontramos a Viela dourada que tem esse nome por ter sido moradia de diversos ourives da época. Hoje a Viela Dourada possui diversas lojas de produtos medievais (armaduras, cálices, espadas, escudos) e museus que representam essa época.

CATEDRAL DE SÃO VITO

GÁRGULAS DA CATEDRAL DE SÃO VITO

Na saída do complexo do Castelo você terá uma das vistas mais bonitas da cidade: ao fundo a ponte Carlos e a cidade Velha com suas torres; o Rudolfinum e o Rio Vltava. Se quando você estiver descendo a ladeira do castelo estiver um dia iluminado e com clima ameno como o que pegamos lá, aproveite e pare em um dos restaurantes que ficam localizados em terraços de casas da região. Você terá uma excelente refeição e ainda irá curtir um delicioso sol de primavera com a vista de Praga aos seus pés.

VISTAS A PARTIR DO COMPLEXO DO CASTELO.




Praga , divagando pela arte (parte II)

28 de julho de 2011 4

  No mês de março a temperatura em Praga é extremamente agradável, pegamos um friozinho gostoso e um sol brilhante que elevava a temperatura nas primeiras horas da tarde. Após um super café da manhã revigorante iniciamos a desbravar a cidade. Por intuição, e por estar um dia maravilhoso de sol, resolvemos iniciar nossa aventura local caminhando pelas margens do Rio Vltava, o que foi uma idéia excelente e recomendável. Já no caminho até o rio  pudemos passar por diversas construções interessantes, como a nova Prefeitura de Praga e tantas outras. Ao chegar às margens do rio tivemos a primeira visão de tirar o fôlego: águas aparentemente calmas refletiam os prédios às suas margens e o céu azul que emoldurava os mesmos. Devido a contenções no curso do rio, o mesmo forma locais como se fossem lagos e isso faz com que os reflexos sejam mais nítidos do que normalmente seriam na margem de um rio comum com sua correnteza. Ao olharmos para a direita pudemos observar ao longe muitos dos cartões postais de Praga. De um lado o Edificio moderno “Ginger and Fred” e o Teatro Nacional, e do outro lado Mala Strana e a região do castelo e suas igrejas. Entre os dois, algumas ilhotas no meio do rio e por fim a tão falada Ponte Carlos.

Ginger and Fred

Seguimos por uma das margens apreciando lentamente cada metro e cada edificação do caminho. Após alguns quarteirões percorridos chegamos ao café do Museu Smetana, que fica à margem do rio e tem mesas ao ar livre em um “terraço suspenso” sobre às águas do mesmo. A partir desse local você pode avistar a Ponte Carlos a poucos metros de distância e Mala Strana ao fundo. Além disso você poderá admirar algumas das ilhas que serpenteiam o rio e tudo isso regado a um bom café, ou vinho, ou chá, ou o que você preferir para brindar esse espetáculo. Recomendo ir nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde. A luz desses horários é fantástica e você poderá fazer muitas fotos. Nós fomos no começo da manhã e pudemos tomar um cafezinho e comer uma torta doce magnífica “lagarteando” sob o sol de começo de Primavera. Empolgado que estava com toda essa maravilha enviei  um torpedo inspirado para vários amigos no Brasil narrando o que estava vendo e sentindo, porém não me dei conta de que aqui no Brasil ainda era madrugada, e aqueles que não costumam desligar o celular à noite foram acordados por um poético brasileiro inspirado narrando os seus devaneios.

CAFÉ DO MUSEU SMETANA

VISTA DAS MARGENS DO RIO VLTAVA

Após pelo menos uma hora de puro deleite seguimos caminho em direção à Cidade Velha e aportamos  na praça em homenagem a Carlos IV que dá  nome à ponte mais famosa da cidade. Ainda pela margem do rio nos deparamos com uma outra praça magnífica onde de um lado pudemos avistar o Rudolfinum (sede da orquestra filarmônica Tcheca) e do outro o Museu de Artes Decorativas. Dois exemplares arquitetônicos interessantes, e que valem a visita. Não deixe de prestar atenção às luminárias que ficam em frente ao Rudolfinum; verdadeiras obras de arte.

 RUDOLFINUM

Em Praga tudo é muito perto e quando você se dá conta já está em outro ponto turístico. O importante é seguir o seu ritmo e ir de acordo com os seus interesses. Por isso sou adepto de um turismo mais livre, onde você é seu guia e pode curtir tudo na sua velocidade. Tem coisa pior em uma viagem do que quando você quer ficar mais tempo em um local que tanto gostou e tem uma pessoa te forçando a seguir adiante? Disso estou fora! Em viagens gosto de curtir passo a passo o local, parar em lugares que mais me atraem e também passar batido naqueles que não me dizem nada. Um bom mapa e um bom guia de viagem são muito importantes, o restante tem que ser pura “aventura”!


BAIRRO JUDEU E CIDADE VELHA

 UMA DAS FACHADAS DOS PRÉDIOS DA CIDADE VELHA

Quando nos demos conta já estávamos nos limites do tão falado bairro Judeu e seus prédios de fachadas impecáveis. O bom gosto e o cuidado que os habitantes têm com seus prédios é de matar qualquer latinoamericano de inveja. Deixe-se perder por suas ruelas e vá se deliciando com a arquitetura desse local! Em cada rua você irá encontrar prédios com pinturas sob suas janelas,  sacadas com detalhes em dourado, vermelho, verde, tudo delicadamente desenhado na fachada e de um bom gosto fantástico! Vale a pena gastar algum tempo apenas contemplando essa região. Além dos prédios residenciais você encontrará sinagogas modernas e antigas (uma delas de 1694 – Sinagoga Klausen). Também aqui você irá encontrar o tão fotografado cemitério judeu, onde há uma lápide quase que sobreposta a outra, uma lembrança dos tempos em que o povo judeu foi confinado a esse pequeno espaço não tendo muitas opções de onde enterrar os seus mortos (por isso tantas lápides em um mesmo local). Aqui você poderá optar por fazer um passeio a um campo de concentração próximo e vivenciar ainda mais de perto o clima de holocausto sempre presente em nossos tempos.

 FACHADAS DO BAIRRO JUDEU

CEMITÉRIO BAIRRO JUDEU

A tarde já havia chegado quando paramos para almoçar em um restaurante simples e delicioso na entrada da cidade velha. Nessa região você irá encontrar restaurantes para todos os gostos, e bolsos, é só escolher e deliciar-se. Após um almoço correto seguimos em direção ao  “coração” da Praga atual: a praça da Cidade Velha (Staromestské Namestí), onde você verá a Igreja Nossa Senhora diante de Tyn com suas torres góticas e o famoso relógio astronômico instalado em 1410. Aqui, de hora em hora, há uma aglomeração de pessoas para ver a já clássica procissão de apóstolos e o cantar do galo do relógio. A beleza dessa obra de arte é imperdível e vale a pena entrar na brincadeira e unir-se à multidão! Não deixe de ir à noite, com o jogo de luzes o espetáculo é ainda mais interessante. Se você der sorte como nós, verá uma lua cheia nascendo entre as torres da Igreja Nossa Senhora diante de Tyn. Lindo! As ruas da cidade velha são totalmente seguras e andamos por lá diversas vezes à noite e nada nos aconteceu. Depois que o sol se põem o clima medieval da cidade se intensifica, então vale uma caminhada sem rumo pelas ruelas da região. Tenho certeza que você irá se surpreender a cada esquina e poderá se embrenhar nessa cultura. Fique atento as fachadas dos prédios, onde você poderá ver diversos símbolos esculpidos, tais como: carneiro de pedra, cegonhas, estrela azul e tantos outros.

Igreja Nossa Senhora diante de Tyn

Relógio Astronômico

Praga , onde o mundo começou a mudar em 1989

27 de julho de 2011 4

Começamos a colocar no ar hoje uma série de três posts lindos e sensíveis sobre Praga, mais uma bela contribuição do Luciano Terra.

“E assim veio o fim, “suavemente, suavemente”. Havel pediu um minuto de silêncio por aqueles “que caíram na luta pela liberdade”.

Começou a nevar, de leve, no início, mas depois mais forte. Uma carreta puxada por cavalos deixou o parque, adornada com estandartes e asas de anjos, e milhares de pessoas começaram a segui-la. Uma por uma, as pessoas presentes em Letna deram-se as mãos e em fila indiana iniciaram a caminhada para a praça Wenceslas, distante quase dois quilômetros e meio, quase em silêncio total, sob a neve que caía suavemente… A procisão abriu caminho lentamente pelas trilhas e bosques do parque, agora coberto de branco. Serpenteou pelas ruas medievais atrás do castelo e depois pela praça em frente ao palácio presidencial às escuras. Não se ouviam cantos nem vivas, não havia insinuação de confronto. Apenas a fila contínua de pessoas passava em silêncio na escuridão branca, a linha fazia curvas para lá e para cá do lado de fora dos portões ameaçadores. A neve amortecia os passos. Não se ouvia um som, exceto o dos passos macios, rompido de vez em quando por um suave tilintar de chaves. Durante horas a procissão passou. Metade de Praga participou da cadeia humana. Do castelo, ela desceu o morro íngreme até Mala Strana, passou pela grande catedral barroca, com suas flechas iluminadas na noite nevada, atravessou o Vltava na ponte Carlos, com suas estátuas de 400 anos de reis tchecos e mártires religiosos, entrou nas ruas estreitas da Cidade velha e, por fim, na rua Narodni, onde velas acesas lembravam a selvageria de 17 de novembro.”

Michael Meyer – 1989 o ano que mudou o mundo.

Infelizmente não chegamos a Praga nessa noite, e sim apenas 18 anos depois. Praga hoje já está totalmente integrada à cultura ocidental. A Tchecoslováquia já não existe mais, e a nova República Tcheca já faz parte da Comunidade Européia, porém, quem vai até lá para ver mais uma cidade ocidental como todas as outras? Todos rumam a Praga, ano após ano, para ver suas construções medievais, sua ponte magnífica de vários séculos, seu bairro judeu e todas as preciosidades que podem ser vistas nessa jóia do leste Europeu.

Exaltar “apenas” sua beleza e sua magia medievais é apenas cair no senso comum (e vamos falar com certeza, já que é um dos pontos altos da viagem), porém gostaria de começar esse relato não indo tão longe de nossos tempos. Gostaria de iniciar falando de um tempo tão próximo de nós, onde já éramos nascidos, e muitos até crescidos, e que mudou tanto a história da humanidade. Iniciando no tempo do Nazismo, e todas as suas atrocidades, e passando para a era comunista que levou para o leste europeu todo o terror e a falta de liberdade, iguais, ou piores, que no tempo de Hitler.

Devo confessar que meus conhecimentos de história são mais recentes, e na minha adolescência não era um assunto que me interessava muito. Digo isto pois gostaria de ter o sentimento que tenho hoje com relação a essa história no ano de 1989 onde tudo aconteceu, e com isso ter me emocionado mais, vibrado mais com essa conquista. Nesse ano, tão próximo de nossos dias, e as vezes já esquecido, ocorreu o desfecho de uma história tão cruel e trouxe a liberdade, o grito e a esperança de volta a milhões de pessoas. Hoje quando leio sobre o assunto, sinto um aperto no coração, um sentimento dificil de explicar, como se tivesse feito parte dessa história e que somente agora consiga ter consciência de tudo, e possa chorar meus fantasmas e meus medos. Como se o sopro de liberdade desse povo venha até mim e me envolva completamente. Assim me senti em Praga, quando ao fazer o mesmo caminho percorrido há tantos anos na Revolução de Veludo, pude sofrer e me alegrar por tudo o que aconteceu a esse povo. Quando estiver lá abra o seu coração, e deixe-se levar por todo esse sentimento. Sinta ainda o pulsar dessa energia em cada pedra, em cada rua, em cada prédio dessa cidade magnífica.

“Se o Luciano me permite , aproveito para indicar o filme ” A Insustentável leveza do ser” baseado no livro de Milan Kundera, retrato muito interessante desta época”

Leia tudo sobre a história de Praga que você puder, desde a idade média até os tempos atuais, porém não deixe de se ater nessa história recente de liberdade e coragem. Como ir a Praga e não sentir “suavemente” toda a sua força interior e todo o vigor de seu povo? Era um final de tarde de domingo de primavera no leste europeu quando nosso trem chegou à estação de Praga. Viena e Budapeste tinham ficado para trás e era hora de se aventurar em mais essa “nova cidade”. O primeiro desafio logo se mostrou: por ser um final de domingo todas as lojas da estação estavam fechadas (apenas um câmbio estava aberto), e para nossa surpresa, até o ponto de informações turísticas não funcionava àquela hora. Sendo assim, apenas nos restou trocar alguns euros por Coroas (moeda local) e seguir adiante até o nosso hotel. Quando chegamos à estação de metrô (dentro do mesmo complexo ferroviário) mais uma surpresa: não havia viva alma para dar informações, nem vender os “tickets”, apenas uma máquina toda em Tcheco onde apareciam os valores da passagem (sim, tinha mais de um valor) e o restante tudo nessa lingua que até então era uma total novidade (depois descobrimos que ela é uma lingua neolatina e que tem muitas palavras parecidas com o português – ali não entendemos palavra alguma). Nesse momento não tínhamos o que fazer, nem a quem recorrer, utilizamos a máquina na intuição (quem viu uma já viu todas) e pagamos o valor mais baixo (é claro). Quando entramos no trem não havia roleta, fiscal, ou qualquer pessoa para nos orientar (já estávamos um pouco acostumados com isso já que em Viena e Budapeste também não havia roletas e “cobradores” nos trens e bondes); então pegamos nossas anotações e seguimos até a estação indicada como sendo a do hotel. No final deu tudo certo e chegamos ao nosso destino sem muita demora, ou seja, Praga já não era mais um mistério!!