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Posts na categoria "toscana"

Filmes para passear pela Itália

19 de outubro de 2015 2

Adoramos filmes que nos levam a conhecer ou rever países que visitamos ou sonhamos em desvendar.

Como imagino que muitos sofram da mesma síndrome que eu , esquecimento seletivo! Cada vez que sento na frente da TV penso em todas as dicas de bons filmes que me deram , mas não consigo lembrar o nome de nenhum no momento! Vamos registrar aqui algumas possibilidades para viajar sem sair do sofá.

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Dividimos esta série por países em filmes dos anos 2000 (os anteriores imagino que muitos já conheçam!). Não temos nenhuma pretensão de crítica cinematográfica,  mais e sim um entretenimento voltado para imagens das regiões mais lindas de cada país.

A Viagem a Itália (2014):

Cartaz do Filme

Com realização de Michael Winterbottom é um verdadeiro um “road movie” gastronômico que segue os passos dos poetas Byron e Shelley com a dupla de atores Steve Coogan e Rob Brydon (transformados numa espécie de caricatura de si próprios). O filme não tem um roteiro muito interessante e os diálogos podem ser meio monótonos , mas as imagens são incríveis da viagem de carro pela Itália, percorrendo Ligúria, Toscana, Roma, Amalfi e Capri, onde experimentam os mais interessantes restaurantes e hotéis das respectivas cidades.

A Grande Beleza (2013)

A Grande Beleza

“Viajar é util, exercita a imaginação [...] Aliás, à primeira vista todos podem fazer o mesmo. Basta fechar os olhos.” É assim, citando um pequeno trecho de “Viagem ao Fim da Noite”, do escritor  Louis-Ferdinand Céline, que A Grande Beleza começa. Um filme de Paolo Sorrentino provocante, divertido e de grande impacto visual que mostra a alta sociedade italiana numa perspectiva ácida percorrendo um  delicioso passeio pelos recantos mais interessantes de Roma.  

Terra Firme ( 2011)

Terra Firme

Ao sul da Sicília, na pequena Lampedusa, um retrato super atual da questão da imigração na Europa.  A família Purcillo vive em uma ilha remota, onde a maior fonte de trabalho é o turismo. Ernesto , o patriarca da família, ainda mantém seu barco de pesca, mais por razões sentimentais do que pela renda que obtém. Em uma pescaria, ele e o neto acabam se deparando com um barco de imigrantes ilegais a deriva, e tem que enfrentar a situação onde a tradição do mar se choca com as leis italianas.

Baaria , a porta do vento (2009)

Baaria - A Porta do Vento

De Giuseppe Tornatore , uma saga siciliana. Em 1930, na província de Palermo. Ciccio  é um humilde pastor que encontra tempo para se dedicar à sua grande paixão: a leitura. A Itália passava pelo fascismo e, durante a Segunda Guerra Mundial, a região enfrenta uma grande penúria. Delicado e envolvente traça um panorama histórico do sul da Itália com lindas e idílicas imagens.

Cartas para Julieta (2010)

Cartas para Julieta

Bem mais conhecido e visto do que os anteriores tem como pano de fundo a Casa de Julieta em Verona , numa história romântica e açucarada que engendra um passeio magnífico pela Toscana. Sophie descobre uma antiga carta de amor e junta-se a um grupo de voluntárias que responde estas missivas amorosas. Para sua surpresa, a remetente Claire Smith (Vanessa Redgrave) ouve o conselho dado na resposta e vai em busca de um italiano, por quem se apaixonara na juventude. 

Pão e Tulipas (2000) 

Pão e Tulipas (2000) Poster

Depois de ser esquecida na estrada pela família , uma dona de casa descobre sua força interior e recomeça a vida em Veneza. Muito procurada como ultimo destino antes de morrer , Veneza aqui encara o renascimento em visuais líricos , cheios de romance e fantasia.

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Uma viagem pela França em 6 filmes

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 www.viajandocomarte.com.br

 

Desbravando passeios e roubadas na Toscana: Montalcino e Sant´Antimo

16 de outubro de 2013 2

Seguindo nossa saga pelo interior da Toscana , o dia foi de muitas descobertas e surpresas.

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Montalcino é uma gracinha em todos os sentidos. A cidade tem ruelas medievais, fica na ponta de uma elevação com uma bela vista dos Vale de Asso , Ombrone e Arbia, estava toda decorada com bandeiras coloridas e ainda é a terra natal do Brunello e do Rosso di Montalcino.

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No período medieval a cidade era conhecida pelos curtumes que produziam um couro desejado por toda a Itália. Fazia parte da importante via de ligação entre Canterbury, na Inglaterra e Roma , a Via Francigena, que marcou como polo comercial toda a região.  Além disto a cidade estava sempre envolvida nas brigas internas entre Siena e Florença. Quando Siena foi conquistada por Florença,  em 1555, Montalcino ainda resistiu por 4 anos mas acabou sendo incorporada também pela Família Medici, .

 

No século XX a cidade começou seu crescimento como polo turístico e foi o vinho o grande incentivador deste renascimento. O Brunello feito da uva sangiovese, tinha  11 produtores em 1960 e hoje são mais de 200. Este foi um dos primeiros vinhos a receber a DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita) ,Brunello tem que envelhecer por pelo menos 5 anos para começar a ser comercializado, o Rosso, feito da mesma uva sangiovese , precisa de um envelhecimento menor , 1 ano.

Assim como Siena , Montalcino é dividida em bairro chamado de contrade.

 

Almoçamos muito bem numa Enoteca -Osteria bem tradicional com uma bela vista do vale, oferecia como diferencial enviar vinhos para o mundo todo. Na Osticcio comemos um pão com azeite virgem digno dos deuses de entrada , variações de pasta como prato acompanhados , é claro , de um delicioso Brunello, o almoço custou EU$ 30,00 por pessoa.

Depois de termos nossos apetites terrenos saciados partimos para o alimento do espírito. Sant´Antimo é uma abadia Beneditina cuja lenda conta teria sido fundada pelo Imperador Carlos Magno. Nada comprova este romance , mas sua história remonta ao século XII e a arquitetura atual tem típica influência francesa.

Depois de um dia meio cinzento meio chuvoso , chegamos a Abadia quando o sol brilhava nas videiras alaranjadas iluminando a paisagem como se fosse abençoada pelo espírito santo. Tudo conspirou a favor, a caminhada pela estrada vazia, o ambiente límpido pela atmosfera outonal e principalmente a paz que emana de suas paredes centenárias.

Atualmente um grupo pequeno de monges , na verdade oito, vive no local , e sua principal atividade, além da liturgia e contemplação, é o desenvolvimento de coro de cantos gregorianos , que infelizmente não estava em funcionamento neste dia. A Abadia oferece alguns cursos de canto e também programas como o  ” Canta e Caminha”  para exercitar o corpo e a alma. http://www.antimo.it/

Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

 

Pelos caminhos do Vale d'Orchia na Toscana

15 de outubro de 2013 5

 

Hoje nosso roteiro desvenda uma Toscana um pouco menos conhecida mas cujas paisagens povoam nosso imaginário , principalmente depois de tantas novelas globais ambientadas na região. As paisagens também foram muito bem exploradas em filmes como Beleza Roubada, Irmão Sol, Irmã Lua , Sob o Sol da Toscana e no mais recente , Cartas para Julieta.

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São colinas ondulantes, matizadas por tons outonais que encantam em cada curva. Claro que muitas vezes a chuva atrapalha um pouco o visual , mas não costuma ser constante e é totalmente recompensada pelo fato de nos deixar com uma Toscana quase particular , sem muitos turistas e nem dificuldades de acesso aos pontos mais concorridos.

 

Foi numa destas curvas que nos deparamos com a igrejinha que já foi cenário de vários casamentos cinematográficos e também novelescos , como o de Clara e Totó na novela Passione.

 

Várias cidadezinhas pontuam o caminho, desta vez passeamos por Montalcino, Bagno Vignone, San Quirico , Pienza e finalizamos na Abadia de Sant’Antimo.

Nenhuma  destas pequenas cidade tem uma história muito variada, tirando o fato de serem partidárias de guelfos ou guibelinos ou serem a favor de Siena ou Florença , nas disputas territoriais da Itália Medieval. Mas todas possuem centros medievais preservados e paisagens criadas pelo homem dignas de cartões postais. Nossa primeira parada foi Bagno Vignone, uma antiga estação de águas termais romana e que tem entre seus famosos frequentadores Lourenço , o Magnífico, o mais conhecido mecenas da família Medici que vinha aqui tratar de sua  saúde, era acometido pela doença de reis: a gota.

O pequeno borgo não é mais que um minúsculo centro onde o principal núcleo aglutinador é uma grande piscina de águas termais, bastante quente e convidativa num dia frio e chuvoso. Os banhos são oferecidos num ambiente coberto que fecha justamente às quintas-feiras , o dia que estávamos por lá. Mas a visita foi plenamente recompensada pelo ambiente bucólico e quase solitário.

 

Almoçamos muito bem no restaurante Il Pozzo, numa cidade murada que parece saída das histórias da Távola Redonda, Monteriggioni. O borgo conta com uma muralha de 570 metros de circunferência e 14 torres, sendo totalmente cercada por vinhedos e colinas. No interior das muralhas uma vida melancólica nos faz viajar no tempo.

 

 

 

Em dois pontos distintos pode-se subir na muralha para observar a paisagem e imaginar como os defensores se prepararvam para um possível ataque. Vale a pena dar uma caminhada , é bem curta pois não se consegue dar a volta inteira , só estavam cobrando a subida na entrada principal , a outra estava liberada. 

 Nosso próximo destino foi Pienza, cidade projetada no Renascimento pelo Papa Pio II (daí seu nome).  Lá fizemos deliciosas compras para um pic-nic organizado em nosso hotel na mesma noite. O queijo pecorino é uma especialidade feita de leite de ovelha , pecora em italiano, grissini, tomates adocicados e para completar um vinho de Montalcino,  a festa foi irreparável!

 

 

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Civita di Bagnoregio – uma cidadela flutuante

17 de março de 2013 7

Por Luciano Leonetti Terra

A primeira imagem foi de longe, do outro lado do abismo. O coração tentando acompanhar o que os olhos sentiam com tamanha visão. Boca seca como o solo arenoso e erosivo daquele vale.  Durante a descida, rumo ao caminho sobre o ar que levava até a cidade flutuante, os batimentos se aceleraram um pouco mais. Pelo esforço físico e pela ansiedade de cruzar aquela ponte estreita rumo à visão que ainda parecia irreal. Necessidade de pisar aquele solo para acreditar não ser apenas uma miragem desértica qualquer. Apesar de que a imaginação não seria tão criativa para vislumbrar aquele lugar.

A longa ponte estreita em seu começo era plana, mas nos últimos metros iniciava uma subida. Era o fim do restante de fôlego e ar nos pulmões. Como se a finalidade fosse arrebatar o visitante totalmente. O portal de entrada era grandioso. Ao cruzá-lo temia ter ido para outra dimensão rumo ao passado. Ruelas desertas, casas fechadas por fortes fechaduras e cadeados de metal. O som do silêncio era quase ensurdecedor e só foi interrompido pelo miado de um dos tantos gatos que, logo descobri, habitavam aquele lugar. Aos poucos a pequena cidadela foi se descortinando. A cada esquina vias sem saída davam para o amplo vale. A mais de uma centena de metros acima do fundo do abismo tinha-se a impressão de quase cair no penhasco. Casas, milagrosamente grudadas ao solo, quase pendiam. Destino de muitas outras que ali existiam e que já tinham sido engolidas pelo vazio. Futuro daquelas que ainda resistiam. Morte certa e anunciada.

A vida ali descansou. A monotonia rompida apenas por poucos viajantes que descobrem seu caminho. Menos de meia dúzia de lojinhas e restaurantes quase vazios. Para surpresa uma cozinha familiar ao lado de um pátio pitoresco serviu uma deliciosa massa. Serviço impecável e um calor humano para compensar a falta de pessoas pelas ruas. Quanto tempo suportaria morar isolado, enclausurado nas nuvens? A solidão proporcional ao espaço vazio.

No final da visita, ao cruzar o portal de saída, a visão do alto em direção à ponte que ligava aquela ilha ao continente, novamente capturou o meu fôlego e só consegui sobreviver porque ninguém morre de encantamento. Um oceano de ar e areia separava aquela dimensão do restante dos mortais.

Segundo informações não oficiais, lá moram apenas quatro pessoas, e para minha surpresa conheci uma delas. Por coincidência cruzei com ela na entrada e na saída da cidadela. Uma sincronia de ir e vir interessante. Uma mulher instigante, com ar de mistério. Seria uma deusa ou uma louca? Chapéu de aba larga, echarpe de peles, sobretudo longo e cabelos loiros esvoaçantes. Olhos azuis profundos se confundiam com o céu ensolarado. Caminhava lentamente e a passos suaves, como se levitasse sobre as nuvens do vale. Quando ia embora, ao cruzar com ela pela segunda vez, ouviu minha conversa e perguntou que língua era aquela. Disse-lhe que era português e aproveitei a deixa para perguntar de onde ela era. Sua figura inspirava toda a curiosidade que um ser humano pode ter.  Ela me disse que no momento ela era dali, mas que sua língua era a Polonesa e que também falava inglês e Francês. Contou-me que a solidão para ela não era problema, ao contrário de alguns turistas mais barulhentos. O grande problema segundo ela era ter que cruzar aquela ponte sempre que precisava comprar alguma coisa. Na cidadela não havia mercados, padaria e nem farmácia.

            O que leva alguém a morar ali? Gostaria muito de saber e ouvir toda a sua história. Fuga, busca pelo autoconhecimento, por uma voz interior? Loucura ou total lucidez? Adoraria ter ouvido os seus motivos. Entretanto, como toda viagem a outra dimensão, o tempo era curto e os mistérios muitos. Quem sabe da próxima vez que o portal se abrir eu consiga descobrir um pouco mais de suas verdades. Isto se a cidadela ainda permanecer levitando em seu solo sagrado.

O que comer na Itália? Dicas de gastronomia por região

05 de outubro de 2012 1

A Itália é uma festa para o paladar. Para um italiano , falar sobre um destino de viagem começa sempre com a pergunta básica:  come-se bem por lá? Não é por nada que a Inglaterra seja um roteiro maldito no país.

O ritual da mesa tem uma aura mística , nenhum encontro social que se preze acontece sem um bom vinho e muitos pratos e o célebre movimento slow food, que estimula a valorização das tradições culinária regionais, surgiu na Itália em 1989.

Meu objetivo hoje é dar algumas dicas do caminho das “massas, tomates , queijos e vinhos ” para quem vai para Itália e não quer perder as delícias de cada região. As diferenças são muitas, e cada um se orgulha de seus produtos. Além disto não adianta você chegar na Toscana e querer comer um canolli siciliano que vai levar um desaforo de alguma mamma, tem que aprender a saborear também na época certa. Respeito pela tradição faz parte fundamental da cultura italiana. Mas vamos ao que interessa!

 

Piemonte : Queijo castelmagno, robiola e taleggio. Vinhos Barbera e Barolo e Barbaresco. Vinho doce de Asti. Trufas brancas e  negras de Alba. Panacota , doce de nata cozida com calda. Panetone Milanese.

Panacota Piemontesa

Ligúria: Pesto de Gênova, Vinho Valpolcevera.

Lombardia : Queijo gorgonzola e belpaese. Salames. Torrone de Cremona

Trentino Alto Adige : Vinho Santo e biscoito de amêndoas cantuccini.

Friulli- Venezia Giulia : Queijo montasio. Grappa. Presunto San Daniele. Vinho Pinot e Tocai.

Vêneto : Vinhos Valpolicella, Bardolino e Soave, que não é doce e nem suave.

Emília Romana : Vinagre Balsâmico de Módena. Mortadela de Bologna. Queijo Parmigiano Reggiano Grana        Padano de Parma e o frisante vinho Lambrusco.

Toscana : Vinhos Sassicaia , Tignanello e o Brunello de Montalcino. Queijo pecorino. Panforte di Siena, um doce de frutas secas.

Úmbria: Trufa negra de Norcia. Porchetta.

Lácio : Queijo pecorino romano. Spaghetti alla matriciana e carbonara e o leve vinho Frascati.

Sicília : Mini Tomates, pistache ,amêndoas e limão siciliano. Spaghetti alle vongole. Canollo, doce de ricota . Granita e Gelato em Notto. Caponata siciliana.

Granita , uma raspadinha com sabor de amêndoa e morangos

Sardenha : Queijo sardo. Vinho Cannonau e Carignano.

Mesa típica italiana

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Um verão na Toscana: Bagni San Filippo

18 de agosto de 2012 4

Fazia quarenta graus à sombra em Florença. Sabe quando a gente começa a ter a visão duplicada pela bruma que sobe e a cidade medieval arde em chamas amareladas! Assim estávamos , e depois de fazer a visita à Galleria Uffizi , perto da hora do almoço, andar na rua tornou-se um martírio.

Quando ouvimos no rádio que o dia seguinte seria pior a decisão foi tomada, vamos escapar deste caldeirão em busca de um lugar mais fresco e de preferência com alguma possibilidade de encontrar água, poderia ser mar , rio ou mesmo uma poça d´água. O Arno não servia porque infelizmente é muito poluído.

Como Florença é bem compacta , os aluguéis de carro são próximos do centro foi  assim que pegamos um Smart na manhã seguinte, bem poucos passos do hotel e saímos “abanando as tranças ” pelas estradinhas do Chianti. Segundo informações locais a Toscana não é muito bem servida de rios e lagos , a sugestão foi seguir até Viareggio na beira do mar. Achei que não seria bem nosso foco , praia cheia  e trânsito … Preferi algo mais bucólico , apresentar a verdadeira paisagem de ciprestes e girassóis para minha filha , debutante na região.

Mudei a direção e seguimos para o sul , Vale d´Orchia . Nosso destino inicial seria Bagno Vignone que eu já conhecia e sabia ser uma região de termas , água haveríamos de encontrar! Chegamos lá e para nosso desespero a piscina central da cidade é fechada para banho ,a particular entra em manutenção toda a quinta-feira, e adivinhem ….era o fatídico dia!

Bagno Vignone

O gerente do local , vendo nosso desapontamento nos indicou outra terma perto, Bagni San Filippo ao pé do Monte Amiata e foram mais 16km em busca do ouro transparente. Não posso negar que o visual compensou os quilômetros rodados, reclamar seria quase um sacrilégio.

Bagni San Filippo

Chegamos num clube público , numa cidade minúscula! Parecia algo como Gravatal , pessoas mais velhas , silenciosas tomando sol ou de “molho ” na água. Novamente 40 graus e o sol do meio dia ardendo,  nossa hesitação foi-se por água abaixo, tudo que queríamos era nos jogar naquela piscina , ou seria melhor dizer banheira. Quando entrei, chegava a queimar , pense numa água quente, pois ali passava de 36.

Mas a surpresa veio quando olhamos atrás do clube , onde passa o rio de água sulfurosa e formando o Fosso Bianco, piscinas naturais onde a pedra foi coberta por sedimentos e ficou com aspecto de glacê! Um visual incrível que lembrava Pamukkale na Turquia , só que em tamanho menor e com infinitamente menos turistas.

O banho mudou de rumo rapidamente e seguimos a corrente , onde a água sulfurosa se misturava a outra fresca e límpida , num ambiente natural e ainda quase intocado!

Nosso dia foi completo com o sol se pondo nas curvas dos vinhedos do Chianti, e o Smart venceu com glórias o desafio!

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Civita de Bagnoregio: uma ilha cercada por céu

23 de novembro de 2010 8

Hoje  nos despedirmos da Toscana, já com saudades, e seguimos para Roma. Nosso Agriturismo em Montepulciano era uma castelo belíssimo inserido numa paisagem perfeita , pena que o serviço não estava a altura. Vicchiomaggio (http://www.vicchiomaggio.it/) vai deixar na memória a imagem do amanhecer nebuloso confirmando a velha máxima portoalegrense: “cerração baixa , sol que racha”.

Nosso primeiro destino saindo da Toscana foi Orvieto , já na região da Úmbria. Uma cidade com passado etrusco , um dos  povos mais importantes ancestrais dos romanos, e que está localizada sobre uma colina onde chega-se de funicular. Como de costume a principal atração é o Duomo no centro da cidade,  mas a Capela de San Brizio de Lucca Signorelli superou todas as expectativas. Como não pude fotografar , deixo o link para vocês darem uma olhada. http://www.paradoxplace.com/Perspectives/Italian%20Images/Montages/Umbria%20&%20Le%20Marche/Orvieto/Orvieto%20Duomo%20San%20Brizio.htm

Mas a fachada do Duomo já vale a visita , toda esculpida na frente com relevos de Lorenzo Maitani e na lateral o famoso bicolor da região. A cidadezinha também é muito agradável e bem mais movimentada do que as últimas  em que andamos.

A cerâmica e os produtos derivados do porco e do javali (cinghiale)também fazem a alegria dos turistas.

Mas o ponto alto do dia foi sem dúvida Civita de Bagnoregio, onde chegamos já mais ao cair da tarde, o que significa 4h no outono. Nosso grupo já estava questinando o porquê de visitar mais uma cidade pequena , afinal já estávamos no caminho de Roma e poderíamos chegar ainda para aproveitar o entardecer na capital. As fotos explicam a razão, melhor do que qualquer palavra!

 
Civita di Bagnoregio, um pequeno “paese” (vilarejo) situado na região do Lázio,  não é citada em muitos dos mapas ou guias locais e seu nome não é familiar para grande parte dos italianos. Inúmeros turistas desavisados realizam visitas mais óbvias ao trecho Viterbo-Orvieto, mas perdem a oportunidade de conferir a beleza inquietante de Bagnoregio.
 

  

 


 


 


 


 


 








Uma informação de cultura novelística brasileira é que o local foi um dos principais cenários de “Esperança”, novela da Globo protagonizada por Raul Cortez, Antonio Fagundes ,Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin, nos idos de 2002.



 

Os guias dizem que atualmente a cidade conta com 14 habitantes , nós ficamos tentando entender o que faz uma pessoa viver num lugar isolado como este , cujo acesso passa sempre por uma longa caminhada ou na garupa de motonetas, pois os carros não são permitidos!
 

  



A denominação de Bagnoregio é “la città che muore”. Idealizada pelo escritor local Bonaventura Tecchi, não poderia ser mais apropriada, pois desde o século XVII  o núcleo mais antigo que restou de um terremoto  é cada vez mais devastado por uma erosão que a tranformou em uma ilha cercada de céu e ligada a cidade nova por uma imensa ponte. Suas formações rochosas são atingidas por águas e por ventos que as estreitam cada vez mais, reduzindo sua largura e altura.

Chegar a Bagnoregio é voltar no tempo e deslumbrar-se com uma beleza quase pictórica. Até os mais mais experientes viajantes não resistem a brandir fotos do local. Situada a aproximadamente 484 metros acima do nível do mar, à primeira vista a cidade pode lembrar os mosteiros de Meteora, na Grécia central.

Seu território, que data do período pré-etrusco, já foi destruído por godos e lombardos e afetado por diversos terremotos; o mais grave deles em junho de 1695. No entanto, o fascínio que a cidade exerce sobre os homens sobrevive.  O luar mais uma vez participou como personagem principal de nossa história! Quem disse que o outuno na Toscana era triste e chuvoso?

Duas jóias da Toscana: Siena e San Gimignano

20 de novembro de 2010 25

Eu diria que tem duas visitas imperdíveis para que vai a Toscana , claro que o ideal é passar vários dias curtido agriturismos e se perdendo por estradinhas sem sinalização, mas se você é da turma do tempo exíguo ( a maioria) não deixe de  conhecer Siena e San Gimignano.

 

San Gimignano é uma cidade tipicamente medieval , fazia parte de uma rota de peregrinação que ligava Canterbury na Inglaterra  a Roma , via Francigena, e depois de ser devastada pela Peste Negra em 1348 ficou meio esquecida pelo tempo. Para nós foi uma grande sorte porque a cidade foi preservada e hoje temos o privilégio de passear pelas suas ruelas como se fôssemos damas e cavaleiros medievais.

A Piazza da Cisterna é a praça central e lá esta uma das mais famosas sorveterias da Itália, estava fechada para férias até março! Viajar no inverno tem estes percalços, mas em compensação a cidade era praticamente nossa e passeamos sozinhos em meio as brumas que cobriam tudo ao cair da tarde. Um clima fatasmagórico que ajudava a viagem no tempo.

 

A Igreja principal tem afrescos de Ghirlandaio e muitos outros artistas importantes. Santa Fina é a personagem mais falada na cidade , uma santa informal (não reconhecida pela Igreja) que teve seu martírio muito jóvem e que é muito amada pelos habitantes da cidade. A famosa Manhattan do Medievo , devido as suas mais de 70 torres das quais restaram 12, não decepciona os atuais visitantes que vão em busca do passado.

 

Duas dicas de restaurantes são Il Castelo mais simples e num ambiente bem alegre. O tiramisu era de comer rezando e agradecendo para Santa Fina. Já o Dourando , requintado com uma culinária delicada. Aqui presenciamos um ritual muito interessante para servir o Brunello de Montalcino , oferecido pelo Eduardo Linhares.

No caminho uma imagem dos campos da Toscana na região do Chianti.

Siena já é uma cidade que cresceu bem mais e hoje além de um centro medieval abriga Universidade importante e muito comércio de qualidade. Seu Duomo rivaliza em beleza com o de Florença e que os entendidos não me ouçam , mas eu acho internamente ainda mais bonito por ser mais cheio e elaborado com suas paredes bicolores.

Também tem como símbolo da cidade a loba, assim como Roma teria sido fundada por um dos irmãos gêmeos, Remo.

Mas o mais conhecido em Siena é a Piazza del Campo, um praça oval com um certo desnível que abriga a famosa corrida de cavalos conhecida como Il Palio e que acontece aqui duas vezes por ano. Nesta grande festa a cidade fica repleta para ver os bairros de Siena, conhecidas como Contrada, competirem com seus cavalos, roupas e bandeiras em estilo medieval, vale tudo , até cavalos chegarem ao final sem o cavaleiro. O prêmio é Il Palio, um estandarte com a figura da virgem que cada vez é feita por um artista diferente.

O panforte de Siena é um produto típico da região , deliciosa massa com frutas secas e amêndoas.

Os biscoitos cantucci e e de amêndoas também são deliciosos.

O fim de tarde foi coroado pela lua que iluminou a cidade de forma especial! Para ver e sonhar.

Aprendendo a fazer massa com os Italianos

18 de novembro de 2010 18

Saímos de San Gimignano pela manhã com um objetivo – aprender todos os segredos de uma boa “pasta” como dizem os italianos, e depois de quase uma hora andando por estradinhas pelo coração da Toscana, chegamos em um lugar perdido em meio a muitas videiras e matizes de árvores que variavam do verde, amarelo até o mais puro vermelho sangue… ou será vino rosso? Onde vamos fazer uma aula de culinária italiana.



Chegamos em um destes agriturismos, tão populares aqui na Toscana, onde fomos apresentados ao jovem chef de cozinha  Fabio. Ele  nos introduziu a todos os segredos   ancestrais da velha  e boa massa, macarrão para os paulistas, o lugar já era de tirar o fôlego, imaginem…. várias colinas com videiras com folhas amarelas. No exato momento da chegada o stéreo do onibus tocava “La Solitudine” uma canção italiana , mas detalhe importante, cantada pelo Renato Russo, o sol aparecia tímido por entre as nuvens e,  gente!!!! Aquele foi um daqueles momentos únicos, onde música, lugar, e todas as referências do passado se encontraram e produziram um sentimento arrebatador, indescrível.

Este era o visual de Vicchiomagio



Muitas explicações, como vocês podem imaginar, massa secas, massas frescas, e todo o processo, eu cresci vendo minha mãe fazendo massa aos domingos, esticando a massa com aquele rolo de dar na cabeça dos maridos, passando para a máquina de massa à manivela, mas foi muito interessante descobrir que massa seca normalmente é industrializada e que massa caseira feita com  sazon = amor,  é a massa fresca.

Assim ó, 100g de farinha de trigo normal, mesma medida de sêmola de grano duro, 1 ovo = receita de massa para 1 pessoa, muito fácil e botar a mão na massa foi uma delícia, parecia que eu estava brincando com massa de modelar!











A Larissa foi a mais entusiasmada com o processo, acho que vamos perder uma pediatra e ganhar uma nova chef em Porto Alegre.

Todos curtiram muito e realmente eu aconselho você a incluir este programa no roteiro, foram momentos de pura diversão e encantamento….




Olhem só, o professor Ruy Ostermann botando a mão na massa !!!!


Depois de ouvir muitas explicações de todas as variáveis de massa que poderíamos inventar com espinafre, abóbora, etc, tinha chegado a melhor hora do dia, a hora de sentar a mesa e degustar uma bela pasta com molho de javali, sem antes uma entrada com queijos variados, presunto cru, salame, bruschettas, ou seja uma orgia gastronômica que nem voltando a pé para o Brasil eu perderia as calorias adquiridas, tudo isso é claro regado a um ótimo vinho local DOC , simmmm porque aqui tudo é muito controlado, cada hectare de terra tem seu selo registrado. 

 
Entrada com queijo, bruschettas e salami.






Na saída todos de alma lavada, aulas, um pouco da cultura italiana, que nós gaúchos  trazemos um pouco no sangue, uma refeição regada a um belo vinho da bodega local, fomos em direção a Siena… a lua crescente era nossa companhia.

Siena que foi tão grandiosa como Florença coroou o nosso final de tarde e será nosso próximo assunto por aqui…

Arrivederci!!!

Fotos de Clarisse Linhares e Mylene Rizzo


Uma passegiata pela Toscana de Leonardo da Vinci

16 de novembro de 2010 12

Visitar os campos da Toscana passeando de carro ou ônibus é uma experiência incrível , mas fazer este passeio a pé , em meio a colheita da azeitona posso qualificar de quase mágico!

Foi está nossa passegiata do dia de hoje. Começamos nosso périplo por Vinci , cidade natal do gênio renascentista Leonardo da Vinci. Não é um local muito turístico e nos idos de novembro torna-se quase uma visita particular. Aqui uma reprodução gigante do Homem Vitruviano, no centro da cidade.

 

Do centro do pequeno vilarejo partimos morro acima por quase 3km até Anchiano , onde encontra-se a casa da família do pintor. Tudo muito simples e sem um aparato turístico que normalmente encontra-se nestes lugares: lojas com muitos badulaques e reproduções.

Nada disto fez falta para tornar o passeio inesquecível. Caminhamos por entre propriedades de legítimos “fazendeiros” toscanos, que colhiam suas olivas e nos brindavam sempre com sorrisos e saudações. A maioria pessoas já com uma idade bem avançada, mas que o ar puro e a alimentação simples e saudável preservam a juventude.

Fabricam o óleo de oliva como manda a tradição, e fizeram questão de nos explicar cada detalhe do processo, muito simpáticos! A colheita também é feita segundo um processo muito antigo e na maioria dos casos  isto diferencia cada uma das regiões.

Aqui uma vista de Vinci desde Anchiano.

A casa em que o pintor viveu com a família e onde a Clarisse contou um pouquinho dos detalhes da sua vida !

Ao cair da noite chegamos a San Gimignano, as cidades medievais à noite conservam sua aura de mistério, parece que um cavaleiro medieval vai aparecer na próxima esquina! Já estou eu aqui confessando meus sonhos históricos, mas isto fica para amanhã.