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Posts na categoria "A vida é para ser compartilhada"

Lake Tahoe – O Lago Esmeralda da Califórnia

19 de abril de 2013 0

Por Luciano Leonetti Terra 

                Como um dos estados mais famosos dos Estados Unidos, a Califórnia é conhecida principalmente pelo surf e por ser o berço do cinema americano. Afinal Hollywood é lá. Todo esse propagado “glamour” muitas vezes ofusca outras belezas, às vezes até mais interessantes que a magia da sétima arte. A Califórnia é muito mais que isso.

                Em um final de primavera, mais precisamente no começo de junho, fui para Califórnia na esperança de conhecer além daquilo que já tinha visto em dezenas de filmes e que também me atraía muito: São Francisco, Los Angeles, Santa Mônica, Santa Bárbara, Carmel e todo o litoral do Pacífico. O que não sabia é que a Califórnia que iria descobrir seria muito mais grandiosa do que poderia imaginar. As atrações “comuns” me surpreenderam, mas aquelas que eu não tinha a real noção de como eram, me arrebataram.

                A aventura californiana começou por São Francisco. A intenção era percorrer a distância entre essa cidade e Los Angeles em cinco dias, ou seja, não iria me contentar com a US 01 e todas as suas maravilhas. Queria mais. Sendo assim, ao sair de lá não rumei ao sul, mas sim ao nordeste do estado. Em direção a Sacramento e o interior. O objetivo era circundar o estado pelo leste até encontrar o litoral novamente em Monterrey. E nesse trajeto passar por duas atrações conhecidas, “pero no mucho”: Lake Tahoe e Parque Yosemite.

                O caminho em direção a Lake Tahoe é um espetáculo a parte. Quanto mais ao leste, mais alto, mais frio, mais fantástico. A região onde fica o lago chama-se “High Sierras” e pelo nome já dá para ter uma ideia do que se está falando. As curvas e subidas vão se tornando dramáticas e quando, em um dado momento, avista-se o lago lá embaixo o coração quase pára. De susto e de delírio. A natureza ali, como em toda a Califórnia, é fascinante. As dezenas de tons de verde, as montanhas, o clima. Tudo é puro deleite.

                Era um final de tarde ensolarado quando finalmente cheguei à beira do lago na pacata cidade de South Lake Tahoe. Não há palavras que consigam descrever o lugar. Tentarei. Imagine a cena: um lago de águas cristalinas e verdes, de um pouco mais de 100 Km de circunferência, rodeado por montanhas de picos nevados (no inverno ficam totalmente cobertas de neve) e árvores verdes cobrindo toda a extensão. Para completar, uma estrada serpenteando todos os lados e levando a lugares inimagináveis. A sensação de pertencer a um cartão postal é inevitável.

                No inverno Lake Tahoe é rodeado de estações de esqui, onde foram realizados os Jogos Olímpicos de inverno de 1960. Nas outras épocas do ano é o paraíso dos esportes de natureza. Rumam para lá ciclistas, canoístas e todos os amantes de caminhadas e corridas. No verão os campings ficam cobertos por barracas e motorhomes. Na primavera e no outono o local é mais calmo e perfeito à contemplação. Silêncio no meio de uma paisagem dessas é a maior benção do mundo. Cada minuto é pura meditação. É só se deixar levar pela força do lugar.

                Uma das principais atrações é a Baía Esmeralda e a casa de veraneio Vikingsholm, uma réplica de um castelo nórdico. A vista do alto é de tirar o fôlego. Ela já seria perfeita apenas pela localização, porém ainda se dá o desplante de ter uma ilhota no meio. O detalhe perfeito para finalizar a obra de arte. Sem falar que ainda há uma cachoeira que despenca do alto das montanhas e vem abastecer o lago com suas águas geladas e cristalinas. Circulei por uma boa parte do lado esquerdo do lago. Se você gosta de aventura irá adorar dirigir por essa estrada. Estreita e sempre à beira de abismos. Tem momentos que o penhasco é única coisa que se consegue ver à direita do carro. Pura aventura. E o pior é que o motorista também é filho de Deus. Então, é um olho na estrada e outro na paisagem. Eu sobrevivi, você também sobreviverá.

                Lake Tahoe fica na fronteira da Califórnia com o Estado de Nevada. Se eu já havia amado o lado Californiano, não fazia ideia o que o outro lado me reservava no dia seguinte. Bem cedinho, um dos momentos mais bonitos para contemplar a natureza, saí do hotel e cruzei a fronteira estadual. Desta vez a estrada era mais larga e não tão sinuosa. Os penhascos já não tinham a mesma graça do dia anterior, mas a vista... A claridade e a luz da manhã iluminavam diretamente as montanhas nevadas mais ao oeste e estas pareciam brotar das águas verdes do lago. Para resumir, sentei em um banco e fiquei alguns minutos admirando o lugar. Respirando a natureza e recebendo a energia que foi aos poucos emocionando um a a um. As palavras foram cessando e o silêncio automático tomou conta de todos. Silêncio em respeito, silêncio por harmonia, silêncio por sintonia. Os olhos e todos os sentidos ocupados apenas em sentir e assimilar tudo aquilo que precisava ser sentido. Ainda hoje me emociono ao lembrar daqueles momentos.

                A margem direita do lago pode não ter a Baía Esmeralda, mas tem a Cave Rock e seu túnel. Um lado invejando o outro e concorrendo no quesito magia. Em minha opinião daria empate. Um detalhe importante: como disse no começo, o lago tem mais de 100 Km de margens e eu visitei apenas uns 40 Km. Imagine quantas surpresas esses outros 60 Km poderão oferecer? Um dia ainda voltarei lá para conferir.

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Ai de ti Porto Alegre

26 de março de 2013 3

 Luciano Leoneti Terra

Ai de ti Porto Alegre! Desde que aqui cheguei, eu, um menino do interior, fiquei deslumbrado por tuas curvas, teu cheiro e tua gente. Tinhas um movimento frenético que fazia com que minha adrenalina subisse ainda mais que tuas ousadas construções. Apaixonei-me a partir do primeiro momento que te vi. Amei-te desde o primeiro instante que te senti.

Ai de ti Porto Alegre! Nesses anos todos que convivo contigo amadureci e conquistei cada centímetro de teu corpo. Ano após ano fomos ficando cada vez mais íntimos. E nessa intimidade, pude adentrar aos poucos em tuas entranhas e conhecer um pouco mais o teu estado de ser.

Ai de ti Porto Alegre! No princípio não conseguia entender essa tua dupla personalidade, esse teu jeito ambivalente de agir. Muitas vezes tentei te conhecer. Em vão. Quando busquei por tua rua mais famosa encontrei uma rua dos Andradas. Falavam-me de tua Redenção e eu somente encontrei um Parque Farroupilha. Teus mistérios muitas vezes são mais complexos que teus mitos. Códigos que somente os escolhidos conseguem decifrar.

Ai de Ti Porto Alegre! Encantas-me a cada estação. Teu outono me emociona com tuas paineiras em flor e teus plátanos que aos poucos vão mudando de cor e aquecem o frio que anuncia a chegada do inverno. Na estação mais fria do ano tuas ruas ficam desertas, mas teus recantos escondidos se aquecem em lareiras e cobertores. Como não se apaixonar ao som do crepitar de lenhas e de um tapete manchado com aquela taça de vinho tinto derramada por abraços afoitos? Se te imploro por vida, dás-me ipês coloridos que vêm anunciar a primavera e as temperaturas amenas. Quando o sol volta a aquecer teu povo, jacarandás enlouquecem e cobrem de roxo tuas ruas e calçadas. Chuva psicodélica de flores que nem em meus maiores delírios alucinógenos poderia imaginar.

Ai de ti Porto Alegre! Se até a primavera já sou teu, quando chega o verão me rendo definitivamente. Engoles-me com teu hálito quente e úmido e resta-me apenas a entrega total à tua atmosfera. Meu corpo amolece e minha pressão arterial despenca. Teu calor me envolve completamente e, como em um abraço materno, sou teu Édipo, sou teu servo. Envias toda a  gente comum para longe, afastas os fracos que buscam condições mais amenas de vida. Eu, não! Eu fico aqui porque sei que me queres apenas para ti.

E nessa paixão avassaladora vivo na esperança de um dia terminar aqui, em alguma curva de tuas ruas, e saber que me amaste tanto quanto eu te amei e que sem mim não terias sido o que sempre foste.

Civita di Bagnoregio – uma cidadela flutuante

17 de março de 2013 6

Por Luciano Leonetti Terra

A primeira imagem foi de longe, do outro lado do abismo. O coração tentando acompanhar o que os olhos sentiam com tamanha visão. Boca seca como o solo arenoso e erosivo daquele vale.  Durante a descida, rumo ao caminho sobre o ar que levava até a cidade flutuante, os batimentos se aceleraram um pouco mais. Pelo esforço físico e pela ansiedade de cruzar aquela ponte estreita rumo à visão que ainda parecia irreal. Necessidade de pisar aquele solo para acreditar não ser apenas uma miragem desértica qualquer. Apesar de que a imaginação não seria tão criativa para vislumbrar aquele lugar.

A longa ponte estreita em seu começo era plana, mas nos últimos metros iniciava uma subida. Era o fim do restante de fôlego e ar nos pulmões. Como se a finalidade fosse arrebatar o visitante totalmente. O portal de entrada era grandioso. Ao cruzá-lo temia ter ido para outra dimensão rumo ao passado. Ruelas desertas, casas fechadas por fortes fechaduras e cadeados de metal. O som do silêncio era quase ensurdecedor e só foi interrompido pelo miado de um dos tantos gatos que, logo descobri, habitavam aquele lugar. Aos poucos a pequena cidadela foi se descortinando. A cada esquina vias sem saída davam para o amplo vale. A mais de uma centena de metros acima do fundo do abismo tinha-se a impressão de quase cair no penhasco. Casas, milagrosamente grudadas ao solo, quase pendiam. Destino de muitas outras que ali existiam e que já tinham sido engolidas pelo vazio. Futuro daquelas que ainda resistiam. Morte certa e anunciada.

A vida ali descansou. A monotonia rompida apenas por poucos viajantes que descobrem seu caminho. Menos de meia dúzia de lojinhas e restaurantes quase vazios. Para surpresa uma cozinha familiar ao lado de um pátio pitoresco serviu uma deliciosa massa. Serviço impecável e um calor humano para compensar a falta de pessoas pelas ruas. Quanto tempo suportaria morar isolado, enclausurado nas nuvens? A solidão proporcional ao espaço vazio.

No final da visita, ao cruzar o portal de saída, a visão do alto em direção à ponte que ligava aquela ilha ao continente, novamente capturou o meu fôlego e só consegui sobreviver porque ninguém morre de encantamento. Um oceano de ar e areia separava aquela dimensão do restante dos mortais.

Segundo informações não oficiais, lá moram apenas quatro pessoas, e para minha surpresa conheci uma delas. Por coincidência cruzei com ela na entrada e na saída da cidadela. Uma sincronia de ir e vir interessante. Uma mulher instigante, com ar de mistério. Seria uma deusa ou uma louca? Chapéu de aba larga, echarpe de peles, sobretudo longo e cabelos loiros esvoaçantes. Olhos azuis profundos se confundiam com o céu ensolarado. Caminhava lentamente e a passos suaves, como se levitasse sobre as nuvens do vale. Quando ia embora, ao cruzar com ela pela segunda vez, ouviu minha conversa e perguntou que língua era aquela. Disse-lhe que era português e aproveitei a deixa para perguntar de onde ela era. Sua figura inspirava toda a curiosidade que um ser humano pode ter.  Ela me disse que no momento ela era dali, mas que sua língua era a Polonesa e que também falava inglês e Francês. Contou-me que a solidão para ela não era problema, ao contrário de alguns turistas mais barulhentos. O grande problema segundo ela era ter que cruzar aquela ponte sempre que precisava comprar alguma coisa. Na cidadela não havia mercados, padaria e nem farmácia.

            O que leva alguém a morar ali? Gostaria muito de saber e ouvir toda a sua história. Fuga, busca pelo autoconhecimento, por uma voz interior? Loucura ou total lucidez? Adoraria ter ouvido os seus motivos. Entretanto, como toda viagem a outra dimensão, o tempo era curto e os mistérios muitos. Quem sabe da próxima vez que o portal se abrir eu consiga descobrir um pouco mais de suas verdades. Isto se a cidadela ainda permanecer levitando em seu solo sagrado.

Pueblo Garzon - o pequeno paraíso do Chef Francis Mallmann no Uruguai

14 de dezembro de 2012 4

 

 Surreal é a expressão que materializa a visita a Pueblo Garzon.

Sair do glamoroso litoral uruguaio em direção continental, penetrando pela estrada de chão batido, contemplando as paisagens dos campos e antigos cascos de estâncias gauchas chega-se ao pequeno Pueblo Garzon. Impossível não ficar maravilhado com a praça simétrica, sua pequena e singela igreja, antigas e bem conservadas construções em seu entorno.

 

 

Praça de Pueblo Garzon

 

Em uma das esquinas esta o prédio da antiga estação ferroviária, que hoje abriga um dos mais incensados restaurantes do mundo. O proprietário e chef que assina o brilhante cardápio é ninguém menos do que o famoso argentino, Francis Mallmann.

O que nos despertou para conhecer este renomado restaurante num pueblo remoto, foram as fotos e textos do próprio chef em seu último livro de receitas exclusivas, “Siete Fuegos”. Ao entrar você será  recebido por jovens universitários, que lhe acompanham até o seu lugar e se você quiser explicam os pratos , mostram o lugar.

 

 

A decoração do salão principal é simples, porém extremamente sofisticada, um detalhe que me chamou muito a atenção foi uma grande mesa antiga que ocupa inteiramente uma das salas com livros e revistas de arte , culinária e história colocados ali para desfrute dos freqüentadores.

Passando ao pátio em estilo espanhol, encontra-se o poço de algibre, contracenando com uma bela piscina. Para quem não quiser jantar poderá tão somente apreciar uma elaborada carta de drinques no bar externo ou a beira de um original queimador de lenha também arquitetado por Mallmann.

Poço de algibre, a casa voltada para dentro, no puro estilo espanhol

Queimadores espalhados pelo pátio interno

 

As outras marcas registradas do chef nos seus estabelecimentos são os sofás em madeira inspirados num clássico filme de Ingmar Bergmann, e as mesas que abraçam troncos de árvores em tamanho natural preservando assim um ambiente externo muito aconchegante.

 

O couvert e as entradas são divinamente apresentados além de muito saborosos.

Não é a toa que Mallmann chegou onde chegou, brinca com sabores e não tem medo de ousar nem de se queimar com fogo.

Sabendo que tem sua origem na Patagônia, optamos por degustar seu cordeiro predileto, cordeiro a sete horas e meia ao fogo no vinho Tannat. Uma loucura, sem palavras até para os entendidos nesta especiaria.

 Uma especiaria local, o Cordeiro a sete horas e meia ao fogo no vinho Tannat, de comer ajoelhado!

Querendo hosperda-se para uma experiência de descanso e gastronômica, o lugar dispõe de 5 belíssimas habitaciones com luxo, requinte e simplicidade.

 Como lembrança recomendamos comprar para o seu acervo de literatura gastronômica, o livro Site Fuegos de autoria do festejado Chef e o azeite de oliva de  Garzon, produzido artesanalmente no próprio Pueblo.

E aqui uma foto do Ricardo e da Rossana, amigos queridos que viveram esta incrível experiência gastronômica e campeira e registraram aqui para nós!!! Valeu Rô e Pinto!!!!

 

Ich Liebe Berlim !

28 de novembro de 2012 8

A Sabrina é uma leitora e amiga aqui do Viajando com Arte, ela morou uns tempos em Paris e viajou pra caramba por todos os cantos da Europa. Este post já estava prometido há tempos, demorou mas valeu a pena, a descrição dela sobre a cidade de Berlim está show!!! Confiram:

  

 

Cheguei em Berlim com muitas expectativas, pois sempre ouvi de todos os meus amigos que já visitaram que era uma cidade especial. Bom, eu posso acrescentar mais milhões de adjetivos à Berlim, pois na minha opinião é a cidade mais show de toda Europa!!!

Berlim é historia pura! Mas o que eu mais gostei na verdade talvez eu nem consiga explicar... foi a “ambiance” (como dizem os franceses)... a atmosfera da cidade.

Ha muita coisa para se ver e visitar, entre elas:

A igreja Kaiser Wilhelm-Gedächtniskirche, destruída em 1943 durante um bombardeio na Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra os destroços foram removidos, e foi construído uma parte nova e moderna, que hoje é também um memorial. As suas ruínas impõem um respeito inexplicável. Como se a gente pudesse ver um pouco dos horrores da guerra alí na nossa frente.

  

  

  

  

  

A praça Gendarmenmarkt - Pela majestade dos seus edifícios e a sua simetria, é considerado como o exemplo mais belo da arquitetura néo-classica em Berlim e também o "square" mais bonito da Europa. Os franceses construíram a catedral da direita e os alemães com inveja construíram a da esquerda!

                                                    

 

 

Berliner Dom, a catedral, simplesmente o "monumento" mais maravilhoso de todos! Eu comprei um postal que é uma foto da catedral bombardeada na guerra. Impressionante!

 

 

 

Na verdade eu achei isso de praticamente tudo ter sido destruido durante a guerra muito impressionante. A gente sabe que foi assim, ouve, pensa e imagina, mas quando se esta em Berlim é que se tem uma verdadeira idéia de tudo isso. Em Berlim de cada 10 prédios 6 foram completamente destruidos e 3 danificados, ou seja... so restava 1 inteiro. E hoje a cidade esta la, linda e imponente, tudo reconstruido, renovado, remodelado. Realmente impressionante.

 

 

 

Berlim também é uma cidade democratica que propicia o acesso a informação a todos. Pelo menos eu achei. Eles não escondem o que aconteceu. Esta la exposto a céu aberto e de graça, pra todo mundo ver. Eu soube que foi bem dificil para os alemães se orgulharem da sua nacionalidade depois dos horrores do holocausto. Em ocasiões como jogos, olimpiadas e etc era bem dificil de ver alguém com a camiseta da Alemanha ou com bandeiras asteadas. Faz muito pouco tempo que eles conseguiram superar o trauma. Superaram mas não esqueceram, o que é importante!

 

Dentre os museus a céu aberto esta o famoso Check Point Charlie - um dos postos militar entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental durante a Guerra Fria. Na foto a representação de um soldado soviético que controlava a entrada para o lado oriental. Checkpoint Charlie se tornou um símbolo da Guerra Fria, representando a separação do leste e oeste, e — para alguns alemães orientais — uma estrada para a liberdade. Da até pra carimbar o passaporte com um "visto". Custa 1 Euro, é claro!

 

 

 

 

 

 

 

Tem também a exposição a céu aberto e gratuita - Topografia do Terror - que conta a história do Nazismo. A exposição fica no terreno onde antigamente se situava os principais prédios do regime nazista. Neste lugar está sendo construído um museu que abrigará a exposição.

 

 

 

O controverso "Memorial aos Judeus Mortos da Europa " - Imponente e tocante. Eu “gostei” muito do museu, mas tu sai de la mal. Não é recomendado para pessoas muito sensiveis!

"It happened, therefore it can happen again: this is the core of what we have to say. It hapen, and it can happen everywhere." Primo Levi, sobrevivente do holocausto.

 

 

 

A "East Side Gallery " - A maior extensão do muro reconstruída e conservada. Quase1 kilometro. Em 1990, 118 artistas de 21 países se encontraram no East Side Gallery para realizar a maior pintura a céu aberto do mundo. Eu achei impressionante ver o muro e saber de todas as historias que aconteceram naquela época... O surgimento do muro “da noite pro dia”, ele começou a ser construído em 13 de agosto de 1961, não respeitou casas, prédios ou ruas. Policiais e soldados da Alemanha Oriental impediam e até mesmo matavam quem tentasse ultrapassar o muro. Muitas famílias foram separadas e perderam o contato. O muro chegou a ser reforçado por quatro vezes. Possuía cercas elétricas e valas para dificultar a passagem. Havia cerca de 300 torres de vigilância com soldados preparados para atirar. As formas que a galera encontrava pra pular o muro, eram as mais diversas! Desde saltar das janelas de edificios que ficavam na margem, até se esconder em porta-malas, etc...

 

 

 

 

Ainda restam pelas ruas muitas placas como esta que indicam que ali existia o muro.

 

 

E hoje é possivel até levar pra casa um souvenir do muro!

 

 

 

 

A queda do muro não dependeu de nenhuma ordem oficial, apenas o desejo latente e cada vez maior de liberdade, união e reencontro, além do enfraquecimento dos regimes socialistas. Um mal-entendido em relação a um comunicado oficial do governo da Alemanha Oriental, somado às pressões políticas e sociais externas e internas, provocou a derrubada do Muro de Berlim. Na verdade Günter Schabowski, porta-voz do Politburo da Alemanha Oriental, recebeu do chefe do Partido Comunista o anúncio de que, no dia seguinte, iriam fornecer passaportes aos alemães para saírem. Mas, confuso, divulgou a notícia como se a concessão de passaportes – e a possibilidade de sair – fosse imediata. Isso provocou a multidão que foi as ruas e começou a pressionar. Os guardas sem saber o que fazer e sem orientação acabaram abrindo “as portas” do muro! E “vive la liberté”! Nos postais com fotos do momento da queda da pra se ver a alegria estampada nos rostos dos alemães!

 

 

 

 

 

Reunificada oficialmente em outubro de 90, a Alemanha rica e próspera luta ainda hoje para superar a desigualdade existente entre ossies (orientais) e wessies (ocidentais). Esses dias mesmo eu vi na TV que 3 em cada 5 alemães orientais nunca foram para o lado ocidental.

 

Eu também fiz um city tour de bike muito legal, durou 5 horas com direito a parada para o almoço num Biergarten! 

         

 

 

 

           

        

 

 

 

 

 

 

                    

 

Nada mais a dizer senão que Berlim é sem dúvidas a cidade mais show da Europa!

 

Sabrina Porcher - http://binaporcher.blogspot.com/