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Posts do dia 13 novembro 2011

Medo de aranhas...

13 de novembro de 2011 0

Do outro lado do Rio das Antas, em meio à vegetação, tem uma estrada de chão. Leva a Nova Roma do Sul. É um caminho alternativo, e mais curto, para quem sai de Nova Pádua. Pois essa estrada é conhecida como a trilha das aranhas. Há milhares de caranguejeiras lá. No verão, principalmente, é fácil ver aranhas passeando pela estrada e, dizem, até ouvir o barulho delas. Se é que aranha faz algum barulho. Bem, minha filha tem pavor de aranha. Eu disse que numa dessas nossas viagens, passaria de carro pela trilha das aranhas… Claro que ela não gostou. Mas pediu que eu escrevesse um conto a respeito. Pois escrevi. Está aí:

Ele sempre teve pavor de aranha. Nem mesmo agora, chegando aos 30 anos, o medo perdeu força. Continuava com a mesma sensação. Sofreu muito principalmente na adolescência, ouvindo a velha piada dos amigos …”ele não gosta de aranha… prefere cobra, hahaha…” E isso que eram amigos. Enfim. A vida dele não mudou por causa das aranhas. Nem contra nem a favor. Nunca casou. A primeira namorada veio só aos 21. Perdeu a virgindade aos 23. Medo de aranha…. hahahaha

Hoje acordou disposto a mudar. De quebra, matou uma aranha minúscula que apareceu na parede da sala atrás da TV. Com um chinelo, que depois jogou no lixo. Mas matou. Não precisou chamar a vizinha ou a faxineira. Matou sozinho. Bom começo.

Pegou a bike e saiu. Dia de sol, gostoso, sem vento, sem chance de chuva. Aos amigos disse que iria para o sítio da avó,  mas na verdade a direção era outra. Pegou a estrada de chão atrás da igreja, atravessou a ponte de madeira de uma mão só e… tcham tacham tcham tcham… subiu a trilha das aranhas, uma região à beira do rio conhecida pela grande quantidade de caranguejeiras. Inofensivas, apesar do tamanho. Ele jamais havia estado lá. Mas hoje seria diferente. Pedalou cada vez mais rápido sem perceber. A trilha tinha uns 3 ou 4 km até terminar no alto de um morro com uma vista de toda a cidade. Fácil ver toda a cidade. É pequena, algumas ruas, uma praça, a igreja e mais nada. Não tem shopping, não tem Mc Donalds, uma chatice. Nem internet pega direito.

Viu uma ou duas caranguejeiras no meio da estrada, mas desviou e seguiu em frente. Mais adiante, ao passar em meio a árvores, atravessou uma grande teia, que se emaranhou em seus longos cabelos lisos e repartidos no meio. Sufocou um grito. Aumentou a velocidade, bateu numa pedra e caiu. Rolou pelo chão e foi parar num matagal. Em meio a aranhas. Gritou – não se conteve – levantou e correu. Espantou as aranhas com a mão – elas estavam mais assustadas que ele. Tentou voltar para a trilha mas perdeu o rumo. Seguiu sem querer para a beira do rio. Tropeçou num galho, ou numa raiz de árvore e voltou a cair. Levantou de novo e pisou numa cobra. Sentiu a picada mas continuou correndo, para fugir das aranhas. Não tinha medo de cobra, apenas de aranhas. Além disso, as cobras daquela região não eram venenosas. Vai saber.

A cobra ficou, as aranhas o ignoraram, e ele correu até quase não aguentar mais. Já meio sem força, voltou a cair de cara no chão, em cima de uma toca de caranguejeiras. Não levantou mais.

Foi encontrado no outro dia. Virou ninho de aranhas. Estava coberto delas, mas ainda respirava. Salvo, ficou só dois dias no hospital. Se recuperou. E nunca mais teve medo de aranhas, mas passou a ter pavor de cobras…

Ainda passo pela trilha das aranhas. De carro, claro.