
A frustração sobre viagens únicas é que depois de vivenciá-las continua-se elaborando o que se viu, mas não se volta nunca mais.
Galápagos é um exemplo.
É daqueles lugares únicos, mas que você não volta.
Sempre quis ir até lá. Evolucionista convicto, darwiniano que sou, queria ver os lugares, as tartarugas e os pequenos pássaros que levaram o Charles a escrever a teoria da mutação das espécies.
Mesmo assim, só fui até lá há poucos anos e graças a Sonia Zanchetta, irmã de facebook.
Ao vivo a vejo pouco, o que é uma pena, mas é sempre agradável tê-la por perto, mesmo que virtualmente.
É que queriam no Equador dois palestrantes para um evento. Fomos dois os convidados, o Santiago( cartunista)e eu. Em lugar de cachê, eu queria porque queria uma viagem às ilhas Encantadas e ela arranjou.
Ali tudo é surpreendente. Para começar não se fica nas ilhas, mas embarcados. Viaja-se à noite quando se desembarca é que a visita começa.
Até o tempo de permanência na areia é monitorado, o que frustra um pouco.
Um dos meus prazeres em terras estranhas, é não digo explorá-las, mas caminhar, descobrir, observar e chegar a alguma conclusão. Isto ali foi e é impossível.
Plantas e animais das ilhas se tornaram únicos, justamente por ficarem isolados de espécies invasivas levadas pelo homem ou não e até hoje ele próprio é um elemento estranho. Com isto, viajantes curiosos não podem andar a seu bel prazer.
Como já disse, fica-se no barco em cabines com bom ar condicionado . Grandes ou pequenas é irrelevante. Nunca se está lá, apenas para dormir. Fica-se o tempo todo no deck porque o cenário é melhor que qualquer cabine e em movimento.
Éramos 30 passageiros de países diferentes. Quem vai para estas ilhas não são turistas principiantes.
Galápagos nunca foi a primeira opção de ninguém. Vai-se ao mundo inteiro antes de desembarcar nestas ilhas que ficam n a linha do Equador.
Hoje me dá a impressão que confinados no barco observávamos mais os nossos companheiros do que os bichos raros que a ilha tem.
Os viajantes de Galápagos tem interesses específicos que acabam formando outros mini grupos. Eu os dividiria em:
1º-Os mergulhadores: sempre que há a possibilidade, estão na água. Eles viam tubarões martelo, leões marinhos adultos e filhotes, peixes coloridos e pingüins. Isto mesmo, nos trópicos que são menores e levam o nome de pingüins de Galápagos todos em harmonia.
2ºOutros também obsessivos. Os que preferem andar atrás de pássaros, iguanas, tartarugas etc...entre os quais constava eu.
3ºE o terceiro grupo que passava boa parte do tempo a bordo, no deck, lendo sobre a viagem a Galápagos, quando tinham a própria a disposição...
Eu gostaria de perguntar ao Charles Darwing ( mesmo que fosse em sessão espírita) se ele acredita mesmo que todos somos da mesma origem ?