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Posts de junho 2011

Tem cacau na Bahia

30 de junho de 2011 0

Desde que chegou ao sul da Bahia, em 1756, o cacau encontrou o micro clima ideal: à sombra da mata Atlântica e a área frequentemente banhada por chuva.

Até a década de 80, o cacau baiano era reconhecido como um dos melhores do mundo, com direito a classificação especial na Bolsa de Nova York.

Quem leu a série de livros do Jorge Amado, entre eles Cacau, Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus sabe que o principal cronista da região não exagerou quando afirmou que o ouro de lá vinha da árvore do cacau.

O Brasil, que até a década de 80 era o segundo maior exportador de cacau do mundo, despencou repentinamente.

Em 1989, a vassoura-de-bruxa, um fungo endêmico da região amazônica começou a devastar as plantações nos arredores de Ilhéus.

A ação do fungo é rápida. Em questão de dias, o fruto enegrece e resseca. As amêndoas ficam negras e murchas como nozes esponjosas.

Cinco anos após a infestação-comprovadamente uma sabotagem- cerca de 80% da produção acabaram infectadas.

Fazendas foram abandonadas, milhares de pessoas ficaram desempregadas

Um terço da floresta cacaueira foi destruída e com ela uma grande parcela da mata nativa foi cortada e a madeira vendida.

Aos poucos a região está se recuperando, mas a vassoura- da- bruxa não foi erradicada.

Apesar de todos os esforços e das melhorias implantadas, a produção de cacau ainda não se recuperou.

Mercados

29 de junho de 2011 Comentários desativados

Não é novidade que gosto de mercados. Qualquer mercado me atrai. Acho que proporcionam uma interação que é o verdadeiro exemplo de livre iniciativa.É a oferta e a procura e não preço fixo.

Não poderia acontecer de outra forma. Alguns com experiências de vendas de legumes, ao lado outros vendem arte e alguns insistem com velharias, as da vovó e só aparecem algumas horas por dia.

Quando fiquei em dúvida sobre umas coisas e falei que voltaria a senhora falou: venha depois das 3 porque antes estou cozinhando, tenho 6 filhos, etc.... A noite ela imprimia camisetas. Segundo ela passam por dia 2000 clientes por dia, todos turistas.

Antiguidades lhe causa desinteresse? Pois pode deixá-las de lado para descobrir depois que, entre as peças de segunda mão, existe muita coisa sem cheiro de naftalina e com charme capaz de despertar desejos consumistas amortecidos.

Há camisetas curiosas, bijuterias de diversos materiais, cintos, bolsas, cadernos, tudo vendido a preços variados,

Outro detalhe bacana: o mercado nunca tem a mesma cara porque os participantes sempre mudam.

No entanto, quem precisar encontrar algum expositor- por arrependimento de não ter feito uma compra ou por necessidade de trocar algum produto que não gostou, pode telefonar. Todos se conhecem e o celular reagrupa a todos.



Juanita

28 de junho de 2011 0

Em janeiro quando passamos no Altiplano alguns locais olhavam as montanhas e diziam: este ano tem menos gelo.

Eram muleiros e guias os que afirmavam que os montes gelados estão cada vez menores.

Há estudos muito mais convincentes que estes simples palpites, mas em parte por causa disto.

O degelo no Ampato, proporcionou ao arqueólogo americano John Reihard uma jóia: a múmia de uma garota imolada por sacerdotes incas em oferenda ao deus Wamami.

Estima-se que tinha 14 anos quando foi morta.

Juanita, como foi re-batizada, está numa urna climatizada num museu em Arequipa.

Funcionária do museu, Paola Vera diz que, nos últimos anos, foram achadas 14 múmias de crianças incas sacrificadas.

As mais belas crianças da nobreza eram escolhidas. Faziam as ofertas em épocas de terremotos e inundações para “ acalmar” os deuses.

Juanita tem rosto bonito e cabelos negros.

Na têmpora direita do crânio, está a marca do instrumento usado pelo sacerdote que a imolou.

Hoje, as oferendas dos camponeses são alpacas e lhamas, cujos restos podem ser vistos nas caminhadas.

Verão em Berlim ( final)

27 de junho de 2011 0

Voltando a Berlim, convêm lembrar que outro ponto de referência na cidade é o Mauerpark, localizado numa das áreas que isolavam os dois lados do muro.

De um lado do parque o famoso Mercado das Pulgas, que atrai multidões todos os domingos.

Do outro, num gramado gigante, as pessoas tomam sol e participam de um karaokê dominical que já virou um hit na cidade.

Dizem que Berlim tem mais pontes que Veneza, sendo que uma delas a Admiral Brüke se tornou um local onde os jovens se reúnem para ver o por do sol, ficando até altas horas. Trazem a própria bebida, instrumentos de musica e sistema de som.

O recém inaugurado Tempelhoferpark é a mais nova opção de lazer, ocupando uma área de 300 mil metros quadrados.

Todos os dias as antigas pistas são invadidas por visitantes. Construído pelos nazistas, o ex aeroporto foi o principal portão de entrada de abastecimento para Berlim Ocidental quando os soviéticos bloquearam todas as entradas por terra.

Mesmo assim havia um lado poético para as crianças, os soldados soltavam chocolates e brinquedos em pequenos para- quedas que desciam lentamente como uma esperança.

Felizmente essa página da história já passou, e podemos pousar em Berlim com a certeza de termos dias inesquecíveis.


24 de junho de 2011 Comentários desativados


Obrigado, Marquinhos.


Os que acompanham o Viajando por Viajar, que, por sinal, foi citado ontem na Zero Hora, devem ter notado que eu estava fora. Eu havia escrito textos antecipados, mas é lógico que perdem a atualidade. Fui aproveitar a potência do real e a fraqueza da moeda americana. Constatei que é verdade. Ricos deveriam viver aqui, e os pobres lá, pois lá tudo custa a metade. Há crise? Acho que sim, creio na mídia, mas não dá para perceber num simples olhar. Há falta de carros novos no mercado; nos shoppings (ou malls, se você for um purista), muita gente, e com sacolas cheias. Restaurantes médios? Com filas, etc., etc. Não é uma estatística, mas o olhar de quem tem alguma quilometragem. Mas isto é assunto para longos papos em textos futuros, se você me der o prazer da sua leitura.

Mas, voltando ao início... como é que tudo continuou andando? Porque tenho bons amigos. Um deles é o Marquinhos, ou, já que você não o conhece, engenheiro Marcos Abreu. Além de sua extraordinária capacidade em remasterização – não dito por mim, mas pela Melody Makers, que é a bíblia mundial. À noite, é um boêmio forçado – além de lecionar em faculdades, anda por restaurantes e boates cuja vizinhança reclama do som – ou da qualidade ou dos vazamentos. Ou seja, é um boêmio forçado.

 Bem, se a sua casa ou apartamento for barulhento, ele também resolve. Chega lá de jeans, tênis e camiseta, como quem não quer nada, com um aparelho de nome complicado, que chamo de barulhômetro, e resolve tudo. Pelo menos aqui em casa foi assim, e, se o tivesse conhecido antes, não precisaria ter feito aquele último puxadinho longe da rua.

Este é só um pequeno perfil do engenheiro Marquinhos, a quem eu quero dizer muito obrigado por manter o bloco na rua.

Grazie, molte grazie!

Thank you very much!

Muchas gracias!

Merci monsieur Marquinhos!

Verão em Berlim ( I parte)

24 de junho de 2011 Comentários desativados

Nunca estive em Berlim, erro meu, sem dúvida, mas agora recebi o email de um leitor e me arrependo mais uma vez de não ter ido.

O texto é de Cristina Ruiz Kellersmann. Diz ela:

Berlim vive de acordo com o que dita o termômetro.

Quando o sol aparece, a cidade se transforma numa aldeia ( quase) tropical.

A população abre mão dos ambientes fechados e prioriza os piqueniques nos mais de 30 parques da cidade.

Para se ter idéia, 1/3 de Berlim consiste em parques, florestas urbanas e muita água.

O Spree é a orla berlinense. São 46 km de rio, que em alguns pontos da margem se transformam em clubes e praias temporárias de verão.

No posto Oststrand, ao lado do Muro de Berlim, com 1,3km de galerias de arte a céu aberto, há areia de verdade, barracas, bares e restaurantes. A desvantagem é que o visitante fica exposto ao sol, sem poder dar um mergulho.

Já no posto Badeschiff Arena não tem areia, mas em compensação há uma piscina dentro do rio, dando a sensação de que está nadando no Spree.

A diversidade cultural em Berlim se torna mais evidente no verão. Os churrascos onde principalmente os turcos são os que mais aproveitam. A fumaceira é tanta que criaram legislação para controlar onde e quando se pode grelhar ao ar livre.

Cinema ao ar livre também é sucesso garantido nas noites berlinenses. Mesmo que seja preciso levar uma mantinha, o escurinho do cinema debaixo das estrelas é realmente espetacular.

Outra experiência  inesquecível sob um céu estrelado é a programação de teatro e ópera que já toma conta de várias  praças e parques.


                                                                                                                                                                                                                                           (Segue)




Os prejudicados

22 de junho de 2011 0

Quem diria que uma ingênua bagana pode ser tão devastadora?

Até mais que o cigarro, não para os nossos pulmões, mas para os peixes.

No caso, nossos, é figurado. Eu sou um dos que o cigarro rejeitou.

Bem que tentei, mas ele não me quis como amigo, isto bem antes do facebook onde para ser amigo basta um contato e um ok.

Imaginem vocês os meus grilos de adolescente. Só era macho quem fumava.

Por sorte havia em Caxias como em toda cidade alguns tipos muito suaves, nenhum deles lembrava um Martin Fierro, mas hábeis em baforadas profundas.

Mas, voltando às vítimas, os peixes, diz o British Medical Journal que as bitucas descartadas no meio ambiente lhes são altamente prejudiciais e elas são um terço de todo o lixo que é recolhido na praia, pelo menos nos Estados Unidos. (Pobre dos norte americanos, provavelmente devido a crise eles já não tem as vistosas cascas de melancia e os roliços sabugos de milho que no Brasil maravilha temos em qualquer praia.)

Diz ainda a nota que no cultivo do tabaco, usa-se uma grande quantidade de componentes químicos bem como na elaboração do cigarro e os resíduos são encontrados no produto final: as bitucas.
A pesquisa foi fácil. Só deixar os peixes num caldo de baganas e examina-los.

Quando em Roma, faça como os romanos

21 de junho de 2011 0

Como já falavam os antigos: quando em Roma, faça  como os romanos.

O problema é saber o que os romanos fazem!

Além de saudações e amabilidades pode ser uma boa idéia aprender alguns palavrões do local.

Por exemplo, como dirigir na Itália sem saber a palavra “cornuto” ou levantar os dois dedos clássicos que significam a mesma coisa, mas em respeitoso silencio.

Como se vê, até nas ofensas a geografia tem as suas particularidades.

Por exemplo, nos países nórdicos ou nos anglo-saxões...o sinal que enfurece os latinos não quer dizer nada. Absolutamente nada.

O mais criterioso é ver como os outros se comportam antes de se expor. A pessoa que comete gafes geralmente está fora do contexto. Um contexto que nem sempre entendemos e aí chamamos os ditos paises de exóticos.

Portanto, lembre-se: não existem países exóticos, exóticos somos nós no país dos outros.

Viagens únicas

20 de junho de 2011 0

A frustração sobre viagens únicas é que depois de vivenciá-las continua-se elaborando o que se viu, mas não se volta nunca mais.

Galápagos é um exemplo.

É daqueles lugares únicos, mas que você não volta.

Sempre quis ir até lá. Evolucionista convicto, darwiniano que sou, queria ver os lugares, as tartarugas e os pequenos pássaros que  levaram o Charles a escrever a teoria da mutação das espécies.

Mesmo assim, só fui até lá há poucos anos e graças a Sonia Zanchetta, irmã de facebook.

Ao vivo a vejo pouco, o que é uma pena, mas é sempre agradável tê-la por perto, mesmo que virtualmente.

É que queriam no Equador dois palestrantes para um evento. Fomos dois os convidados, o Santiago( cartunista)e eu. Em lugar de cachê, eu queria porque queria uma viagem às ilhas Encantadas e ela arranjou.

Ali tudo é surpreendente. Para começar não se fica nas ilhas, mas embarcados. Viaja-se à noite quando se desembarca é que a visita começa.

Até o tempo de permanência na areia é monitorado, o que frustra um pouco.

Um dos meus prazeres em terras estranhas, é  não digo explorá-las, mas caminhar, descobrir, observar e chegar a alguma conclusão. Isto ali foi e é impossível.

Plantas e animais das ilhas se tornaram únicos,  justamente por ficarem isolados de espécies invasivas levadas pelo homem ou não e até hoje ele próprio é um elemento estranho. Com isto, viajantes curiosos não podem andar a seu bel prazer.

Como já disse, fica-se no barco em cabines com bom ar condicionado . Grandes ou pequenas é irrelevante. Nunca se está lá, apenas para dormir. Fica-se o tempo todo no deck porque o cenário é melhor que qualquer cabine e em movimento.

Éramos 30 passageiros de países diferentes. Quem vai para estas ilhas não são turistas principiantes.

Galápagos nunca foi a primeira opção de ninguém. Vai-se ao mundo inteiro antes de desembarcar nestas ilhas que ficam n a linha do Equador.

Hoje me dá a impressão que confinados no barco observávamos mais os nossos companheiros do que os bichos raros que a ilha tem.

Os viajantes de Galápagos tem interesses específicos que acabam formando outros mini grupos. Eu os dividiria em:

 1º-Os mergulhadores: sempre que há a possibilidade, estão na água. Eles viam tubarões martelo, leões marinhos adultos e filhotes, peixes coloridos e pingüins. Isto mesmo, nos trópicos que são menores e levam o nome de pingüins de Galápagos todos em harmonia.

 2ºOutros também obsessivos. Os que preferem andar atrás de pássaros, iguanas, tartarugas etc...entre os quais constava eu.

3ºE o terceiro grupo  que passava boa parte do tempo a bordo, no deck, lendo sobre a viagem a Galápagos, quando tinham a própria a disposição...

Eu gostaria de perguntar ao Charles Darwing ( mesmo que fosse em sessão espírita) se ele acredita mesmo que todos somos da mesma origem ?





Cozinha clássica e contemporânea

17 de junho de 2011 0

Comilanças normalmente lembram a infância.

Os almoços em família, aromas e sabores que ocasionam retornos sensoriais, mesmo inconscientemente.

Hoje falamos em tendências, culinária e em influências externas.

A cozinha italiana que conheço melhor pode ser classificada como de duas grandes regiões: a do norte, mais continental e próxima das correntes centro-européias; e a mediterrânea, do centro, do sul e das ilhas, Sicília e Sardenha.

É sabido que os povos mediterrâneos que habitam a costa, seja do lado africano, seja do lado europeu preferem o azeite à manteiga.

É compreensível, pois como há pouco pasto na costa, não há fartura de carne e de leite, mas sobram peixes, crustáceos e oliveiras.

Assim, a influência mediterrânea não pode mais ser identificada pela presença de alguns ingredientes.

As receitas passaram a fazer parte dos hábitos em ambas as regiões, do sofisticado no norte e  do despojado no sul.

Graças ao resfriamento hoje podemos unir em um mesmo prato as massas de montanha  e os frutos do mar da costa.

Ou seja, os restôs continuam livres para satisfazer todos que buscam a comer bem, não importa de que região e de que origem.

Como escrevi acima, mesmo inconscientemente, os pratos normalmente lembram a infância e os almoços em família com seus aromas e sabores.

O que não sei é como sobrevivemos tanto tempo sem os tomates secos e o vinagre balsâmico.