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Posts do dia 11 julho 2011

Tubarões no Recife

11 de julho de 2011 0

O novo ataque a um surfista chamou a atenção para um velho problema. Nem tão velho, pois começou em 1992.

Os tubarões são vítimas transformados em vilões. Seu habitat foi drasticamente modificado. Sem ter o que comer, mordem seres humanos. Por engano, dizem os especialistas, pois eles dilaceram, mas não comem. O que poderia reduzir os ataques de tubarões nas praias do Recife? A própria revista Época fez um bom estudo há alguns meses.  O cinegrafista Lawrence Wahba levou mergulhadores para o fundo do mar no Caribe, onde tem tubarões iguais aos da costa pernambucana.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que o grande responsável pelos ataques foi o Porto de Suape, construído a 40 quilômetros do Recife. De 1947 a 1992, a região só teve um ataque. De 1992 até hoje, já foram mais de 50. O que aconteceu em 1992? O porto começou a operar comercialmente.

Grandes áreas de manguezais foram destruídas para a construção do porto, e os rios Ipojuca e Merepe foram desviados. A área costumava ser frequentada por fêmeas de tubarão em reprodução. É provável que estas fêmeas tenham passado a procurar o estuário mais próximo, no caso, o Rio Jaboatão, localizado ao norte e que desemboca nas praias da região metropolitana do Recife.

Agora que o estrago está feito, remediar é difícil. O trabalho de prevenção realizado é o mais completo do mundo. Há cinco vezes mais placas de sinalização que em qualquer outro lugar do planeta.

Tentaram-se todas as fórmulas para solucionar o problema, mas nenhuma delas mostrou a sua eficiência e todas podem ser burladas. Pessoalmente, acho que a única é a liberdade geral e ampla de informação, que é o que fazem nos parques do extremo norte do Alasca, Canadá e Estados Unidos.

Têm-se as informações e até auxilio para acampar, fazer trekking e o que se quiser, por mais ursos que existam. Vi isto no Denali Park, onde está o Monte Mackinley, o mais alto da América do Norte. E, posteriormente, na ilha de Kot(d)iack, onde tem um urso a cada 3 km2 – a maior concentração que se conhece. Inclusive o Grizzly, aquele grande marrom que, de pé, atinge 3 metros de altura, e o preto, menor, mas furioso. Tem os cartazes, os rangers dão as informações e até emprestam recipientes onde colocar a comida sem que o cheiro exale. Recebe-se uma lista de como se comportar no caso de um encontro indesejado, e até um sininho para pendurar na mochila e alertar o urso, evitando que ele ataque por ser surpreendido. Recebe-se tudo o que se quiser, menos sugestões para não fazer – sabem que são inúteis. Cada um banca a sua vontade ou irresponsabilidade.

Tenho a impressão que é o que deveria ser feito no Recife. Pena que alguns percam a vida ou tenham seus membros dilacerados, mas, contra a vontade, a irresponsabilidade, não há o que se possa fazer.


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Kathmandu/Nepal

11 de julho de 2011 0

Leio com freqüência alguma coisa sobre Kathmandu, mas quase sempre como uma parada para ida aos picos que compõem a Cordilheira do Himalaia.

Claro, que os objetivos são outros: escaladas e com isto relegam a Kathmandu simplesmente a um ponto de parada.

A cidade é a meu ver extraordinária. Não fosse  a sua baixa altitude( 700m), eu diria que é o verdadeiro ” horizonte perdido“de James Hilton e não o Tibet.

Em Kathmandu tem muito mais coisas, vê-se mais coisas, é mais barata e não é chinesa (que graça tem visitar um mosteiro se na porta em vez de um monge tem um sargento?)

Só na praça central a Durbar Square vê-se uma exótica e autêntica demonstração de arquitetura do tempo em que tudo era feito em madeira entalhada, inclusive o antigo Palácio Real com 4 ou 5 andares, todo entalhado e sem pregos ou parafusos.

É bom que se diga que ele e os outros prédios assim construídos resistiram a vários terremotos. Quando falo em outros, são dezenas de templos grandes ou simples oratórios feitos em latão polido, cimento ou madeira dedicados a Ganesha( o do elefantinho) e outros de nomes complicados, desconhecidos, mas espetaculares.

A pouca distância, uns 2/3 kms no centro de uma planície temos Bodhnath, provavelmente um dos mais interessantes lugares de peregrinação dos arredores.

É também o maior dos templos, mas este dedicado ao budismo, pois hinduísmo e budismo convivem perfeitamente no Nepal.

Este stupa passa o dia e algumas noites repleto de refugiados tibetanos. Em volta tem um agrupamento de lojinhas de souvenirs, cafés, restaurantes com boa comida tibetana e dezenas de banquinhas com enfeites, colares e antiguidades, muitas autênticas, retiradas clandestinamente das centenas de templos e oratórios que existem nos vales e montanhas do Nepal.

Não tão perto, mas a uns 20 minutos de táxi, chega-se a Pashupatinat, na margem de um dos rios sagrados, o Bagmati, popular por ser onde aconteceram as cremações. Nós, forasteiros, podemos assistir tudo, com respeito e com máquinas fotográficas em punho.Também não há limitações para as mulheres, atitude freqüente em outros lugares. Assim como esses há um enorme número de lugares e vilas que devem ser visitados.

Patan a 6 km e Bodhnath que foi cenário do filme ” O pequeno Buda”, do diretor italiano Bernardo Bertolucci. Nada foi fabricado, está tudo lá, há mais de 1000 anos.

Portanto, Kathmandu é muito mais que um ponto de parada do Everest.

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