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Posts do dia 13 julho 2011

Índia, encanto do subcontinente

13 de julho de 2011 0

Ao pisar em solo indiano, esqueça a lógica que nos norteia no mundo ocidental.

Com mais de 1 bilhão de habitantes, 25 línguas oficiais, 4.500 anos de civilização e milhões de deuses, entenda, não é possível encarar a Índia da mesma forma que um país ocidental. A pobreza ali convive com a opulência sem limites dos palácios e hotéis.

Portanto, viajar pela Índia exige esforço, discernimento e bom estômago.

Ao se postar em frente à primeira refeição made in Índia, é possível se entender porque Salman Rushdie transformou a pimenta em protagonista de seu livro " O ultimo suspiro do Mouro": simplesmente é usada em tudo e em quantidades industriais.

Andar pelas metrópoles indianas significa se acostumar com motoristas enlouquecidos e com uma sintonia de buzinas e motores barulhentos de carros, triciclos e motos.

Dar de cara com uma vaca atrapalhando o trânsito ou ver macacos destruindo antenas de carros é comum. Vacas roubando legumes de feirantes também é freqüente. Imagino o drama do devoto feirante: a vaca está " roubando"( elas pegam algo e saem), mas é uma divindade. Como se enxota um Deus da sua banquinha?

É dever nosso exercitar a paciência com a legião de miseráveis que nos aborda insistentemente sem nos tocar.

Mas também é de se deslumbrar com as indianas de sáris e cabelos enfeitados com flores.

Visitar a Índia é topar com uma diminuta capela multicolorida e adornada com imagens numa esquina, no momento em que uma oferenda está sendo feita.

É visitar um templo jainista que resplandece de tão limpo.

É ainda, viajar de avião e na poltrona vizinha tem um sadhu( homem santo) descalço, de pernas cruzadas em posição de lótus sobre o banco e enrolado em um pano amarelão que faz as vezes  de manto.

Nos mercados, quinquilharias chinesas disputam espaço com tecidos de seda e pashiminas( feitas de lã de cabra do Himalaia) que custam algumas centenas de dólares.

O país da não violência vive em prontidão militar há muito tempo, mas teve que reforçá-la desde que num entardecer foi surpreendido por rajadas de metralhadoras e granadas explodindo em Mumbai em 2008. Foram três dias de combate, 187 mortos e só um preso.

Machu Picchu, 100 anos de descoberta

13 de julho de 2011 0

Esses dias falamos de Machu Picchu. Pois bem, a hora da grande festa chegou (não sei se você lembra bem). É o centenário da descoberta da mais antiga ruína inca, uma semana ininterrupta de festa. Começou dia 3 de julho. O auge da festa foi no dia 7, quando Cuzco despertou com disparos de canhão. Grupos de diversas correntes expressaram sua arte nas praças da cidade.

Nesse mesmo dia, o sítio arqueológico foi palco da encenação do Tinkay, cerimônia cuja finalidade é transmitir força e energia para a preservação de toda a história.

Ao cair da noite, a cidade sagrada foi cenário para um espetáculo de luz e som, com a participação da Orquestra Andina e da Sinfônica de Cuzco, exclusivo para convidados (tem que ser, pois a ruína é pequena). A 2.700 m de altura, orquestra ao vivo, quem sabe um céu estrelado e a lua surgindo... Quem resistiria? Ainda bem que o grande público acompanhou por meio de um telão instalado na Praça de Armas de Cuzco.

Outros eventos antecederam a semana oficial. Em primeiro de julho, foi promovida uma caminhada de sete dias até a maravilhosa ruína. A saída ocorreu no Templo do Sol, em Cuzco.

Mas a briga continua. Como em toda a descoberta arqueológica, os nativos dizem que foram logrados ou roubados. A festa toda faz menção à chegada do pesquisador americano Hiram Bingham a Machu Picchu, em 1911, no dia 24 de julho, sendo que apenas parte do material retirado do sítio arqueológico há um século teria sido devolvido ao Peru. Por isso, o governo do país deu um ultimato semana passada à Universidade de Yale pedindo a devolução total dos 46 mil itens levados. Não sei se há limite de tempo, mas isso deveria ocorrer até o dia 7.

Em todo caso, não esqueça, ainda dá tempo para ver alguma coisa além da própria Machu Picchu: Porto Alegre agora está ligada a Lima em vôo direto, a preço bastante acessível.

O assunto desperta controvérsias. Os puristas dizem que Machu Picchu foi descoberta para os ocidentais invasores, mas que, para os autóctones, nunca foi encontrada, simplesmente porque nunca esteve perdida...