Ao pisar em solo indiano, esqueça a lógica que nos norteia no mundo ocidental.
Com mais de 1 bilhão de habitantes, 25 línguas oficiais, 4.500 anos de civilização e milhões de deuses, entenda, não é possível encarar a Índia da mesma forma que um país ocidental. A pobreza ali convive com a opulência sem limites dos palácios e hotéis.
Portanto, viajar pela Índia exige esforço, discernimento e bom estômago.
Ao se postar em frente à primeira refeição made in Índia, é possível se entender porque Salman Rushdie transformou a pimenta em protagonista de seu livro " O ultimo suspiro do Mouro": simplesmente é usada em tudo e em quantidades industriais.
Andar pelas metrópoles indianas significa se acostumar com motoristas enlouquecidos e com uma sintonia de buzinas e motores barulhentos de carros, triciclos e motos.
Dar de cara com uma vaca atrapalhando o trânsito ou ver macacos destruindo antenas de carros é comum. Vacas roubando legumes de feirantes também é freqüente. Imagino o drama do devoto feirante: a vaca está " roubando"( elas pegam algo e saem), mas é uma divindade. Como se enxota um Deus da sua banquinha?
É dever nosso exercitar a paciência com a legião de miseráveis que nos aborda insistentemente sem nos tocar.
Mas também é de se deslumbrar com as indianas de sáris e cabelos enfeitados com flores.
Visitar a Índia é topar com uma diminuta capela multicolorida e adornada com imagens numa esquina, no momento em que uma oferenda está sendo feita.
É visitar um templo jainista que resplandece de tão limpo.
É ainda, viajar de avião e na poltrona vizinha tem um sadhu( homem santo) descalço, de pernas cruzadas em posição de lótus sobre o banco e enrolado em um pano amarelão que faz as vezes de manto.
Nos mercados, quinquilharias chinesas disputam espaço com tecidos de seda e pashiminas( feitas de lã de cabra do Himalaia) que custam algumas centenas de dólares.
O país da não violência vive em prontidão militar há muito tempo, mas teve que reforçá-la desde que num entardecer foi surpreendido por rajadas de metralhadoras e granadas explodindo em Mumbai em 2008. Foram três dias de combate, 187 mortos e só um preso.



