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Posts de julho 2011

Ainda sobre os cardápios

29 de julho de 2011 0

Escreveu o Sr. José Antônio me pedindo quais são os pratos do mais antigo menu que se conhece e que foi assunto de um texto aqui do Face e do Viajando.

Devo lhe dizer que o cardápio do genial Miguel Ângelo Buonarotti é quase ilegível, e em dialeto. Por sorte, ao lado há uma transcrição que o deixa claro e que consta do programa.

No café da manhã, tem, ou ele teve, arenque defumado com azeite, cebola e alho (como até hoje). Para beber? Vinho.

Ao meio-dia, Miguel Ângelo comeu salada, aparentemente, à base de couve escura, azeitonas, ovo cozido e pedaços de queijo. A seguir, um pratinho de espinafre, anchovas e tortelli, provavelmente recheados com carne de javali. Depois, pães e bruscino, um antigo queijo fresco e mole toscano de leite de ovelha e cabra.

Já a janta reuniu seis pães, dois pratos de sopa de erva-doce, um arenque e outra jarra de vinho.

Dá pra ver que ele não estava sozinho, e também não se sabe se era no mesmo dia. Apesar de viver com gordas pensões e viver em ambiente requintado, do Papado e das famílias Borgia e Medicci, Miguel Ângelo se revelou uma pessoa de gosto simples. Aliás, era pessoa singela, porém de índole impulsiva. Na juventude, ridicularizou a escultura do colega Pietro Torrigiano (1472 – 1528) e recebeu deste um soco que lhe desfigurou o nariz. “A pequena deformação lhe parecerá daí por diante um estigma (…) uma mutilação ainda mais dolorosa para quem, como ele, era um sofisticado esteta, que considerava a beleza do corpo uma legítima encarnação divina na forma passageira do ser humano”. Quem diz é o autor do fascículo 17, sobre ele, da Coleção Gênios da Pintura (Abril Cultural).

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29 de julho de 2011 Comentários desativados


Caros blogueiros e FACEiros,


Se fôssemos globais, diríamos simplesmente:


Desculpem a nossa falha!

 

Mas não foi pura confusão o que fez ficar cinco dias sem postar nada. Cinco dias é uma eternidade. A verdade é que, quando um analógico como eu se mete a mexer na máquina, achando que já sabe… é isto que dá.

O fato de vocês lerem o que eu escrevo já me enche de alegria. Afinal, são milhões, milhões de novos textos postados a cada minuto. É infinita a opção e eu frustro justamente quem me dá a honra da leitura. Portanto, só o que quero é pedir desculpas.

Abraços.

Flavio.

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Noruega em lágrimas

28 de julho de 2011 0

Estou desolado com os acontecimentos da Noruega (o mundo todo está). Além da minha admiração pelo país que, em 60/70 anos, passou da pobreza extrema a um dos melhores padrões de vida da Escandinávia, e, com isto, do mundo. Conheço bem o país, tenho lá bons amigos e já conhecia bem antes de tê-los. Hoje, melhor ainda.

Nunca ouvi sobre a Noruega uma frase má ou duvidosa. A sua riqueza, ao contrário do que estamos lendo na mídia, não veio das recentes (20 anos) descobertas de gás e petróleo no Atlântico Norte, mas de um profícuo trabalho individual, familiar e, portanto, coletivo. Não há roubo ou violência, portas não precisam ser fechadas. Um exemplo? Quando de Oslo, a capital, com um casal amigo, partimos para a Islândia, Kai e Kari deixaram as bicicletas do lado de fora – afinal, iam ser só três semanas de viagem…

Pois este país, com todas as suas qualidades, principalmente o seu equilíbrio (o salário básico de um trabalhador é só seis vezes menor que o do primeiro ministro) sofre um atentado como este – ao que se sabe até agora, cometido por um só norueguês, educado, culto, de 32 anos, e bem-relacionado, e não por um extremista religioso, como já nos acostumamos. Não há o que dizer ou racionalizar, só reconhecer, com pesar, que alguns seres humanos nos matam de vergonha.

Após tirar a vida de 74 adolescentes, uma testemunha disse à BBC que ele estava seguro, calmo e controlado. Pode?     


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BR 101

27 de julho de 2011 0

Se você, Leitor, é amigo do Viajando… ou é do grupo que espera o verão achando que vai botar as pranchas sobre a Brasília amarela e rolar suavemente pela BR 101 duplicada, tenho uma má notícia: não está pronta, não ficará pronta, e, se um dia a terminarem, deverá entrar imediatamente em reforma devido à péssima qualidade do piso e das emendas do asfalto. Mais o etc. etc. que todos conhecemos. Aliás, até marquei hora na minha dentista, pois é possível que algumas obturações tenham caído, tal o sacolejo no asfalto novo.

De Porto Alegre até mais ou menos Sombrio, vai-se bem, no padrão da nossa Free-way. Depois é que começa a tragédia do sobe-desce de estradas paralelas. Gente trabalhando? Pouquíssima. Da maior parte das galerias, pontilhões e elevadas, só mesmo os alicerces –  e alguns devem estar há tanto tempo sem, que se criou uma verdadeira selva em volta. Não digo amazônica, porque seria um exagero. Não me surpreenderei se, em breve, o Tarzan e a Chita se mudarem de Hollywood para lá.

É bom que se diga que, em bem menos tempo de obra, os chineses fizeram uma estrada para o Tibet, uma ponte de 42 km sobre o mar, e 1300 km de trem bala entre Pequim e Xangai. O preço? Pelo jeito, também foi menor, pois eles não têm os nossos ministérios, nem o PR, e quem comanda tudo deve pensar no seu pais e não no seu bolso.

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Maconha II

26 de julho de 2011 0

O meu texto sobre maconha e derivados deve ter “pegado mal” entre os simpatizantes. Vieram muitas mensagens… nenhuma de apoio. Mas tudo bem. Também acho estranho contestar uma idéia que tem como porta-estandarte um ex-presidente do gabarito do Fernando Henrique.

Concordo com ele, com o Clinton e com os menos insignes que o combate está errado e que os resultados têm sido pífios ou nulos.

Não tenho a menor idéia de qual a política certa a ser adotada, e também tenho dúvidas sobre que medidas tomaríamos se a bebida alcoólica surgisse hoje?

Tenho, porém, na memória alguns exemplos desde minha primeira visita a Kathmandu, onde tudo era livre, e algumas padarias vendiam os haxixe cakes (vendem até hoje, mas, oficialmente, a prática está proscrita). Anos depois, a tentativa suíça de liberação das drogas em duas estações ferroviárias desativadas – que, popularmente, passaram a se chamar estações da agulha – durou pouco mais de um ano. Como falei, as estações estavam desativadas, mas desativadas à moda suíça, ou seja, limpas, com jardins mantidos, bebedores funcionando, toaletes com as quatro beldades que raramente se encontram: água, sabonete, papel e toalhas.

Pois bem, dito pelos próprios suíços, e com fotos e textos publicados, inclusive nos jornais brasileiros, em alguns meses  traficantes nacionais e estrangeiros haviam tomado conta. Além das drogas leves permitidas na experiência, todas as outras podiam ser rapidamente encontradas. As antigas estaçõezinhas charmosas, de estilo alpino, em alguns meses se tornaram uma cracolândia igual às que vemos na tv e em fotos jornalísticas. Cracolândia não é a palavra certa, pois as drogas sintéticas ainda não existiam (quem sabe o ecstasy), mas o significado do termo, sim, é qualificatório, e as fotos que vemos da nossa mais famosa, a de São Paulo, podem servir de exemplo – só que os pedreiros suíços tinham mais pulôveres e jaquetas.

Não sei exatamente quantos meses se passaram até que a experiência suíça chegasse ao limite e as autoridades acabassem com tudo. Mesmo sendo na Suíça e numa área pequena, em pouco tempo surgiram todos os problemas que os jornais publicam aqui: sujeira, prostituição, doenças roubo e assassinatos. plataformas e os próprios trilhos viraram latrinas. As quatro beldades de que falei antes voltaram a se desencontrar.

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A baguette nossa de cada dia

20 de julho de 2011 0

Esses dias, ouvi numa entrevista: “carnaval é coisa séria”. Fiquei perplexo. Como pode uma festa em que a bagunça é obrigatória… ser séria? Mas é. Eu é que nunca o havia imaginado dessa forma: é coisa séria para milhões de pessoas, aliás. Analisando desse mesmo ponto de vista, tudo é sério. Para muitos ou para alguns?

Até uma ingênua mistura de água e farinha, quem sabe, a primeira elaborada pelo homem, é séria, tanto que daí surgiu o pão, e, dele, chegamos às deliciosas baguettes. O assunto evoluiu tanto que hoje temos um concurso para eleger a melhor da França – provavelmente, a melhor do mundo, embora os italianos e espanhóis não concordem. Prêmio? Quatro mil euros e… os dentes da Carla Bruni – você acha pouco? –, pois, na sucessão de prêmios, a padaria vencedora tem o direito a ser a fornecedora do Palácio dos Campos Elíseos e o direito a expor na vitrine um grande número 1. Não precisa dizer mais nada. Os franceses sabem do que se trata. Ah, e a baguete tem que ser à moda antiga, sem congelamento prévio, etc.

O vencedor deste ano foi o Sr. Barillon, padeiro que venceu 174 concorrentes. Pra falar a verdade, essa vitória sua vinha pintando. Ele foi o terceiro no ano passado e sétimo no ano anterior.

“O concurso tem um grande efeito midiático”, diz o próprio vencedor, M. Pascal Barillon, orgulhoso. E acrescenta: “para a vitória, todos os detalhes têm de ser levados em conta”.

Se você é um dos felizardos que está fugindo deste frio para o verão europeu e passar por Paris, aqui está o endereço:

         6, Rue dês Abbesses – facílimo de achar, tem até estação de metrô com esse nome “Abbesses”.

A padaria chama-se Au Levain d’Antan. E não pergunte, vá sabendo que quer dizer “ao fermento do passado”.

Bom proveito. E uma saudável inveja.

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Cardápios

19 de julho de 2011 0


Já escrevi que um colecionador paulista está fazendo uma exposição. A maioria deles, eu suponho, deve ter sido surrupiada de restaurantes. Mas que diferença faz? A idéia foi a preservação da paixão por bons cardápios e boas comidas. Aliás, alguns restaurantes como o La Coupole de Paris, para agradar os amantes de souvenirs e não arcar com o prejuízo, acabaram tendo ao lado uma pequena boutique, que vende exclusivamente os objetos que fazem a paixão dos colecionadores/clientes. Assim, vendem pratos, talheres, toalhas, cardápios e tudo que tiver o nome impresso. Fiquei sabendo, também, que os cardápios antigos têm mercado nas feiras de rua e nos sebos. Claro que tinha que ter. Em países que valorizam tanto a comida, tinha que existir. Supremo requinte? Dedicatória, ou, pelo menos, a assinatura do cheff.

Sempre se soube da importância que os franceses dão aos bons restôs. É cada vez maior o número de programas culinários na tv e maior ainda é o número de colunas nos jornais. Todos nós sabemos disso, mas a minha ficha caiu mesmo foi por ocasião da morte de um dos irmãos Troisgros. Eu estava em Paris e acompanhei, por duas semanas, o clima de velório, com obituários, colunas, currículos de páginas inteiras nos mais consagrados jornais, sem contar com os restôs que hastearam a bandeira bleu, blanc, rouge a meio-pau.

Sim, a idéia era só escrever sobre cardápios, mas vamos terminar com uma pergunta? Você sabe quem fez o primeiro? E com desenhos? Quem sabe você até já tenha um? Se o tiver, com certeza você poderá trocá-lo por um apartamento na Av. Foch, lado ímpar, aquele que pega o sol da manhã, e, assim, ser vizinho da Sophia Loren.

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Bon Vivant

18 de julho de 2011 0

A revista que aparece na ilustração você já conhece. O escultor retratado acho que também. É o Bez Batti, com nova exposição.

Quanto à revista, mudou a paginação, mudou o formato, novos articulistas foram acrescentados. Só não mudou o direcionamento: vinhos.

A diferença é que, agora, além do tomador, do curioso e do interessado direto, a revista vai ser lida por toda a família, pois tem beleza, moda, decoração, arquitetura, etc. Os vinhos seguem sendo a razão da sua existência, exatamente como nasceu. Feita no núcleo da serra gaúcha e no município que é o maior produtor. Mas com os olhos voltados a todos os produtores, desde a Pericó, em São Joaquim, até as colinas quase na fronteira com o Uruguai.

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Índios chilenos invocam o espírito do vulcão

17 de julho de 2011 0


Os Mapuches, habitantes originários da Patagônia, postaram-se à beira do Lago Nahuel Huapi, aquele maravilhoso, nas redondezas de Bariloche. Eles suplicavam ao Pillán (o espírito que, segundo sua crença, reside no vulcão Puyehue) que acalmasse sua ira e parasse de emitir as cinzas que estão soterrando milhares de hectares ao sul da Argentina.

Segundo eles, o que acontece hoje será bom para a terra, em dois ou três anos, mas o hoje preocupa cada vez mais.

O ano novo Mapuche é comemorado no dia 24 de junho, mas, antes dessa data, a cerimônia de preces, que deveria ocorrer apenas em casos de emergência, já foi feita mais de três vezes. A última, comandada por uma mulher de preto da cabeça aos pés (usando um cinto negro com pequenos discos prateados) reuniu 300 pessoas antes do raiar do sol.

Os Mapuches não conseguem entender o porquê da fúria do Puyehue, normalmente benigno. O céu cinza, o lago sempre azul que ganharam cores profundas, tudo os assusta. É comum dizer que eles não se assustam por pouco. São famosos por seu espírito guerreiro.

Quando os colonizadores espanhóis chegaram ao Chile, no início do século XVI, e fundaram Santiago, esses indígenas se refugiaram ao Sul do país, em Chiloé, e estão ali até hoje.

Até aí tudo bem. E se o vulcão acalmar? O que vamos pensar? Foram as forças da natureza que esgotaram o ciclo normal ou as danças Mapuches?

 

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A marcha da maconha

16 de julho de 2011 0

O Brasil é um país estranho: sempre estamos na contramão. Ideologicamente, nem se fala. Estamos cortejando um sistema que, depois de terem, literalmente, 50% do mundo, ficaram reduzidos a meia dúzia de países. Na Europa, exatamente três. Mas estão tentando (e conseguindo) revitalizar a mal-sucedida ideia na América do Sul. Bem, como disse o Fidel há uns dez anos: “Reconquistaremos en Sudamérica lo que perdimos en el Este europeo”. Acho que a idéia é fazer uma nova “União Soviética Sul-americana”. Lógico, vai dar no que deu a de 1917, só que, até passar a febre, algumas gerações “pagarão o pato” (Cuba é o exemplo  mais próximo). Só espero que, nesse espaço de tempo, o capitalismo não despareça. Você pode até pensar que estou advogando em causa própria. Sem dúvida. É que, se o capitalismo desaparecer, a quem iremos pedir dinheiro emprestado? Quem vai-nos ajudar a colocar comida no nosso prato? Querem exemplos? A Coréia do Norte e até a nossa vizinha Venezuela, onde sobra petróleo, mas falta comida e energia elétrica.

Agora, com a marcha pró cannabis, estamos novamente na contramão, justamente quando a Holanda, exemplo consagrado de país permissivo, está dando um basta e não renovando as licenças das coffee shops. Turistas e visitantes, adictos ou curiosos, não mais poderão frequentar os famosos bares que, legalmente, vendem pot e, por isso, se tornaram famosos no mundo inteiro.

A nova política faz parte do combate ao uso e ao tráfico. Até o fim do ano, será preciso registrar-se para ter acesso ao direito de consumo. Os clientes holandeses deverão, é claro, se cadastrar, o que valerá por um ano, e cada coffee shop não poderá ter mais de 1500 clientes cadastrados. É a Lei.

Pessoalmente, não tenho nada contra que cada um tenha o seu barato – seja fumo, pó ou álcool, mas eles deveriam pagar também os tratamentos e internações derivados do seu vício – ou hábito, se você quiser.

Mas não! Tudo isso sobrecarrega o já deficiente serviço de atendimento hospitalar. Se você acha que estou exagerando, é porque não tem visto os noticiários da noite ou lido os jornais da manhã. Quanto ao assunto inicial,esqueci na hora, mas posso acrescentar a frase da Thatcher: “o socialismo dura até acabar o dinheiro… dos outros”.

  



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