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Four, five, six.

27 de setembro de 2011 0

Senhor Licurgo, obrigado por nos acompanhar e escrever. Sinto desaponta-lo, mas aprender em um ou dois idiomas não confunde os pequenininhos.

A idéia de que alguém se “atrapalhe” com mais de um idioma me causou risos, e é a prova de que quem escreveu não é versado em idiomas.  É comum pessoas jovens – ou não – servirem de intérpretes em 4/5 idiomas ao mesmo tempo. Nosso cérebro é bem mais ágil do que imaginamos.

No fim de semana, encontrei o Cláudio Gerhardt no Brique da Redenção, e ele, leitor do Viajando por Viajar, me lembrou um exemplo que ele conhece melhor que ninguém, pois casou com uma das filhas do casal Bulgarini Delci.

Pai italiano nato e mãe filha de alemães, amigos meus desde sempre. Ele, ex-comissário, veio a Porto Alegre como gerente da Alitália. Se aquerenciou e ficou. Com cinco filhos: nas refeições falavam, ao mesmo tempo, 4 ou 5 idiomas propositadamente. Quase sempre a palavra mais curta em cada idioma, que automaticamente vem, automaticamente. Claro que pai e mãe poliglotas não é exatamente uma coisa comum, mas digo isto como testemunha de que as crianças nunca tiveram problemas com essa prática. Pelo contrário, só facilidades. E não são dos que entram no avião bilíngües e se tornam monoglotas ao sair, pois português lá fora só em alguma exceção.

É bom lembrar que belgas e holandeses aprendem quatro idiomas na escola, mais os seus dialetos (como o valão e o flamengo, etc.). Além disso, os jovens procuram, nas férias, trabalhar na Itália ou na Espanha para aprender mais dois idiomas que não são ensinados na escola. Segundo eles, com alguma dedicação e duas férias no país, tornam-se razoavelmente fluentes. Chega a ser humilhante, você pede uma informação na rua e o indivíduo responde no idioma que você pediu, ou saca no sotaque a sua origem e segue no seu idioma.

Pense um pouco (não dói nada): não será melhor aprender espanhol ou inglês quando jovem, ou, até, criança (para não ter que fazer como uma pessoa que conhecemos e é conhecida de muitos, em Porto Alegre, mas que tinha um inglês sofrível, e, na primeira vez que foi para a Europa, na hora de levar alguém pra cama, saía-se com: “Me Tarzan you Jane, ok?”)?

É claro que esta é uma opinião pessoal e aprendida fora da escola, portanto você não tem obrigação de segui-la – nem eu pretendo mudar o seu pensamento. Você pode ir aprimorando o seu português e se entender muito bem com gente de Timor Leste, Açores, Ilha do Sal, Guiné Bissau, Angola, Moçambique, além da Santa Terrinha.

E termino com uma pergunta ao nobre deputado autor do projeto: por que proteger o português? Vamos ficar como a propaganda do Banrisul: é melhor porque é nosso, só porque é nosso?

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