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"Montevideo es la Buenos Aires que perdimos sin darnos cuenta.", J. L. Borges

28 de setembro de 2011 0

Foram só quatro dias. Não fui longe, mas fui a duas cidades que gosto muito: Montevidéu e Maldonado. Só me arrependi de ter ido de automóvel (sempre a minha primeira opção; com isto, esquecemos dos ônibus). É que fomos encontrar amigos que ficariam 36 horas no Uruguai, depois seguiriam para Buenos Aires, etc., etc.

Decidimos na última hora. Os horários dos vôos não nos serviam. E o preço também não (preço de balcão é um assalto). Na ida, teríamos que ir a Buenos Aires pegar o barco, etc. Além do prazer, era uma retribuição. No ano passado, eles saíram de Oslo para ficar conosco um fim de semana longo em Paris.

Por que tanta pressa? Porque minha mulher tem um escritório de advocacia, e, como vocês sabem, pelo menos alguém da família tem que trabalhar…

Não nos lembramos dos ônibus, que são ótimos. Pensamos logo no automóvel e… na nossa adega, que o frio inverno deste ano ajudou a esvaziar. Além de queijos, fiambres, atum, azeite e dulce de leche, pode-se trazer 16 garrafas por pessoa. Não é muito, mas 32 garrafas de bom vinho a preço que se pode pagar revigoram qualquer adega.

A inspeção foi rigorosa sim e, felizmente, também do exército. Por duas vezes, checaram os nossos bagulhos; todos jovens e educadamente – espero que continuem.

Almoçamos no Mercado del Puerto, o antigo mercado transformado em pólo de restaurantes e lojinhas. O local sempre confirma a justa reputação de ter uma das melhores carnes da cidade.

Além disso, percorremos lojas e shoppings, vimos – ou melhor, mostramos – duas esculturas que gosto muito: La Carreta, ali ao lado do Cassino, e La Diligencia, também uma carroça com cavalos passando um córrego (tive que pedir a um táxi que fosse na frente; sempre me perco quando vou até lá). Fomos aos antiquários da Tristan Narvaja e, acima de tudo, confraternizamos.

É ótimo ter amigos queridos. Nos conhecemos na Mongólia e, juntos, já fomos à Islândia e fizemos a Rota 66. E, graças à perseverança deles (dela, principalmente), fomos a todos os pontos históricos marcantes – portanto, valeu a viagem. A recomendo.

Voltando ao vizinho Uruguai, ficaram encantados, não só com a carne, mas com o Mercado del Puerto todo e com tudo o que tem como “exótico” para eles (chinchulines, tripa gorda, morcija salada, morcija dulce con cáscara de naranja, pamplona de hígado e isla flotante). Devem ter pensado ser parte de algum sacrifício, oferenda, vudu, mas não chiaram (na Mongólia, havíamos passado três semanas comendo só carne: de ovelha, cabritas, gado, camelo, renas, cavalos e viscacha; mas só carne, e, em vez de mandioca para espargir, farinha de trigo). E, como todos, no dia seguinte se encantaram com os sanduíches (de miga) do Roldós, que são maravilhosos e encantam os clientes há 109 anos.

Para terminar, fomos ao Fun Fun, pitoresco bar desde 1895, reduto de seriedade entre os afeitos ao tango. Tomamos vinhos diferentes, mas de uma mesma uva: Tanat, que os uruguaios estão elaborando cada vez melhor. A comida não é aconselhada, mas já sabíamos e não comemos (bingo!). Assistir ao show com bandoneóns e dançarinos que rodopiam no palquinho é ver a essência da boemia uruguaia e um prazer.

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