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Dia do macarrão

22 de outubro de 2011 0

Li na Zero Hora que hoje, 22 de outubro, é dia do macarrão. Fiquei até surpreso. Para um filho de italianos, ou em restaurantes italianos, massa, em qualquer de suas formas, é sempre o “primo piatto”, todos os dias – sim, a salada vem antes, mas não sei porque é desconsiderada. Quem sabe, de tão óbvia, os cardápios dizem simplesmente “insalata”. E aí vem o “primo piatto” – pasta, um ritual diário.

Um dia eu, saindo do hotel em Florença (que, na realidade, era um convento), me deparei com um pequeno “Caffé”. Entrei e um senhor, atrás de uma cafeteira antiga, que mais lembrava uma locomotiva, disse: “buon giorno”.  Quase ao mesmo tempo, todos olharam para mim e repetiram: “buon giorno”. Entendi logo: aquele local era muito mais que um café; era um pequeno oratório, onde o pessoal do bairro vinha, a cada manhã, cumprir a primeira obrigação diária – cumprimentar a vizinhança.

Conversei um pouco e voltei, lá pela uma, para almoçar. Em viagens longas, sozinho, precisa-se dessa aproximação, quase familiar, que os restaurantes pequenos proporcionam.

Atendeu-me o mesmo “maquinista”, já travestido de garçom, e eu pedi “una pasta”.

Meu italiano é fluente, mas ele não entendeu. Como alguém pede só um prato? Eu disse que queria comer menos, que ia caminhar muito, que a minha sacola (fotográfica) era pesada…

Ele olhou e me recomendou que comprasse um “zaino” (mochila), que è mais cômodo – e ele tinha e tem razão; “além disso, você fica com as mãos livres”, explicitou ele.

Falamos uns minutos. Insistiu que a refeição completa custaria o mesmo que “un piatto de pasta”. Chegamos a um acordo: eu comeria “una insalata, un piatto de spaghetti” e um café. Ou seja, um garçom, barista, bartender – seja lá o que for – italiano dá palpite em fotografia, no que você vai comer, em quanto você vai pagar, possivelmente na política, e, certamente, na mãe dos que a exercem. Fiquei freguês.

Pois, como hoje é o dia do “spaghetti”, lembrei da estória e lembrei também que “spaghetti”, ou “spaghettini” significa, simplesmente, “barbantinhos”, e é diminuitivo de “spago” – barbante, cordinha – que, pela semelhança, é o nome dado ao macarrão que jogamos na panela.

Mas você, estrangeiro, atenção: não peça um “spaghetti a la western”, senão você pode receber um DVD do genial Sergio Leone, morto em 89 e criador de também ótimos “faroeste spaghetti”, como “Un Dollaro Bucato”.

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