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MISSÕES JESUÍTICAS "DE AQUI Y DE ALLÁ"

24 de outubro de 2011 0

A catedral de qualquer redução era a parte mais importante do conjunto. Era construída de pedra e, em geral, pintada de branco (o que, para mim, foi novidade, pois eu nunca havia lido essa referência). Hoje, o que predomina é o marrom avermelhado das pedras (que, com sol, rende ótimas fotos). Em frente a ela, um grande pátio era o lugar dos eventos. Ao redor, ficavam as residências do clero, as casas dos caciques, as oficinas, as salas de aula, a horta e o cemitério.

Em São Miguel Arcanjo, há ainda um museu, projetado por Lúcio Costa (que desenhou o Plano Piloto de Brasília), que tem estátuas de santos feitas pelos guaranis para ornamentar a catedral. É interessante como alguns santos ganharam feições não-européias, com nariz mais achatado e lábios mais grossos. Os jesuítas conheciam bem as formas de agradar.

Interessantes, também, as virgens negras ou os anjos negros, cujas feições se espalharam em todo o domínio jesuítico, ou seja, em toda a América Latina, e com a mesma historinha no México, América Central e até a Patagônia, sempre com duas ou três ingênuas crianças; as rosas ou as frutas que eram levadas se transformavam em esculturas de diferentes virgens, mas com a cor dos nativos.

Quem sabe a visão dos anjos escuros tenha estimulado a criatividade do poeta mexicano Eloy Blanco? Lembram?


“Aúnque la virgen sea blanca,

pintale angelitos negros

que también se van al cielo

todos los negritos buenos.”


Aqui, na nossa redução, é possível entrar em contato com os descendentes dos índios. São cerca de 200 integrantes, que ainda vivem em aldeias e sobrevivem do artesanato que vendem e dos parcos favores estatais.

O principal atrativo de São Miguel das Missões é o conjunto arqueológico – um dia por aí é suficiente, pousando em uma das duas opções de hospedagem disponíveis. As hospedagens são boas, ambas.

Salvo a parte da catedral, a visita ao sítio só tem sentido se você é um expert, um estudioso. De outra forma, não passam de pedras alinhadas ou amontoadas ao nível do solo.

Muitas das reduções jesuíticas fundadas na parte brasileira foram abandonadas e reconstruídas em território argentino. Os habitantes fugiam dos bandeirantes, que ­– conta a história –  atacavam constantemente as cidades. Por isso, peças importantes da sua viagem serão vistas do lado dos hermanos, em Posadas, no distrito de Misiones.

A foto é uma duplicação de um original de Fernando Cavalcanti.

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