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Haloween vem de longe

27 de outubro de 2011 0

Ainda durante a hegemonia de Roma, os invasores adotaram as práticas célticas como se fossem suas. Porém, na medida em que a crença na possessão foi perdendo terreno, o hábito de se vestir como espantalho, fantasma e bruxa foi transformado de uma crença religiosa para apenas mais uma.

A comemoração foi trazida para os Estados Unidos lá por 1840 pelos imigrantes irlandeses. Nessa época, a travessura favorita na Nova Inglaterra, como é chamado o nordeste dos Estados Unidos, era escrever sobre as paredes das casas e retirar as trancas dos portões, virar bancos de praça.

Criou-se o costume do “trick-or-treating” (travessuras-ou-gostosuras: dê-nos coisas gostosas ou faremos travessuras – mais ou menos como um grupo de músicos mambembes do Rio que passam o chapéu nos bares com um cartaz: “Se não der [gorgeta], nóis canta”) parece não ter origem nos célticos, mas sim no “souling”, um costume europeu do Século IX. No dia 2 de novembro, Dia de Todas as Almas ou Dia dos Mortos, os cristãos andavam de vila em vila para ganhar as chamadas “Soul Cakes”, ou tortas feitas com pedaços quadrados de pão e groselha. Quanto mais tortas recebiam, mais orações eles prometiam em memória dos parentes mortos daqueles que doavam as tortas.

Naquela época, acreditava-se que os mortos permaneciam num limbo por um período de tempo após a morte (mais ou menos como no purgatório, criado posteriormente pela Igreja Católica) e que as orações – e doações, principalmente – mesmo de estranhos, acelerariam a passagem do falecido para o céu.

A Abóbora-lanterna, (em inglês, “Jack-o-lantern”), esta sim, tem origem no folclore irlandês. Segundo a estória, um homem chamado Jack, notório beberrão e trapaceiro, vendo o diabo em cima de uma árvore, esculpiu nela a imagem de uma cruz, impedindo-o de descer. Jack fez, então, um acordo com o diabo: se ele nunca o tentasse ou atormentasse, apagaria a cruz, o que o deixaria livre.

Quando Jack morreu, sua entrada no céu foi negada por causa do seu trato com o diabo, e também não lhe foi permitido entrar no inferno por ter enganado o diabo. Este, porém, lhe deu uma vela para iluminar o seu caminho. Então, Jack colocou a vela dentro de uma grande abóbora trabalhada para ficar oca e com buracos para mantê-la acesa por mais tempo e, assim, dar passagem à claridade emitida pela luz da vela.

Na sua terra natal, os irlandeses usavam nabos para fazerem suas Lanternas de Jack, mas, quando nos Estados Unidos, encontraram as abóboras, muito mais bonitas do que os nabos, trocaram, e, até hoje, são o símbolo mais marcante do Halloween.

De lá para cá, alguns cultos e trabalhos satânicos adotaram o Halloween como seu feriado, mas o dia não teve origem em nenhuma prática demoníaca. Ele cresceu a partir dos rituais de celebração do ano novo pelos celtas e pelos europeus na Idade Média. Hoje, o Halloween é apenas o que cada um faz dele.

A você, que leu até aqui, gostando ou não, eu pergunto: que diferença fez se o conto é europeu ou nosso?

Amanhã tem mais.

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