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Naufrágio II

18 de janeiro de 2012 0

Não imagino o que possa ser um passeio em que você entre num edifício de muitos andares, quase 300 metros de comprimento,  moderníssimo,é saudado pelos alto-falantes com um “sinta-se em casa!” e, três horas depois, você está no escuro, numa gritaria enorme, sirenes tocando, o “edifício” adernando, a água chegando, a família dispersa e, num lapso de tempo que lhe sobra, ainda pensa: “eu vim de tão longe para isto?”

Aí você se dá conta, também, que a frase “mulheres e crianças primeiro” – é uma vaga lembrança de um naufrágio ocorrido em 1898, e que foi relembrada exaustivamente no filme Titanic – não está sendo respeitada justamente na Itália, um país de alguns milhares de anos. E, como o socorro não vem, quem sabe você lembre da frase do Benito Mussolini, dizendo: “governare gli italiani non è impossibile, ma è inutile”.

É sabido, nos meios náuticos, que gregos e russos são useiros e vezeiros em abandonarem os passageiros e pegarem o primeiro escaler.

Numa ocasião, eu estava em Brindisi esperando o ferry para ir para a Grécia quando do hotel ouvimos barulho, gritaria, ambulância, bombeiros, etc., e ficamos sabendo exatamente o que escrevi acima: o navio pegara fogo e os primeiros escaleres a chegar na costa estavam repletos de marinheiros gregos.

Tal foi a revolta dos cidadãos que a solução da polícia local foi colocá-los na cadeia e proteger a delegacia.

Em outra ocasião, estávamos no sul da Nova Zelândia quando mais ou menos o mesmo aconteceu. Só soubemos pelo jornal, uma página inteira. Durante o dia, todos falavam do assunto. Na manhã seguinte, nada no jornal. Surpresos, ficamos sabendo que a então União Soviética, que comprava 90% da produção neo-zelandesa de carneiros, entrara no sistema.

O que tem isso a ver com etnia não sei. Acho que não sabemos. E eu, com nome e sobrenome italianos, deveria ser o último a falar sobre isso, mas, se, na Zero Hora, temos todos os dias uma tira escrita pelo meu amigo Iotti esculhambando os italianos e nunca ninguém reclamou, não será comigo que os patrícios vão se aborrecer.

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