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Carta a uma quase londrina

14 de fevereiro de 2012 Comentários desativados

Prezada Priscilla Fabris Ortiz:

Desculpe o atraso. Tuas páginas na Zero Hora (que gostei muito) são de agosto. Escrevi (à mão até hoje) e deixei na gaveta. Fui para o Havaí e quem disse que lembrei na volta… Estava numa profundidade de papéis que lembrei do pré-sal. Mas agora ela veio à tona.

Muito obrigado pelo artigo e pela aula. Sou um dos muitos London lovers, mas raramente leio artigos sobre a cidade. Não por preconceito. É que, quase sempre, são de gente extasiada pela metrópole, mas que ali permanecem por pouco tempo, e isso os leva a comentar os pontos clássicos, que perdem o interesse quando se fica mais tempo (cinco anos, como no teu caso, um pouco mais de dois, no meu, sendo que uma parte desse tempo foi no continente).

A agência em que trabalhava, em cima da Baker Street Station (lembras? Onde está o Lost Property), me mandava, com frequência, para a Europa pela facilidade com os idiomas. E eu ia muito contente, pois as diárias extras me permitiam algumas extravagâncias

A verdade é que as tuas páginas me fizeram lembrar a London que eu gosto, e estou até pensando em passar um tempo maior por ali. Aliás, preciso, pois, dos meus anos na swinging London, não me lembro de muita coisa – de um restô que valesse a pena, por exemplo. Era o tempo do fish and ship e kidney pies (e mesmo os mais estrelados, aos quais fui em algumas ocasiões – o resultado final não era melhor). Hoje me dizem que mudou muito.

Sei que há bairros totalmente novos. De Greenwich e da London Eye não tenho a menor idéia. Greenwich nem tube tinha, e ninguém ia lá. Eu fui, não tanto pelo museu, mas porque ali estava o Cutty Sark em seco e sua exposição de carrancas. Gosto delas até hoje, e as melhores que já vi estão no seu porão –  que, no passado, era usado para transportar cargas leves e completas (chá, por exemplo) e era mais rápido com seu velame do que os cargueiros a motor. Isso lá por 1930.

Ao seu lado, o Gipsy Moth IV, do Mr. Chichester, que deu a volta ao mundo em solitário aos 65 anos de idade.

Abraços e obrigado. Essas são apenas algumas das lembranças que avivaste. Uma hora dessas, vou até lá (sem olimpíadas, claro). Promisses, promisses – como dizia a peça de teatro, também da época.

Até breve.

Flavio.

Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=6104

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