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Mais deserto da Mauritânia

16 de fevereiro de 2012 0

Rodávamos pelo antigo Saara Espanhol (eles odeiam o nome), e, bem antes do ponto onde pretendíamos cruzar para a capital, Zouerate (é mais ou menos assim que se escreve), começamos a ver uma enorme muralha de areia – na realidade, um morro de uns 6 ou 7 metros de altura de areião, estabelecendo uma nova fronteira (imaginária, por enquanto) feita pela atuante Frente Polisário, ou pelos seus inimigos, não sei – nos acompanhava por mais de 300 km.

A dita muralha é trafegável, por cima, de 4 x 4 e acompanha a boa estrada asfaltada por centenas de quilômetros – para nós, uma maluquice.

Nascidos no Brasil, nunca vamos entender a atitude: eles se matam por 1 km² de deserto árido, sem ninguém e sem nenhuma vegetação – literalmente, nenhuma; às vezes, algum oásis, e só.

Bem, mesmo assim, já comentei aqui que gosto de desertos. Com a iluminação da tarde, melhor ainda: formam contrastes avermelhados com sombras bem escuras. Belíssimo.

Claro que há desertos mais ou menos bonitos. Quando se lê alguma coisa do Lawrence da Arábia, seguidamente tem algo sobre o seu preferido, o Wadi Rum (que não é no Saara), com areia fina e rochas avermelhadas. Areia fina é mais coisa de Hollywood – só 7% do Saara tem aquela areia – e encontra uma duna daquelas subindo e o sol se pondo. É como acertar uma mega sena. O Saara é quase todo um areião duro, grosso e pedregoso. Mesmo assim, gosto muito.

Quando alguém contesta, lembro que tem gente que gosta de quiabo, gosta de nabo e até de kidney pie ou roth shark, etc. – coisas que odeio.

Há uma versão entre os meus amigos que, em vidas passadas, eu teria sido um beduíno sem tenda.

Voltando à viagem, não conseguimos chegar à capital da Mauritânia. Nos últimos 400, 500 km, havia as barreiras. Além de documentos e de querer saber o que fazíamos ali, nos faziam descarregar o jipe, revisavam tudo e nós tínhamos que recarregar. Era um saco. Com a operação, perdíamos duas horas. Tentar dizer que estávamos passeando, em férias, ou conhecendo o deserto era totalmente incompreensível para eles. Não existe a idéia de viagem, aventura, fugir da realidade de cada um. Sua vida é uma luta constante, contra condições dificílimas. E, mesmo assim, aqueles km² estéreis são desejados pelos vizinhos, “amigos” ou inimigos.

Se alguém pode entender é o Laerte Martins, descendente de libaneses e, quem sabe, como eu, também um beduíno sem camelo no passado. Hoje, com um carro importado zero, ele so sorry.

Foto: <p><a href=”http://www.freedigitalphotos.net”>Image: FreeDigitalPhotos.net</a></p>

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