Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Rio, confete e serpentina

23 de fevereiro de 2012 0

Sinto-me um pouco constrangido escrevendo sobre uma coisa que conheço pouco. Mas vamos devagar. Não pretendo chegar à profundidade que um Ricardo Cravo Albim consegue mergulhando fundo no samba e seu passado. Nada disso. Mas também não consigo ficar alheio a fadinhas, negas malucas, gladiadores, sacis, pierrots às centenas, justamente no bairro em que eu estava, sem dar um pitaco para o blog/FACE e a minha própria curiosidade.

Estavam ali, na minha frente, sambando por prazer… às 9 da manhã – ou seja, acorda, escova os dentes, um banho, uma barra de cereais e skindum, skindum.

Nisso tem, é claro, os ensinamentos e companhia da prima emprestada, mas que, se ela quiser, assino uma declaração em cartório de que é a preferida. Além disso, sabe tudo de carnaval de rua, de blocos que não têm nada a ver com desfile de avenida.

Os blocos de rua estão resgatando o carnaval. O de avenida é ótimo, mas para ser visto; o de rua é para ser vivido – ou seja, tem carnaval para todos. Como com as novelas, há os que se satisfazem olhando; outros querem participar.

.Voltando à prima Regina, não fosse ela como é, como é que eu iria saber que …”A fulana sempre sai de nega maluca (não é negra nem maluca), há cinco anos, se assumiu como nega maluca por uma semana com sua filha e saem as duas”, disse ela.

“Adoro sair das profundezas, acompanhando blocos e bandas. Cada ano, vou incrementando a fantasia, colocando mais um acessório. Antes, eu só saía no nosso bloco; agora saio em dois ou três por dia. Não fosse porque gosto muito da nega, sairia de borboleta.”

A pergunta era óbvia: “Como é que você aguenta?

“A maratona? Três blocos por dia? O segredo é: dose extra de disciplina, empenho e empolgação; pouco álcool, água de coco e comida leve. Além disso, dormir cedo!”

Dormir cedo? “Sim”, foi a resposta. “Tem blocos que saem às 7h para evitar o engarrafamento de blocos. Ontem, às 7h 30min, eu já estava no Pererecas na Banguela, dissidência do Perereca Desvairada; depois passamos para o Me Atirei no Pau do Gato – tudo na base do isotônico, barras de cereal e água de coco.”

E cervejinha não pode? (Estávamos no bar da Devassa, numa bela esquina arborizada.)

“Pode sim, mas no bloco. Em casa, o negócio é água de coco.” É difícil ouvir uma resposta assim de alguém vestida de nega maluca, mesmo sabendo que a nega é advogada e, com o marido e a filha, toca um escritório de advocacia.

Foram tantas as perguntas que, à tardinha, quando chegamos em casa, a Regina colocou nas minhas mãos um livro do Sérgio Cabral, de edição antiga, 1974, que esmiúça a história do primeiro bloco: o Deixa Falar, de 1928 – a raiz de todas as agremiações que estavam por vir. Depois, numa feliz ideia do Mario Filho, irmão do Nelson Rodrigues, para suprir a falta de assuntos do futebol, inventou a competição. E assim foi indo. Muitas negas malucas, vedetes, sambistas e bicheiros depois, chegamos à Sapucaí atual.

Bookmark and Share

Envie seu Comentário