
Quando voltei do Rio, a cavalgada já havia passado. As pessoas ainda a criticavam. Pois sugiro que, antes de fazê-lo, procurem conhecer um pouco mais da história do RS e a importância do cavalo no nosso desenvolvimento.
Quem assina o que leio agora é Elva Verlang Kramer: “Todos os anos, quando começa o verão, fala-se na cavalgada, e, quase sempre, mal ouço que é por amor aos animais, para protegê-los do esforço ao sol, etc.”
Cada um pode ser contra ou a favor, gostar de cavalos ou detestá-los, mas achar que 200 km em piso macio e no plano é um grande esforço para o animal é um total desconhecimento do assunto. Acho até que um bando de pôneis o faria.
Nunca ouvi nada contra os Cavaleiros da Paz, que saem por aí no inverno ou no verão; para eles e cavalos se proporem a andar de 3000 ou 4000 km é normal. Eu mesmo os encontrei uma vez entre São Luiz e Mendoza e os acompanhei (de motorhome) até a fronteira do Chile. Foi ótimo, passeávamos durante o dia e nos encontrávamos para a festança da noite, pois sempre eram recebidos por uma agremiação local. É bom lembrar que nós, motorizados, fazíamos por hora o que eles faziam por dia: mais ou menos 50 km. O que me pareceu (opinião de um leigo) foi que os animais iam bem, obrigado.
Vida muito pior têm os que puxam carroças em Porto Alegre – esquálidos, com os ossos à mostra, chicoteados quando empacam.
Quem sabe, existam outras razões, mas essa do esforço extraordinário por fazerem 200 km em vários dias com água fresca e comida equilibrada é de uma pobreza que dá dó.
Se você der uma marcha ré nestas postagens, vai encontrar um relato sobre dois cavalos chamados Gato e Mancha, criados na fazenda do Dr. Solanet, acho que na Patagônia, que, com um médico suíço de nome complicado no lombo, foram até Nova York. Foram aclamados na Quinta Avenida, que parou para recebê-los. Isso mesmo, Nova York parou para recebê-los com confete, papel picado, etc., que é como são recebidos os heróis lá. Mais ou menos como fazemos aqui com os ministros defenestrados por patifarias, peculatos, etc. Não ficaram por lá (os cavalos) nem foram soltos em algum corredor, voltaram embarcados para, até o fim de suas vidas, ficarem se alimentando da mesma relva de onde nasceram: na fazenda do seu criador, o Dr. Solanet.
Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1275127