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Palestra para idosos

28 de março de 2012 0

Dentro de alguns dias, vou fazer uma palestra para idosos. Só o que sei é que é na PUC, às 14 h do próximo dia 30, às 14 horas.

Claro que não concordo com o termo do título, muito menos com “melhor idade”, etc. Só quem jogou a juventude fora pode concordar com uma asneira dessas.

Também não sei se eles querem ouvir alguém que pensa assim. Sugeri ao Henry Shazam que encontrasse outra pessoa, mas ele insistiu… e como é que vou dizer não a alguém que, só pronunciando o seu sobrenome, transforma o Clark Kent em Super-homem?

Bem, sou obrigado a confessar que, em parte, ele tem razão: tenho quilometragem. O destino tem me levado a muitos lugares. Se aprendi alguma coisa? Tenho minhas dúvidas. O que tenho procurado é viver com intensidade cada hora, cada dia, independentemente do lugar onde estou. É uma mania de viajante, de viajante convicto. Cada cidade que conheço me acrescenta seus anos de glória. Cada civilização com que tenho contato me dá a oportunidade de alcançar épocas que o limite da nossa existência jamais permitiria.

Já comemorei aniversários dançando com francesas e bebendo com os ingleses. Assim, fiz tantos amigos que, a cada aniversário, feita a matemática, e, com as comunicações atuais, perto de mim, Matusalém seria apenas um adolescente.

Não é difícil viajar depois de velho. Difícil mesmo é envelhecer sem viajar. Conheço muitos cidadãos cujos avós frequentaram as poltronas do Studio e, hoje, nos acompanhamos mutuamente no Facebook e no Blog. Nem por isso passei a me sentir senil. Outros, com a metade dos meus anos, são anciãos, e os limites dos seus sonhos já expiraram. Hoje só são estimulados pelas telas de suas TVs e pelo choro de seus netos.

Não sei a idade de vocês, mas quero lhes dizer que, quando nos deram a vida, nos deram também um mundo inteiro para explorar. Aceitem, pois, uma sugestão deste peregrino: entre na sua agência de viagem preferida e escolha aonde quer ir e o que puder pagar em 10 vezes.

É curioso que muitos não percebam essa dádiva. Estes sim, têm muita idade e sua única chance de rejuvenescer é repassar aquele pacote de fotos que mofa nas gavetas. É no mundo que está tudo o que de fato necessitamos: a vida, o conhecimento, os amigos, as grandes paixões e as descobertas. Aqueles que optam por conhecer o mundo não têm idade. Sim, eles transformam sua fugaz existência em momentos de intensidade, e é como se tivessem vivido desde sempre e para sempre. Não deixe de viajar por medo. Que você vai morrer é certo. Portanto, que diferença faz se for aqui ou alhures?

“Não é difícil viajar depois de velho. Difícil mesmo é envelhecer sem viajar.”

Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=859285.

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