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Posts de março 2012

Boa viagem, Chico Anysio

30 de março de 2012 0

Outro dia, lendo a Zero Hora, vi um pequeno texto do Chico Anysio. Diz ele: “O humor é irmão da poesia, o humor é quem denuncia. Eu não tenho a possibilidade de consertar nada, mas eu tenho a obrigação de consertar tudo, porque esta é a obrigação primeira do humorista. O humor é tudo, até engraçado”.

Eu, Flavio, declaro que não sei fazer humor, mas assumi o pensamento do Chico Anysio quanto a informações. Acho que não devemos ser omissos sobre coisas que vemos, e penso que, com pouco esforço e custo, facilitariam ou melhorariam o nosso dia a dia. Só depende de nós.

Há muita coisa que se vê viajando, que pode melhorar nossa cidade. Mas não adianta lembrar delas de vez em quando ou contar para os amigos depois do segundo chope. Por exemplo, uma infinidade de cidades europeias antigas quase sempre são cortadas por rios e canais – aliás, a Europa inteira o é. Em que pese a boa educação da maioria das pessoas, sempre aparecem flutuando garrafas PET, algum saco plástico ou copos… Muitas delas, quando tem correnteza, são barradas pelas telas mandadas colocar pelos “burgomestres” – telas de ferro, telas dessas que vejo nos grandes ferros velhos da Assis Brasil e que retêm as sujeiras maiores, posteriormente limpas por alguém. Claro que passam papéis e folhas, mas, no nosso caso, não passariam pneus, sofás e restos de prateleiras. Não sendo o Dilúvio navegável, é claro que os barcos coletores de lixo também não passariam – assim como não passarão gondoleiros cantando “Porto Alegre é demais”. Mas não custa sonhar.

Se funcionaria ou não aqui, o Fortunati e seus técnicos é que vão dizer, mas, quem sabe, valha a pena tentar. É sabido que as aves que aqui gorjeiam nem sempre gorjeiam como lá, mas….

P.S. A ilustração que usei provavelmente é de gente que já está à espera dos gondoleiros que falei. Afinal, os taludes foram feitos, estão bonitos e definitivos, mas seria bom agirmos logo quanto aos novos residentes.

Adeus, Chico Anysio.

Viajando por Viajar

29 de março de 2012 0

Viajando por Viajar é um título, mas também… carregar malas, esperar em rodoviárias, estações de trem ou aeroportos é apenas o início de um longo caminho que enfrentaremos pelo resto da vida. Não há dificuldades que nos façam parar – a mim e a todos que já começaram. Passa a ser o nosso carma, a nossa sina.

Falo por mim. Já tenho planos para a próxima década. Quando os anos pesarem, continuarei, mas, em vez de levar minhas câmeras a mambembear, irei a uma só cidade, um apart hotel, “bien placé” e próximo a uma cardioclínica. Não quero fugir da realidade, mas reafirmo que encaro a vida por largura e não por comprimento.

Viajar é e sempre será um prazer. Muda a arquitetura, mudam os templos, mudam os sabores, as lojas e os trajes.

Tudo isso atrai. Até mesmo Portugal, que contraria tudo o que estou dizendo, é um bom destino. Lá o idioma é semelhante, a arquitetura é semelhante, a comida é semelhante, mas paga-se em euros – mau negócio, mas o que fazer? É ir ou não ir.

Em outros lugares, o idioma que se fala nem sempre é compreendido. O alfabeto que se utiliza numa margem do rio não é sempre o mesmo do lado oposto. Até o tempo é outro: o calendário que orienta a vida do povoado em que estamos frequentemente difere do que é utilizado pela aldeia próxima. Às vezes, nem o Natal existe, o início do ano tem outra data e até o ano tem outra conta.

No Nepal, por exemplo, os jornais vêm com duas datas, e com centenas de anos de diferença, mas, bem-humorados, os nepaleses comemoram os feriados em ambos.

Viajar nos faz ver e sentir, ao mesmo tempo, os fascínios do mundo. Em um hemisfério, jardins com flores; no outro, os galhos já estão secos pelo outono e os nossos passos ficam marcados na neve.

E o prazer e o mistério de viajar são nossas próprias convicções apresentadas às dos outros e com elas confrontadas – a oportunidade de aprender e de ensinar, sobretudo, a chance de se aprender, conviver e se divertir com gente diferente.

Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=254303

Palestra para idosos

28 de março de 2012 0

Dentro de alguns dias, vou fazer uma palestra para idosos. Só o que sei é que é na PUC, às 14 h do próximo dia 30, às 14 horas.

Claro que não concordo com o termo do título, muito menos com “melhor idade”, etc. Só quem jogou a juventude fora pode concordar com uma asneira dessas.

Também não sei se eles querem ouvir alguém que pensa assim. Sugeri ao Henry Shazam que encontrasse outra pessoa, mas ele insistiu… e como é que vou dizer não a alguém que, só pronunciando o seu sobrenome, transforma o Clark Kent em Super-homem?

Bem, sou obrigado a confessar que, em parte, ele tem razão: tenho quilometragem. O destino tem me levado a muitos lugares. Se aprendi alguma coisa? Tenho minhas dúvidas. O que tenho procurado é viver com intensidade cada hora, cada dia, independentemente do lugar onde estou. É uma mania de viajante, de viajante convicto. Cada cidade que conheço me acrescenta seus anos de glória. Cada civilização com que tenho contato me dá a oportunidade de alcançar épocas que o limite da nossa existência jamais permitiria.

Já comemorei aniversários dançando com francesas e bebendo com os ingleses. Assim, fiz tantos amigos que, a cada aniversário, feita a matemática, e, com as comunicações atuais, perto de mim, Matusalém seria apenas um adolescente.

Não é difícil viajar depois de velho. Difícil mesmo é envelhecer sem viajar. Conheço muitos cidadãos cujos avós frequentaram as poltronas do Studio e, hoje, nos acompanhamos mutuamente no Facebook e no Blog. Nem por isso passei a me sentir senil. Outros, com a metade dos meus anos, são anciãos, e os limites dos seus sonhos já expiraram. Hoje só são estimulados pelas telas de suas TVs e pelo choro de seus netos.

Não sei a idade de vocês, mas quero lhes dizer que, quando nos deram a vida, nos deram também um mundo inteiro para explorar. Aceitem, pois, uma sugestão deste peregrino: entre na sua agência de viagem preferida e escolha aonde quer ir e o que puder pagar em 10 vezes.

É curioso que muitos não percebam essa dádiva. Estes sim, têm muita idade e sua única chance de rejuvenescer é repassar aquele pacote de fotos que mofa nas gavetas. É no mundo que está tudo o que de fato necessitamos: a vida, o conhecimento, os amigos, as grandes paixões e as descobertas. Aqueles que optam por conhecer o mundo não têm idade. Sim, eles transformam sua fugaz existência em momentos de intensidade, e é como se tivessem vivido desde sempre e para sempre. Não deixe de viajar por medo. Que você vai morrer é certo. Portanto, que diferença faz se for aqui ou alhures?

“Não é difícil viajar depois de velho. Difícil mesmo é envelhecer sem viajar.”

Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=859285.

Júlio Verne, 100 anos

27 de março de 2012 0

Há aproximadamente 100 anos, morria o escritor Júlio Verne, que tinha fascínio por novas paisagens e novas culturas.

Era uma época de grande entusiasmo: de um lado, descobertas científicas que previam para breve grandes navegações e transportes até mesmo pelo ar – aceita-se a euforia; o 14-bis recém havia feito seu primeiro vôo. De outro, relatos de bravos navegadores faziam brilhar os olhos dos que seriam os primeiros “cidadãos do mundo”.

Até então, as viagens eram penosas e os mistérios dos “exóticos países” chegavam aos europeus em forma de relatos fantásticos. Em meio a tanta efervescência, a Júlio Verne ocorreu levar à população conhecimentos geográficos – e até científicos – através da literatura.

Foram dezenas de livros que mudaram a forma de ver o mundo.

O espírito de viajante começou cedo na vida do escritor. Aos onze anos, o menino nascido em Nantes (na França), fugiu de casa e embarcou às escondidas em um navio. A viagem foi abreviada pelo pai, que o resgatou na primeira parada, mas o espírito de Júlio Verne já estava imbuído da vontade de conhecer novos mundos.

Mas engana-se quem pensa que o escritor foi um grande viajante: a maior parte de seus dias, Verne passou em torno de mapas e ouvindo relatos de viajantes, lendo pela manhã e escrevendo à tarde.

Seu primeiro sucesso foi Cinco Semanas em Balão, que narrava uma aventura sobre o misterioso continente africano, no qual ele jamais pôs os pés.


Depois veio A Volta ao Mundo em 80 dias. O ponto de partida é a nebulosa Londres, com paradas em Bombaim, Calcutá, Hong Kong, Nova York e outros. Mesmo sabendo que, com um balão ao sabor dos ventos, os pousos não são tão precisos, o leitor não consegue deixar de torcer para que o excêntrico Phileas Fogg complete a viagem e ganhe a aposta.

Acho que a sua obra menos conhecida deve ser A Jangada, que se passa na Amazônia e é um detalhado relato sobre a fauna e a flora da região. Há ainda outra obra que gosto muito, que relata uma Viagem ao Centro da Terra, onde o Dr. Lidenbrock, seu sobrinho Axel e o guia finlandês Hans partem para a Islândia – nome que inventaram para “Iceland”, a terra do gelo, a fim de descobrir animais estranhos habitando as entranhas da terra. Ironicamente, colocou o portal de entrada deste mundo subterrâneo sob uma gigantesca geleira, a maior da Europa.

Foi um visionário do turismo de aventura, tão em moda hoje.

Quando a Oceania ainda nem havia sido devidamente identificada, uma citação atribuída ao escritor francês Claude Roy  já quantificava a influência  que esse guia de viagem imaginário teria sobre várias gerações de leitores: “O mundo possui seis continentes: Europa, África, Ásia, América , Australásia e Júlio Verne”.

Pois, blogueiros e FACEiros: nada a acrescentar. Só que eu estive no lugar onde seria a hipotética passagem para o centro da Terra. É sob uma geleira de nome complicado – e botem complicado nisso! Lembram-se do vulcão cujas cinzas transtornaram a Europa? Pois bem, eu já esqueci o nome, mas o tio Google, com certeza, lembra.

Foto: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=10268

Prêmio Capacete de Ouro II

26 de março de 2012 0

Estávamos no Via Funchal, num animado papo de ex-pilotos, mecânicos, chefes de equipe, engenheiros da Pirelli, etc. Quando começou o movimento no palco, mudaram as luzes, diminuiu o volume da música, olhamos para trás, surpresos, e vimos que estavam lotados os 800 lugares. E nós iluminados, as imagens sendo projetadas em enormes telões, ao mesmo tempo que se ouviam histórias dos pilotos que ali estavam em carne e osso e com  nossos “feitos” projetados – todos nós com caras juvenis.

Fomos os mais aplaudidos – provavelmente pelos cabelos brancos e carecas brilhantes e não pelos ditos “feitos” – e, entre os que aplaudiam, estavam Barichello, Massa, Tony Kanaan e outros pilotos da Indy que fizeram sua história na América.

Não quero dizer que o Capacete de Ouro tenha sido um programa de idosos – não, não foi. Também não foi um encontro de idosos de programa, já que todos os campeões do ano ali receberam suas premiações. E assim, nesse clima de saudade e euforia, começamos a ser chamados.

O que deixou claro que o tempo havia passado foi que, numa das entregas, o agraciado era um garoto de pouco mais de um metro, e 8 anos, que, segundo me dizem, é o furor na sua categoria no kart. Claro que aquele garoto, impecavelmente vestido, foi uma surpresa, e, mesmo sem estar no script, o mestre de cerimônias fez-lhe algumas perguntas tipo idade, etc., e “quando você andou de kart pela primeira vez?”. E o garoto pensou um pouco e  disse: “Quando eu tinha dois anos. Meu pai me tirou do carrinho e me colocou num kart que tinha comprado para mim; foi uma surpresa, eu não sabia bem o que era, mas ele insistiu”. E o seu nome, primeiro nome? Kimi.

O que ouvi me fez pensar em como as coisas mudaram. No passado, alguns corriam com pseudônimos; hoje, pais como o do Kimi (de Raykonnen) já têm um kart pronto e de motor aquecido à espera de que o garoto faça dois anos. Portanto, preparem-se, jovens, para correr atrás dele no futuro.

A reunião, com boa bebida e comida, foi até mais ou menos meia-noite. Sem tráfego, chegamos rápido à Granja Viana.

Na manhã seguinte, no café da manhã, só quatro pessoas e a Nina, uma Border Collie, sentadinha na cadeira, como cachorra educada que é. Eu, com a cabeça ainda zonza da noite anterior, do barulho da festa e de taças a mais… A Luíza botou tanta coisa na mesa que só o que pensei foi: e quando forem para a Lomba do Asseio?

Obrigado, Bird.

Obrigado, Luíza.

Obrigado, Pirelli.

Obrigado, Fiat.

Quando vocês vierem a Porto Alegre, para igualar, só convidando o Adriá – que está de férias, pois fechou o El Bully (que era o nome do seu cachorro) – para cozinhar para vocês.

Efeito Brasil

22 de março de 2012 0

Na terça-feira, vi no noticiário da TV Record umas considerações sobre turismo sexual no Brasil, com estudos da personalidade dos turistas, de que país eles vêm, quem os traz, etc., que as operadoras são proibidas de operar no Brasil, etc., etc. Nada foi dito que quem começou com isso foi a própria Embratur, publicando fotos de moças que, provavelmente, eram dentistas, pois usavam fio dental.

E tudo isso foi passando, até que, um dia, estávamos na Itália para uma boa temporada. A desculpa também era boa: um curso de especialização da advogada, Dra. Eliana. A hospedagem era ótima (com garagem, o que, na Toscana, é uma coisa extraordinária). O prédio, um convento de 1700 e qualquer coisa, a mais ou menos 400 metros da Ponte Vecchio. A cidade-base não podia ser melhor: Firenze – ou Florença, se você quiser. Conseguimos graças aos sentimentos ultra religiosos da minha mãe, que era contra o aborto, a viadagem e o divórcio ( com exceção dos três do Alemão Octavio – o Octavio podia… vai entender as carolas…).

Para contrabalançar, tive um pai, agnóstico. Deu no que deu: mais um agnóstico – darwiniano, para não deixar dúvidas. Acho que não preciso dizer mais nada.

Mas, um belo dia, a cidade, as estradas, toda a Toscana e, provavelmente, toda a bela Itália, amanhecem com o outdoor que você está vendo. A foto foi publicada na época pelo Fernando Albrecht. Voltei a encontrá-la limpando gavetas, é claro. Mas, como na nossa cabeça ainda estão as imagens do carnaval, parei e fiquei olhando. Será que as bundas brasileiras são tão famosas a ponto de ressaltarem o efeito Brasil?

Nada contra as bundas brasileiras ou estrangeiras – brancas, pretas, as de pele vermelha ou amarela –, mas que tenham virado distintivo, bandeira, representatividade? Sei lá, mas bem melhor que uma bola de futebol e bem maior também. Veja as mulheres jaca, melão, melancia, e agora a da Valeska Poposuda.

Mas não culpem os brasileiros e brasileiras. Quem começou a história foi a propaganda oficial: a Embratur que, levado ao pé da letra, deve ficar curioso. Mas será que o nosso país deve ser representado por um traseiro. E se queixam que os estrangeiros vêm por sexo?  

Prêmio Capacete de Ouro

21 de março de 2012 0

O evento e o prêmio foram na terceira semana de dezembro, ainda no ano passado. Por que só relato isso agora? Bem, quando voltei ao nosso Porto, só se falava em Natal e no Papai Noel. Para ter a atenção de FACEiros e blogueiros, só se falasse do Santa Klaus. E, mesmo assim, seria inútil: com a minha barbinha, jamais poderia competir com a belíssima barba branca que os ilustradores da Coca-Cola desenharam. Além disso, ele tem renas – e voadoras – e eu, só um Volks, e já usado. Portanto, resolvi protelar, não disputar leitores com o Bom Velhinho. Bom é o termo que usamos, mas… e se forem verdadeiras aquelas estórias dele com as renas?

Rascunhei isto ainda no avião, mas, convenhamos, dezembro, fim do ano, não é bem uma data para escrever. É para festejar. Escrever é uma atitude solitária, e dezembro é mês de confraternizações, abraços, festas e brindes.

O dia era dezessete, e eu voltando aos pagos. Há muito tempo não ia a São Paulo. Para falar a verdade, até ia, mas só usava o aeroporto de Congonhas, cuja sinalização é das piores –  sempre me atrapalho, nunca sei para que lado ir. Se fosse no Oriente Médio ou na China, tudo bem, mas aqui e no meu idioma? Quem sabe em 2012 melhore….

O convite para o Capacete de Ouro, o maior evento de premiação automobilística do Brasil, me tocou profundamente. A escuderia Vemag foi para a pista pela primeira vez em 1960, e eu estava entre o primeiro grupo, mas nunca me dei conta que 50 anos haviam passado. Na minha cabeça, cinco décadas era algo remoto, algo que deveria vir envolto em uma bruma. Corríamos, na época, pelo prazer do momento, pela injeção de adrenalina, não para fazer história. E, agora, eu estava indo para reconstituir alguma coisa, ressuscitar uma época distante – e, quem sabe, até, ter que reinventar detalhes esquecidos em alguma entrevista.

Enquanto esperava o embarque, via tudo com uma certa  incredulidade: 50 anos. Seriam mesmo 50 anos? Fiz a conta mais de uma vez. Ia como em busca de um passado, mas um passado que estava sendo passado de trás para frente, rápido como uma flecha, me levava – e já com data e hora marcadas, Limosine, luzes, hospedagem com minha maior referência em pilotagem: o Bird Clemente. Tudo muito irreal. Cinquenta anos haviam se passado – cinquenta estimulantes anos, sem dúvida.

Não sou aferrado ao passado, não tenho nem taças nem um só troféu nas paredes (foram todos doados, e bem doados, a mecânicos, patrocinadores, colaboradores, companheiras do momento). Não me arrependo. Até hoje, insisto: meu tempo é  agora.

Sem bagagem, saímos rápido. Lá estavam Bird e Luíza, à nossa espera. E foram 24 horas de abraços, papos, reencontros, telefonemas, saudades e lágrimas… por pilotos e chefes de equipe que foram na frente – como faziam antes em pistas novas – para um reconhecimento do terreno. Um deles, Jorge Lettry, como tributo, mereceria mais: filmes, livros, feriado nacional e estátuas em todos os autódromos do país.

Tudo foi muito rápid e confuso.

Na noite seguinte, no horário marcado, entramos no Via Funchal entre abraços, comentários, gozações. Alguns de nós não nos víamos há 45 anos.

Enquanto isso, os convidados iam chegando, nos telões sempre projeções de corridas, sons de competições, fotos nossas e convidados ilustres. Ao nosso lado, Massa, Barichello, Kanaan, mais alguns da Indy que não sei o nome, gente que fez a sua história lá fora. Seninha e Hélio Castro Neves mandaram vídeos, que foram projetados.

Estávamos próximos ao palco quando pediram silêncio. Só então, olhei para trás: 800 convidados sentados para a janta que seria servida. Dei razão aos que dizem que São Paulo é “outra coisa”.

Tive orgulho. Me senti vivo, ativo e atento para encarar o momento. Confesso que me fez bem. (Segue)

Encontro de Xicos

20 de março de 2012 0

Um com x, um com ch. O primeiro foi autor de obras desejadas por muitos e que, há uns seis meses, alcançaram bons preços num leilão da Christie’s, em Nova York.

O Chico com ch, que assina o livro Stockinger, Vida e Obra, onde reuniu o que pôde da obra do Xico, é o José Francisco Alvres, Chico, para os amigos. Mostra, descreve e relata a sua admiração pelo Xico escultor. Não vi todas as fotos, mas as provas que vi são excelentes. Vê-las me deu uma grande saudade do amigo, vizinho e companheiro de viagem. Com visitas quase diárias ao seu ateliê (a 150 metros da minha casa), vi quase todas as obras em alguma fase de execução, e algumas até na caixa para expedição, pois o Xico fazia tudo mesmo.

Ver os guerreiros deitados num caixão ainda sem tampa era até um pouco solene, como um viking deitado, descansando, à espera de sua próxima batalha – que, no caso, seria também a primeira.

Enquanto elas aguardavam comprador, transporte ou alguma exposição, eram silenciosas testemunhas dos nossos embates no snooker (na sala ao lado). Ali, se reuniam, Xico, o grande campeão Sérgio Faracco, o escultor Tenius, Carlos Tenius, o Luiz Barth, também da área artística, o Egon Kröeff, e este escriba e convidados diversos. Com certeza, nos reencontraremos no dia 22. A obra do Xico transcende a arte. Era amigo de todos e, quando nos reencontramos, o assunto não é a sua arte, mas a sua pessoa. Será no Museu de Arte, às 19 horas.

Obrigado, Xico com x por produzi-las. Obrigado, Chico com ch por perpetuá-las num livro.

Dia 17, São Patrício

16 de março de 2012 0

Não sabemos onde vamos estar no dia 17 – aliás, nem sabemos se vamos estar. Também não sabemos se Porto Alegre vai comemorar. Deveríamos. Afinal, temos vários bares de inspiração irlandesa: Shamrock, Multigan, Dublin, entre outros.

Os irlandeses são reconhecidos como os melhores bartenders do mundo, e dia 17 é o seu dia, o dia do seu santo: Saint Patrick.

Pois é, os irlandeses são assim: se matam a pau, bombas explodem, atentados acontecem, mas o dia do Santo é sagrado. Ou seja, não somos a exceção – pecamos, ou podemos pecar, seis dias por semana, nos confessamos no sétimo e reiniciamos tudo na segunda-feira… mesmo sem carnaval.

Na sua Irlanda querida, o país todo comemora; ruas inteiras fecham e garrafas de cerveja se abrem – inclusive a que simboliza o país: a Guinness. As cortinas fechadas cedem lugar a pessoas fantasiadas com as cores principais – o verde e o laranja.

Não sou um tomador de cerveja, mas reconheço: os primeiros ¾ de copo são extraordinários. É bem possível que vocês associem o nome à Igreja de Nova York. Com razão. Foram os Irish que a construíram e, por algum tempo, foi a construção mais alta da cidade. Quem diria que aquela igreja espremida no centro de Manhattan já foi o prédio mais alto da ilha?

Cheers!

Foto: http://notredamegoirish.blogspot.com.br/2012/01/nd-band-dublins-st-patricks-day-parade.html

Abraços

16 de março de 2012 0

A solução foi reproduzir o cartazete. É que é difícil expressar em palavras o meu muito obrigado a tanta gente e o bem que me faz o contato com vocês.

Recebi mais parabéns do dia 27 do que em todos os meus aniversários juntos. 645 é muita gente. Queria abraçá-los a todos, mas ia ser difícil, quase impossível. Portanto, a todos os 645: sintam-se abraçados.

Obrigado.

Flavio.