Visitar a Russia hoje ainda é mais complicado que outros países. Os reflexos de regimes de opressão demoram a espairecer. Quem já foi pessoalmente a um consulado russo ou cubano deve lembrar.
Devo reconhecer que muita coisa deve ter mudado por lá. Os preços, sem dúvida. Me dizem que Moscou é uma cidade caríssima. É oportuno também dizer que tentei ir vê-la com a placa “sob nova direção” para saber como está, como ficou.
Um dia hospedado com amigos em Oslo, e na janta me perguntam: queres ir a San Petersburg? Ora, claro que queria. Nas vezes que estive lá ainda era Leningrado ( a cidade de Lenin). Fim de temporada, o inverno chegando e os jornais anunciavam uma oferta de três dias e duas noites na cidade, mas dormiríamos no barco. Ótimo, se não fosse a demora estatal: 15 dias úteis para o visto. No dia seguinte, fui pessoalmente com passaporte da comunidade européia. Pedi se tinham taxa de urgência, como em muitos consulados. Paga-se uma taxa e recebe-se o visto em menos tempo. Nada feito. Não entendi tudo que a ex-camarada falou, mas com certeza não foi nada bom.
Devido a isso, perdi a chance de rever a bela cidade. Seus edifícios, as agulhas sobre as cúpulas douradas, o rio e as belas pontes, o palácio de inverno, hoje Hermitagem, de onde Catarina, a Grande teria gritado aos famintos do “ancien regime” que imploravam por pão....que comessem brioche!
Não creio que alguém chegasse a esse ponto, mas temos visto cada coisa de quem está no poder, que , quem sabe seja verdade e quem sabe o barco que não viajei, ancorasse no cais central, perto do encouraçado Aurora, que disparou o 1º tiro que em código deflagrou a revolução de 1917.



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