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Deu no jornal

26 de junho de 2012 0

Li no Fernando Albrecht, leitura que recomendo ( Jornal do Comércio) que o vereador João Dib está dando adeus às armas. Palavras do Fernando; para falar a verdade o próprio já  me havia dito, mas eu nunca acreditei; é uma pena que encerre sua vida pública. Engenheiro, ex-secretário municipal em várias legislaturas e além de ex-prefeito, na semana passada, já se despedindo Dib prestou uma homenagem àquele que considera o maior prefeito que Porto Alegre já teve, Loureiro da Silva que em 1940 já falava na necessidade de um metrô para a  Capital e em 1959, criou o Plano Diretor que já previa as atuais perimetrais.

O João ou  melhor, engenheiro João é meu conterrâneo e morava quase em frente ao colégio onde estudávamos. Seu irmão mais moço, Jorge Dib ou melhor, Kalil Dib Jorge Neto, como constava na chamada e eu. Foi na sua casa que aprendi a comer e gostar de comida árabe. Libanesa para falar a verdade. Existe uma grande diferença  entre as duas. Nossa amizade  portanto é antiga, o que fazia que eu não tivesse que procurar em quem votar. Que tranquilidade,  era automático.  Aliás, nem sei de que partido ele é. Aliás, existem  ainda partidos? Ideologias ? Depois do fraterno aperto de mãos entre os figadais inimigos, acho que não. Se alguém ganhou com isso, foi que nem presente estava: a Erundina.  Vejo o vereador Dib muito pouco, mas lembro da única vez que pedi uma audiência. Eu estava fazendo o Studio ( que nunca foi Del Mese, mas acabou sendo). Hoje é o  Studio Clio. Estava tudo legal. Até porque não mexi na parte externa. Mas às vezes passava lá um fiscal insinuando que iria embargar, etc., que faltava a placa, etc. Não faltava; era do Rolfo Jurg que fez tudo sem cobrar um centavo. Sabendo aonde ele queria chegar...e não concordando, acabei pedindo para falar com o Dr. João que era secretário de ??? De alguma coisa. Hora marcada eu e umas vinte ou trinta pessoas o aguardávamos; as pessoas iam entrando uma a uma. Quando se  abre a porta, surge o vereador em seu andador. Vinha visivelmente em minha direção, mas continuei sentado até ele estar a uns três metros. Eu nunca o tinha visto após o tiro que quase o matou. Nos abraçamos e ambos começamos a chorar. Entramos no gabinete, lágrimas enxugadas  e ele contou o  porquê da emoção. Disse: Flavio, sempre fui um dos vereadores mais votados da cidade. Tive  tantos mil votos, mas fiquei seis meses num hospital em Londres e a única carta que chegou foi a tua ( o fiscal nunca mais foi visto).



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