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Dalai Lama - continuação

28 de junho de 2012 0

Eramos um pequeno grupo, não mais de 10 pessoas convidadas  para um encontro com o Dalai Lama; conhecidos, o ex-físico e atualmente monge Aveline e o professor Cosmelli. No Plazinha às 5 da manhã. Já eramos todos conhecidos do aeroporto e ficamos de papo numa das salas de reuniões. Às 5.30 entram alguns monges e no meio desses a conhecida figura do Dalai Lama  (cujo nome quer dizer oceano de sabedoria). Não sabíamos como proceder; ele e seu grupo entraram normalmente, como homens que são, nada de caras pálidas em tapetes voadores. Homens comuns. Nós, acho que todos, juntamos as mãos, Namastê, etc. Alguém apresentou os brasileiros e nos dávamos as mãos, como ocidentais; quando chega a minha vez o coordenador diz: este é o homem que esteve no Tibet. Se hoje é raro, imaginem alguém ter ido em 1980. Ele imediatamente parou e começou a me fazer perguntas  sobre o que achei do país, do povo, etc. Fiquei uns intermináveis 7/8 minutos respondendo algumas perguntas ; os outros todos quietos e eu constrangido , ciente que eles queriam ouvir o Dalai Lama e não a mim. Mas como não responder as perguntas? Ele tinha informações de seu país por algum fugitivo, gente que se propunha a passar a Cordilheira do Himalaia, como ele passou quando jovem, mas não de ocidentais como eu. Falei do roteiro, das cidades visitadas, da sua antiga casa: o Potala Palace e da inesquecível viagem num turbo hélice russo, velho e com um vazamento de uma turbina (a cordilheira tem 300 km de espessura).

Encerrado o “nosso papo”, as pessoas começaram a tomar os seus lugares; os tibetanos na mesa sobre um estrado e nós na “platéia”. Quando ele se deu conta que faltava uma cadeira na mesa e sem titubear, desceu e com o braço desnudo e forte pegou uma cadeira e colocou sobre o estrado.

Uma  vez iniciada a palestra o assunto foi o Tibet, relações com a India. O pequeno Tibet, no norte da India( Daramsala); respondeu algumas perguntas em inglês sem intérprete e deixou claro que dificilmente o Tibet voltará a ser livre. O predomínio chinês do idioma e o número avassalador de chineses que estão sendo enviados para as terras altas, onde estão as cidades

Na saída apertou a mão de todos os brasileiros presentes. Todos ganharam um distintivo com a inscrição Free Tibet. Quando chegou a minha vez, ele pegou um badjet da mão de um auxiliar, colocou na minha mão e a  apertou entre as suas e disse seriamente: eu invejo você; você conhece mais o meu país do que eu. Meus olhos ficaram em lágrimas.

É o fim da história e provavelmente os  que leram sabem por que fiquei desolado. Boné tem em todas as lojas, mas o distintivo do Free Tibet ...

Namaste

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