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Posts de junho 2012

Queijos e terremotos

29 de junho de 2012 0

Já de volta a Holanda, onde se compram jornais em idiomas compreensíveis? Li esta notícia redigida em Ferrara. Diz:  Oriano Caretti começou a acordar com a terra tremendo. Despertou totalmente ao ouvir o barulho de trinta toneladas de formas de parmesão desabando no depósito próximo de sua casa. Dá para imaginar a surpresa; o último terremoto na região havia sido no século 14.

Este terremoto (de 6 graus) que castigou a região ao norte de Bolonha arrasou prédios multisseculares e causou enormes danos à mundialmente famosa produção regional de queijos. O grupo la Coldiretti informou que 400 mil queijos parmesão e grana padano foram danificados ao caírem das prateleiras. Prejuízo na agricultura, morte de gado e maquinários destruídos na área delimitda por Bolonha, Modena e Mantua foram estimados em 250 milhões de euros. Considerando que ali estão dois anos de trabalho de sete empresas, dá para se imaginar a repercussão econômica, disse também Caretti entre suas derrubadas prateleiras de madeira, das quais apenas 1 das 16 originais ficou de pé. Muitos queijos ficaram aparentemente intactos, mas os funcionários ainda estão verificando o que pode ser feito antes que o mofo ataque. Fábricas de outros produtos da região também foram atingidas, mas nenhum setor foi tão golpeado quanto o dos queijos artesanais. No total, uns dez antigos barracões de envelhecimento e pequenas queijarias sofreram danos que atingiram diretamente 300 mil queijos, metade dos quais ficaram pelo menos parcialmente inutilizados.

Em alguns casos, dá para recuperar as peças e mudá-las para outros depósitos, para que terminem de envelhecer. Queijos parcialmente atingidos poderão ser aproveitados para o setor de alimentos industrializados – mas valendo apenas uma fração do que valeriam intactos-  os queijos Parmigiano e Reggiano, por exemplo.

Entretanto, apesar da enorme desolação, Oriano Caretti já recomeçou. “As  vacas não param de dar leite”, filosofa o queijeiro.

Dalai Lama - continuação

28 de junho de 2012 0

Eramos um pequeno grupo, não mais de 10 pessoas convidadas  para um encontro com o Dalai Lama; conhecidos, o ex-físico e atualmente monge Aveline e o professor Cosmelli. No Plazinha às 5 da manhã. Já eramos todos conhecidos do aeroporto e ficamos de papo numa das salas de reuniões. Às 5.30 entram alguns monges e no meio desses a conhecida figura do Dalai Lama  (cujo nome quer dizer oceano de sabedoria). Não sabíamos como proceder; ele e seu grupo entraram normalmente, como homens que são, nada de caras pálidas em tapetes voadores. Homens comuns. Nós, acho que todos, juntamos as mãos, Namastê, etc. Alguém apresentou os brasileiros e nos dávamos as mãos, como ocidentais; quando chega a minha vez o coordenador diz: este é o homem que esteve no Tibet. Se hoje é raro, imaginem alguém ter ido em 1980. Ele imediatamente parou e começou a me fazer perguntas  sobre o que achei do país, do povo, etc. Fiquei uns intermináveis 7/8 minutos respondendo algumas perguntas ; os outros todos quietos e eu constrangido , ciente que eles queriam ouvir o Dalai Lama e não a mim. Mas como não responder as perguntas? Ele tinha informações de seu país por algum fugitivo, gente que se propunha a passar a Cordilheira do Himalaia, como ele passou quando jovem, mas não de ocidentais como eu. Falei do roteiro, das cidades visitadas, da sua antiga casa: o Potala Palace e da inesquecível viagem num turbo hélice russo, velho e com um vazamento de uma turbina (a cordilheira tem 300 km de espessura).

Encerrado o “nosso papo”, as pessoas começaram a tomar os seus lugares; os tibetanos na mesa sobre um estrado e nós na “platéia”. Quando ele se deu conta que faltava uma cadeira na mesa e sem titubear, desceu e com o braço desnudo e forte pegou uma cadeira e colocou sobre o estrado.

Uma  vez iniciada a palestra o assunto foi o Tibet, relações com a India. O pequeno Tibet, no norte da India( Daramsala); respondeu algumas perguntas em inglês sem intérprete e deixou claro que dificilmente o Tibet voltará a ser livre. O predomínio chinês do idioma e o número avassalador de chineses que estão sendo enviados para as terras altas, onde estão as cidades

Na saída apertou a mão de todos os brasileiros presentes. Todos ganharam um distintivo com a inscrição Free Tibet. Quando chegou a minha vez, ele pegou um badjet da mão de um auxiliar, colocou na minha mão e a  apertou entre as suas e disse seriamente: eu invejo você; você conhece mais o meu país do que eu. Meus olhos ficaram em lágrimas.

É o fim da história e provavelmente os  que leram sabem por que fiquei desolado. Boné tem em todas as lojas, mas o distintivo do Free Tibet ...

Namaste

Deu no jornal

27 de junho de 2012 0

Parte 2

Fico fascinada com os argumentos encontrados pela esquerda e pela direita para explicar suas relações íntimas em busca do poder pelo poder. Ao eleitor minimamente exigente no quesito coerência, resta o dissabor de não saber qual o rumo seguir. Dizem por aí que em 2012 o mundo vai acabar. Dia 21 de dezembro seria a data fatal do fim do mundo, segundo o temido calendário Maia. Pode ser. Mas, com certeza, 2012 vai passar pela história como o ano do fim das ideologia no Brasil. No Rio de Janeiro, o PSOL fechou acordo com o Democratas. Aqui em Porto Alegre, os comunistas tentaram fechar uma coalizão com a antiga Arena.

E a cereja do bolo foi apresentada ontem quando o ex-presidente Lula foi humildemente à casa de ninguém menos do que o procurado pela Interpol Paulo Maluf na companhia de seu pupilo, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, selar uma parceria na luta pelo poder na maior capital do País, São Paulo. Caíram os meus últimos butiás do bolso. A salada de siglas vai da cruz à caldeirinha, acende uma vela para Deus  e outra para o Diabo com total desenvoltura e sem qualquer medo de enfrentar o calor do inferno. A desilusão é monumental. A grande expectativa é saber se será possível encontrar forças para votar no próximo outubro. Se não for o modelo democrático, o que queremos para o Brasil, então?

Agora o tempo que resta até o dia da eleição é juntar os caquinhos e tentar encontrar no tempo que temos na política, sem ideologia ou caráter que nos apresentam, alguém em quem acreditar! O hospício é geral e o diretor fugiu, ninguém sabe, ninguém viu.

Manias

27 de junho de 2012 0


Como bem cantou Nelson Gonçalves “ mania é coisa que a gente tem, mas não sabe porque..”. Entre outras eu tenho a mania das listas; de coisas para fazer, para comprar, ligações a responder...e aí vai.  Leio jornais e vou anotando o que acho interessante. O resultado?  É sempre ter mais listas do que tempo para resolvê-las e tirá-las. Sim, é um prazer riscar alguma coisa da lista. Já tentei agenda eletrônica, mas não é a mesma coisa. A lista é desafiante, principalmente se feita no café da manhã. Acho que acrescenta algum tipo de adrenalina, sem a qual, convenhamos, não dá para viver. Assunto viagem nem se fala; volta-se com uma lista de coisas a fazer e atitudes a tomar. Mas quando se chega, encontram-se as listas deixadas quando partimos. Nós as escrevemos, reconhecemos a letra, mas não temos a menor idéia  do que representam aquelas palavras  avulsas.  Na hora você sabia, uma semana depois você e seus deuses, na volta, algumas semanas depois pode ser que eles ainda lembrem. E assim vai. Tenho aqui: ligar para as Zanquetas,  claro que lembro. São duas irmãs e duas amigas, a Bia e a Sonia, mas e o assunto ? Qual era ? Sei lá.

Acho que já sei. Com a Bia certamente  é comprar velas. Não, não morreu ninguém, é que ela faz velas decorativas lindas e bem mais baratas que as de lojas ( rua Anita Garibaldi, telefone 3332 5463). Eu as usava no Villa Borghese.

Outro item: malas. Esse eu lembro também. Tenho até o telefone ( 3012 3480);  é que ele às pressas consertou uma mala minha e ficou ótima. Aliás, agora lembro, tem até um senhor de nome José Luis B. Duarte que postou algo colaborando. Véspera de viagem você vê a sua mala com o fecho que não funciona; você sabia e esqueceu de mandar consertar (foi vandalizada  entre Istambul e Paris). Dá um desespero e a minha me acompanha há anos. Não é bem uma mala, é um saco de viagem. Além da praticidade tem uma grande vantagem. Não desperta a cobiça dos ladrões, essa praga que está infestando os aeroportos. Aliás, é curioso: vale a pena ter mala de grife? Pessoalmente acho que não; os minutos que a sua vaidade é recompensada são poucos: do taxi até o check-in, da esteira até o próximo taxi e da calçada do hotel até a recepção. Somando tudo deve  dar uns quinze minutos, que é o tempo que você desfila diafanamente. É claro que em cada cabeça há um pensamento e ele é soberano. Na minha não vale a pena. Prefiro estar no avião e dormir tranquilo, pensando que as minhas coisinhas estão mais seguras sem provocar a cobiça dos larápios. Quanto a outras palavras da lista, se eu identificar, conto na próxima postagem.


Deu no jornal

26 de junho de 2012 0

Li no Fernando Albrecht, leitura que recomendo ( Jornal do Comércio) que o vereador João Dib está dando adeus às armas. Palavras do Fernando; para falar a verdade o próprio já  me havia dito, mas eu nunca acreditei; é uma pena que encerre sua vida pública. Engenheiro, ex-secretário municipal em várias legislaturas e além de ex-prefeito, na semana passada, já se despedindo Dib prestou uma homenagem àquele que considera o maior prefeito que Porto Alegre já teve, Loureiro da Silva que em 1940 já falava na necessidade de um metrô para a  Capital e em 1959, criou o Plano Diretor que já previa as atuais perimetrais.

O João ou  melhor, engenheiro João é meu conterrâneo e morava quase em frente ao colégio onde estudávamos. Seu irmão mais moço, Jorge Dib ou melhor, Kalil Dib Jorge Neto, como constava na chamada e eu. Foi na sua casa que aprendi a comer e gostar de comida árabe. Libanesa para falar a verdade. Existe uma grande diferença  entre as duas. Nossa amizade  portanto é antiga, o que fazia que eu não tivesse que procurar em quem votar. Que tranquilidade,  era automático.  Aliás, nem sei de que partido ele é. Aliás, existem  ainda partidos? Ideologias ? Depois do fraterno aperto de mãos entre os figadais inimigos, acho que não. Se alguém ganhou com isso, foi que nem presente estava: a Erundina.  Vejo o vereador Dib muito pouco, mas lembro da única vez que pedi uma audiência. Eu estava fazendo o Studio ( que nunca foi Del Mese, mas acabou sendo). Hoje é o  Studio Clio. Estava tudo legal. Até porque não mexi na parte externa. Mas às vezes passava lá um fiscal insinuando que iria embargar, etc., que faltava a placa, etc. Não faltava; era do Rolfo Jurg que fez tudo sem cobrar um centavo. Sabendo aonde ele queria chegar...e não concordando, acabei pedindo para falar com o Dr. João que era secretário de ??? De alguma coisa. Hora marcada eu e umas vinte ou trinta pessoas o aguardávamos; as pessoas iam entrando uma a uma. Quando se  abre a porta, surge o vereador em seu andador. Vinha visivelmente em minha direção, mas continuei sentado até ele estar a uns três metros. Eu nunca o tinha visto após o tiro que quase o matou. Nos abraçamos e ambos começamos a chorar. Entramos no gabinete, lágrimas enxugadas  e ele contou o  porquê da emoção. Disse: Flavio, sempre fui um dos vereadores mais votados da cidade. Tive  tantos mil votos, mas fiquei seis meses num hospital em Londres e a única carta que chegou foi a tua ( o fiscal nunca mais foi visto).



Deu no jornal

26 de junho de 2012 0

FACEiros e blogueiros

Como vocês já viram  temos agora uma seção com o nome acima DEU NO JORNAL. São coisas curiosas ou interessantes  e que a gente não leu.  Espero que seja útil para as pessoas que como eu ficam fora com frequência e na volta leem os jornais de ontem... anteontem...etc.

Mas atenção: não é quem deu no jornal, mas o que deu no jornal. No caso a coluna é de Beatriz Fagundes, do jornal  O Sul. Achei extremamente coerente e por isso a publico.

Obrigado Beatriz.


Um de dois


Estou me sentindo um rascunho da verdadeira velhinha de Taubaté. A propósito deste sentimento, com que direito Veríssimo matou a única brasileira que podia navegar nos absurdos da política sem se tornar ridícula? O ato radical aconteceu no dia 25 de agosto de 2005. Ela acreditava em todos os governos! Não posso dizer que vivi essa condição seguramente confortável emocionalmente. Mas, confesso, acreditei durante muitos anos em ideologias. Eu e a torcida  da Seleção Brasileira passamos as últimas décadas escolhendo o lado para ficar e lutar.

O Figueredo  jogou a toalha depois de tudo ter sido organizado pelo Geisel, e Tancredo deixou todos os defensores de um governo civil no mato sem cachorro, sendo obrigados a engolir o recém convertido ex-poderoso chefão da Arena `a esquerda que sonhava com um governo civil. Era o Sarney lá do Maranhão. Ali, o barco começou a furar e os movimentos em direção ao que estamos vivendo hoje foram jogados na cara dos eleitores como tudo ou nada ! Ou aceitávamos Sarney com seu passado a serviço da ditadura ou seria o fim da abertura e os militares voltariam ao poder  e blá blá blá.

O tempo voou e nem a poupança do falido Bamerindus, se me permitem a ironia, resistiu aos novos tempos. Os Poderes foram se tornando heterogêneos e hoje já não se sabe onde começa um ou termina o outro. O Executivo legisla e toma decisões judiciais, o Judiciário legisla e administra e o Legislativo passeia com a maior desenvoltura no limbo, com seus membros a cada dia mais afiados em garantir um belo patrimônio tão logo conseguem convencer o eleitor patético a acreditar em seu discurso. Penso que chegamos em uma encruzilhada da democracia na qual não restará pedra sobre pedra dos fundamentos das ideologias.

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Perdi meu boné

25 de junho de 2012 0

1º  de dois

Pois é, perdi meu boné com um distintivo que diz: Free  Tibet. Ora! Todos nós queremos um Tibet livre e os “ badjets estão a venda no mercado.

O meu não era um talismã, nem uma  pedra de toque, só que o tinha recebido das mãos  do Dalai Lama em pessoa. Foi num meeting no Plazinha às 5.30 da manhã. Isso mesmo – cinco e trinta da manhã e a essa hora ele já tinha se banhado e feito suas preces, meditação, etc. Bem, agora que mostrei a minha desolação acho que devo contar a história toda. Vocês devem lembrar que há alguns anos ele esteve aqui em Porto Alegre. Antes dele chegou o batalhão precursor que ficou vendo hospedagem, segurança, etc. Um grupo de tibetanos que falava  inglês e residente em Daramsala, na India , vinha preparar e organizar a visita. Havia, é claro, uma ansiedade por parte dos budistas locais, tinham dúvidas sobre o que fazer, como recebê-los, onde leva-los, quanto ao assunto preces,  alimentação, etc. O templo de Tres Coroas ainda não existia.  Numa das reuniões ante as incertezas, um deles, o professor Cosmelli, meu amigo desde a época da indústria ( eu Vemag, ele Wallig) diz: tenho um amigo que andou por lá. Quem sabe... Aí alguns lembraram de ter visto o meu documentário Tibet Sagrado: uma viagem ao fim do tempo. Bem, passei a participar do grupo com muito prazer . Até que chega o momento de receber os precursores ; umas 10 pessoas. No dia  fomos  ao aeroporto, nos agrupamos na saída dos passageiros. Mas o avião atrasou primeiro ½  hora e depois avisaram, mais 1  hora; o esquema começou a desmoronar; telefonaram para que não fechassem o restaurante combinado. Até que o dono do Macrobiótico diz: ora, não posso segurar os funcionários por mais tempo. Eles trabalham também em outro local. E agora? Aonde os levaremos? Pensaram em algum outro  vegetariano, etc., mas já eram 14 horas. Até que fiquei sabendo do transtorno. Chamei o Cosmelli e disse: olha Francisco, vocês me convidaram, etc. etc., estou muito contente, até envaidecido, mas devo dizer que não se preocupem com alimentação,  no Tibet ninguém come verduras, só se come carne, um pouco de trigo, arroz para os chineses, cevada e é só. Silencio absoluto.  Ante a surpresa  já fui  dizendo : o país está a 4000 mil metros, não há vegetais naquela altura, nem árvores ou para não exagerar, muito poucas. Estou constrangido de dizer... Lamento dizer, mas vocês me convidaram para isso. A reunião continuou e eu quieto, em um silencio reverencial  e temeroso. O avião chegou e não foi difícil reconhecer os seis tibetanos. Todos amáveis, votos de boas-vindas, boa estadia, etc.


Dentro de uma hora estávamos todos na churrascaria do Plaza, a Capitão Rodrigo, umas 15 pessoas. Numa mesa longa os budistas tibetanos em fila, encostados numa parede e nós de costas para o restaurante e de frente para os visitantes, eles se deliciando com costelas e picanhas. Os budistas gaúchos, fiéis aos seus princípios comendo  saladas, tomates e pepinos, uma polentinha e comida campeira... sem carne. Não fotografei, mas bem que deveria.

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Segredos de passaporte 2

22 de junho de 2012 0

Assuntos com passaporte sempre atraem. É por isso que o Viajando... existe. Para curtir, divertir e iniciar os que ainda não começaram a carregar as suas malas. O dia virá, é cada dia mais fácil. Não esqueça que no passado só os muitos ricos viajavam !!!  Hoje se você  economizar 100 US dólares por mês, no fim de 12 meses terá muitos lugares para escolher.

Segredos de passaporte 2, do amigo Americo Mendes não é o caso, ele não é só turista. É a história de um engenheiro bem  sucedido  e de seus encontros profissionais pelo mundo. Vendendo e comprando. Ou seja, uma experiência internacional; seus contatos vão de colegas engenheiros aos dirigentes de grandes empresas e curioso que é até aos vendedores de salsicha da Alemanha. Pizza Al Taglio na Bella Italia e estrogonof com os tavarish na ex- União Soviética. Enfim, se você pretende ser intronizado no mundo executivo comercial, o livro lhe dará uma boa visão do que o espera. Se quiser conhecê-lo em pessoa, você  vai gostar . Os autógrafos serão

NA SARAIVA DO  MOINHOS,  SEGUNDA DIA 25 A PARTIR DAS 18 :30.

SEGREDOS DE PASSAPORTE 2

Ser vovó em Caxias é honrar as saias

22 de junho de 2012 0

Vocês todos já sabem e  já devem ter a sua opinião. Eu, ausente, só agora fiquei sabendo que uma senhora caxiense entre os 80/90 anos matou um ladrão dentro de sua casa e ainda não foi condecorada. Deveria ter sido. Mas o estado que não a protege como deveria, em vez de tentar enquadrá-la, deveria pedir-lhe desculpas. A senhora usou um 32  antigo,  daqueles que a gauchada diz que é de “atirar em compadre” e com munição de uns 30 anos. Já ouvi até um comentário que ela deveria ter entregue a arma na campanha pelo desarmamento, campanha feita pelos que têm segurança e carros blindados, derrotada fragorosamente  pelos que não têm nenhuma proteção; no RS os favoráveis à armas em casa foram ao redor de 83% e no Brasil mais ou menos 75% ou seja, todos temos medo e não é covardia, é por constatação: é só ler os jornais.

Me atrevo a perguntar:  onde ela poderia estar agora, se  tivesse entregue o  velho 32?  A idéia , acho, é de fazer que esqueçamos que quem deveria protege-la, não o fez. Como disse acima hoje temos medo. Medo de ir a um restô, a uma farmácia e principalmente....  de voltar para a casa.

O problema da segurança pública  não é falta de recursos. É que preferem usar os bilhões arrecadados para construir estádios de futebol em lugares que nem futebol tem e a seguir mais bilhões... para Olimpíadas... Dinheiro?  Está claro que há e, pelo jeito, muito.  Soluções também as há. Para começar as polícias têm de ser mais bem equipadas. Os policiais?  Receberem melhores salários e mais trabalhos de inteligência. Esta dinheirama toda colocada na construção de presídios também traria vantagens. Traria segurança para as ruas já que os marginais ficariam vendo o sol quadrado durante toda a sua pena.



Desculpe, Vinicius, nunca pensei em contestá-lo, mas amanhã é sábado

22 de junho de 2012 0

O frio chegou e eu também, e sábado é o dia  ideal para uma feijoada daquelas que a cada três comensais, um deve de ser médico. Não sei a qual delas irei. Estamos mais sofisticados, agora separamos as carnes: temos costelas, orelhas, lombo defumado, etc, tudo em recipientes separados. E a  palavra porco  nem consta mais, não é fina o suficiente. Comemos das  patas ao rabo do mesmo jeito, mas de suínos. Tudo envolto com feijão, laranja, couve e farofa. Pratos transbordando.  Duvido que alguém siga os ensinamentos da Celia Ribeiro ante uma mesa pronta para ser atacada. A feijoada é a melhor mostra do nosso exagero alimentar. Só depois vem o churrasco.

Há alguns anos um casal inglês que convidei a uma dessas orgias gastronômicas perguntou em voz baixa : Flavio, é parte de algum  ritual de “ black magic”? Na verdade não sei, mas pode ter sido. O que sei é que não tem nada a ver com aquelas estórias de restos e senzalas. Sempre existiu em Portugal. Na região transmontana existe há séculos, quem sabe, antes mesmo do Brasil ser  descoberto.  Antes que senzalas portanto existissem.  O porco é fácil de criar e multiplicar. Sempre foi um dos favoritos  das populações pobres e das ricas também. Na minha infância no interior, e não faz muito tempo, na matança do porco chamavam os vizinhos para comer e ajudar. Come-se tudo, tudo é aproveitado: pele, rabo, pata, bochechas e miúdos; e as costelinhas defumadas? Maravilhosas! Essa soma de vantagens e sabores deve ter estimulado a produção e consumo no Novo Mundo.  Bebidas ? Há quem tome cerveja, quem siga na caipirinha, vodka com caldo de feijão, slivovitz,  steinhaeger, sei lá. Mas se tivessem mostrado uma feijoada ao Napoleão, o corso teria mudado a sua frase famosa para:

Après de ça le déluge.

E quando todos os conselhos do cardiologista parecem ter sido desprezados, vêm as sobremesas: quindins, papos de anjo, ovos em profusão, aliás não ovos. Só gemas! Isso na santa terrinha; aqui  no Novo Mundo abóbora caramelada, sagu, arroz de leite, etc. Bem, cada casa tem a sua preferida e não há normas; que norma poderia haver depois de um tsumani como esse ?

Brincadeiras à parte, duas coisas de se ter no bolso: o telefone de seu médico e o cartão do seu plano de saúde. Dispensável,  para falar a verdade, é o frio, mesmo que hoje seja o terceiro dia do inverno, estação para feijoadas no sul. Já os cariocas a comem 12 meses por ano. Eu comi uma excelente na Academia da Cachaça, no Leblon  em pleno carnaval: inesquecível! Numa mesa na calçada, vendo passar um desfile de blocos. Vi o

o “calma, calma, sua piranha” e um de jovens judeus  bem-humorados, o “cortaram meu pinto”.

Garçon! Mais uma caipirinha !