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O Céu, a Areia e as Montanhas

26 de janeiro de 2013 0

Passaram-se anos. Nunca repetia viagem completa, mas em 2011, fomos ver o Rallye Dakar de Motor Home. Mas mesmo as boas viagens, um dia, começa-se a voltar.

Já de manhã, enquanto a Magra encerrava seus afazeres no Motor Home, saí para ir ver o nível do óleo, água, etc. E já em clima de despedida, resolvi sair caminhando. Estava um pouco frio, mas nada preocupante. E em volta tudo amarelado, tudo plano estava 2300m de altitude e bem ao longe os Andes com uma média de 5000m. Não existe céu mais limpo a esta hora da manhã, ainda se veem estrelas. Quem sabia bem isso eram os antigos habitantes muito chegados a astros, estrelas e calendários.

Como o que agora está anunciando o fim dos tempos para dezembro. Acho que no dia 21. Achei uma sacanagem logo quando começam as festas, pessoais, familiares, formaturas e recebemos o décimo terceiro. Que se começa gastar em tequila no Natal na passagem do ano e em seguida vem a praia, o carnaval, etc. Até perdoo os Incas porque não sabiam muito disso. Mas não perdoo o astrólogo que deveria saber. Já fui enganado várias vezes. Mas agora é para valer. Dou fé porque ouvi na televisão pela Narcisa Tamborindeguy, pessoa equilibrada, acima de qualquer suspeita.

Dei meia volta, me dirigi ao Motor Home que, empoeirado, se mimetizava com a cor do deserto e de algumas lhamas que andavam por ali. De longe eu as observava curiosas em torno daquele bicho estranho (o Motor Home) que não era dali. E elas, com razão, preocupadas, pois são donas daquele pedaço. Hoje, semi-domesticadas, continuam importantíssimas e, em parte, responsáveis por tudo.

Seus produtos, lã e carne, principalmente, ainda são muito requisitadas pela qualidade. Competem com vantagem sobre as fibras sintéticas. Lembrei-me também que há um alerta para os povos da Cordilheira. Em todos os eventos e feiras os neozelandeses estão comprando algumas e sempre as melhores.

Os Kiwis, como são chamados os neozelandeses, são bons criadores e produtores de tudo o que sem metem a fazer pecuária, agricultura, turismo, esportes radicais.

O kiwi fruta, por exemplo, era uma fruta do interior da China e sem nenhum prestígio. Hoje, maiores, melhores, e quase sem pelos, estão em todos os mercados do mundo. Outro mérito dos neozelandeses.

Tenho a impressão que com as lhamas, será a mesma coisa. É curioso, sempre que as vejo, me lembro disto. Um fazendeiro da Nova Zelândia me disse uma vez: estamos no limite, agora só podemos povoar as montanhas. O gado fica no plano; as ovelhas, que não sobem lombas, ficam nas colinas; e os cervos e veados já ocupam a parte intermediária, na ilha sul. E, a meu ver, as lhamas ocuparão a parte alta do que eles chamam Alpes do Sul.

A caminhada não foi longa, mas na volta, eu estava cansado. Mas era hora de começar a voltar 3500Km nos esperavam. Sentei ao volante e dei a partida. Confesso que se os tivesse sozinho ia continuar perambulando. O meu espírito nômade facilmente se imporia sobre a minha racionalidade. E viajar com a casa nas costas tem as suas vantagens.

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