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Um Nômade de Quatro Patas

31 de janeiro de 2013 0

Estimado Ney Gastal,

Li a história do teu amigo canino Alemão e me comovi. Os vira-latas têm algo que só a rua ensina, mais ou menos como nós os colégios ensinam, ou tentam, pelo menos. Mas é o contato com as pessoas que nos leva em frente, que no aquele algo mais, que precisamos no dia-a-dia, especialmente vivendo na nuestra América.

Lamentei não conhecê-lo (o Alemão) e me espanta o número de pessoas que ele encantou na cidade inteira, assim como a sua quilometragem por Porto Alegre a fora. Boa viagem, Alemão! Com certeza não terás problemas em outra dimensão.

Caro Ney, na minha rua também tem um caso de cachorro. Acho que todas as ruas têm. Um dia, igual a todos os outros, surge na rua um cachorrinho preto e branco que lembra um Border Collie, daqueles que ajudam com gado e ovelha, porém um pouco menor. Aproximava-se de todos os portões e era rechaçado pelos cães da casa (sim, todos temos cães, até os que não gostam). Alguns o alimentam e o acariciam, mas na rua. Até que ele se aquerenciou em um portão. Eu passava de automóvel todos os dias. É a uns 200 metros de onde eu moro. E ele ali. Depois de uns dias, comecei a ver uns panos, trapos e cobertores. Não lembro se era verão ou inverno. Só lembro ao lado também água e um potinho de ração. Eu torcia por ele, até pensei… Mas a família Pinóquio rejeita alienígenas, e são sete. Passa-se um tempo, e eu volto de algum lugar e vejo, no mesmo lugar, uma casinha plástica, que mais parece um iglu. Horrorosa, mas ótima para o simpático sem teto. Sorri de contente e fui me acostumando… Um belo dia, passei por ali e a casinha não estava.

Primeira dedução: foi roubada, gente desnaturada, filhos disto e daquilo. Parei o automóvel para saber, do morador, o destino que havia tido o cão. Quando me aproximei do portão, olhei para dentro, antes de tocar a campainha e reconheci o iglu de cor azul calcinha lá dentro do pátio. Sob cuidadas folhagens e todo contente, vindo em minha direção: meu novo vizinho.

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