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PARA ONDE FOI O OURO?

22 de julho de 2013 Comentários desativados


Às vezes, encontro na minha gaveta um rascunho de texto de uma viagem concluída ainda no verão… Anotei tanta coisa que agora tenho dificuldades de colocar em ordem. Gostei muito, mas confesso que não tenho talento nem conhecimento para tanto. Sou mais ligado a vida Cisplatina ou Rio Platense se você preferir.
Entendi que ao ser proclamada a República, o novo governo precisava do nome de um herói que representasse esses ideais para uma vila insipiente. A escolha caiu sobre Joaquim José da Silva Xavier, que além de tudo havia combatido a monarquia. Posteriormente, o nome da cidade foi mudado para Tiradentes e tornou-se um dos centros históricos mais bem preservados do Brasil, por isso volta agora a ter importância, mas turística. Assim, Tiradentes foi proclamada patrimônio histórico nacional tendo suas casas, lampiões, igrejas, monumentos recuperadas e, obviamente, tombados. Com toda justiça.
Olhando as igrejas também se pode observar que a roubalheira é tão antiga quanto o país. Se lermos a história oficial de cada igreja que se visita, fica se sabendo que… AQUI FORAM CONSUMIDOS 400 OU ATÉ QUASE 700KG DE OURO. Realmente algumas tiveram os altares, especialmente, cobertos com ouro folhado. O que a história não diz é que o ouro para isto é em microns, camadas finíssimas, bem mais finas que o papel onde escrevo. Com duas ou três gramas de ouro faz-se ao redor de um metro quadrado, em várias partes, é claro. E o restante seguiu os passos dos nossos impostos. Só alguns de Brasília sabem para onde vão. Não sou um especialista no assunto, mas sou um curioso, e uma vez em Mandalay, na Birmânia, fui ver os “Gold Beathers”, batedores de ouro, os homens que transformam ouro em folhas muito finas do tamanho de um selo, que os fiéis compram e aplicam em seus adorados deuses. A religião é outra, mas a finalidade é a mesma, incensar os deuses.
Os batedores de ouro o fazem realmente a mão. Dois batedores em cada peça, quando um levanta a marreta, o outro está batendo. É exaustivo, mas muito bem sincronizado, e bonito é ver. Batem o ouro entre folhas de um papel gessado e quadrados de ouro que lembram um livro com várias páginas.
Voltando às igrejas, o que relatei da Birmânia e tenho as fotos só me permitiu constatar que não só somos roubados hoje, mas fomos e somos roubados desde o início do Patropi. Se o ouro foi para a Inglaterra, após um breve estágio na Península Ibérica não sei nem nunca saberemos. Não conseguiremos sequer trazer de volta nem os dólares do Maluf que recentemente vi de braço dado com o ex-presidente e na casa dele posando para toda imprensa nacional, imagine o ouro que saiu daqui há tantos séculos.

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