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Os cabelos de Beethoven

29 de julho de 2013 Comentários desativados

Li de Jairo Monson o que pode e deve ter sido o mal que afetou o ouvido de Beethoven, mas quem sabe se não foi o que catapultou o seu talento

Foi o vinho que causou a sua surdez. E, possivelmente, a sua morte. Confesso que fiquei surpreso. Pelo menos foi essa a conclusão que tomaram M. Stevens, T Ballingham e A.K Crofts, que fizeram uma ampla revisão sobre as prováveis causas e a apresentaram na 14th British Academic Conference in Otolaryngology que aconteceu em 2012 em Glasgow.

Beethoven nasceu em 17 de Dezembro de 1770, hoje norte da Alemanha.  O fascínio pela música veio do pai, que era músico, como seu avô. Deste também herdou o nome e o gosto pela bebida. O talento musical era tanto, que ainda menino foi considerado o segundo Mozart. Fez sua primeira composição aos 11 anos. Aos 21 anos mudou-se definitivamente para Viena, e aí viveu o resto de sua vida. Aos 26 anos começou o drama da sua perda da audição. Ele não aceitava isso. Reclamava “Não é justo um músico ficar surdo”. Fez todos os tratamentos que lhe foram sugeridos e não teve melhora.

Em 1802 escreveu um testamento onde se referia a sua mazela como “uma triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos”. Pensava em matar-se. Encontrou na música e no vinho, motivação para continuar a vida. E o vinho que se bebia na época não merece elogios. Consumia diariamente cerca de três garrafas. Recebeu em vida o justo reconhecimento, não só pela sua obra excepcional mas também pela sua superação. No seu funeral, em Viena, compareceram 30 mil pessoas. A verdadeira causa da sua morte, ocorrida em março de 1827, sempre foi um mistério. Cientistas exumaram seu corpo em 1862. Retiraram cabelos e um fragmento de crânio cuja análise recente evidenciou a provável causa da morte e também da surdez, intoxicação por chumbo. Um magnifico livro sobre isso intitulado Beethoven’s hair foi ditado.

A prática de uso de soluções com chumbo para “adoçar” vinhos “azedos” e ajudar na sua preservação era usada na Europa desde os tempos romanos. Nessa época os graves problemas para saúde que poderiam advir da intoxicação pelo chumbo preocupavam bastante. Para ter ideia do tamanho do problema, cientistas fizeram recentemente experimento com uma receita do final do século 17 de uma solução de chumbo utilizado para adoçar vinho. Eles constaram que um litro de vinho poderia conter até 10 ppm de chumbo. É preciso lembrar que o envenenamento por chumbo é cumulativo, isto é, cada dose fica acumulada no organismo.

Beethoven bebia, na maioria das vezes, um vinho tinto de baixa qualidade feito com uvas cultivadas no extremo leste de Viena. O vinho foi considerado a principal fonte de sua intoxicação. Outra delas foi a água consumida por ele, que era proveniente de um poço artesiano e talvez passasse por canos de metal. Outra ainda foi o copo que poderia ter chumbo na sua composição.

Concluíram que, entre todas a hipóteses hoje existentes, o envenenamento por chumbo é a melhor explicação para a causa da lenta e progressiva para sua perda de audição. Ou seja, o consumo de vinho pode ser a melhor explicação para a sua perda auditiva e até de sua morte. Mas também tenha sido uma alavanca inspiratória para a sua imortal obra.

Publicado na revista Bon Vivant

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