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Carta ao Bird – 2

25 de outubro de 2014 Comentários desativados

BIRD2

O que eu imaginava aconteceu. Foi só falar com alguns jurássicos daqui (que não têm nada a ver com os do Spilberg). É só com uma confraria que se reúne em um museu de endereço secreto (para falar e ouvir histórias de um esporte que motivou a todos nós por anos e anos), além disto, para falar mal de alguns políticos e da mãe de alguns outros. Mas só uma vez por mês. Não pense que exageramos. Sabemos que a maternidade é sagrada por si só absolve as “quase” virgens, as dadeiras, as religiosas, agnósticas, donas de bordéis etc, etc.

Ser mãe é tudo de bom, nós sabemos… desde que o filho não seja juiz de futebol.

Subidas de montanha e provas mistas (chamamos de mistas as que juntam velocidade a muitas curvas) eram nossa especialidade. Com 1000cc sim, e com muito orgulho imagina-se num mundo de pessoas lá pelos 50 anos e chegam uns garotos com meus carrinhos e começam a dividir a atenção das mesas redondas de tv e nos programas de rádio.

Isto com 1000cc, como você já leu, mas quero dizer também que nem sempre dava tudo certo. É que tínhamos que andar horas e horas no limite e às vezes perdíamos o controle. A prova é aquele DKW antigo e amassado da foto, mais curto entre eixos e com 20cm a menos, entre rodas e os nacionais que viriam a ser fabricados. Era dificílimo em curvas velozes, e ainda mais difícil se tornava por que não tínhamos autódromos, ou seja, não tínhamos como testar os nossos limites.

E só para terminar, um lembrete aos jovens: os anos passaram mas ele (o carequinha da foto) ainda anda muito rápido, e só graças a evolução da óptica é que ele não usa mais os óclinhos do passado. Quando o conheci usava aquele que chamávamos “fundo de garrafas”. Mas mesmo assim guiava qualquer coisa que tivessem quatro rodas com motor na frente ou atrás. Até o nome na época era sofisticado, “tout avant” ou um “tout arriere”, mesmo assim que ainda ouço pessoas dizerem que carro de 1000 não sobe lomba. Não pode usar ar condicionado e etc. Pois bem, mesmo com os 1000cc o mestre Bird, e nós mesmos da equipe, sempre nos saíamos muito bem contra os carros grandes.

É claro que nunca pretendemos correr para PA, Capão da Canoa, Torres, etc. Aí, bem naquelas retas nem com o Bird guiando. Mas quem sabe alguém do ramo me explica: qual a virtude do piloto em ser veloz nas retas?

  • Tem uma outra estória dele da qual eu gosto muito. Gosto porque terminou só com esfoladuras e batidas (podia ter consequências seríssimas). O nosso herói levanta de uma mesa de um restaurante irritado após uma demonstração, já de banho tomado etc. E o Grecco, o seu amigo e chefe de equipe resolve fazer uma gentileza com o dono de um restaurante que havia sido muito amável com a equipe durante o fim de semana. O dono do restaurante queria dar uma volta, mas com o Bird. Ele evitou o que pôde, até que contrariado, ele sobe no 1093 P* da vida para dar uma volta.

Displicentemente sem cinto de segurança, etc. E numa dessas acontece algo que não estava programado: em volta de uma praça ele acerta uma guia em “paulistez”. A porta abre e ele cai na calçada… e o carro continua andando sem piloto, e com o italiano aos berros amarrado pelo cinto sem poder fazer nada.

 

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