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Andanças

28 de outubro de 2014 Comentários desativados

Big Ben with city bus and flag of England, London

Foto: www.worldstudy.com.br.

Os que leem o Viajando e o Puxadinho sabem que tenho um xodó pela Grã Bretanha. Foram dois anos no lugar certo. O segundo acerto, aliás. O primeiro foi quando fui trabalhar na VEMAG (Audi) em SP.

Em um departamento técnico comecei a conviver com muitos estrangeiros. É claro, ninguém sabia bem o que era e onde era pois VEMAG era um nome fantasioso. Auto Union, ou Audi, devia ser o nome do qual usávamos, até as quatro argolas. VEMAG era simplesmente a abreviação de: Veículos e Máquinas Agrícolas, pois vendiam tratores. E nunca se soube como virou marca, mas enfim.

Para um “gringuinho” da Serra foi um novo mundo. Os estrangeiros que falo eram quase todos do leste europeu que abandonaram seus países quando sentiram que os Russos tinham chegado, não para ajudar, mas para ficar. E ficaram por quase 40 anos.

O nosso andar era uma mistura de sotaques, credos e passaportes. Foi onde comecei a ver que havia um outro mundo. Vários outros, aliás. Dali fui para Londres imaginando como viver (e aprender a viver) longe da minha etnia e da nuestra América. Hoje pela manhã, numa coluna do expatriado temporário David Coimbra, li um texto que me fez sentir exatamente o que eu senti naqueles anos. Uma estudante num pronunciamento na escola que ambos estudam, fez mil e um elogios do seu novo país: ela está adorando, está vivendo bem, sendo bem tratada, estão educando sua filha, se sentindo segura, etc, etc. E acrescenta na última fala: mas eu aqui me sinto muito só.

Foi exatamente o que eu senti nos 40/50 primeiros dias na ilha. Até que veio o Festival da Ilha de Wight e lá fui eu. Após uns quatro ou cinco dias, já recuperado e de banho tomado, fui para a Fleet Street tentando vender as fotos (o festival foi meio “udigrudi”), e com isto muitos jornais não mandaram suas equipes com o resultado espetacular, se arrependeram e saíram à procura de material. Imagens, especialmente. Além disto é muito mais conveniente comprar fotos do que montar uma equipe.

Depois da terceira ou quarta visita na Fleet Street que é o local onde estão todas as sedes de jornais, só a do Mr. Murdock já havia se mudado para uma outra área.

O próximo com quem falei, ouvindo-me falar me interrompeu e disse: você é italiano? Dei uma breve explicação e ele disse: o material é bom mas aqui nesta rua você não vai ter sucesso. Vá até o “fulano” que “também” é italiano e ele precisa justamente do que você tem. E me devolveu os slides.

O endereço era Baker Street, sobre a estação do metrô. Levei um tempinho até lembrar de onde eu conhecia. Baker Street, Baker Street…até que caiu a ficha. A rua em que morava o Sherlock Holmes, ou quem sabe o Mr. Doyle, seu autor. Quase não fui, achando ser um pouco do humor inglês e que estavam me gozando; mesmo assim fui.

Pois bem, aquele quarto andar passou a ser o meu escritório, o único que frequentei, pois foi também o meu único “emprego” durante toda a estada.

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