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Entrando pelo Sahara

31 de outubro de 2014 Comentários desativados

sahara

Na realidade, em Gibaltrar evitamos Tanger, que é um dos Black Points, e por isto fomos por Ceuta, que é na África mas é Espanha.

A Alfândega é sempre demorada, ainda mais conosco que estávamos com um Land Rover com cor e aspecto de militar, havia sido comprado num leilão do exército inglês e cheio de bagagem para camping. Como há um permanente conflito com a Frente Polizário, éramos ainda mais fiscalizados.

O jeep era de chassis longo e nós, éramos sete pessoas. Mas as estradas eram boas e avançamos bastante e na primeira noite dormimos em um pequeno hotel. No dia seguinte andamos pela cordilheira dos Anti-Atlas e depois os próprios Atlas. Visitamos umas kasba’s, mas sem muito interesse. Queríamos mesmo chegar no Sahara.

Até encaramos a nossa primeira noite no Sahara. Foi uma noite um pouco mentirosa pois estávamos num camping. Há uns 100m de um hotel. É que a partir do próximo dia entraríamos no Sahara de verdade, e para saber se tudo estava funcionando, desde fogareiros até um chuveiro com pressão manual. Só testando, e foi o que fizemos (no início do roteiro haviam campings, mas estávamos fora de temporada, e não se sabia se estariam abertos ou não). Tínhamos também 40 litros de combustível extra mas…você pára no posto e o frentista pode dizer simplesmente: o caminhão de diesel não veio. Na manhã seguinte pegamos novamente a estrada, não sei por qual porta. É que todas as cidades próximas no deserto se intitulam ‘’melhor entrada para o Sahara’’.

A partir daí é que começamos a desfrutar o esperado. Muita poeira, comida de um só panelão com arroz, cuz-uz e as noites inacreditavelmente belas mesmo que só iluminados pela lua e as estrelas. Sem o reflexo de iluminação, já com sombras e a poluição das chaminés. Frio? Muito pouco, mas ainda víamos no topo das montanhas altas um bonezinho branco feito de neve. E assim seguíamos até o escuro ir chegando, e as dunas começarem a parecer um mar, e não um areal sem fim. Quando cruzamos as pequenas cidades, tentamos comprar verduras e legumes que vão ficando mais raras, mas muito saborosas. Os tomates principalmente. Quem sabe eu lembre dos tomates, porque nossos atuais, depois de tantas mutações não tem nenhum sabor. O atendimento era sempre atencioso, e por estarmos fora da temporada, éramos quase os únicos. E o chá de menta sempre quente e com muito mais açúcar que nós gostaríamos, era quase sempre servido.

Frequentemente, com pousadas vazias, ao começar a desmontar o jeep, nos faziam uma oferta dizendo que não valia a pena desmontar o jipe e montar a tralha toda.

SEGUE…

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