Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Agatha Christie e sua cidade

12 de dezembro de 2014 Comentários desativados

cornualha

Prezado Ernest,

sou um dos que te acompanha desde a época do Studio, e tenho sempre umas perguntas em mente, e hoje pedi para um filho digitar (também sou analógico).

E a próxima viagem, qual será?

Ernest, obrigado por continuar me acompanhando. O teu simpático bilhete inspirou esta postagem. O verão vem aí, mas dizendo com certeza não sei para onde vou; a Carreteira Austral, quem sabe, está nos meus planos, mas para falar a verdade, nem eu sei. O Rocinante está na garagem e ainda tenho umas milhas do cartão, mas nunca sei se chegam…na realidade, eu gostaria de lhe responder como na música: ‘’Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí…’’ Mas foi bom você perguntar. Se tivesse que responder num bate/pronto diria que estou pensando em ir para a Riviera Inglesa, assim que chegar o verão deles. Para a Cornualha, lugar que certamente com este nome não faria nenhum sucesso entre latinos; Cornualha, mas para eles não insinua nada. A cidade? Nem eu sei. Diz aqui perto de Torquai (assim mesmo, sem o ‘’h’’ no ‘’Tor’’).

É que estou lendo que lá viveu a Agatha Christie e fiquei curioso. Os fios condutores de seus enredos múltiplos ela reconhece que envolvem a cidade de Torquai, onde nasceu, casou, serviu como enfermeira na 1ª Guerra Mundial e viveu seus últimos 37 anos, (seu nome de solteira era Miller). Com o coronel Archibald Christie ali passaram a lua de mel, em 1914, no mesmo hotel que estavam, dizem Heitor e Silvia Rcali, que fizeram a pesquisa. Na verdade, ocuparam o apartamento por apenas duas noites, pois o coronel Christie fora convocado e partiu para a guerra.

A vivência de Agatha na cidade foi vital para a sua criação literária. Ali ela encontrou, num ônibus, um imigrante belga, baixo e meio atarracado, com um bigodinho curvo que, em seus escritos, se transformaria no detetive Poirot.

Já a experiência no hospital onde atuou como enfermeira foi a via por onde entrou no mundo dos venenos. Aprendeu a distinguir os efeitos mortíferos do arsênico, estricnina, ou eserina – esta última, aliás, foi a chave para desvendar o mistério de A Casa Torta.

Há ali uma rota turística, The Agatha Christie Mile, pelos pontos que instigaram a escritora, onde a realidade ganhou traços de ficção. São 20 paradas – em cada uma, uma novela, conto ou particularidade da vida da rainha do suspense. É possível fazer o trajeto sozinho, mas estar acompanhado de uma guia faz diferença – no nosso caso, além de especializado na escritora, tinha amplo conhecimento sobre Sherlock Holmes. Tudo complementado com toques do mais sutil humor britânico (diz a pesquisadora).

A casa também pode ser acessada por um tour de barco ou em um ônibus da década de 1930 (o mesmo que ela utilizava), que sai duas vezes ao dia do centro da cidade.

Pouco antes de comprar a casa, em 1938, Agatha a descreveu como ‘’uma residência georgiana, dos anos 1780, com um bosque descendo suavemente até o rio, e muitas árvores – a casa ideal, um sonho de casa’’.

Bookmark and Share

Não é possível comentar.