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Noronha: o arquipélago do Brasil

28 de agosto de 2015 0

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Me dizem que é sempre grande a empolgação a bordo do avião que diariamente chega a Fernando de Noronha. Mesmo sem saber exatamente quanto tempo falta para o pouso, estão com o rosto colado nas janelas e há um murmúrio quase colegial entre os adultos.

É uma agitação extrema para colocar logo os pés no arquipélago. Esse sedutor território tem uma das mais fabulosas sequências de praia do planeta, com faixas de areia tão alvas e preservadas que mal parecem receber turistas. E tem o mar. Ah, o mar… Difícil, para não dizer impossível, outras águas brasileiras exibirem os escandalosos tons de azul e verde. Acredite: só vendo para entender.

O mirante da Baía do Sancho revela a praia que, segundo o site TripAdvisor, é a mais bonita do mundo. É nisto que eu discordo, não há uma classificação e ninguém no mundo conhece todas as outras.

Há décadas, o padrão nas pousadas era tomar banho frio e os restaurantes eram contados numa mão, porém, uma série de melhorias foram feitas. Mas na essência, nada mudou. Ainda bem. As baías escondidas continuam colecionando títulos de melhores praias do mundo, a vida marinha se exibe em águas com uma impressionante visibilidade e os moradores recebem os forasteiros com simpatia, como se esses fossem os primeiros a chegar àquelas deslumbrantes terras de origem vulcânica.

O arquipélago foi descoberto em 1503 pelo navegador Américo Vespúcio, italiano que estava a serviço da Coroa Portuguesa. Também passaram por ali os holandeses, franceses e britânicos, como o naturalista Charles Darwin e o navegador Ernest Shackleton, líder das primeiras expedições à Antártica.

Seja qual for o preço do sonho, Noronha tem uma opção que cabe no seu bolso, para você também curtir, entre nativos e uma porção de turistas, um show de maracatu. Dá para comer pratos inventivos – gastronomia molecular, ou pedir uma singela tapioca no Gostosinho, restaurante móvel puxado por uma moto. A hospedagem segue a mesma toada: pousadas domiciliares, que funcionam na casa dos nativos.

Bem mesmo assim, nunca fui até lá, culpa minha? Não sei. Tentei várias vezes. Nos últimos anos não tenho nem tentado, mas no passado o preço assustava, ia para alguma agência, via os preços e depois ia olhar o calendário, saber a estação das chuvas, etc… e aos poucos ia me dando conta que pelo preço de uma só ilha, na época com acomodações razoáveis, eu poderia ir a um monte de outras, à Polinésia por exemplo, Caribe nem se fala, e aos poucos, eu não tinha mais uma ilha na cabeça, mas o mundo inteiro. Devo ter quem sabe, um certo gosto por arqueologia sentimental, a me ligar a lugares onde as coisas estão acontecendo.

Ali naquelas ilhas tropicais não acontece nada, elas só existem. Elas só estão ali e vão continuar portanto, elas estarão me esperando. Já me peguei pensando que eu poderia ter estado lá quando alguns dos meus heróis passou ali, O Darwin por exemplo. Escrevi sobre ele e as ilhas da magia ontem.

Ou quando por ali passou o Shackleton, imagine ele preparado para ficar meses no continente antártico e, chega em Noronha, absurdamente tropical e só deve ter prosseguido por ouvir o latido dos seus huskies prontos para puxar trenós.

Sonho eu de vez enquando, ter estado lá quando passou o Américo Vespúcio, bem antes que o Cabral. E daí qual a vantagem? Nenhuma. A não ser que Vespúcio…o único letrado dos grandes navegadores e, que abordo havia sempre um ou dois escribas para relatar o que viam e o que acontecia – tenho até pena deles. Simplesmente porque tinham aprendido a ler, eram forçados a deixar os seus escritórios e sair Atlântico afora sacudindo naquelas cascas de noz.

Bem mas chega. Comecei só tentando responder a mim mesmo por que nunca fui a Fernando de Noronha. É que cada vez que leio um texto como o de Eduardo Vessoni me arrependo de não ter ido… e ponto final.

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