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Confraria Bon Gourmet

30 de agosto de 2015 0

30-08-15

 

Sempre gostei de comida, de boa comida. Acho até que fui predestinado a ser de uma Confraria (como os que José Simão comenta pela manhã) falo isso, não sobre excentricidades culinárias, como comida molecular, etc, e vou até fazer uma confissão: meu segundo e terceiro nome “Lupo Trimalcione” era de um personagem da literatura romana ligado a comida, quem conhece a história sabe, que um dos seus pratos preferidos era com línguas de papagaio!

Não sei como as faziam, mas me arrepia só de pensar, quantos Louros e Ricos eram trucidados para que alguns romanos se deliciassem… Bem, aprovando ou não, o meu homônimo virou personagem de “Satyricon” rodado pelo Federico Fellini.

É óbvio que quem me deu o nome nunca aprovaria o que o Lupo Trimalcione original fazia, mas, ele intuiu que aqui no sul do mundo o seu filho, mesmo sendo um cozinheiro de segunda, encontraria o Luiz Carlos Maciel, o Rolfo Jung, o Flavio Alcaraz e outros que felizmente ainda vivos, mesmo sem saber a proveniência do nome, me acolheriam em seu meio.

E assim foi, há anos me delicio com o resultado dos melhores condutores de fornos, fogões e caçarolas. É claro que falo de uma época em que panelas não eram instrumentos de se protestar em ruas e sacadas. E assim os anos foram passando, e eu, que nunca passei de um cozinheiro medíocre, exerci a atividade nos cantos do mundo onde andei e…as convidadas sempre sobreviveram. É também verdade, que convidar alguém para jantar em casa, naquela época, era quase a confirmação que haveria sobremesa. Hoje, me dizem que nada disso é necessário. Micro-ondas e tele entregas ajudaram a acabar com a hipocrisia. A não ser, é claro, para as moçoilas mineiras, que vão para a cama as 8hs… porque tem que estar em casa as 10 (hs).

Mas estamos no RS e fazem 39 anos que a Confraria começou a estimular e melhorar a nossa culinária. Somos a mais antiga do Brasil e nos orgulhamos disso. Mas pensando bem, até os “carreteiros do passado” já nos davam uma amostra de criatividade ao salgar e amaciar o charque, enquanto a tropa andava. Hoje, até eu faço bem feito, com tomate seco e azeite de “prima spremuta” e as vezes, quando Confrades vão jantar lá em casa, ainda acrescento trufas brancas do Piemonte.”

A verdade é que a nossa comida aqui no sul melhorou muito e a Bon Gourmet se orgulha de ter estimulado esta escalada.

Hoje são dezenas de escolas de culinária na capital e interior, quem sabe centenas/milhares de chef’s se laurearam. A confraria ajudou também a melhorar os ingredientes. Não vou exagerar dizendo que já servimos: “magret” com gansos da Patagônia, nem fígados gordos como os do Perigot francês, mas chegaremos lá.

Parabéns Confrades!

Bon Gourmet

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