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Um galão d’água

16 de janeiro de 2016 0

menina japonesa                                                                                    Salão de Chá Luso Japonês Castella do Paulo.

 

Já faz tempo que li e guardei, quem publicou foi a Martha com H. É que entre as amigas temos outra que é sem H. Com a reforma do meu escritório, cujos cupins adoraram as prateleiras (só não sei por que dos móveis velhos eles não gostaram).

Como obra o artigo reapareceu e o li com mais atenção ainda.

Reproduzo o relato que a minha filha recebeu pelo whatsapp de uma garota brasileira que mora no Japão: “Ontem veio um homem aqui e deixou um galão d’água na frente da minha porta. Disse que durante a madrugada eles fariam uma vistoria nos encanamentos de água do bairro e por isso estavam passando para avisar, deixar o galão e pedir desculpas por terem que deligar o registro de água por algumas horas. Eu disse para ele que não precisava deixar a água, afinal, estaríamos dormindo nesse horário, mas ele respondeu: ‘Você paga suas contas todos os meses e nós temos a obrigação de não deixar você sem água nem por um minuto’.  E ainda disse: ‘Se precisar de mais, pode pedir’. E assim seguiu a distribuir nas outras casas. Durante a madrugada, olhei pela janela e havia um grupo trabalhando nas ruas em silêncio. Hoje vieram novamente, casa por casa, só para agradecer”.

Pois é e ela continua….

Não é assim que deveria ser tudo na vida? Decência, responsabilidade e educação: por que é tão raro, tão complicado?

Martha Medeiros, desde já muito obrigado, a ideia era só publicar a segunda parte, a da japonesinha (setembro/2014) mas li o que escreveste depois… é melhor ainda. Além de um sonho é uma aula de como as coisas funcionam em muitos países. Pensei em ti e no nosso herói, meu pelo menos, Sérgio Moro, quem sabe muitos Moros depois chegaremos lá, segue a Martha com H….

Simplicidade da cena: um galão d’agua deixado de porta em porta para o acaso de os moradores terem alguma eventual necessidade às duas horas da manhã, às três horas da manhã. Não é caridade, e sim direito do cidadão que paga taxas e impostos. Eu não deveria me comover com isso, mas me comovo, porque a gente cumpre com os compromissos como qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer canadense, mas onde está a contrapartida? Acho que isso explica nossa desesperança de que uma eleição mude alguma coisa. Já não acreditamos que um candidato consiga não se deixar corromper pelo poder, que possa governar sem dever favores para outros partidos, que solucione as mazelas do povo em detrimento das negociatas de gabinete. Política passou a ter um sentido desvirtuado. 

Ninguém obriga um homem ou uma mulher a se candidatar a um cargo público. Se ele se oferece para a missão de governar, deveria fazer isso unicamente por seu espírito altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na política brasileira? Tem graça.

Um galão d’água na porta. Um serviço de atendimento ao consumidor que funcione de forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota fiscal entregue em todas as transações comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem sinalizadas. Transporte farto e que cumpra os horários. Hospitais com vagas dia e noite. Escolas eficientes. Confiança em vez de burocracia. Sinceridade em vez de enrolação. Agilidade em vez de empurrar com a barriga. Se todo mundo concorda que é assim que tem que ser, por que não acontece, quem emperra?

Não é só culpa de quem governa, mas dos governados também. Viciados em retórica, seduzidos por vantagens exclusivas e não coletivas, sempre nos perguntando “como posso faturar com esta situação?”, não permitimos que o Brasil se moralize e avance.

Por enquanto, galão d’água na porta de casa? Só com um troquinho por fora, meu irmão. 

Obrigado Martha!

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