Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

A fonte que nunca seca- II

28 de janeiro de 2016 0

28_01_2016_19_59_32

 

O problema do xixi é mais antigo do que parece, em 1776, houve a primeira tentativa de disciplinar o hábito. É que os dos cariocas de então, jogavam na rua a urina acumulada na noite anterior. No tempo dos vice-reis, o historiador Luís Edmundo da Costa registra o decreto do Marquês de Lavradio: “Todo sujeito que for arremessar águas servidas pela janela deverá bradar antes ‘VAI ÁGUA’ ”.

É bom acrescentar que, a figura do nobre português (usada no primeiro post) se aliviando sob a sombrinha sustentada por seu escravo foi escolhida pelo sociólogo Jorge Caldeira para estampar a capa do seu livro de ensaios sobre o Brasil.

–Caldeira, relembra que até Dom Pedro I fazia xixi das varandas dos palácios sobre seus súditos.

Autor de “A casa & a rua”, Da Matta diz que a autoimagem malandra do carioca explica em parte o mau hábito.

– Em casa você junta migalha de pão. Na rua, você joga papel, cigarro e mija. Que esse costume permaneça é impressionante e revelador – ressalta Da Matta.

Já o historiador Milton Teixeira resume:

– Fazer xixi na rua foi um hábito que os cariocas herdaram dos europeus. Alguns povos evoluíram. Evoluídos ou não, os cariocas passaram a considerar os mijões parte da paisagem.

Nos calçadões do Centro, ao lado de carros parados. O “homem mijando na esquina da rua foi até parar na letra de “Haiti”. No final da década passada, o embaraço virou polêmica com o ressurgimento do carnaval de rua – e de milhões de foliões, todos tomando líquidos… O diretor Luiz Antônio Pilar foi para o meio dos blocos filmar “Xixi do carnaval”, num documentário com “espírito de pluralidade, não de denúncia”.

Se tem alguém com responsabilidade nessa história e, a meu ver, se exclui os fabricantes de cerveja – diz Ataulfo Alves, o Bom Crioulo. Eles se organizam para vender, mas como o produto está diretamente relacionado ao problema, deveriam contribuir para resolver a demanda de banheiros.

– Não tem como ficar bebendo e não ir ao banheiro – diz Rita Fernandes. – Ninguém faz xixi na rua porque quer, é só em caso de extrema necessidade.

Sem discordar, a psicóloga Thirza Reis problematiza, há traços de comportamento que explicam o porquê de homens serem 90% dos multados:

– Há o hedonismo, o prazer como mandamento mais fundamental de “eu quero, eu posso e eu vou fazer agora”. Por fim… para o ser masculino, o alívio é mais facilitado.

Nos arredores do Maracanã, há vários muros e árvores com recados como “Não mija” e “Mijar é crime”. Em Copacabana, canteiros nas calçadas largas imploram para serem poupados – e os porteiros ficam de olho. Na Cidade Nova e em Santa Teresa, rolou um “se você não pode vencê-los, junte-se a eles”: em dias de festa, moradores cobram R$ 2 para o uso dos banheiros de suas casas.

Enquanto o Rio atura xixi até em roda de pagode dentro de trem (aconteceu em 28 de agosto no ramal de Santa Cruz da SuperVia), no exterior já existe até soluções tecnológicas: São Francisco, na Califórnia, está cobrindo fachadas com um composto que repele todo o tipo de líquido – inclusive xixi. As autoridades revestiram nove paredes da cidade com o material, que ricocheteia a urina, molhando os sapatos e as calças do infrator Eis uma novidade que poderia chegar por essas bandas.    

Bookmark and Share

Envie seu Comentário