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SIM, JÁ TEMOS AZEITE

26 de julho de 2019 0
Fiquei sabendo pela Veja que as primeiras mudas de oliveira chegaram ao Brasil embarcadas nas caravelas portuguesas. Foi só no século XVIII que os colonos tiveram a ideia de prensar as azeitonas para delas extrair o precioso azeite. Deu-se uma crise em seguida. Preocupados com o surgimento de um concorrente na produção do óleo, a família real mandou que se arrancassem do solo brasileiro todos os pés da planta, e o negócio adormeceu por três séculos. Não estranhe. Proibiram muito mais coisas, como ensinar profissões aos nativos. Os ventos, porém, começaram a soprar a favor das oliveiras nacionais. Na mais recente edição do catálogo italiano Flos Olei, referência mundial para consumidores e produtores de azeite, sete marcas brasileiras aparecem no rol das melhores do mundo, lista dominada por italianos, espanhóis e portugueses. Nos últimos três anos, os rótulos daqui ganharam mais de sessenta prêmios.
Diante desta vigorosa reviravolta histórica, por que não se nota o fenômeno nos supermercados e tanta gente volta do exterior com frascos na mala? Primeiro, porque, sendo a produção nacional recente, ela é modesta perto do volume importado. A safra de 2019 deve chegar a 200 000 litros — um recorde, sim, mas ainda uma gota no oceano na casa de 100 milhões de litros anuais. Um segundo ponto é que, como falta escala à produção, os preços são muito altos. Em suma, azeite brasileiro é item de luxo.
O engenheiro Luiz Fernando de Oliveira, que há uma década se debruça sobre a adaptação das oliveiras ao cenário local, aposta em uma chacoalhada nos pomares. “A expansão da produção fará ampliar o mercado, o que já está em andamento”, diz. No longínquo período em que os portugueses baniram as oliveiras, disseminou-se a ideia de que o Brasil não tinha nem clima nem conhecimento para fazer azeite, e isso foi se sacramentando. Mas não é bem assim. De fato, o cultivo adequado de azeitonas requer invernos úmidos e verões secos, o que não se encontra em boa parte do país. No entanto, aqui no Rio Grande do Sul, de onde vem 70% da produção nacional, e nas altitudes de certas áreas de Espírito Santo e Bahia, a conjunção climática ajuda.

(segue)
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