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PARA AS MULHERES RODADAS

06 de março de 2017 0

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Não sou carioca nem tenho contato com o samba, mas a censura contra as marchinhas ainda do século passado ultrapassou o fato de teren samba no pé ou não, por isto transfiro a vocês alguns pensamentos do Artur Xexéo.

Esta coluna não quer humilhar ninguém. Só quer mostrar que gosta de marchinha também. E sugere ao bloco Mulheres Rodadas, que saiu na frente na onda de censurar músicas politicamente incorretas para o carnaval, que talvez valha a pena sair do universo de João Roberto Kelly, autor de sucessos que falam de mulatas e sapatões, e censurar outros clássicos também.

Por exemplo, o Mulheres Rodadas acha digno tocar “Nós, os carecas”? Ao fazê-lo, não estaria estimulando o preconceito? Não há nada menos carnavalesco do que um bloco sem humor. A prova está no que as integrantes do Mulheres Rodadas se chamarem sem falsos pudores. E até saírem na frente na onda de censura às músicas incorretas. E quem diz isso é o Artur Xexéo que entende do riscado.

Talvez ali valha a pena entrar no universo do João Roberto Kelly, autor de sucessos que falam em viados, mulatas e sapatões. Mas as Mulheres Rodadas, por exemplo, acham que tocar “Nós, os carecas” e estimular o preconceito com os desprovidos capilares não faz mal (embora tanto o Kelly como o Xexeu tenham cabelo). Dizia a música:

“Nós, nós os carecas

Com as mulheres somos maiorais

Pois na hora do aperto

É dos carecas que elas gostam mais

Não precisa ter vergonha

Pode tirar seu chapéu

Pra que cabelo?

Pra quê, seu Queiroz?

Se agora a coisa está pra nós.”

Será que as ativistas do carnaval não tentam adivinhar que coisa é essa que agora está para nós? E nós quem, cara pálida? Quem disse que é dos carecas que elas gostam mais? O homem certamente. Fica aqui o alerta às mulheres rodadas. Estudem com mais profundidade a letra de “Nós, os carecas”. Talvez mereça ser censurada também.

 

 

Outra marchinha que escapou aos censores politicamente corretos é a marcha do deficiente vocal. Aliás, você já viu mulher gaga?

“Tá, tá, tá, tá na hora

Va-va-vale tudo agora

Sou mo-mole pra fa-falar

Mas sou pintacuda pra beijar”

E ainda tem a utilização da expressão pintacuda, que podia ser muito popular nos anos 40 do século passado, mas hoje ninguém vai saber o que significa (Pintacuda era um piloto italiano de Fórmula 1 de então). Como é que as Mulheres Rodadas ainda não denunciaram isso?

Enfim, como último alerta, quero chamar atenção para “Clube dos Barrigudos”, celebrizada por Linda Batista em carnavais de antanho.

“Você já viu um barrigudo dançar, não?

Quá quá quá quá quá

Quando ele sacode a pança

Quá quá quá quá quá”

O que Linda tem contra os abdominalmente prejudicados? É o caso de se perguntar: tá rindo de quê? Barrigudo também é gente. Se bem que um bloco que se batiza de Mulheres Rodadas não tem muita autoridade pra falar das políticas incorretas dos outros.

Mas talento é talento, e o João Roberto Kelly em vez de se aborrecer com a patrulha se inspirou para fazer mais uma marchinha, que publico aqui, uma homenagem de Kelly às mulheres rodadas.

 

“Quero uma mulher rodada

Mulher zerinho não está com nada

Quero uma mulher rodada

Mulher zerinho não está com nada

 

Eu quero uma mulher sabida

Colorida, genial

Pra me ensinar com muita linha

A fazer marchinha para o carnaval

 

Eu quero ver o feminismo

Sem modismo, sem paixão

Que entenda como brincadeira

Minha cabeleira e o meu sapatão”.

E no mesmo momento, a gente liga a televisão e vê o ministro da Educação, Mendonça Filho, dando uma entrevista. Ele explica que “houveram” mudanças no currículo escolar. Se o ministro da Educação fala assim, imagino o resto do gabinete do Temer.

 

E ainda do Artur Xexeo…. para encerrar o carnaval.

Para começar, estou com Caetano. Gosto da palavra mulata. Já não é de hoje que os movimentos em defesa da afirmação dos afrodescendentes procuram uma palavra que fosse equivalente ao que é “nigger” para os movimentos americanos. “Nigger” é ofensivo. Parece que conseguiram com “mulata”, que, sabe-se agora, vem de mula, o cruzamento entre jumento e égua, referência pejorativa ao “enfraquecimento” da raça negra. De uma hora para outra, não se pode mais chamar ninguém de mulato ou mulata. Nem pra dizer que a mulata é a tal. Acho que isso é um tiro no pé. Afinal, depois de conseguir mudar o significado de uma palavra, melhorando-o, qual o sentido de recuperar o que ela significava séculos atrás?

O que os blocos carnavalescos tem contra João Roberto Kelly? Não se pode cantar “Cabeleira do Zezé”, nem “Maria Sapatão”. Parece perseguição com um dos melhores compositores de marchinhas de todos os tempos. Mas é carnaval, e marchinhas não combinam com politicamente correto. Como dizia o sábio Zé Kéti, não me leve a mal, hoje é carnaval.

 

 

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ADÃO E EVA HIGH TECH

21 de fevereiro de 2017 0

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A proposta do Projeto Éden, o jardim botânico mais moderno do mundo, inaugurado em meados de março, era estreitar a convivência entre homens e plantas. Mas o que espera as 750 000 pessoas que ali serão aguardadas anualmente é muito mais do que isso.

Depois de uma visita ao Projeto Éden, é impossível sair indiferente, sem ter pelo menos arriscado uma reflexão sobre como seriam as nossas vidas sem o verde. Construído numa cratera de argila, no sul da Inglaterra, o Projeto Éden hospeda 200 000 árvores e uma variedade de 4000 plantas originárias de todos os continentes.

Disposta num ambiente que inclui uma cascata e um pequeno lago, a flora está distribuída em oito estranhas cúpulas que ocupam uma área equivalente a 35 campos de futebol.

Dependendo da luz que incide sobre o complexo, a impressão que se tem daquelas enormes estruturas de aço, com hexágonos translúcidos emendados uns nos outros, muda completamente. Às vezes, lembram bolhas de sabão. Noutras, olhos arregalados de um inseto gigante.

Três dos principais climas do planeta estão ali representados. A maior das bolhas contém plantas tropicais da Amazônia, da África Ocidental e da Oceania. Uma segunda traz a vegetação de regiões americanas e do Mediterrâneo. A flora dos Andes e Himalaia fica numa parte descoberta. Um setor dedicado a climas desérticos deverá ser inaugurado em breve

(Se pudessem acrescentar algo, seriam algumas fotos de Porto Alegre deserta nos fins de semana de verão e a mudança do nome para Forno Alegre).

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LUGARES PARA VISITAR CORRENDO

15 de fevereiro de 2017 0

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O fluxo sanguíneo se altera, a frequência cardíaca aumenta, o corpo fica mais quente. Correr causa mudanças que afetam nossa relação com o ambiente. Talvez seja essa percepção diferente o que move tanta gente a viajar para participar de corridas longe de casa. O “maraturismo” é hoje uma das modalidades mais populares de turismo esportivo. O fôlego treinado provavelmente o ajudará a ver mais e se você tiver sorte poderá ver também o Iotti (e seu Radicci). Se encontrar, aproveite, pois o Iotti é um dos poucos humoristas que é engraçado em pessoa também.

Há corridas clássicas, disputadas tanto por atletas profissionais quanto por amadores. Dessas, as mais tradicionais são as que integram a World Marathon (Berlim, Boston, Chicago, Londres, Nova York e Tóquio). Além delas, há também opções mais exóticas, como a Maratona em plena da Muralha da China, ou como a Maratona do Vinho, na Serra Gaúcha, e a Meia maratona dos super-heróis, realizada na Disney, que imagino você se encontre com um pato mal humorado e com um ratinho simpático. E uma das mais tradicionais do mundo: a Maratona de Nova York é a grande referência, com mais ou menos 50 mil participantes.

Foi por causa dela que Elisabet Olivel virou empresária do turismo esportivo. Em 1988, proprietária de uma agência de viagens, foi procurada por amigos que queriam inscrições para a Maratona de Nova York. Bem, passaram-se alguns anos e hoje a Kamel é focada exclusivamente em “maraturismo”.

Deve ser curioso conhecer uma cidade correndo, passando por pontos turísticos, vendo paisagens novas e recebendo o apoio da população nas ruas. É diferente da experiência de um corredor profissional, que está focado no cronômetro e na passada.

Cada corrida traz uma experiência. Na Maratona do Deserto de Petra, na Jordânia, o percurso tem cores quentes, é árido e marcado pela paisagem desértica com dunas e dromedários. Tem também a Maratona da Patagônia tem cores frias por ser no paralelo 45°/50°, mas é um trajeto igualmente exótico e bonito. Já a Maratona de Paris é um cartão postal, assim como a cidade. Teve 57 mil corredores no ano passado, de 144 países – 581 do Brasil.

(continua)

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CAMINHANDO PELA AVENIDA CHOCOLATE

13 de fevereiro de 2017 0

o-HERSHEY-PENNSYLVANIA-facebookExiste uma cidade nos Estados Unidos que tem o mesmo nome de uma marca popular de guloseimas. Localizada na parte leste do estado, Hershey, na Pensilvânia, recebe milhares de visitantes e tem uma população de somente 12 mil pessoas.

A rua principal da cidade se chama, naturalmente, Chocolate Avenue. Ela é perpendicular à famosa Avenida do Coco. Os lampiões das ruas têm o formato do chocolate Kisses, e o cheirinho do doce enche as ruas.

O fundador da cidade e dos doces Hershey chamava-se Milton Hershey. Ironicamente, esse homem que no futuro se tornaria um empreendedor famoso, levou seu primeiro negócio a falência – justamente uma loja de doces. Depois de fechar a loja em 1876, Hershey se mudou para uma fazenda perto da cidade de Harrisburg e começou a produzir barras de chocolate ao leite.

Gradualmente, foi construindo a maior fábrica de chocolates de mundo e tornou-se o primeiro a vender uma marca em todos os estados. Ao mesmo tempo, Hershey construiu uma cidade inteira ao redor da sua fábrica, com residências, escolas e instalações de recreação para seus funcionários (e alguns dentistas sortudos).

A cidade de Hershey, na Pensilvânia, tem o slogan apropriado: “O Lugar Mais Doce da Terra”.

*Quando Milton Hershey adicionou o chocolate Kisses (beijos) à sua linha, não conseguiam chegar a um acordo sobre o nome do novo produto.  Até que um dos funcionários da fábrica olhou para a máquina que embrulhava o doce e disse que parecia que ela estava “beijando” a esteira transportadora. Eis que surgiu o Hershey’s Kisses.

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NÃO TEMOS WI-FI

08 de fevereiro de 2017 0

 

Ainda no fim do ano estive em Itacaré, praias lindas, coqueiros em profusão e uma quantidade enorme de sorrisos. Como vou pouco ao sol, ali escolhi um bar “pra chamar de meu”, justamente pelos sorrisos e pela foto que você já viu “não temos wi-fi, vocês podem conversar à vontade”. Entre uma água de coco e umas caipiras, voltei no tempo. Quanto as caipiras, inventaram de tudo, até de cacau (Itacaré é perto de Ilhéus, o centro da região cacaueira), mas boa mesmo é a de limão.

A placa me fez voltar no tempo. Resisti a esse aparelhinho diabólico que compromete a comunicação pessoal e é um incomodo em restaurantes, cinemas. O pior de tudo é que os celulares ditos “inteligentes” entraram no dia a dia das pessoas, atropelando a civilidade. Hoje, as pessoas vão a botecos e padarias com amigos e não trocam palavras. Eles estão muito ocupados em acompanhar as redes sociais – que não socializam e sequer aproximam.

Fui obrigado a aderir à maquininha ainda nos primórdios porque o Cláudio Guerhard então da Claro me deu um de presente que fui devolvendo em mensalidades até hoje e para sempre. Muitos dos meus amigos simplesmente desaparecem e já nem sabem o que é a vida real. Quanto a mim, estou preocupado em viver ao invés de dedicar o tempo que seja a esses aplicativos, que existem para substituir atividades que deveriam ser feitas com a cabeça e não com os dedos.

Sei que muitos de vocês vão achar que esse texto é uma rabugice inconsequente. Eu os compreendo por não compreenderem o que digo. Mas eu adoraria poder influenciá-los e fazê-los diminuir essa doutrina, que cria amizades que não existem.

Não contesto sua funcionalidade – existem coisas tão importantes que não podem deixar de ser comunicadas imediatamente. Ainda nesta semana, em Porto Alegre, convidei uma velha amiga para um café. Ela foi acompanhada de um cachorro e um desses aparelhinhos. O cachorro ficou quieto, o telefone não. As interrupções foram constantes. Por um a estranha inversão de valores, pessoas que chamam de longe tem preferência sobre interlocutores presentes. Decididamente, da próxima vez tomarei um café by myself e, quando resolver conversar sem ser interrompido, ligarei para seu celular.

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RECAUCHUTAGEM DE UMA TORRE II (continuação)

07 de fevereiro de 2017 0

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A torre que todos conhecemos foi erguida para ficar de pé por uns 6 meses, com um projeto do engenheiro Eiffel, que acabou lhe dando prestígio, isto há 125 anos e fazendo que ele desenhasse pontes, estações e estruturas de igrejas no Peru, Equador e Chile. É justo, portanto que se mereça uma meia sola ou sola inteira e que não é a primeira mas se considerarmos que ela foi feita só durar alguns meses, até que aguentou bem, e segue até hoje com uma média anual em torno de 7 milhões de visitantes.

Além disto, se você caminhar pela cidade ela estará sempre surgindo na sua visão, em qualquer entrocamento ou esquina ela aparece. Mas como tudo em Paris é assim, se 50% a amaram, os outros 50% a odiaram, pelo tamanho, pela forma, etc, etc. Mas o tempo foi passando, o sucesso foi tão grande que resolveram que ela ficaria. A população foi se acostumando, a mídia foi deixando de malhar e ela foi sendo integrada no visual parisiense do dia a dia.

Mas nem todos a aceitaram. Especialmente um jornalista que sempre que podia escrevia contra aquele monstro de 324m de altura. Sem a qual o horizonte parisiense seria muito mais bonito, dizia ele. Mas com o passar dos anos, o restaurante do 8º ou 9º andar começou a ser frequentado por um dos seus maiores críticos, o que era uma surpresa para quem o conhecia. Ele sozinho se habituou a almoçar ali.

Até que um dia um jovem se aproximou de Guy de Maupassant, este é o seu nome, que como de hábito almoçava, e lhe fez uma pergunta: Monsieur Maupassant, tenho visto o sr. aqui com frequência e me lembro de que, jovem ainda, quando entrei na Universidade, nós todos líamos os seus escritos ácidos contra a torre, contra o engenheiro Eiffel, contra o prefeito que autorizou, etc. Agora, vendo-o aqui com frequência queria lhe perguntar, o sr. a aceitou? O sr. se acostumou com a torre, o sr. perdoou o engenheiro Eiffel? O sr. mudou de opinião?

E ouviu de Maupassant: não, meu jovem. Não é nada disso. Venho por uma só razão: aqui é o único lugar de Paris que eu não vejo esta merda.

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VIAGEM - PORTUGAL

05 de fevereiro de 2017 0

Sunset, Arraiolos, Alentejo, Portugal

Há viagens de todos os tipos e me parece que muitas pessoas juntas sempre acabam sempre se divertindo. É comuns europeus irem de vinhedo em vinhedo colhendo uvas e faturando, especialmente na Suíça. Uma amiga minha foi colher laranjas, não lembro aonde.

Aqui tem gente que vai tratar de tartarugas no Projeto Tamar no Norte/Nordeste e gente que passa as férias na África do Sul cuidando de filhotes cujos pais foram mortos por “pochers”.

Outra amiga minha já foi da Noruega para a Polônia vender Bíblias. Devia ser o contrário, pois a Polônia é o país mais religioso da Europa. Mas na Serra Gaúcha, cuja safra abre hoje, colher maças lá pra cima em Vacaria está sendo comum, mas antes era coisa dos boias-frias que cortavam cana no Nordeste e que estão descendo.

Agora leio “Colha sua própria azeitona” (mas pague). A experiência de viagens exóticas anda tão importante no turismo que criaram o prazer em fazer algo diferente na próxima viagem. Em Portugal? No momento colher azeitonas é uma das atividades oferecidas pelo Convento do Espinheiro, antigo prédio religioso do século XV convertido em cinco estrelas rural com 90 quartos, em Évora. No final da estada, cada hóspede volta para casa com um vidrinho do azeite feito a partir das nossas 500 oliveiras, é o que dizia a reportagem. Mas se você enquanto colhe, quer comer algumas, mude de ideia. A azeitona recém colhida é intragável e você fica dias  com um gosto desagradável na boca, muito desagradável (falo isso por experiência própria).

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A REFORMA QUE ABALOU O MUNDO

04 de fevereiro de 2017 0

 

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Neste ano, se completam 500 anos desde que o alemão Martinho Lutero desencadeou uma revolução religiosa. A coleguinha Miriam Leitão explica a importância dessa história e eu transcrevi algumas partes:

“Como em toda revolução, o ato inicial da Reforma Protestante foi feito sem que o padre e professor Martinho Lutero tivesse a noção da dimensão das transformações das quais aquele momento seria o marco inaugural. Ele queria o debate. E, por isso afixou suas 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, num texto em que convidava quem não pudesse estar presente a apresentar suas ideias por escrito. É que a Igreja Católica passara a conceder o perdão mediante contribuições financeiras (ou seja, não é de hoje). Lutero considerava que isso era venda do perdão, o qual só poderia ser concedido por Deus e diante do arrependimento. Eram curtas, as teses de Lutero, mas profundas. Como a de número 76: “As indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais”. Foi o começo do fim de uma era.

Isto faz 500 anos. A sucessão dos eventos foi avassaladora. Ele contestava o poder do Papa quando o mundo queria discutir a separação entre Igreja e Estado, e os países exigiam autonomia. Lutero combatia a ideia de que só os sacerdotes podiam interpretar o texto sagrado e, por isso, traduziu a Bíblia para disseminá-la. Com a invenção do tipo móvel pelo também alemão Gutenberg, estava aberta a possibilidade de impressão em grande escala. Para que as ideias avançassem pela Europa, era preciso que houvesse mais leitores, e isso alavancou os movimentos de alfabetização dos fiéis. O mundo foi mudando. A própria igreja Católica passou por mudanças a partir dali. Desafiada, ela encontrou o caminho de se fortalecer na Contra-reforma.

Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.

Com meu pai, diz ainda ela, conversava ainda menina sobre a Reforma, mas, apesar de ser um tempo de maior distância entre as religiões, ele não a apresentava como uma ideologia anticatólica, mas como um avanço do mundo das ideias. Afinal, para os protestantes, Lutero não é santo. Foi apenas um homem que contestou o poder vigente e, naquele momento, ajudou a abrir as janelas para uma nova forma de pensar.

 

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EMIGRAÇÃO AUSTRALIANA

03 de fevereiro de 2017 0

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A Inglaterra resolvia muito bem os seus problemas de superlotação dos presídios nos velhos tempos do império: mandava os irrecuperáveis para a Austrália. Dezenas de milhares de homens e mulheres sofreram com o degredo, as vezes por crimes irrisórios, como o não pagamento de dívidas.
A vida dos pobres no Reino Unido não era fácil. E como havia pobres. Se você leu algum livro de Charles Dickens, certamente se assombrou com a miséria das ruas. Dickens era traumatizado com a pobreza, talvez por ter visto seu pai ser arrastado para a cadeia, exatamente por dívidas (eu nunca li, mas acredito no Deivid Coimbra).

Se eles atravessassem o canal da Mancha, encontrariam situação bem parecida. A vida dos miseráveis na França era de servidão e dor. Não foi por outra razão que, antes de Marx e Engels, os franceses protagonizaram uma revolução que pretendia enforcar o último tirano com as tripas do último padre.
Mas quase na mesma região da desértica Austrália havia uma espécie de “terra não-prometida”, mas que possibilitava um futuro promissor: a Nova Zelândia. Mas esta era só para escolhidos, para começar. Tudo verde. Absolutamente verde. Mas para ir para lá, não era fácil. Você tinha que ter o que seria hoje “ficha limpa”, provar as suas intenções, ser casado e com filhos, claro. O pastor tinha que atestar que você com a família ia ao culto todos os sábados. Ou seja, caretisse total. Mas agora, onde eu queria chegar: os dois países, com tamanha diferença, chegaram ao primeiro mundo, um deles com degredados (780 000, está nos livros do porto), do outro não temos os números mas eram todos caretas e carolas. Não tenho a resposta que gostaria. Mas deixo para que você pense. O que é que nos faltou? O que é que nos falta? Por que patinamos eternamente sem sair do lugar? No ano que passou só não fomos menos produtivos que um país sul-americano. Não! Não foi o Paraguai. Foi a Venezuela, o quarto maior produtor de petróleo que não tem comida e nos deve 6 bilhões de US dolars.

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CAROS BLOGUEIROS

30 de janeiro de 2017 0

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Já faz um mês que o ano começou, e 2017 já se despede do primeiro mês, mais 3 semanas e termina o horário de verão. Aqui para nós na Lomba do Asseio foi complicado. A Dona Edi tirou férias e eu que não sou de praia fui parar em Itacaré, na Bahia. Confesso que tentei ir incógnito, mas não deu e ia ser pior, meus amigos iam pensar que o meu vermelho não era de sol, mas de alguma mudança ideológica, mas isto eu garanto que não. E garanto depois de ter visitado quase todos os países que adotaram algum resquício do que sobrou da foice e do martelo e em nenhum deles o projeto funcionou.

Mesmo assim, acho que a vida aqui ou em Itacaré não está fácil: lá e aqui tem dengue, Cunha, febre amarela, Cabral, Chicungunha, Odebrecht, Eike Batista, Petrobras, Dilma, zica, Lula, etc, não obrigatoriamente nesta ordem, mas tem. O certo é que neste país ninguém morre de tédio, portanto obrigado por sobreviver e continuar conosco. Que o Brasil tem solução não há dúvida, mas está demorando… E ontem, domingo, li no Globo  que no ano passado fomos o penúltimo país em eficiência e produção na América Latina. Adivinhem quem foi o úlitimo? Não, caro face/amigo. Não foi o Paraguai, foi a Venezuela que nos deve 6 bilhões de dólares, mais ou menos o que roubaram da estatal. Adivinhe quem emprestou?  A resposta já está pronta: eu não sabia, que nunca receberemos de volta, que estão fazendo falta em todos os os estados e mais ainda para os 12 milhões de desempregados.

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