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BELEZA ASSUSTADORA

19 de julho de 2017 0

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A apenas 10 quilômetros de Nápoles, está o vulcão Vesúvio, um dos pontos mais admirados no sul da Itália. Segundo os geólogos, ele deve, ou deveria, entrar em erupção a cada vinte anos, mas isso não tem acontecido. Sabe-se que no ano 79, suas cinzas e sua lava soterraram a cidade romana de Pompeia, matando 2000 de seus habitantes.

Protegidas no solo, sobraram algumas pichações feitas nas paredes das ruínas antes da erupção, que sobreviveram aos séculos e eram até bem humoradas; uma delas dizia: “Se alguém não acredita em Vênus (deusa do amor), então deve olhar para minha namorada”.

Como a última vez que uma erupção aconteceu foi em 1944, em plena II Guerra Mundial, espera-se que o gigante adormecido acorde a qualquer momento. A teoria dos vinte anos preocupa um pouco os napolitanos. Falo um pouco porque eles são os baianos da Itália: Nápoles é o berço de músicas populares, as cançonetas que dominam a Itália quase sempre nascem ali, assim como a pizza Margherita.

As fotos com fumaça, contudo, são enganadoras: não são uma manifestação do Vesúvio, mas um incêndio florestal. Na terça passada, o fogo lançou nuvens de até 2km de altura, as quais podiam ser vistas das cidades de Nápoles, e de cidades próximas como Sorrento e Pompeia.

Imagens das labaredas cobrindo o monte à noite e da fumaça branca no céu azul-claro foram compartilhadas nas redes sociais. “Você é linda mesmo quando sofre”, escreveu um pichador de Nápoles numa parede que olha para o monte e mostra as labaredas à noite e a cidade iluminada por elas.

Outra italiana indignou-se com o fogo, que pode ter sido provocado por um ato humano. “Dá a impressão de uma erupção, mas é o Vesúvio que está em chamas! É vergonhoso”, disse ela na rede social.

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GALETO

16 de julho de 2017 0

Com o fim de semana e o frio anunciado pelos donos do tempo, voltamos a comentar sobre uma das coisas mais notáveis da cozinha da Serra: o galeto. Vamos e venhamos: é irresistível. O pequeno franguinho (conhecido como galeto ao primo canto, dado que quando é deglutido mal deu os primeiros passos) passa só por um tempero e, logo depois, pelo forno ou pela brasa, para depois nos ser servido na companhia de uma polenta suave ou com uma massa fresca cozinhada como se fazia e se faz na velha Itália, que foi felizmente recriada no sul do Brasil por emigrantes e saudosos.

Com a caça rareando, inventaram um derivado, o galeto, que até hoje é um dos nossos pratos mais aglutinadores e baratos – se ficou bom ou não deve-se ao talento do assador, ou falta dele, e não ao custo de preparação. Se discute se o galeto logo no primeiro pio está pronto para o espeto. Pessoalmente, acho que não, só o fato de ser macio não chega, e bicho nenhum de 40 dias tem sabor próprio. Prefiro o galeto já galo, maior, mais pesado…. mais saboroso, mas aí novamente o sabor depende do talento do assador e do tempero.

O galeto de primo canto não é italiano, é uma invenção dos imigrantes provavelmente, como disse acima, para suprir a falta de caça. O que era de se esperar, com os gringos e suas schopas dando tiro para todo o lado, a caça só podia mesmo é ser exterminada. Mas se há galetos primo canto, sugiro também no mesmo forno o porqueto de primo ronco.

Bem, nesta época o pinhão também tem a sua participação, brustolado ou amassado em forma de purê.

O verdadeiro gaúcho da serra, seja de onde for, reconhece essa palavra mágica. O segredo do nosso galeto é o tratamento que recebe no local – só acessível ali, confesso. Ainda não consegui comer um verdadeiro galeto gaúcho fora da colônia italiana.

E neste relato estamos quase desprezando a sopa de anholini, a salada com vinagre de vinho, ovos fortaiai (ovos mexidos com linguiça), salsicha, pães e biscoitos, além da polenta, mole, recortada ou brustolada, e alguma massa. Mas atenção, não é um almoço de festa, você encontra tudo isso em uma simples parada em algum posto de gasolina na “sera”.

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A CERVEJA IDEAL

15 de julho de 2017 0

Encontrei nas revistas de leitura prazerosa (classifico estas como as que não falam de política) uma relação feita por quem entende do assunto e consegue explicar a quem, como eu, quer aprender. Sempre fui um tomador de vinho. Os dois ou três tipos de cerveja fornecida pelas grandes marcas não satisfaziam o meu paladar. Só depois, bem depois de ter desistido é que me dei conta que eram sem graça mesmo.

Com a “chegada” das novas artesanais é que um novo espectro se abriu para os cervejeiros tardios. Tudo mudou quando na Bélgica, alguns anos atrás, tomei a que você vê na foto. A mesa ao lado havia pedido, o garçom serviu, eu olhei aquela cerveja densa e escura enchendo a taça e …. foi amor ao primeiro gole. Minha mulher, ao lado, pedira um spritz. Quando elogiei a cerveja, ela provou, olhou para mim e disse: peça pra mim uma também. E aí chegaram as duas.

E assim começou a nossa procura por uma nova bebida. Nova para nós, é claro; os monges da região a produziam e consumiam há muito tempo e só eles podiam agregar as cruzes, que com o tempo foram virando xis, 2, 3 ou 4. Assim como o vinho e os queijos, foram as cervejas se tornando uma incógnita que sempre me fascina. Quando vou a uma casa de vinhos ou olho uma vitrine de queijos ou agora de cerveja: são centenas de rótulos e alguém os compra, por isso estão ali, se não as comprassem não estariam ali. Assim é impossível dizer qual a melhor, digo só a que eu mais gosto e é isso que importa: o seu paladar.

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SUECOS ESTÃO SENDO INCENTIVADOS A CONSERTAR

14 de julho de 2017 0

Desde o começo do ano, os consumidores suecos recebem incentivos fiscais para consertar tudo, das bicicletas às maquinas de lavar. Essa ideia foi do ministro Per Bolund. “Há uma mudança de ponto de vista na Suécia de hoje”, explica ele. “Está crescendo a consciência de que nossas coisas precisam durar mais para reduzirmos o consumo de matéria-prima”. O que é pura verdade, e até diminui o volume de lixo.

As razões são diferentes, mas aqui também estamos começando a fazer. Primeiro temos que exigir mais, começar a reclamar e exigir melhor qualidade, melhor execução… mesmo que o produto seja chinês, exigir nesse caso que os importadores tragam produtos de melhor qualidade e eles sabem e podem faze-lo, desde que o comprador queira.

Os nossos fabricantes de tênis, por exemplo, sabem que existem colas melhores que não desgrudam a sola, mas não as usam, porque sabem que o brasileiro não reclama.

Temos que criar uma mentalidade que faça com que os nossos valores e direitos sejam respeitados. Mas como começar? Provavelmente reclamando, sendo o cliente chato.

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13 de julho de 2017 0

A carta vem do rio, mas podem ler. Ele, o jornalista Paulo Scali, fala de tudo menos do atual assunto que nos alegra mas que já enche o saco.

Amigo Flavio,

O governo cada vez em situação mais complicada, difícil o Temer ficar ou estabilizar. Vou falar pra você que as companhias do Temer sempre são as piores, mas na verdade o quadro político é muito ruim não podemos esperar grandes melhoras.
    Eu sou um dos poucos que torço por sua permanência no Poder, uma vez que a substituição nada mudará o país, o que adianta mudar? O Temer é um homem preparado, tem outra dimensão, um Professor, Catedrático, sabe falar. Os anteriores do PT foram horrorosos e causadores da situação que nos encontramos. O Rio de Janeiro encontra-se quebrado, sem polícia, num estado de calamidade total. Sou leitor do O Globo, que é o mais informado, se não fosse Veja da Editora Abril, Folha de S Paulo da família Frias, O Estado do Mesquita saberíamos pouca coisa. Não sei como está a Zero Hora que sempre bastante credibilidade, disseram-me que foi vendida.
Lia hoje no O Globo que estamos com roubo médio de 24 caminhões dia, isto é um por hora. Você conhece bem o Estado do Rio de Janeiro, que é pequeno, são 92 municípios, anteriormente eram 67, os novos em situação difícil que na realidade criou despesas enormes em locais pouco produtivos. Os antigos municípios também quebraram.
Os assaltos sempre persistem no mesmo local ou na maioria das vezes Grande Rio, Rodovia Dutra, Estrada Rio Petropolis…imagine ao ponto que chegamos?
   Acho muito interessante o seu livro, sempre lhe cobrei. Raríssimas pessoas têm experiência de vida como você, nos variados lugares e a intimidade com eles…você é um sujeito que só fez uma viagem na vida…. pois nunca chegou, está sempre continuando. Sem dúvida é uma oportunidade de conhece-lo e muito mais, tornar-se mais próximo dessa figura extraordinária que é você.
    Você tem que fazer o livro da sua maneira, haja visto esta experiência ímpar, não pode ficar sem mostrar o seu conhecimento, a identificação com o Mundo. Você é do Mundo e nós precisamos deste livro. Diria não só no mercado interno como fora, vai agradar é muito. Flávio, por favor faça o livro. Estou à sua disposição para qualquer sugestão que precisar, mesmo que, lógico, você esteja muito a minha frente.
      No dia 5 de agosto o Jan Balder vai lançar um novo livro aqui no Rio, e dia 13 de julho provavelmente aí. Neste livro ele fala da sua chegada ao Brasil. Eu estou apoiando o lançamento, que será numa oficina, local muito bom em S. Conrado chamado Lagoinha do português Narciso As, que foi um português, radicado no Brasil desde 1952. Você vem em setembro ?
      De tempos em tempos conto uma história…já lhe mandei uma..mas brincadeira …faço com o Vittorio Massari que era da Veloz revender da F N M corriam com J K ..Landi, Christiane o Varanda..
       O TUI pediu para você ler pelo menos o princípio, onde você e ele confraternizam (O Tui é um cachorrinho chow-chow).

 Abraços, Aguardo retorno.
        Paulo Scali.

 

Caro Scali, a minha vaidade, sendo citado por você, fez com que eu publicasse a carta. O livro está saindo. Vou pedir ao ghost-writer Márcio Pinheiro que fale com você e com o Bird.

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VIAJAR É PRECISO? OU VIAGEM É TABU?

12 de julho de 2017 0

2/52: Postales

 

“O Brasil desse jeito e você falando em viagem?”

Cada vez que a página do Estadão compartilha uma reportagem do Viagem, não demora muito para alguém comentar com a frase acima. Parece que, em tempos de instabilidade política e econômica, a simples ideia de sonhar, de buscar assuntos mais amenos, tivesse se transformado em tabu. Como se fosse algo permitido apenas na penumbra da noite, quando todos já foram dormir e é possível abrir o Google sem medo de olhares indiscretos, que podem nos flagrar enquanto digitamos a polêmica frase: “o que fazer em Porto de Galinhas”.

Pra quê refrear esse sentimento de conhecer o mundo além da sua rotina, de sua cultura, de suas certezas? Afinal, estamos em 2017, não há motivos para censurar esses desejos. A sociedade evoluiu – e a maneira de viajar também. Se no passado o simples ato de pegar um avião era um acontecimento que deslocava a família inteira para despedidas, hoje dá para parcelar a viagem em 10 vezes sem juros no cartão, passar a noite buscando promoções de passagens baratas online, conseguir uma carona para o litoral como auxílio de um aplicativo, encontrar com facilidade via Facebook aquele amigo que mudou há anos para a Europa, mas ficaria feliz em recebe-lo em casa.

A tecnologia ampliou as possibilidades de hospedagem e transporte, mudou a maneira de reservar os ingressos para os museus, transformou a comunicação com as pessoas amadas que ficaram em casa. Sua viagem é cada vez mais personalizada, moldada para caber em suas possibilidades. Sempre é possível viajar, qualquer que seja o agente deflagrador de sua insegurança – finanças, limitações motoras, filhos pequenos, falta de companhia. Nada de culpa. Talvez o seu roteiro precisa apenas de algumas adaptações.

Não estarei sozinho nessa missão de orientá-los, há várias colunas, para vários gostos. Por que transformar o sonho de viajar em tabu? Aquelas histórias de que sonhar em conhecer um país desconhecido faz crescer pelos nas mãos ou é tão venenoso quanto misturar manga com leite não passam de crendices.

Viajar é terapia para esquecer uma demissão, esquecer um amor não correspondido, esquecer que o Brasil está “desse jeito”. Esquecer por um tempo, claro, para relaxar a mente, colocar a vida no lugar e recomeçar renovado. E se você não acredita nem em duendes nem em viagem como agente transformador de estado de espírito, acredite nos números.

Será preciso esquecer por alguns momentos o romantismo do ato de viajar. Mas saber que turistar por aí implica movimentar uma indústria responsável por 3,2% do PIB nacional em 2016 e a criação de mais de 2,5 milhões de empregos diretos pode trazer paz para corações viciados em números. Chega de desculpas para ficar em casa.

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DISCURSO DE ÓDIO

10 de julho de 2017 0

O adiantado estado de decomposição do nosso sistema político, escancarado em cadeia nacional nos últimos anos, condena agente públicos e não livra entes privados. Gigantes empresariais incluídos na lista dos 500 maiores estão envolvidos na Operação Lava-Jato, escândalo de escala planetária que apequenou o Brasil – aqui e lá fora. As investigações do esquema de corrupção alcançaram a Petrobrás, antes orgulho nacional, as maiores empreiteiras, Odebrecht à frente, a JBS, potência do agronegócio, e agora estão nas bordas do setor financeiro.

No Rio de Janeiro, além das construtoras, as investigações envolveram concessionárias, joalherias e, nos últimos dias, adentraram o setor de transportes, com a prisão de Jacob Barata Filho, empresário de ônibus, e Lélis Teixeira, número um da Fetranspor – é o que diz a Flávia Oliveira.

Leio no mesmo jornal, O Globo de quinta-feira que a ex-candidata à deputada estadual pelo PPS Ana Amélia de Mello Franco vai ter que se explicar à Justiça no dia 24 de agosto, em audiência na 8ª Vara Federal Criminal. Segundo o MPF, Ana usou seu Facebook para “promover discurso de ódio” contra judeus, que incluía a proposta de bloquear todos os bens da colônia judaica no Brasil. A notícia-crime foi feita pelos advogados da Federação Israelita do Rio.

Não chega a desestabilização que só o presidente finge não ver, ainda vem uma ex-candidata a deputada pelo PPS para espalhar um pouco mais de ódio. Reproduzi o texto porque sé só escrevesse o que li você não acreditaria. Eu quando li não acreditei que isso poderia acontecer no século 21 e após tantas campanhas de integração.

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COME-SE TÃO BEM EM LONDRES QUANTO EM PARIS?

06 de julho de 2017 0

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Que tenho um xodó pela Grã-Bretanha não preciso dizer, quem segue o Viajando e meu Puxadinho já notou. Pudera, fui para lá graças ao Edmundo Soares e a Caldas Jr, tinha algum dinheiro no bolso, mas o que mais valeu foi uma carta de apresentação no Correio e da Rádio Guaíba. Além disto, já era amigo dos Fittipaldi (ambos na fórmula 3 e 2) e também do Moco. Ou seja, de uma hora para outra fico em contato com outro mundo, o da Fórmula 1, dos Beatles, do movimento hippie, e da vida mais intensa do planeta.

Mas, quando se falava em comida, era mais ou menos “the cow went to the swamp”.
Porém, como todos sabemos, o mundo está mudando cada vez com mais rapidez. Não ouse falar mal da comida inglesa para para Daniel Buarque, que não só defende a qualidade e a variedade da comida britânica como escreveu “Comendo Londres — Um guia para amar a pior comida do mundo”, livro no qual mostra seu ponto de vista sobre o assunto e conta suas experiências nos quase dois anos em que morou na cidade.
Leia a seguir ele respondendo a entrevista no Globo.

“Um guia para amar a pior comida do mundo”. Afinal, a má fama inglesa é mito mesmo?

É, no mínimo, um grande exagero. É verdade que os ingleses têm uma relação menos apaixonada por comida do que os franceses. É verdade também que a comida tradicional inglesa é rústica e simples, talvez até estranha para o paladar brasileiro. Mas dizer que come-se mal em Londres hoje em dia é totalmente falso. Não faltam opções de comida inglesa de alta qualidade e a preços acessíveis. Hoje é possível comer tão bem em Londres quanto em Paris, ou até melhor.

No livro você fala que o “amadorismo culinário” continua existindo na Inglaterra. O que quis dizer com isso?

A comida de Pub, que é uma das mais tradicionais, tem uma personalidade muito caseira e costuma ser feita por cozinheiros, não por chefs. Isso se repete em muitos lugares que servem comida no país, com cozinhas em clima quase familiar.

Qual é o prato da culinária inglesa que nem você conseguiu gostar?

Muitos dos pratos tradicionais, mesmo que soem bizarros, são bem bons. Gosto muito de black pudding (que chamo de pudim de sangue), de haggis (a buchada escocesa) e de steak and kidney pudding (o pudim de rim), por exemplo. O que não consegui gostar foi das jellied eels, enguias servidas na gelatina do seu cozimento. São difíceis de comer, mesmo para quem se aventura em comidas diferentes. O problema é que é uma posta de peixe servida fria e misturada a uma gelatina salgada, sem muito tempero.

Então tá! Daniel, muito obrigado. Mesmo assim, não vou pedir os kidney puddings, que já conheço, e o jellied eels, nem pensar. Mas vou comprar o livro.

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02 de julho de 2017 0

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É muita coincidência:

-Estado de São Paulo

-O Globo do Rio

- a nossa ZH

todos com a mesma chamada na capa.

Logo a seguir, abro o jornal e leio da Cora Ronái, que gosto muito, o que segue:

“Estamos vivendo um pesadelo coletivo: as más notícias não têm fim, o poço não tem fundo, a miséria não acaba. Fomos sequestrados pelo noticiário, somos reféns dos escândalos. Não falamos sobre mais nada que não seja corrupção, bandidos, gente má.

-Você viu?

-Você leu?

-Você soube?

Eu vi, mas preferia não ter visto. Eu li, mas queria desler. Eu soube, mas gostaria de permanecer na ignorância. Eu não quero mais gastar o tempo da minha vida, que é pouco e que é só este, me afligindo com um elenco tão ruim, envenenada com atos tão sórdidos e mesquinhos.

Só que não é um pesadelo. Não é uma novela, que a gente escolhe ver ou não ver, um filme, um livro. É a vida da gente, é o país que um dia gente sonhou, que viu ampliado no futuro como uma nação incompleta, mas viável, corrigindo o rumo, acertando o prumo, a caminho da perfeição possível – para isso trabalhamos, educamos nossos filhos, fomos a passeatas e a manifestações.

O que vai acontecer conosco?”

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NOVOS LIMITES

01 de julho de 2017 0

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Machu Picchu tem resistido a tudo: conflitos, lutas internas, os espanhóis, o esquecimento e o abandono, ao turismo, aos vândalos e aos ladrões, cada um por vez e todos juntos. Mas é impossível saber se sobreviverá aos burocratas. Sei que diminuir o fluxo é uma necessidade. Machu Picchu é pequeno, bem menor que as excelentes fotos que com frequência se veem.  O lugar é extraordinário e deve constar nos planos de todos os viajantes, dos turistas não sei. Mesmo com tudo o que se sabe, mesmo estando a uns 2700m de altitude, não ter um shopping pode ser fatal, não ter wi-fi é imperdoável. Qual é a graça de estar lá se não poderei mandar uma selfie aos meus invejosos amigos?

A partir de hoje, só as lhamas poderão ficar do nascer ao pôr do sol vagando sem destino pelas ruínas. Em 1º de julho entram em vigor as novas regras de visitação da principal atração do Peru, que incluem limitação do tempo de permanência, entrada em dois turnos, circuitos fechados e a obrigatoriedade do serviço de guias.

O objetivo é diminuir o impacto do turismo maciço na zona arqueológica. As medidas valerão até outubro, mas poderão ser estendidas. Foram criados dois turnos distintos para a entrada: das 6h ao meio-dia e do meio dia às 17h30, que devem ser escolhidos pelo turista no momento da compra do ingresso. Pela manhã, o número de visitantes será de até 3.267 pessoas, e à tarde, máximo de 2.673.

Será possível ficar até quatro horas, no máximo. Exceção feita àqueles que escolherem, pela manhã, fazer os roteiros alternativos para as montanhas Machu Picchu e Wayna Picchu, que poderão ficar no parque por seis horas.

Além disso, a partir de sábado, não será possível visitar as ruínas sem a companhia de um guia registrado pelas autoridades. Os profissionais poderão ser contratados com antecedência ou na entrada do santuário. Eles deverão acompanhar os visitantes pelos circuitos em grupos de até 20 pessoas.

Os visitantes deverão se ater a três circuitos, escolhidos antes da entrada. O Circuito 1 é o mais amplo, contornando a área da cidade inca. O Circuito 2 valoriza mais a parte inferior das ruínas. O Circuito 3 é o que tem menos escadas, por isso é o mais indicado para pessoas com capacidade reduzida de locomoção. Todos podem ser cumpridos em até 3 horas, e no tempo restante os visitantes poderão andar um pouco mais, sem sair do trajeto delimitado.

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