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14 de setembro de 2017 0

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Lendo os jornais do centro do país no fim de semana não me parece que estejamos em crise. O que aparece é que estamos pagando o preço pelos últimos escolhidos nas urnas e de sua incompetência administrativa. Chegamos não a uma crise mas a uma alarmante constatação que temos votado errado.

Votamos por simpatia ou em quem tem o melhor discurso, a melhor oratória. Mas quem disse que quem fala melhor e diz o que gostamos de ouvir administrará melhor? O Pezão, do Rio de Janeiro, num estado falido, quer alugar um jatinho para ir com mais rapidez a Brasília e a cidades do seu pequeno estado. Já a Marinha e o Exército pretendem comprar um porta-helicópteros.

Li também que o Ministério da Defesa ou outro qualquer reclama do contingenciamento de fundos para a conclusão do nosso primeiro submarino nuclear (no projeto são 3). Ou seja, chegamos a um ponto que a iniciativa privada, a única que dá lucro e pega imposto, não mais consegue pagar a manutenção da cúpula brasileira. Estamos como as republiquetas africanas, tudo o que o país produz só dá para pagar as mordomias de quem está no poder.

O Estado brasileiro cresceu demais e não cabe mais no país, tem que ser menor, muito menor e melhor. Ora, não será alugando jatinhos por ano, comprando porta-helicópteros ou construindo submarinos atômicos que vamos diminuir o estado, e muito menos quando 6 ou 7 ministros são altamente suspeitos de ladroagem… e continuam ministros.

Sendo que um deles foi ministro do Lula, da dona Dilma e do atual presidente. Guardou dentro de malas o montante suficiente para construir várias escolas, inúmeras creches, mais de 50 viaturas equipadas e um sem número de postos de saúde.

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OS CUCAS-FRESCAS

12 de setembro de 2017 0

Sem medo da tempestade, a música “Rock you like a hurricane” chega a ser uma trilha sonora infame para este sábado, mas essa era uma das músicas mais tocadas no George’s, em Miami. O bar, um dos raríssimos abertos no sábado pré-Irma, reunia pessoas que buscavam um lugar onde tivesse uma cozinha capaz de servir comida quente e cerveja gelada.

-Já estou com tudo pronto em casa, mas preciso relaxar – disse a hondurenha Monica.

O americano Ben Gaser, de 33 anos, afirma que a tensão na cidade é tão grande que apenas o George’s consegue exalar um pouco de alegria:

-Enquanto não houver riscos, porque não se divertir?

O dono do bar quer ficar aberto enquanto puder. Se o furação vier forte, vai sugerir que seus clientes durmam ali, onde terão vinho e comida:

-Liguei para meus funcionários e perguntei se eles queriam ganhar muito dinheiro. Todos toparam trabalhar.

Mas, além das pessoas que se arriscam em bares, há outros em situação muito mais complexa: são as pessoas que não acataram a ordem do governo de abandonar suas casas, medida que atingiu mais de seis milhões de moradores da Flórida. Pela lei, o governo não pode usar a força para retirar as pessoas destas casas, mas o morador assume todo o risco e fica ciente que ele não será socorrido em caso de catástrofe – o governo fica desobrigado de arriscar socorristas nestas operações, principalmente em locais mais sujeitos a inundações.

-Sei que há ordem de evacuação, mas tenho certeza da resistência da minha casa. Aqui estou mais seguro que num abrigo ou na estrada, onde posso ficar sem gasolina – disse Anthony, morador de Coconut Grove, que pediu para não dar o sobrenome.

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10 de setembro de 2017 0

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Missão brasileira no Haiti: 25 militares mortos em 13 anos. No Rio de Janeiro, cem bravos policiais militares perderam a vida nestes oito meses de 2017!

A morte do centésimo policial militar do Rio de Janeiro este ano parece que não tocou ninguém. Muitos se calaram e o noticiário veio sem sentimento de espanto. Espero que esta morte seja um marco para que juízes e promotores reajam contra os marginais deste país. Às vezes as leis podem favorecer criminosos, mas, como elas podem e devem ser interpretadas, podem, sim, ser mais rigorosas com aqueles que desafiam o Estado de Direito. O sangue que escorre de um soldado, única barreira entre o crime e a sociedade, é um pouco do sangue de todos nós.

Quem sabe aprendamos com a experiência deles no Haiti e aos poucos vamos inserindo o exército em função que não seria exatamente sua. Mas a guerra é aqui, os inimigos somos nós mesmos. Lembro de muitos exemplos bem sucedidos. Em Bento G. (ou próximo) os militares fizeram pontes e estradas. Na China vi militares fardados colocando telhas que haviam sido levadas por um vendaval. E ninguém deve ter perguntado se era missão do exército.

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TODOS MENOS JOHN REED

09 de setembro de 2017 0

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Sou absolutamente contra essa estupidez chamada racismo e os malucos que defendem a tese. Lamento profundamente o que aconteceu em Charlottesville.  Também não me convenço da ideia de derrubar estátuas ou trocar nomes de ruas que contam a história de um país seja a solução, mas são coisas que nós gaúchos fazemos. Nós gaúchos não é o termo mas de um grupo que se  B nas calças quando vê a galera na câmara, organizada e transportada, com bandeiras e palavras de ordem.

É gente que quer recomeçar a história, do Brasil ou do RS, que no caso começará com eles. Já no início da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, tem uma figura de bronze do General Castelo Branco, sem pedestal, o que o Humberto Werneck chama de estátua pedestre, e nunca foi vandalizada, e nunca alguém pensou em tirá-la de lá, sejam políticos ou ladrões, se você achar que é a mesma coisa é por sua conta. É que no Brasil, bronze voa, desaparece…

Políticos bons existem. Kennedy, lá no outro lado do Equador disse uma vez. É uma pena que 10% deles tenham que pagar pela fama dos outros 90%, lá é claro. No domingo passado fui ao brique e caminhando por ali, surpreso com nosso agradável agosto, fiquei sabendo por um ex-aluno que ali no Colégio Militar a placa ao ex-aluno e depois desertor, ou traidor (como quiserem) Lamarca ainda está lá. E que nunca pensaram em tira-la.

Lembrei também que a universidade onde estudou John Reed que acompanhou e descreveu a Revolução Russa. Contra ou a favor? Não sei, nunca o li. Acho que o título é 10 dias que abalaram o mundo. A universidade não concordou com alguns que queriam tirar o seu nome de um mármore de ex-alunos, pois ele havia estudado ali. Mas o consenso chegou quando alguém sugeriu que fizessem outra placa. E assim foi feito, e a segunda diz: Todos menos John Reed.

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08 de setembro de 2017 0

Pois é, há muitas interpretações a fazer sobre o volume de dinheiro encontrado no apartamento, mas a que compreenderíamos melhor o quanto somos roubados foi a que reproduzi e está na sua frente. É do jornal Estado de S. Paulo.

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06 de setembro de 2017 0

O NOME QUE NÃO PEGOU

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Sou um usuário da Castelo Branco, e o retorno ao nome original me alegrou. Nunca entendi bem o propósito da mudança de nomes e o ódio que alguns continuam tendo 20 ou 30 anos depois da anistia. Quando veio a “mudança”, a destituição do presidente Jango, eu era metalúrgico em SP e trabalhava em uma fábrica, às margens (fétidas) do Arroio Ipiranga, do famoso grito do Dom Pedro, da nossa independência e hoje nome do Museu do Ipiranga (que era bem perto).
Não quero entrar no assunto política, até por nunca ter sido nem atuante nem conhecedor, mas posso garantir que a “bagunça” era tanta que nenhum país poderia continuar funcionando. Exemplificando para terminar, um dia chego na fábrica no horário de costume e está tudo parado no andar térreo, onde era a linha de montagem. Na época não havia muitos telefones, e só se ficava sabendo ao chegar. Perguntei a 2 ou 3 que não sabiam o porque da parada até que falei com um dos líderes. Ele disse as mesmas coisas que ouço e vejo nas passeatas até hoje e completou “esta paralisação é em apoio ao correio e telégrafo argentino”!!!.
Pelo que me dizem sobre a mudança do nome, alguns vereadores votaram por razões ideológicas (o que aceito perfeitamente) e outros acuados pela galera organizada e transportada cedo para lotar a galeria. Nunca entendi bem este ódio feroz e me parece que é só nosso e quem sabe ajude a explicar o lento desprestígio do nosso estado. (Na fábrica que falei, a Vemag, nós e Minas Gerais lutavamos para saber a cada mês quem vendia mais unidades. Hoje, MG comercializa o dobro de veículos que o nosso estado).
Sem dúvida a Fiat ajudou nesta diferenciação, lembro que tivemos a Ford, um iluminado mandou para a Bahia. Mas agora fico sabendo pela coluna do Humberto Werneck no jornal O Globo que os cariocas passam todos os dias ao lado de uma figura em bronze do Mar. Castelo Branco normalmente, como o fazem quando passam por Cayimi, Clarice Lispector ou Tom Jobim.
É no começo da Avenida Atlântica. E nunca passou pela cabeça de alguém tirar o pequeno bronze do grande homem que foi o Castelo e o grande vem ainda da segunda guerra. Já aqui, em PA, a Câmara acovardada pela galeria insuflada e barulhenta votou para risca-lo da história.
Comentando o fato com um ex-aluno no Brique da Redenção, fiquei sabendo que no Colégio Militar segue o nome do Lamarca, que ali estudou e se mandou para a oposição, levando até as armas, o que demonstra bem o que ele pretendia. Os militares, diretamente afetados pelo desertor, mantiveram seu nome gravado em uma placa em mármore, afinal ele foi aluno.
Lembro de ter ouvido do meu amigo Claude Bonjean (editor do “Le Pont”) que Paris, apesar de invadida pelos russos lá por 1885, nunca pensou em retirar seus nomes das praças, logradouros e estações. Aliás, até incorporaram algumas palavras russas ao seu vocabulário: bistrô, por exemplo, era a palavra usada pelos soldados invasores quando entravam em pequenos bares e restaurantes. Sem dominar o francês e tendo pressa, repetiam bistrô, bistrô, exatamente, rápido, rápido, em seu idioma, que acabou dando nome a esse tipo de restaurante.
Parece que acima do Equador são diferentes em tudo. Sem-cerimônia entre os vivos, os que já estão no cemitério Père Lachais. No túmulo do jovem jornalista Victor Noir, baleado por um primo de Napoleão III há quase 150 anos. Sua bela e trágica figura, caída sobre a lápide, esvaziou-se de toda conotação política, ao mesmo tempo que nela inflava um imprevisto apelo erótico, ditado pelo volume do sexo sob as calças. A protuberância converteu-se em talismã de jovens desejosas de engravidar. De tanto ser acariciado, aquele avantajado detalhe de sua anatomia acabou por conferir ao dono um brilho que, em vida, ele talvez não tenha tido.
Se fosse aqui provavelmente o primo do Napoleão teria sido emasculado.

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Millôr

29 de agosto de 2017 0

Desculpem leitores, não tenho queixas da minha memória, mas reconheço que algumas vezes ela só pega no tranco. Estes dias usei uma frase do Millôr sem conferi-la e esta noite ele me assoprou a frase certa, que é “Isso sim é um Congresso eficiente. Ele mesmo rouba, ele mesmo investiga, ele mesmo absolve”. Minhas desculpas a vocês.
Obrigado, Millôr, pela correção, espero que de onde estiveres (no inferno, provavelmente), corrijas também meus próximos erros. Quanto ao inferno, leitores, quero deixar claro que não é maldade minha, pelo contrário, com aquela cabeça privilegiada seria um castigo manda-lo para o céu.


Imaginem a caretice da companheirada. Vocês podem ter certeza (e usem os exemplos terrenos para certificarem-se) que ali só entra gente chata e que não viveu. Seria um suplício a quem nos alegrou com suas tiradas enquanto esteve por aqui. Reconheço que o ar-condicionado deve ser melhor, mas é só. Não é como aqui que a cada dia temos novidades, a cada dia surge um novo escândalo de corrupção em todas as esferas, via de regra envolvendo políticos.


A impressão é que a prática se tornou endêmica, a ponto de acharem normal cobrar propina para fechar um contrato, aprovar uma lei a fim de beneficiar alguém ou alguma empresa, superfaturar orçamentos e contratos com intuito de desviar recursos, para quem? Ora! Veremos. É só esperar o jornal de amanhã, é certo que termos novidades.
E na semana passada li que no Mato Grosso chegaram à perfeição. Até para enterrar alguém e retirar um corpo do IML tem que molhar a mão de alguém.

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FALAR DA VENEZUELA ESTÁ NA MODA (1 de 2)

28 de agosto de 2017 0

Tive acesso a um magistral texto de John Updike e resolvi republicá-lo. Espero que desfrutem.

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“Ambos os sexos vestem-se elegantemente: os homens preferem ternos escuros de peso médio (as noites podem ser frias em Caracas), o corte inglês com um ligeiro toque latino, e camisas listradas, mas colarinhos brancos e punhos franceses abotoados com ágata e ouro; as mulheres vêm em uma variedade de vestidos e calças com estampas militares, originais Dior e de la Renta trazidos de Paris e Nova York”, descreve John Updike sobre os anfitriões de “excelente inglês, adquirido em faculdades em Londres ou ‘nos States’”. Este texto sobre a florescente metrópole venezuelana foi publicado em maio de 1981 na New Yorker.
A Venezuela chegara até ali como o país mais rico da América Latina, com renda per capita que chegou a ser equivalente à da Noruega e da Alemanha Ocidental. Quase 40 anos depois, o ensaio de Updike dá pistas sobre o que pode ter dado tão errado. O escritor não descreve apenas o modo de vida da elite urbana, “los ricos”, mas da outra ponta, “los índios”, e de uma insignificante classe média.
Los índios vivem deprimidos e aterrorizados em shabonos infestados de insetos; los ricos, em casas grandes e arejadas, ao longo do litoral ensolarado, na metrópole ou nas margens do Lago Maracaíbo, de onde sua riqueza negra é retirada, mas estão também deprimidos, desejando estar em Londres, Paris ou Nova York. Los índios buscam alivio da tensão no uso de ebene, alucionógeno da casca de uma árvore.
“A democracia constitucional não está tão segura como pode parecer. Turbulência e tirania são tradicionais”, observou Updike. “Los índios e los ricos raramente fazem contato. Quando o fazem, resultam os mestiços e a exploração dos recursos naturais. Nisso reside o futuro da Venezuela”.
O petróleo foi descoberto em Maracaíbo em 1922. Com contratos mais favoráveis à Venezuela entre os anos 1950 e o começo de 1980, a economia disparou na mesma medida do preço do petróleo. Mas, como outros tantos casos na África e no Oriente Médio, o país estava fadado à “maldição dos recursos naturais” ou o chamado paradoxo da abundância: falta de investimentos em outros setores, concentração de renda e vulnerabilidade às oscilações do mercado, problemas exacerbados pela má gestão e corrupção.
(segue)

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MIRAGENS DO RIO

27 de agosto de 2017 0

Há alguns anos, até o poeta Carlos Drummond de Andrade perdeu sua discrição habitual para recomendar a exposição de carrancas do mestre Guarany. “É a exposição mais quente de agosto”, escreveu entusiasmado. “A mais comovente, a mais lírica e a mais brasileira”. E insistiu: “Vale a pena ver, pessoal!”.

Em outros tempos, essas carrancas afugentaram duendes e maus espíritos para o fundo das águas barrentas do rio São Francisco. Perfiladas num museu, agora homenageiam Francisco Biquiba, um marceneiro das margens do São Francisco, e o mais importante de seus criadores.
Ele próprio viu algumas vezes a aparição fantástica de uma espécie de sereia que arruinava os barqueiros com sua beleza descomunal. Esculpidas em cedro na proa das barcas, aquelas carrancas – meio cavalo, meio leão, meio gente – zelavam pela paz dos viajantes. São velhas histórias. As barcas tradicionais deixaram de cruzar o rio desde 1945, assombradas não pelas pelas figuras fantasmagóricas mas pelas exigências do comando de tráfego marítimo. Apesar disso, Guarany produziu um total de 130 carrancas. Só que estas últimas tinham olhos menos esbugalhados e expressão menos apavorante – eram para decorar os lares do sul do país.
A exposição foi organizada pelo engenheiro Paulo Pardal, que anos atrás realizou um livro documental, “Carrancas do S. Francisco”, baseado em depoimentos do mestre Guarany. Ele conseguiu reunir 22 carrancas do artista, muitas delas de sua coleção pessoal.
Pardal fala em “inconsciente coletivo” para explicar como surgiu, em 1880, uma manifestação artística no interior do Brasil que remonta às mais antigas civilizações. Mas, na verdade, é provável que haja uma explicação mais simples. Elas teriam surgido dos pedidos de ricos fazendeiros procurando imitar em suas barcas as figuras tradicionais de proa das embarcações oceânicas.
Até 1945, Guarany terminou oitenta carrancas, quase dois terços da sua produção total. No início, fazia a cabeleira das figuras como se esta fosse um conjunto de cordas uma ao lado da outra. Depois vieram os cabelos em ondas, como a crina de um cavalo a galope. Guarany fazia essas figuras a partir do desenho dos troncos que encontrava. Uma constante é que todas têm dentes pontiagudos e a boca aberta, para lutar com fantasmas. Algumas trazem até penachos para evitar o mau-olhado.
O fim das barcas obrigou Guarany a produzir carrancas menos assustadoras, para colecionadores de arte. E o interesse nesse mercado fez com que aparecessem imitadores. Pardal até incluiu alguns desses exemplos que ele chama de “carranca-vampiro”. Elas têm cores carnavalescas e, por incrível que possa parecer, são sorridentes.

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O LEGADO DO RIO E AS RUINAS MODERNAS DA GRÉCIA

26 de agosto de 2017 0

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O mato racha estruturas de cimento, salas inteiras estão destruídas por vandalismo, há arquibancadas destroçadas e piscinas com lodo e lixo. São monumentos de um passado curto mas glorioso que os gregos festejaram como um evento que eles mesmo iniciaram. Nada mais justo. Mas hoje, treze anos depois, uma parte das instalações dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 está dilapidada.
Em crise desde bem antes, o governo grego deixou de cuidar dos locais que foram considerados orgulho de um país que voltava a sediar uma Olimpíada, berço da civilização e cenário do esporte. Atenas hoje pode estar antecipando o Rio de Janeiro de amanhã.
Os gregos gastaram quase 9 bilhões de euros para realizar os jogos. Mais de uma década depois, o estádio olímpico continua sendo usado para partidas de futebol, uma parte das piscinas está ativa e o centro de imprensa se transformou em shopping center.
A população continua a se beneficiar das avenidas e trens projetados para o evento. Mas uma parte significativa das instalações está totalmente abandonada e é ironicamente chamado pela população local como “as ruínas modernas da Grécia”.
Há 4 anos estive na Grécia outra vez, enquanto os 3 que não conheciam foram ver algumas de suas atrações. De táxi visitei as 8 “grandes” arenas, e só duas estavam em uso: como estacionamento. Algumas tinham uma floresta dentro. Não vou dar marcha ré nas postagens, mas se você fizer, as encontra com facilidade.
Dos 32 locais de prova, 18 foram construídos especialmente para a Olimpíada, enquanto outras 12 foram renovadas. Atenas ergueu apenas duas instalações temporárias. Após os Jogos, muitas das instalações olímpicas não encontraram compradores, enquanto outras passaram a ser usadas para casamentos e festinhas. Os projetos de repasses jamais saíram do papel. Um exemplo é o complexo Helliniko, com seis diferentes instalações, como softbol, canoagem e hóquei sobre grama. Todas abandonadas.
Outro retrato de um legado fracassado é a parte da Vila dos Atletas. O local tem casas populares. Mas, em sua entrada, o conjunto de prédios que servia de centro de credenciamento e gerenciamento do local está abandonado e todo destruído.
Oficialmente, autoridades garantem que vigias fazem a segurança do local. Mas quando a reportagem esteve no prédio, não encontrou ninguém. Um casal de adolescentes, que namorava atrás de um dos muros, contou que à noite são os grupos criminosos que usam o lugar para a venda de drogas.
Isso depois que outras gangues saquearam tudo o que podiam por lá, incluindo máquinas ar-condicionado, tubos, equipamento elétrico, pias de banheiro e até peças de elevador. Pelo chão, há cabos soltos, preservativos e cacos de vidro.

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