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Fashion era minha avó

26 de maio de 2012 0

Sou do tempo em que leite, refrigerante e cerveja eram vendidos em garrafas reutilizáveis. As donas de casa utilizavam suas sacolas para compras . O cafezinho era servido em xícaras de louça. A água era bebida em copos de vidro. Pratos e talheres eram feitos de louça e inox. Tudo isso ficou fora de moda da noite para o dia. Tudo hoje é descartável.

“Moderno” passou a ser usar e jogar fora. Até bens mais duráveis, como computadores, eletrodomésticos e celulares tornaram-se descartáveis.

Em vez de consertar a TV ou geladeira, compra-se uma nova. O celular tem de ser trocado a cada seis meses. Até os carros atuais parecem ter prazo de validade mais curta. O que até há pouco era considerado “ antigo”, agora é moderníssimo, mas as coisas devem mudar.

A Coca-Cola, por exemplo, já oferece em supermercados de São Paulo garrafas pets recicláveis com um bom desconto no preço. O grupo Pão de Açucar  estimula o uso de sacolas de pano. O problema é estar com a sacola quando se decide fazer as compras.

Algumas empresas substituíram copos descartáveis por canecas de louça e reduzem com isso o consumo de papel.

Crescem nos EUA e na Europa movimentos como os da Simplicidade Voluntária. Consumo Consciente, o Slow  Food que propõe um novo estilo de vida, baseado na frugalidade e na reciclagem.

Moderninha, fashion mesmo era minha avó, diz Irineu Guarnier Filho na Zero Hora.

Os praticantes dessa nova filosofia de vida não são new hippies. Tampouco pretendem acabar com o capitalismo. Não se trata de um retorno nostálgico a Woodstock. De uma nova utopia regressiva. Nada disso. São pessoas comuns que um dia perceberam que o consumo desenfreado não entrega a felicidade prometida.


Gente que tenta evitar não apenas o aquecimento global, mas a completa exaustão do planeta. Não importa se o aquecimento global resulta da ação do homem ou da própria natureza. Não importa se Copenhague foi uma tremenda decepção ou não.

Cada um tem de fazer a sua parte para reduzir o impacto de sua passagem por este mundo.

Obrigado Irineu.


Botecos

25 de maio de 2012 0

Faz tempo que escrevi isto. Ficou no fundo de alguma gaveta, mas gosto de um chope bem tirado, garçons simpáticos e ambiente  despojado são determinantes na escolha de um bar, seja da moda , com música e/ou o simples boteco ao lado; sempre há um boteco ao lado de um bar de sucesso.  Mesmo com vizinhos badalados , os “pé sujo” seguem  atraindo clientes  de todas as idades e classes, fazem sucesso apesar de freqüentemente...rodeados pelos endereços consagrados.  Meus amigos  vão tanto a um boteco que até mandaram fazer  camisetas com  “Sujinho drunk Office” ( escritório de bêbado). Tem até uma música que  pede a criação de um decreto que proteja o bar.

Todos acham importante ter um boteco na região, mesmo sendo uma região AA, atrai mais gente e todos ganham, dizem os donos dos locais.

Alguns botecos têm um chope diferenciado e é mais fácil de conseguir um mesão para conversar com os amigos.

A simpatia dos garçons nos “pé sujo” são um caso à parte.Eles dão crédito pessoal ( você deve ao garçon! ), entregam mensagens e dão recados. A filha de um dos meus amigos, e  seu grupo criaram a “ quinta de lei”, dia de beber uma cervejinha sem falta. É um de meus programas prediletos, diz.

Na prática, a abertura de bares sofisticados tem ajudado os botequins vizinhos  a aumentarem os lucros . A  50 metros de uma recém aberta adega , o bar vizinho começou a faturar 20% a mais . Sexta e sábado vende toda a cerveja do estoque.

London - As Olimpíadas vêm aí

24 de maio de 2012 Comentários desativados

Todos os olhos se voltam para a ilha. Vivi sediado ali por pouco mais de 2 anos. Tenho encantos pela ilha e reconheço que mudou a minha forma de viver e de ver a vida. Agora vejo no Estadão um artigo de Ana Gasston, brasileira, paulistana que há 10 anos mora ali. E eu acrescento segura, sem ..., alarmes, podendo caminhar à noite sem medo e assim desfrutar o país. Inicia falando dos parques.

Andar pelos parques.  Não faltam animais como patos, gansos e cisnes perambulando nos parques de Londres. Durante o dia, esquilos podem ser vistos em toda a parte e fazem o maior sucesso entre visitantes que enlouquecem tentando fotografá-los.  À noite, é a vez das raposas darem o ar da graça nas ruas do centro e subúrbios. E há outros animais selvagens e até exóticos em áreas protegidas que ficam a menos de meia hora de trem de Waterloo. No sudoeste da cidade, próximo a Hammersmith, o London Wetland Centre é um emaranhado de pequenas ilhas, lagos e canais habitados por aves, sapos e insetos coloridos. Espalhados pela área verde estão também vacas e animais menos graciosos, como as cobras e morcegos.

Desde a abertura do centro, em 2000, mais de 200 espécies de aves foram registradas ali. Na entrada, os turistas recebem um mapa e um check-list dos pássaros. Telescópios e binóculos estão disponíveis nas torres, onde é possível observar bem de perto os animais e toda a paisagem que cerca o local. No verão, muitas aves se ocupam de cuidar dos filhotes recém-nascidos. O que rende fotos fantásticas.

Itália, cidade de Aostra

23 de maio de 2012 0

A foto é do Paulo Marshall, meu ex-colega na indústria de automóveis em São Paulo, também da área técnica. Batemos bons papos até hoje. Aliás, é o mesmo papo que iniciamos lá por 1960. Posteriormente, o Paulo, aproveitando seu know-how em Mercedes, passou a fabricar motorhomes e eu passei a seu cliente – aliás, continuo até hoje e gosto de seus produtos e de sua família.

Um dia, passeando (pois ele não só fabrica, mas também aluga no exterior), Paulo e Ana chegaram à Itália, e, como pessoas de bom gosto, estacionaram no Vale d’Aosta e ali ficaram conhecendo as pequenas cidades da região. Numa delas, fotografaram a placa que ilustra esta postagem. Se você tem um pé na bota, quem sabe já a tenha traduzido. Não é nada mais que um “horário de abertura”, mas à italiana:


Abrimos com frequência às 10

Ou mesmo às 10:30

Raramente às 9:30

Mas alguns dias não antes das 14h30 e das 15

Fechamos mais ou menos às 19

Ou às 19:30, mas também às 20

Algumas manhãs ou após o almoço, paramos um pouco

Ultimamente, porém, temos estado

Praticamente sempre abertos

A não ser quando estamos em algum outro lugar

Mesmo se deveríamos estar aqui.


Ou seja, vá à Itália e divirta-se. Vale a pena. Mas prepare-se: mesmo que você seja filho de italianos, mesmo que você seja fluente no idioma, vá preparado para entender o que o Zio Benito quis dizer com a frase: “Governare gli italiani non è impossibile, ma è inutile”. O que será que ele diria do Brasil?


No altiplano da Bolívia

22 de maio de 2012 0

Volta e meia, fico pensando em voltar à Bolívia, e se não fossem as estripulias de Evo Morales, iria novamente. Não sei se algo mais mudou, só o que sei é que a produção de coca triplicou e está inundando o mercado brasileiro. E o baixo preço, agregado a soda cáustica está produzindo viciados em curto prazo... e por pouco tempo...

Para iniciar, fala-se sempre que a elevada altitude pode causar náuseas e dores de cabeça, primeiros sintomas do soroche. É verdade, para quem chega de avião. Se você for por terra, como eu, o organismo vai se habituando,  você não sente mais nada. Se o mal-estar for muito forte, uma opção é recorrer aos costumes locais : mascar folhas de coca ou tomar chá de coca e para desmistificar, nenhum produz algum barato, falta mais um elemento: o calcário.

Aqui para nós, glicose em cápsulas ainda é a solução mais eficiente, mas viajar na Bolívia é assim mesmo.  Para quem gosta de adrenalina, um prato cheio. Aproveite e não deixe de visitar a Laguna Tarapaya, um lago formado por águas sulfurosas verde-musgo do vulcão adormecido. Mas, se você resolver se banhar, tire todos os seus balangandans, até de ouro, que a água preteia tudo.

O trajeto de Potosi a Uyuni, se você vier do norte, é um poço de surpresas. A estrada serpenteia pelas colinas íngremes do altiplano, na realidade um planalto de 800 km, acima dos 3500 metros, que se estende do Lago Titicaca até Uyuni no sul da Bolívia, já quase fronteira com Chile e Argentina.  A viagem , na época, me assustava um pouco pela idade dos ônibus, normalmente em condições precárias e que muitas vezes deixam de funcionar (freios inclusive). Os ônibus hoje devem ser melhores....eu espero.



Stop

21 de maio de 2012 0

Nunca concordei com o bordão do Padre Vieira. Para falar a verdade tenho até  uma certa  dúvida que ele tenha escrito uma bobagem destas: o melhor não é viajar, mas ter viajado. E por não concordar estou saindo de novo; serão uns 30 dias e como das outras vezes sem telefone e lepitopi. Nem sei bem aonde vou, só sei que vou a lugares que não escolhi e sei que não são por aqui.

Mas como contrariar  ilusões de quem já me acompanhou pelo Sahara? Pela Mauritania, pela Patagonia afora, no Rajastan, no Atacama. Portanto, seja onde for, irei...e caminharei pelas ruas, entrarei em bares e restôs, na eterna procura de alguma coisa que não deve haver e em algum balcão de pé brindarei mesmo sozinho e saudoso os FACEiros e blogueiros que lendo o Viajando... me estimula a prosseguir.

19 de maio de 2012 0

Pelo retorno que tive, os leitores do Viajando por viajar gostaram do que republiquei, o que não me surpreendeu. Por isso e sabendo que moraste no Chile, me atrevo a recomendar-te na próxima ida, ir por estrada, partindo de la Serena para ser mais rápido, pois sei de teus compromissos literários....Além da casa, filhos, cachorros e papagaio, portanto não sei quanto tempo a tua libertação pode ser colocada na estrada. Andar sem rumo pelo Atacama é ótimo ( de motor home, melhor ainda). Algumas empanadas na geladeira e algumas garrafas de reserva; se acabar a reseva não há problema: todos os vinhos são bons e tu te divertirias muito e  nós, teus leitores, ganharíamos ótimos textos.

Aliás, se te dispuzeres a subir de San Pedro de Atacama pelos salares bolivianos, também vais gostar, mas cuidado: o Evo Morales já nos tomou uma refinaria, agora repetiu a dose com os espanhóis....e eles devem andar à procura de uma futura Premio Nobel, portanto c-u-i-d-a-do.

O vizinho, Chile, tem dois;  a  Argentina, quatro ou cinco.

Tu serias a sequestrável ideal





Deu no jornal

18 de maio de 2012 0

Não, não é o que você está pensando, que eu saiba, na semana que passou ninguém das redações gaúchas usou como cama a sua escrivaninha e  se usou, o Viajando não tem nada com isso, mas até aplaude. Um blog sério escreveria algo tipo: o pensamento do dia. Mas ficaria mais difícil, confesso que não tenho por dia um bom pensamento. Assim posso fazer citações de outros, por exemplo, do Globo do Rio. Ontem, domingo,  saiu: o que vale é a nudez interior. Quem falou? A mulher melancia.

Outra frase ouvida sábado de manhã no nosso mercado: Prendam os políticos e soltem o Cachoeira.

Mas tem outras memoráveis, aliás. Depois de trabalhar anos na indústria de automóveis em São Paulo, tive de ler de quem mandou a Ford embora: O Rio Grande não perdeu a Ford; a Ford é que perdeu o Rio Grande.

A Bahia agradece até hoje ( a Ford começaria sendo o dobro da GM ,lembraram?). Só voltei a respirar por que na página 15, o meu amigo Iotti publicou o que você está lendo  lá em cima. Deve ser por isso que a Ford vai mal e o Rio Grande muito bem. Porto  Alegre era a terceira cidade do Brasil incontestavelmente. Hoje somos a  o-i-t-a-v-a .



Restaurantes de agora e do passado

18 de maio de 2012 0

Recebi um bilhete, mas sem envelope, este “sousplat”. Portanto, é uma pessoa próxima  e que sabe onde eu moro e que eu gosto deste gênero de postagem. Foi a Daria, tenho certeza; devo dizer também que a reconheci  pela modéstia. Teria direito de botar três Drs  antes do nome. Não o fez, portanto foi a Daria  Olendzki Suffi mesmo.

A História dos Restaurantes

Durante a metade do século XVlll, “restaurant” era somente um tipo de sopa, um caldo de carne revigorante, feito para pessoas debilitadas ou “fracas do peito”. Chegou-se ao exagero de prepará-lo com pedras preciosas e “ restaurateur” era o cozinheiro que fazia o caldo. Nesta época, comer fora do ambiente doméstico era pouco comum. Além das tabernas havia os hotéis e as pensões. O hóspede não tinha direito à escolha de cardápios e deveria se adaptar às normas da casa...

Já escreveram que a Revolução Francesa teria sido o estopim do crescimento dos restaurantes, porque, ao produzir a fuga ou execução dos aristocratas (que tinham os chefs de cozinha a seu serviço), colocou no desemprego esses profissionais, que foram obrigados a estabelecer-se por conta própria, democratizando o acesso às delícias até então exclusivas da mesa dos nobres. Também é conhecida outra história em que o inventor do primeiro restaurante teria sido um padeiro em Champ d’Oiseaux que começou a vender os tais caldinhos para debilitados em 1765.

Independente de quem foi o percussor, os restaurantes começaram a se multiplicar, os menus a se ampliar e as sopas se tornaram apenas um detalhe na infinidade de itens oferecidos.


O surgimento dos restaurantes motivou o aparecimento do primeiro guia gastronômico, o “ Almanach des Gourmands”, de Alexandre Balthasar de la Reynière, publicado entre 1803 e 1810. Decretava o jantar como uma atividade mágica, diferente de qualquer outra refeição. Mas já naquela época, alguns invejosos o acusaram de escrever seus almanaques só para comer de graça nos restaurantes...

Em Paris, os restaurantes também passaram a oferecer um serviço diferenciado. A clientela desfrutava de um atendimento personalizado. As refeições passaram a ser saboreadas a qualquer hora. E o paladar pode finalmente ser valorizado por diferentes classes sociais.

NOTA : A história está impressa nos “ sousplat” da Casa di Pietro em Gramado. Nunca fui lá até lá, mas gostei da idéia e na minha próxima viagem é certo que irei.

Mala

17 de maio de 2012 0

Mala

Quase todos nós já ficamos em volta de uma esteira de aeroporto à espera de uma mala que não veio. A decepção é enorme. Fica-se apalermado, pensando no que fazer e como se comportar sem aquele monte de inutilidades que transportamos. Bem, a minha chegou graças aos esforços da Air France, embora tenha sido extraviada num voo da Turkish. A mala chegou detonada. Dava a impressão que vários tanques de guerra haviam passado sobre ela ao mesmo tempo.

Mas não estou tomando o seu tempo por um fato tão comum. E sim para dizer que um dedicado artesão a deixou nova por  60 reais. Guardei o telefone e acho que você devia guardá-lo também.  Os telefones são os seguintes: 51 3012 3480 e 51 3012 3482.

Lembrei agora que uma ocasião fomos a Lisboa  com o casal João Antonio Martinez... e a sua mala não chegou. Esperamos até o fim, nos certificamos da má-sorte e o João Antonio preencheu a enorme lista com tipo de mala, pertences, valor aproximado, etc. e entregou, recebendo o recibo, etc.  Quando já íamos  saindo o atencioso senhor chamou senhoire, senhoire ; ele vinha vindo atrás do João Antonio com o papel e disse:  o senhor colocou onde se diz cor da mala:  cor de vinho, mas não botou se é vinho branco ou tinto !