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Posts na categoria "Curiosidades"

Sherlock Holmes está vivo e mora na Suíça

27 de maio de 2016 0

27.05

Retornei a Londres depois de tanto tempo, a cidade me surpreendeu. A sua moeda não era ou não estava conveniente, mas eu queria ir a Irlanda e Escócia. Naquele outono, não me ocorria outro lugar. A passagem era de milhagem, compramos algumas que faltavam e lá fomos nós. Não fui a procura da cidade de outrora, onde passei longas temporadas, mas da nova Londres.

Uma só exceção: Fui a esquina onde trabalhava. Uma agência fotográfica na rua dos padeiros a Backer Street. A 221 metros da casa do Sherlock Holmes. Que é quase um museu, vale a pena, mesmo sabendo que ele nunca existiu. Mas ali você verá tudo o que sua mente lembra das leituras juvenis. Não há exageros, tudo é como se imagina, discreto e sem neons.

*Comprei um dos livros e que começa assim: A picareta alpina apoiada numa rocha e, ao lado a cigarreira de prata foram os objetos de Sherlock que o Dr.Watson encontrou à beira do abismo da catarata de Reichenbach. Na cigarreira, um bilhete escrito às pressas, dando conta ao fiel amigo que o arquivilão Moriarty o aguardava naquele local sinistro e perigoso para “a discussão final das questões que nos separam”.

A derradeira luta vinha sendo tramada há muito tempo pelo autor. O escritor se sentia um escravo do personagem e queria se livrar dele para se dedicar a livros mais consistentes. E já havia decidido que o fim de Sherlock “deve ser violento e intensamente dramático”. Foi numa viagem à Suíça, que Doyle conheceu aquelas quedas e decidiu que aquele era ao lugar ideal para encerrar a série. Os fãs locais do famoso detetive ergueram uma placa no local, transformado, desde o começo do século em polo de romaria de Sherlockfilos do mundo inteiro. A vila gostou da ideia e aos poucos, os que já eram fãs, começaram a customizar a cidadezinha.

Aviso quem pensa que tudo fica perto na Suíça se engana. De Montreux até Meiringen (olhando no mapa parece pouca coisa), mas é na Suiça, ou seja, tivemos de pegar quatro trens diferentes e uma viagem de quatro horas.

Uma vez na estação de Meiringen pega-se, um daqueles velhos micro-ônibus de antes da guerra que leva da estação até as cataratas. E lá, para se apreciar melhor a imponente cascata que despenca numa sombria garganta, é preciso cobrir a pé um bom pedaço de montanha, escalada para alpinista nenhum botar defeito. Mas o espetáculo vale a pena.

E dá para entender por que o autor o escolheu como digno túmulo do personagem que, segundo a mais recente edição do Facts & Feats, foi o roteiro, o mais filmado roteiro em toda a história do cinema (184 filmes de Sherlock, contra 138 do drácula e 96 do Frankenstein).

Mas não é só a Meiringen e Reichenbach que se resume a saga Suíça do detetive. Em Lucena, na cidadezinha a uma boa hora de trem ao norte de Lausanne, há um castelo que foi propriedade do filho do autor, Adrian Conan Doyle. Adrian morou ali até morrer em 1970; e ali foram enterradas suas cinzas. A própria história desta imponente construção é rica em lances sherlokianos.

Muitos de seus ocupantes tiveram um fim violento. Num dos assassinatos, o Bispo Guillaume de Menthonay foi morto por seu barbeiro, um dia depois de telo o beneficiado com seu testamento. Uma pintura ingênua na sala dos Bispos retrata o evento, nada ingênuo.

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Boa viajem Sr.Tadao Ecchuya

26 de maio de 2016 0

26.05

Ao ler este nome poucos saberão quem foi, se falarmos em Sakae’s todos os apreciadores de sushis e sashimis lembrarão. É o caso da criatura ser mais conhecida que o criador.

A notícia do falecimento do “Sr. Sakae’s” chocou a muitos, comida japonesa aqui era uma ficção e só as víamos nos filmes de Kurosawa, como tínhamos uma tradição “campeira” e para fãs de assado a ideia era arriscada. Coube ao seu Sakae’s desbrava-la, e nos ensinar a apreciá-la. No início era uma lanchonete igual a outras com azulejo branco na parede, um balcão cromado e uma sra. Que nos atenda gentilmente e que chamávamos de sra. Sakae’s, ela foi quem nos explicou a diferença, entre a alga e fita isolante.

O grupo reunia as sextas-feiras, entre eles o L.F. Veríssimo, o Osterman, o Laerte Martins, o José Onofre (cinéfilo assumido) que nos contava os filmes tão bem que ficávamos com vontade de pagar o ingresso, ou quem sabe, 50% contados por ele, não havia filme ruim. Isto que entre nossos convivas estava o Goida. Comentarista de cinema do ZH, era a época dos filmes de diretores famosos; Italianos, franceses, o sueco Bergman, etc…. e os horrores do Fassbinder. O Goida era e é um dos grandes comentaristas e apreciador. Sabe tudo de cinema, aliás já sabia naquela época, tanto que quando me preguntavam se havia gostado de algum filme visto no exterior, eu respondia: − Não sei ainda, não falei com o Goida. Numa turma como aquela, não dava para pagar mico.

Propositalmente deixei para o fim quem nos reunia: o Armando Coelho Borges, que além de reunir aquele grupo, criou os almoços da SAMRIG. No Plaza começou com 250 convidados, no último ano éramos mais de 500, todos em empratados ao mesmo tempo. Buffet? Nem pensar. Se você fosse figura conhecida e não fosse convidado; só lhe sobrava o suicídio.

Pois bem, com uma mente tão ligada a gastronomia surgiu o Sakae’s. Com toda a categoria e uma comida deliciosa, no início até íamos devagar, ficamos em dúvida, aquela alga preta era ou não era fita isolante? Só o sr. Tadao tirava. Mas os deuses atenderam as nossas preces e, pelo que se dizia interveio o Consulado Japonês e em poucos meses tínhamos um restaurante a altura da tradição do país.

“O sr. Sakae” vai fazer falta. Os talentosos e os mais velhos são dignos de toda a atenção no país do Sol Nascente, nunca esqueceremos a sua amabilidade e o seu esmero.

Uma coisa é fazer comida japonesa e outra é ser um sushi man de balcão.

*Meu vizinho Xico com seu bom humor era dos convidados mais apreciados, mas com suas vestimentas de operário, não queria interromper mais cedo a fabricação do seu exército de guerreiros, para almoçar com um grupo que admirava, mas não entendia. No sábado se foi o seu Sakae, mas tenho certeza que os guerreiros do Xico e com os olhos úmidos e travestidos de samurais estavam a sua espera, sob o Torii da entrada.

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Pimenta IV

25 de maio de 2016 0

25.05

Se escreve muito sobre pimenta, mas sobre a origem e ardência, as opiniões são desencontradas. E só ver os que se referem como pátria de origem: Ao México ou na índia, salvo a curiosidade aqui não vejo analises de sabor, o que vale é a “picância” que acrescentou a culinária de cada um.

Mas saiba que a Malagueta e suas congêneres este ano foi uma surpresa, enquanto as commodities agrícolas de todos os tipos alcançam cotação recorde.  No momento a Índia está sentindo os bolsos arderem por outra razão: O tombo do preço da pimenta, um dos seus mais tradicionais produtos de exportação. O país é o maior produtor mundial, mas por alguma razão o preço caiu 50% nos últimos meses. Metade da safra indiana é exportada e o consumo interno também é um dos mais altos, portanto quando entrar num restaurante indiano vá devagar, se for na Índia mais devagar ainda.

Esta especiaria mudou o curso da história, a pimenta até hoje é um dos temperos da economia hindu e das supostas pátrias de origem da planta. A Índia é responsável por 25% da produção mundial. Em seguida vem a Indonésia e o Brasil. A Índia também está no Guiness Book como endereço da pimenta mais forte do mundo; uma delas é cem vezes mais picante do que a mexicana Chilli.

Para falar a verdade com pouca pimenta, ou muita. Me encanta a ideia da busca pelos navegadores por condimentos, novos sabores e adaptações a sua cozinha, que o digam os ingleses.

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Segundo Vargas Llosa

24 de maio de 2016 0

24.05

Em Madrid o bairro de Lavapiés não tem as ruelas de traçado irregular que cercam a Plaza Mayor. Muito menos é cortado por avenidas largas, cheias de lojas de grife como a Calle de Alcalá. Nem se vê por ali aquelas fontes monumentais que em outros pontos, os turistas posam para suas fotos. Lavapiés é um bairro para iniciados, para quem acredita que “turistar” também é tentar chegar perto do estilo de vida de um lugar. Por isso e, por ter virado uma vibrante e colorida concentração de imigrantes a partir dos anos 80, década em que Ricardo e a menina má estão em Madri – foi escolhido por Vargas Llosa como o principal cenário de seu romance na capital espanhola.

Localizado bem próximo da região central, Lavapiés tem como referências mais conhecidas, dois vizinhos: O museu Reina Sofia, onde está o quadro “Guernica” e a estação de metrô Atocha, que sofreu o atentado terrorista de 11 de março de 2004. Cerca de 15 anos pequenas lojas de design, brechós e bares, começaram a surgir no pedaço e o bairro ganhou vida ainda que tenha algumas ladeiras. Lavapiés não têm área muito grande, por isso, é um bairro para caminhar, tanto durante o dia como a noite – O madrilenho tem habito felino de ir para a rua o mais tarde possível. Antes do pôr-do-sol, gasta seu tempo olhando vitrines e entrando e saindo de lojinhas. Uma das mais curiosas é “Pepita is dead” da estilista Cristina Guisa… – Um daqueles casos em que a dica não vem do livro mas vale a pena. Ela própria recebe a clientela e explica que ali só estão à venda as peças de roupa, sapatos, tênis e óculos originais dos anos 60 e 70 (as calças Lee também já eram sucesso por lá).

Além de pequenas galerias e ateliês, Lavapiés abriga um dos mais efervescentes centros culturais: La casa Encenada, uma construção onde ocorrem cursos de artes plásticas, teatro, cinema, exposições e festivais de música – é um pouco do que a Casa do Saber de São Paulo ou Studio Clio daqui de P.A. fazem…

Entre dezenas de bares e cafés do bairro, caia, antes de mais nada, no Barbieri. Lá Ricardo passa boa parte de suas tardes em uma mesa de fundo que, no lugar de cadeiras, tem poltronas. Nesse cenário também se dá um dos mais emocionantes encontros entre protagonistas, o local virou ponto de peregrinação dos fãs do romance.

Apesar de não estar no livro, o La Buga Del Lombo merece uma visita, solitários casais ou até familiares procuram suas porções de tapas, saladas e pratos para um almoço tardio. Mas a noite, a música latina sobe o volume seu balcão e o colorido salão vão sendo tomados por gente jovem que com uma taça de vinho na mão e um cigarro na outra, se encontram para o happy hour, antes de seguir para o próximo bar.

No domingo não deixe para acordar muito tarde se o seu objetivo for conhecer El Rastro, o mercado de pulgas da capital espanhola, outro lugar frequentado por Ricardo em suas tardes madrilenas. Desde as 10 horas da manhã e até as 16 horas, mais ou menos (dependendo do verão ou inverno), centenas de barracas e milhares de pessoas tomam conta da ribeira de los Curtidores, uma imensa alameda que se transforma em formigueiro. Tradicionalmente, os visitantes do Rastro começam o passeio pela Plaza de Cascorro, tomam a Ribeira de los Curtidores e se perdem num ziguezague pelas ruas laterais. Por tanto, conforme-se em não percorrer um caminho lógico para ver as roupas usadas, camisetas estilizadas, artesanato, bijuterias, velhos trajes militares e outras quinquilharias. Na hora de ir embora, recorra a um mapa ou entre na primeira estação de metrô que avistar.

Nota: Me desculpem os seus fãs, a entrevista segue, mas os cupins a deixaram indecifrável e não posso tentar reescrever ou interpretar com prêmio Nobel.

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Pimenta III

23 de maio de 2016 0

23.05

Após a descoberta da rota para as índias, a Europa passou a ser abastecida por temperos ainda mais exóticos, como a noz moscada, a pimenta do reino, o cravo da Índia e o gengibre.

Após a primeira passagem do Cabo da Boa esperança, foi a vez da Índia, que usa até hoje muitas ervas e especiarias tanto na arte culinária quanto na medicina. Vieram de lá o cominho, o cravo da Índia, a canela, a mostarda em grão, o açafrão e o cardamomo. Até hoje, eles têm a mais aromática cozinha e a mais colorida do mundo. Os indianos usam e abusam de ervas e especiarias.

Já a história dos condimentos no Ocidente começou com os Gregos. É que ali na região do Mediterrâneo existiam o alecrim, o manjericão, a manjerona e a salsa. Temperos hoje identificados com a comida Italiana.

Portanto sobrou para os Peninsulares fama de serem os mestres em bem usar ervas e condimentos…

Com o declínio do império dos Césares, foi a vez do mundo Islâmico passar a dominar o comércio de especiarias. Com toda a quilometragem que os temperos percorriam é óbvio que eles se tornavam caros.

Se achamos caros alguns temperos nas bancas de hoje, façamos a comparação com os preços do passado. Para se ter uma ideia de seu valor, basta dizer que uma ovelha valia meio quilo de gengibre e se precisava de uma vaca para pagar um quilo de cravo da Índia.

 

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Tem dó seu juiz!

22 de maio de 2016 0

22.05

A informação não é nova, mas sobreviveu aos cupins do escritório.

Martha Rocha, famosa miss Brasil, que deu até nome para uma torta, entrou com uma ação de alimentos contra a filha. A artista plástica conceituada chamada Cláudia, fruto do seu casamento como falecido empresário Ronaldo Xavier de Lima. Ela diz que vive na miséria desde 1995, quando a Casa Piano, de seu ex-cunhado faliu.

Provavelmente você não lembra, mas sabe que em 1994, a baiana ficou em segundo lugar no Miss Universo. A revista “O cruzeiro” inventou que ela perdeu para a americana por causa de duas polegadas a mais nos quadris.

Isso revoltou o país e fez sucesso no carnaval, com uma marchinha que diz:

  • Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás
  • Por duas polegadas
  • E logo nos quadris
  • Tem dó, tem dó, seu juiz!
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Pimenta II

21 de maio de 2016 0

21.05

O hábito de consumir pimenta é antiguíssimo. Explorações arqueológicas realizadas em Teotihucán, no México, demonstram que a pimenta é utilizada na região há muitos séculos. Segundo registrou o explorador Alexandre Humbolt, em 1.800 e pouco… A pimenta era tão importante na culinária sul americana quanto o sal para os europeus.

Além disso, as espécies se cruzam com facilidade, originando sempre novas variedades que recebem novas denominações. Para medir a ardência de cada variedade, foram criados alguns parâmetros. A escala de temperatura que classifica subjetivamente o grau de “picância” atribuindo notas de zero a dez, segundo as unidades de Scoville que foram determinadas pelo farmacologista que tinha este nome e, baseiam-se em testes científicos. Além disto a pimenta é cicatrizante e bactericida. A sensação de ardência ao consumir pimentas vermelhas, também sinaliza benefícios. “O ardor na boca é entendido pelo cérebro como se o corpo estivesse ardendo, provocando liberação de endorfina e sensação de bem-estar”. Outra característica é que seu consumo aumenta o gasto calórico e diminui o apetite.

No passado, poucos ingredientes foram tão disputados quanto ela. Em busca de novas rotas que facilitassem o acesso a ela, navegadores deixaram a Europa nos séculos XV e XVI rumo à Índia, quem sabe tenha sido numa dessas viagens que Cristóvão pegou um vento errado e aportou na América.

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Mario Vargas Llosa II

20 de maio de 2016 0

20.05

Continuação:

*Em Madri qual o bairro que mais gosta?

− Lavapies, porque é um bairro que tem muita cor, é mais cosmopolita e divertido.

Quando cheguei a Madri, estudante, era um bairro mais castiço, mais madrilenho e, em poucos anos, a partir dos (anos 60 e70) foi se convertendo no bairro dos imigrantes. Hoje em dia, é um lugar muito divertido. Existem traficantes, prostituição, drogas, violência, mas tem cor e graça.

*Acredita que as cidades são também personagens como em: Travessuras de Menina Má? Sim, acredito que as cidades têm presença quase humana porque a vida dos personagens está intimamente ligada à paisagem urbana, como uma prolongação. Procuro, quando escrevo que não haja uma separação entre as histórias, os personagens e os lugares. As cidades aparecem na medida em que são importantes para o desenvolvimento da ação, para entender a psicologia do personagem; é uma projeção incorporada à história.

− Nesse contexto, Tókio aparece somente por isto. O que acontece ali tem a ver com a cidade, um mundo exótico para Ricardo, um mundo em que ele não se sente cômodo, que não conhece. Isso contribui para o sobressalto em que vive desde que pisa em Tókio.

*Acha que os romances podem ser bons guias turísticos?

− Para mim têm sido. Umas das coisas mais divertidas que fazia em Paris, quando cheguei e, em Madri, antes era seguir o itinerário dos romances. Em Paris quando trabalhava na Rádio e TV francesa, lembro de ter feito alguns programas sobre Paris, vista por alguns dos personagens de Balzac, Stendhal, Flaubert. No Brasil, nas temporadas que passei em Salvador, muitas vezes segui pelas ruas lendo as descrições de Jorge Amado sobre o Pelourinho. Acredito que a literatura é o melhor guia turístico das cidades.

Continua…

 

 

 

 

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Pimenta, mas qual pimenta

19 de maio de 2016 0

19.05

Evidências arqueológicas encontradas no México, mostram presença de pimentas há seis mil anos. É difícil acreditar que até o século XV os povos das Américas fossem os únicos a conhece-las.

O mais provável é que os navegadores logo após os descobrimentos levaram as pimentas para suas colônias onde, foram incorporadas aos costumes e, espalhadas pelo mundo.

É que a pimenta tem um efeito antibacteriano, que era muito importante e, consequentemente os pratos que continham muita pimenta se conservavam mais tempo. Isto deve ter sido uma das razões de sua fácil aceitação numa época que geladeiras não existiam.

Hoje existem centenas de variedades através do mundo e cada variedade pode ter um nome diferente, ás vezes no mesmo país. Nos EUA as pimentas mantiveram o nome espanhol. Na Europa, as pimentas chegaram através da África e do Oriente. Consequentemente, se vendem com o nome de seu país de origem: Kenya Tailandesa, Indiana, como se cada país tivesse um só tipo. O curioso é que é mais fácil encontrar uma grande variedade de pimentas frescas em Londres ou Roma que no Brasil. Para nós a pimenta é somente considerada uma fonte de ardido: ainda não valorizamos as diferenças do seu sabor. Existem atualmente uma briga para entrar no Guiness como a pimenta mais ardida do mundo. Um dia falaremos disto, mas há uma regra geral. Quanto menor mais forte ela é, o ardido mais forte é concentrado nas sementes e naquelas veias internas. Retirados os dois e quase 80% do ardido da pimenta vai embora. Outro fato curioso é que pimentas da mesma espécie e até da mesma planta variam de ardência, o melhor é experimentar um pedaço antes de usar. Se quiser aumentar o sabor da pimenta dê uma leve grelhada.

A chamada habanera é considerada a mais forte ou mais picante do mundo. Mas há discordâncias.

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Mario Vargas Llosa

18 de maio de 2016 0

18.05

Segundo Mario Vargas Llosa (que esteve na cidade), “A literatura é o melhor guia para conhecer as cidades”. Me encantei com a entrevista, ouvir relatos de acontecimentos parecia que eu tivesse participado. Há uma razão para isso. Ele e eu temos uma idade semelhante, vivemos bons tempos nas mesmas cidades e quase nas mesmas épocas, não por acaso, mas porque eram as cidades boas de se viver, – isto aproxima a minha apreciação. Talentos à parte vamos deixar bem claro!

O escritor, peruano de nascimento, viveu de perto cada uma das mudanças convertidas depois em pano de fundo de Travessuras da Menina Má. Assim travestido o protagonista que ele chamou Ricardo Somocurcio. Viu de perto a onda de manifestações em Paris no fim da década de 60, se encantou com os hippyes londrinos nos anos 70 e acompanhou a Espanha a passar de um país subdesenvolvido e sob forte ditadura para uma nação democrática e produtiva na década de 80.

Escreve então, de memória sobre cafés, restaurantes, ruas e praças. É em suas palavras, “maniacamente” realista nas descrições.

O homem que nunca tira férias, (como ele diz) acredita que um turista não pode deixar de interessar pelos aspectos políticos e sociais do país visitado. “Não se pode entender uma sociedade e um país se não se interessar minimamente pelo que acontece. Que é mais ou menos o que eu escrevo aqui quando digo que não sei viajar rápido.

As cidades onde se passa a história da Menina Má, são todas importantes na minha vida?

Muito importantes e, além do mais, tive muita sorte por viver em cidades como Buenos Aires, Paris, Londres e Madri em uma época em que nestas cidades ocorriam coisas que tiveram uma enorme repercussão em todo o mundo. Nos anos 60 por exemplo, Paris, além de ser a cidade que hoje é, era também cidade onde saiam as ideias que mobilizavam os jovens de todo o mundo. Era uma cidade de enorme fermento ideológico. Já nos anos 70, viver em Londres era como viver no centro do mundo, porque ali havia uma revolução que não era política, mas de valores, culturas e costumes. A Londres da revolução hippie, do flower power, dos Beatles, de grande revolução na música, como símbolo de identidade dos jovens do mundo. No meu caso, vivi de certa forma diretamente neste clima, passei ali grandes períodos.

No livro tem detalhes minuciosos de lugares, como o nome de uma rua, onde há um restaurante, uma praça, um hotel. E todos (ou quase) existem ainda?

É verdade que sou, neste sentido, maniacamente realista. Realismo não quer dizer descrição fotográfica, mas sim usar a realidade como um ponto de partida e com maior objetividade, para a partir de construir algo. Em algumas cidades, sim, sou bastante objetivo, mas objetivo com a época, pois as histórias ocorreram ou ocorriam nos anos 60, 70 e 80, quando eu estava por ali e, muitos lugares já não existem. Por exemplo, descrevo em Paris, locais como o Zero de Conduíte/México lindo e hoje em dia, que tristeza… São lancherias como tantas outras. Mas há muita fidelidade. Muitos dos lugares que descrevo ainda existem.

São lugares que eu frequentei, que conheci que de algum modo conservei na memória.

Há um lugar preferido na cidade?

É sempre a área do Bairro Latino e Saint – German de Pres, porque vivi a maior parte do tempo ali. Segue sendo o bairro dos jovens, dos cinemas, teatros, universidades, onde estão os cafés mais simpáticos. Nesses cafés escrevi boa parte dos meus livros. Eles apareceram porque são muito importantes na minha vida de escritor. Aprendi a escrever em cafés. Sempre que estou em Paris, mesmo que por poucos dias, passos umas horas escrevendo nos cafés que me encantaram. Continua…

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