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Posts na categoria "Curiosidades"

A Gata Christie

13 de dezembro de 2014 Comentários desativados

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A Gata Christie

Hoje, onde era a casa de Agatha, Greenway é também um Jardim Botânico, e nele podemos admirar uma espécie de rosa batizada com o nome da antiga proprietária.

Confesso que esta postagem teve bem mais respostas que eu esperava, mas nem poderia imaginar que uma carona com a dona Agatha rendesse tanto.

Apesar da sua fama, eu só li dela algumas coisas. Quem me falava sobre a região que quero visitar, era o Link, o agradável e bem sucedido industrial e navegador Geraldo Link. Nas vezes que nos encontramos, ele achava imperdoável ter morado lá e nunca ter ido à Cornualha. Não fui até hoje, erro meu, sem dúvida. Nem digo erro, opção; quando mais jovem e com pouca bagagem fui nos lugares distantes, complicados e até assustadores. Já a Cornualha segue à minha espera e cada vez melhor.

Lá se vão muitos anos, e uma tarde a agência me diz: ‘’Hoje seria bom se você fosse ao teatro tal (que eu nunca ouvira falar), vão reapresentar a peça?????’’

‘’É um pequeno teatro, é longe, mas a autora Agatha Christie irá’’. Era inverno e úmido, como costumam ser os invernos em Londres. Quando chego no apartamento comentei o assunto e ouvi: ‘’O pessoal da tua agência está ficando maluco e desinformados; a Sra. Christie nunca vai à estreia de suas peças, e você acha que num dia de inverno ela iria até North London, em um teatro de subúrbio? (O norte de Londres é mais de imigrantes do que de vida cultural), ainda mais que ela está com uma perna quebrada. ’’ Quem falou, sabia do que falava…

Mas no dia seguinte ao chegar no metrô, encontrei nos jornais a Dona Agatha na 1ª página; ela no corredor, numa cadeira de rodas e em 1º plano sua perna quebrada.

Ali estava também a estória; ela cedera os direitos da peça para uma amiga cuja saúde e situação financeira não eram das melhores. Não perdi o emprego, até porque não era um emprego, era compra de serviços, geralmente encomendados. Ficou muito chato.

Um outro episódio que me lembra a escritora, este bem mais recente, foi quando faleceu a Dona Zaia.

Depois da missa de sétimo dia e de ela ter cumprido com louvor a sua estada na terra, veio o mais triste: desocupar o apartamento e decidir a sorte de um felino, então órfão. Todos gostavam dele, mas cada um tinha as suas justificativas para não levá-lo para casa. Coube à Eliana, que o havia comprado e presenteado a sua mãe, vir com ele para uma casa onde jamais havia entrado um gato e viviam 7 Dacshunds (hoje são 6) esperto, como todos os felinos, e entendeu tudo em seguida e nunca se aventurou a andar pelo terreno dos 7 cães neuróticos. Tinha o seu jardim suspenso, e por ali passava os seus dias que terminaram lá pelos 16 anos, com as primeiras fraquezas (senilidade, só).

Começou a receber as visitas do Dr. Aita, e foi quando soubemos que o Chris não era um gato, mas uma gata. A partir daí trocamos seu nome, e pedimos desculpas. Na plaquinha do seu ‘’túmulo’’ ficou sendo A Gata Christie. Seus brinquedos foram enterrados junto, à moda Egípcia; espero que lhe tenham sido úteis. Ela deixou saudades.

 

 

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Agatha Christie e sua cidade

12 de dezembro de 2014 Comentários desativados

cornualha

Prezado Ernest,

sou um dos que te acompanha desde a época do Studio, e tenho sempre umas perguntas em mente, e hoje pedi para um filho digitar (também sou analógico).

E a próxima viagem, qual será?

Ernest, obrigado por continuar me acompanhando. O teu simpático bilhete inspirou esta postagem. O verão vem aí, mas dizendo com certeza não sei para onde vou; a Carreteira Austral, quem sabe, está nos meus planos, mas para falar a verdade, nem eu sei. O Rocinante está na garagem e ainda tenho umas milhas do cartão, mas nunca sei se chegam…na realidade, eu gostaria de lhe responder como na música: ‘’Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí…’’ Mas foi bom você perguntar. Se tivesse que responder num bate/pronto diria que estou pensando em ir para a Riviera Inglesa, assim que chegar o verão deles. Para a Cornualha, lugar que certamente com este nome não faria nenhum sucesso entre latinos; Cornualha, mas para eles não insinua nada. A cidade? Nem eu sei. Diz aqui perto de Torquai (assim mesmo, sem o ‘’h’’ no ‘’Tor’’).

É que estou lendo que lá viveu a Agatha Christie e fiquei curioso. Os fios condutores de seus enredos múltiplos ela reconhece que envolvem a cidade de Torquai, onde nasceu, casou, serviu como enfermeira na 1ª Guerra Mundial e viveu seus últimos 37 anos, (seu nome de solteira era Miller). Com o coronel Archibald Christie ali passaram a lua de mel, em 1914, no mesmo hotel que estavam, dizem Heitor e Silvia Rcali, que fizeram a pesquisa. Na verdade, ocuparam o apartamento por apenas duas noites, pois o coronel Christie fora convocado e partiu para a guerra.

A vivência de Agatha na cidade foi vital para a sua criação literária. Ali ela encontrou, num ônibus, um imigrante belga, baixo e meio atarracado, com um bigodinho curvo que, em seus escritos, se transformaria no detetive Poirot.

Já a experiência no hospital onde atuou como enfermeira foi a via por onde entrou no mundo dos venenos. Aprendeu a distinguir os efeitos mortíferos do arsênico, estricnina, ou eserina – esta última, aliás, foi a chave para desvendar o mistério de A Casa Torta.

Há ali uma rota turística, The Agatha Christie Mile, pelos pontos que instigaram a escritora, onde a realidade ganhou traços de ficção. São 20 paradas – em cada uma, uma novela, conto ou particularidade da vida da rainha do suspense. É possível fazer o trajeto sozinho, mas estar acompanhado de uma guia faz diferença – no nosso caso, além de especializado na escritora, tinha amplo conhecimento sobre Sherlock Holmes. Tudo complementado com toques do mais sutil humor britânico (diz a pesquisadora).

A casa também pode ser acessada por um tour de barco ou em um ônibus da década de 1930 (o mesmo que ela utilizava), que sai duas vezes ao dia do centro da cidade.

Pouco antes de comprar a casa, em 1938, Agatha a descreveu como ‘’uma residência georgiana, dos anos 1780, com um bosque descendo suavemente até o rio, e muitas árvores – a casa ideal, um sonho de casa’’.

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Islândia -II

10 de dezembro de 2014 Comentários desativados

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Continuo hoje falando da Islândia, mas o que eu gostaria de saber é como este texto foi parar com o meu título de eleitor.

Claro que hoje as coisas lá são mais fáceis. O espectro da fome não existe mais, com eletricidade e a vontade proveniente das áreas termais, eles têm estufas, calefação e até ruas aquecidas; isto mesmo, você não leu errado. O resfriamento do vapor que sai da terra com quase 500º, é usado para aquecer as ruas e calçadas, e assim não é preciso tirar a neve.

Voltando à comida, a tradição continua. A extrema carência que o país vivia até a 2ª Guerra, quando uma área foi alugada aos aliados (mas cujos integrantes não podiam circular pelo país) fez com que adaptassem a sua subsistência às condições da Ilha. E o prato tradicional do passado era: postas de tubarão temperado e envolto em alguma proteção e “enterrados” no Perma-Frost. O nome também não é muito atraente: Roth Shark (tubarão apodrecido).

Bem, mas para que após este relato de frio e comida duvidosa você não desmarque a sua passagem para lá, quero informar que o que relatei acima é que o país é altamente desenvolvido, absolutamente seguro e a comida mudou, e muito, para a melhor. Hoje com educação e eletricidade barata, produzem de tudo em estufas, até bananas e abacaxis.

A única coisa que permanece igual são os “Papagaios do Mar”, que ainda não aprenderam a “amerissar”.

Hoje graças ao esforço dos seus habitantes, aquela ilha é tão gelada que o seu nome em inglês é Ice Land (a terra do gelo). Mas a tradução para o português acabou errada. No entanto eles são todos atrapalhados. O apelido é de ‘’clowns of the sea’’ (palhaços do mar).  É que eles voam como os outros pássaros, pousam em galhos, nas rochas, mas quando pousam na água provam que ainda não aprenderam. Ou seja, o fazem aos trambolhões que provocam risadas dos que estão a olhá-los, justamente por isto. Dão a impressão de estarem no meio de um processo de adaptação à água. É só uma suposição, se for verdade, dentro de alguns séculos terão aprendido e até poderão imitar os pelicanos, absolutamente desajeitados na praia e com extrema habilidade quando voam em grupo, ou em grupo amerrissam.

 

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Veneno - II

04 de dezembro de 2014 Comentários desativados

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Acho que hoje (dependendo do partido) os Bórgias seriam absolvidos. Além disto, têm a seu favor o fato de serem os criadores dos fantásticos jardins da Villa Borghese, (que virou nome de um Hotel em Flores da Cunha, mas o comprador não gostou e trocou de nome) quando por bem ou por interesses, se mudaram para Roma (a Brasília da época, eu imagino). Mas voltando aos venenos…

Se o veneno pode matar, ele pode também curar. Arsênico, veneno mortal foi usado para tratar leucemia. O Mercúrio foi um tratamento primitivo para a sífilis. É uma questão de dosagem, e até um baseado pode virar medicinal. Acima de tudo, é uma questão de intenção.

Igualmente, contos inesperados como aquele de Leon Fleisher, o pianista famoso cuja carreira foi revigorada graças à uma toxina.

É o paradoxo do veneno: ele ocupa uma tênue linha que separa nossos altivos instintos e conquistas, do nosso lado mais sinistro. Está tudo na dose. Até aí concordamos; mas que as mortes de ex-expiões têm sido muito frequentes, o mundo inteiro concorda. Além disto, a substância usada tem sido a nuclear. Quem tem condições de fabricar venenos nucleares? Os mortos, ou quase, como o Youshenko que sobrevivem por pouco. Junta algumas casualidades, todos eram ou falavam contra o Putin, que também foi o líder da KGB. Acho que os outros espiões estão botando as barbas de molho (enquanto ainda as têm).

A propósito dos Bórgias e sua Lucrécia, dizem que numa das jantas ela se deu conta que o veneno que pretendia usar estava vencido, e desolada com a não realização de um dos seus planos, perguntou ao seu irmão: “Fulano”, veneno vencido é melhor ou é pior?

 

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Veneno - I

03 de dezembro de 2014 Comentários desativados

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A história é cheia de más intenções. Desde que a humanidade existe, o veneno tem sido um instrumento com um malicioso fim. Os Atenienses da antiguidade, por exemplo, acusaram os Espartanos de envenenar suas fontes.

Guerreiros medievais de Tartar usaram vítimas de praga como veneno, atirando-os com catapultas por cima das muralhas inimigas com a finalidade de espalhar doenças.

Até mesmo hoje em dia, o veneno parece ser a arma de escolha para alguns contestadores internacionais.

Veja a recente eleição na Ucrânia – a que elegeu Viktor Yuschenko –. Ele foi vítima do veneno “dioxina”. O enredo é uma história criminosa real, completa com uma série de estranhos sintomas, incluindo a desfiguração física que poderia ter saído da Itália do século XV, onde o envenenamento não era somente uma ciência, mas uma arte.

Na nossa cabeça, sempre vem a família Bórgia, e até o nome estigmatizado que pelas histórias escritas. Sou levado a crer que entendiam do assunto, mas como dizem, sempre tem mais…

Eu imagino aqueles grandes banquetes esbórnias enormes com vinhos doces e de qualidade pra lá de discutível. Por que tomavam tanto vinho? Porque sabiam que água gerava desinterias enormes. Não era tratada nem fervida. Ponto para eles. Mas, imaginem aqueles festões; a comida devia ser preparada com 1 ou 2 dias de antecedência. Refrigeração? Nem pensar. O freezer então só chegaria 500 anos depois. As panelas? Boa parte delas de cobre e estanho.

Pensando bem…será que podemos culpar a Lucrécia e sua família por todos os crimes que lhes são atribuídos?

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Google

01 de dezembro de 2014 Comentários desativados

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O Campo Moffett sempre foi um marco. Conhecido pelo seu tamanho, pois chama atenção a quem passa. Ele é claramente visível na unidade abaixo da estrada 101 de São Francisco a São José.

Recentemente, a Google assinou um contrato de 60 anos de duração, alugando este ex hangar da Marinha no meio do Vale do Silício.

O hangar é uma parte do início da história da Aviação. A Marinha usou o Campo Moffet até 1932 para o USS Macon. Ele serviu como base na costa oeste para o programa de aviação mais leve do que o ar, e transferiu a propriedade do hangar para a NASA em 1994, depois que o Campo de Moffed foi desativado.

A companhia de internet pagará 1.16 bilhão de dólares ao governo federal para usar a estrutura de 100mil metros quadrados, chamado Hangar One.

Suas subsidiárias vão usar o Hangar One para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias relacionadas com o “espaço e aviação”.

Quem como eu não nasceu na era da Nova Tecnologia (redes, telefonia instantânea, torpedos, etc….) vai estranhar. Como uma empresa de produtos intangíveis vai ocupar uma área tão grande e sem colunas – lembrem-se, foi feita para abrigar os dirigíveis – Bem, é o sinal dos tempos.

A empresa planeja investir mais de 200 milhões de dólares em melhorias incluindo a reabilitação dos hangares e criando uma instalação com finalidade educacional, onde o público pode explorar o legado do site e do papel da tecnologia na história do Vale do Silício.

Agora que chegaram a um acordo, o que surpreende a mim e a outros “analógicos” é ser justamente a Google uma empresa “etérea”, que não vende nada palpável e que precisa utilizar uma área tão grande – mais ou menos uma centena de campos de futebol.  Numa época que ao que parece, daqui para frente tudo será nas “nuvens”.

 

 

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O Morro Reuter e Flávio Scholles

28 de novembro de 2014 Comentários desativados

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No RS, ou em outros lugares, os núcleos étnicos sempre nos apresentam surpresas; boas surpresas. À convite de um casal de amigos fui ao lançamento de um livro no Morro Reuter, lugar onde passava nas idas e vindas à Caxias. Com a nova estrada, o trajeto ficou na minha memória. Mas a estrada está muito melhor; os arbustos já são árvores, e aquele trecho da BR- 116 está todo sombreado.

É a história de um pintor local/internacional com capa dura e que pesa 3kg e 700. Sei que livros e ideias não se medem por peso, mas folheando-o me convenci que sobre Flávio Scholles só um livro não chega; um compêndio, quem sabe.

Quando o recebi, me fez lembrar a época das enciclopédias e não os E-books e torpedos de hoje. Além de bem humorada sua estória é surpreendente, principalmente se pensarmos que ela aconteceu numa pequena comunidade, ao lado de uma estradinha secundária. Mais um atalho para Gramado que uma BR (até porque não tem buracos) e é jardinada dos dois lados. Agradabilíssima e sem tráfego pesado.

Durante o trajeto, é só ir olhando as moradias e as casas de fim de semana, os antiquários e floriculturas para se encantar e em seguida se dar conta que ali só devem morar Fritz e Fridas, Franz e Helgas. Faltando uns 10 minutos para a hora aprazada, o local estava quase deserto.

E na hora marcada começaram a surgir loirinhos de todos os lados, e o pátio do “El Paradizo” ficou lotado. O restaurante é quase um clube, só trabalha sábados e domingos; aliás, tem mais cara de clube de campo, do que de restaurante, tanto que com frequência os clientes pegam comidas, bebidas, etc e vão para o gramado e fazem um falso Fristick com toalha xadrez e tudo; falso não, pois é real, mas um Fristick com garçons bem transados e com gravata borboleta, etc. Enfim, uma surpresa em todos os aspectos

Quanto ao artista, Flávio Scholles, vou deixar para que você o conheça e entenda-o. Não vou dar palpites sobre a arte de alguém com tanta estória.

De Morro Reuter ele foi direto para a Alemanha (segundo ele, foi abduzido), e hoje tem quadros espalhados pela Europa, São Paulo e Rio de Janeiro. No RS sempre vivi próximo ao ambiente de Artes Plásticas, e confesso que fiquei com vergonha dos meus amigos Claus e Helka por não conhecê-lo. Pior ainda, de não terem sequer conhecimento da sua existência.

A foto acima, mais que um painel, é uma referência.

 

Para que você confira o El Paradizo, o telefone é: 051 -30666229

O proprietário: Sr. Paulo.

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Alemanha de hoje

26 de novembro de 2014 Comentários desativados

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Com alguma frequência tenho escrito sobre a Alemanha, mas vamos deixar claro que não sou um conhecedor do país; sou sim um admirador do que fizeram e fazem com a sua indústria e seu capricho. Não gosto tanto como um presidente francês ou americano – não lembro – que disse: ‘’gosto tanto da Alemanha que preferia duas do que uma”.  Mas parece que os vinte e cinco anos do desmoronamento do muro recentemente comemorados, e que vi detalhadamente na televisão enquanto viajava reavivou a minha memória.

Sempre que comento algo sobre a Alemanha lembro de um texto do João Ubaldo Ribeiro. Ele, bolsista na Alemanha, escreveu há tempo, e quem sabe até já tivesse esquecido, quando faleceu recentemente. É que eu, Flávio, tenho uma cara mais ou menos standard para viajar pela Europa, o que provavelmente tenha facilitado minha vida de viajante. Mas só me dei conta disso depois de ler o que o João Ubaldo escreveu. Nunca cheguei a notar algum olhar suspeito de quando faço algo errado. Especialmente na Alemanha onde examinam tudo como deveria ser sempre e evitam complicações mais tarde.

Ele que já morou na Alemanha, disse, e eu li antes de viajar: “Já tomei vários sustos, pois como lhes disse, carrego o infortúnio de ter a cara errada em toda parte. Nos Estados Unidos, tenho cara de cucaracha e, em formulários que patenteiam a obsessão racial americana, sou chicano. Já, na França, tenho cara de árabe, o que também não é muito saudável. Na Espanha, como nos Estados Unidos, tenho cara de hispânico, centro americano, ou seja, imigrante de alguma ex-colônia espanhola, daquelas de onde vinham os trabalhadores nos bons dias, ou seja, antes da crise econômica bater por lá”. Hoje com os trocados gastos pelos turistas, abafaram um pouco a crise que atravessaram e já não comentam muito mas. E ficamos numa dúvida entre os passantes cheios de pacotes dos shoppings e o que dizem os jornais. Voltando a Alemanha, Berlim em particular, reconheço que o seu passado me acompanha o tempo todo.

E tenho até uma certa dificuldade em me integrar na saudável alegria atual; culpa minha, sem dúvida.

  • O trecho citado é do livro: Um Brasileiro na Alemanha.
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Vidro e o amor frágeis, porém eternos

25 de novembro de 2014 Comentários desativados

www.blogjurereinternacional.com.brFoto: www.blogjurereinternacional.com.br

Reza a lenda que o vidro foi descoberto por acaso. Ao acender uma fogueira na praia, os fenícios teriam juntado dois elementos básicos para a sua confecção: o fogo e a areia – que derretida, dá origem à uma substância pastosa modelável antes de sua solidificação. A verdade é que esta fusão só acontece à 1,600º, o que afasta a possibilidade. Não se conseguem 1,600º de cima para baixo. Mas a constatação deixa os admiradores do vidro surpresos e até desolados.

Hoje quem é fã, tem agora a oportunidade de conhecer – e adquirir – obras de arte confeccionadas só com a matéria. No passado, só em Murano (ao lado de Veneza) via-se a demonstração da atividade; sopradores, cortadores e todos os artesãos, além de foguistas, carregadores, etc.

Apesar de delicado, o vidro resiste à intempéries e não sofre com a ação do tempo. Para manter o objeto sempre bonito, basta limpá-lo com água, detergente e, é claro, colocar a peça em um lugar seguro.

O vidro é frágil, porém eterno. Objetos antigos parecem que foram feitos ontem. Você pode deixar um vaso de cristal de baixo de sol, de chuva, que não tem problema. Sem eles, as vitrines não existiriam, e consequentemente os shoppings também não.

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Aurora Boreal

24 de novembro de 2014 Comentários desativados

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Foto: forum.craftlandia.com.br

A aurora boreal, por mais bela que seja, nos transmite de uma enorme solidão. Não é um consolo, todos já foram embora; os pássaros e as renas também.

O motor do ônibus pôs fim aos meus devaneios, em 45 minutos eu deveria escolher meu destino. A fronteira da União Soviética ou seguir descendo para o sul.

A miséria e a decadência da Rússia, que eu já havia visto na fronteira da Finlândia e da Noruega. Me chocaram ainda mais, comparando-a com a pujante Noruega e a cuidadíssima Finlândia mais ainda. Na mesma latitude, a mesma terra, etc. A grande diferença é ideológica. Acabei optando seguir os pássaros em direção ao sul e a uma temperatura melhor.

O ônibus prosseguia…

Há um mistério sedutor na passagem pelo chapadão gelado quando não se está guiando. A realidade aqui é feita de pedra e gelo.

Troquei de ônibus várias vezes, interurbanos de percursos pequenos e extremamente pontuais. A troca é quase sempre feita nos fjords (braços de mar). Sobe-se no Ferry e o próximo ônibus nos espera do outro lado.

Na estrada é curioso; é o ônibus que espera pelos passageiros, e não o contrário. O passageiro telefona para o ônibus e ele diz em quantos minutos estará no lugar. Quando ele para a pessoa sai de casa ou do carro que a levou. A Escandinava é assim. De outra forma, os futuros passageiros virariam picolés.

 

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