Saltemos, agora, para o limiar do século XX. Com o desenvolvimento tecnológico das estruturas de aço e do elevador, a capacidade de empilhar pavimentos foi a alturas inconcebíveis.
Pela primeira vez, os edifícios mais altos das cidades não eram mais igrejas. Os arranha-céus que subiam em Chicago e Nova Iorque eram “catedrais do comércio”, repletos de escritórios e funcionários que ultrapassaram a altura da catedral de Saint Patrick. Para os mais religiosos, uma agressão, um sacrilégio!
O Empire State foi construído no ritmo alucinante de 410 dias (não foi obra pública e muito menos da Delta). Quando foi inaugurado em 1931, ele era um casamento sensacional e sem precedente de aço e cimento. Seu cerca de 1 milhão de metros quadrados de espaço de escritórios ainda hoje acomoda 21 mil empregados de mil companhias.
E quanto à maravilha construída recentemente no Oriente Médio?
É notável o fato de o edifício mais alto do mundo ser dedicado inteiramente a residências e algumas funções de apoio como de varejo, entretenimento e comércio. O Burj Khalifa é uma cidade vertical. Como ele chegou no momento em que a economia global está ardendo mais lentamente, há a tentação de vê-lo como produto de uma cultura em extinção.
Mas o Empire também foi construído durante a Grande Depressão. E as grandes inovações de hoje em materiais e estrutura têm o poder de durar, a despeito das circunstâncias em que nasceram. Se uma sociedade adorava Deus em pedra, esta outra venera a empresa em aço.
Texto básico: New York Times











