Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Curiosidades"

29 de maio de 2015 Comentários desativados

166

Pelo Golfo da Finlândia… – II

O Ferry que falei, é um Ferry comum de transporte, desde a Finlândia vinha quebrando o gelo. Agora é São Petersburgo, que por uns 50 anos foi Leningrad, e novamente San Petersburg; e espero que para sempre. Pois, lendo sobre o que passaram, me convenci que merecem o resto da existência sem conflitos. Uma coisa é o regime, a ideologia, outra o terrorismo imposto.

Bem, dentro de algum tempo inicia-se o verão, e a temporada das famosas noites brancas verdadeiras iniciam quando o sol quase não se põe no horizonte, na latitude (62º graus); e os moradores dão adeus à tristeza do inverno e festejam todas as noites, e a noite toda. É bonito ver os jovens se divertindo e o reflexo da lua nos canais e na superfície do rio Neva. Os mais velhos dizem que eles comemoram o verão todas as noites. Tomara que seja. E perto da meia noite se ouve, ‘’dez, nove, oito…’’ e quando os ponteiros se juntam, rolhas de champanhe vão para o ar. Todos ficam próximos a mesas colocadas em frente aos bares.

Neste que estávamos, apareceu uma garçonete que parecia conhecer a todos pelo nome e ia anotando os pedidos. Entre os forasteiros, só o que se ouvia é que era um lugar especial. Lá a noite é mística. Não há outro lugar igual na Rússia. Quando a garçonete chega perto de nós, já vem dizendo: ‘’Estão gostando? É sua primeira vez aqui?’’ E quando trouxe o pedido que anotara, acrescentou: ‘’Vocês têm sorte; não há lugar igual na Rússia. ‘’

Sabíamos disso, e concordamos.

 

SEGUE

Bookmark and Share

Pelo Golfo da Finlândia... - I

28 de maio de 2015 Comentários desativados

IMG_1308

 

O VIAJANDO é lido e ajudado por muita gente. Mas falta aqui no escritório alguém com contatos com o além, e das pessoas que conheço, só a Carmen. Não falo da tia Carmen, mas da minha amiga e ex-assistente que têm o mesmo nome, e que é uma paranormal. Se ainda trabalhasse comigo, teria me dito “Flavio, não vá agora, a primavera europeia vai atrasar, etc etc”. E teria razão. Chegamos a Copenhagen dia 12 de maio com 2 graus a menos, às quatro da tarde. Nada assustador, mas inesperado.

Ali planejamos a nossa viagem de ferry e ônibus interurbanos. Ferry entre a Dinamarca, Suécia, Finlândia e São Petersburgo, que às vezes tenho uma recaída e chamo de Leningrad, pois as duas vezes que eu ali havia estado ainda estava sob a antiga direção. Para mim foi inesquecível. De trem e com toda documentação em dia, e sem transportar armas, drogas bombas ou qualquer ilícito, fui detido por entrar no país, às 3 da manhã, levando ter uma perigosa revista, a falecida “News Week”, com algumas palavras sublinhadas, como faço até hoje para não interromper a leitura e procurar no “amansa burro” mais tarde. Pois bem, acharam que era um código; rapidamente interrogado em Russo e num idioma que o Camaradsky achava que era francês, eu não tinha o que responder. Aí, queriam que eu assinasse um papel em Russo! Me neguei. Fui trocado de compartimento no meio da noite e colocado em uma cabine/cela com grades na janela. Eu, na época, nem sabia que o Soljenitsin existia, mas já me imaginava como ele na Sibéria. Brrrrrrrr!

Não agora, mas um dia conto o restante. Um companheiro de viagem, Henry Pepper, professor das escolas de Montesouri, conhecido na viagem, e outros que ficaram apavorados quando me viram entrar numa limusine preta, e desaparecer numa Leningrad de 10 graus abaixo de zero.

*E claro que tudo ficou bem fácil nesta viagem, mais ou menos 40 anos depois. Os antigos líderes haviam sido substituídos, e o clima deixou de ser de terror. Pelo contrário; numa noite íamos passeando, após a janta, quando ouvimos: ‘’Ei!’’ Olhamos, eram uns rapazes e moças devidamente  decorados numa praça, ou melhor, um largo próximo ao hotel, com árvores, mas ainda sem folhas; o verão não chegara, as roupas deles eram para uma festa e uma antecipação para o início das famosas noites brancas…

 

SEGUE

Bookmark and Share

Um domingo no Brique

25 de maio de 2015 Comentários desativados

P1100549

 

No passado era ‘’brique’’, que deve ter vindo de ‘’brick a brack’’, que chegou aqui não sei como. Daí para brechó deve ter sido um pulo. Brechó, me disseram que emplacou através de uma novela, não me pergunte qual, mas a palavra era comum no Rio…Um dia cheguei em Porto Alegre, depois de uns meses fora, e no domingo de manhã o Ferdinando Bulgarini me disse: ‘’Vou te levar a um lugar de Porto Alegre que não conheces.’’ Eu estranhei. Ao ver a minha surpresa, disse: ‘’Ao Brique da Redenção!’’ Realmente eu não conhecia, e me encantei. Tinha um pouco da Tristan Narvaja, de Montevideo, e muito, sem dúvida, de San Telmo, de Buenos Aires.

Lá encontrei, e lembro até hoje, dois dos primeiros ‘’briqueiros’’: o Nico Fagundes, com uma Kombi cheia de peças gaúchas, como ele; arreios, cuias, estribos, e aprendi para sempre (mas não peçam explicações). ‘’De meiapicaria’’, que são apetrechos, artigos para gaúchos montarem e se montarem. Ao lado, o Leandro Telles, ainda sem cabelos brancos. E o assunto foi que o Brique era uma necessidade para mostrar como combater o consumo exacerbado. Dar um novo sentido aos objetos, para que não se perdessem na memória. Mais do que criar coisas novas, o propósito maior era achar novas funções para o que já existe.

E, ao receber a homenagem no domingo, me dei conta que se passaram 37 anos. Está escrito no diploma, e só estou falando porque não li nada na mídia e não reencontrei nem o Nico, nem o Leandro.

Mas me dou conta que, presos aos nossos celulares e tablets, nos sentimos em todos os lugares ao mesmo tempo, e às vezes não dando a atenção devida aos que estão próximos, mas sempre disponíveis para industrialização de produtos criados para necessidades desnecessárias.

A homenagem felizmente foi curta, durou tempo suficiente para que contivéssemos as nossas lágrimas. Ficou a sensação que o tempo vai passando cada vez mais rápido. Três semanas depois, aquela homenagem, aqueles abraços já são coisas do passado. Como o Brique.

Sempre gostei e gosto, mas tenho ido cada vez menos ao Brique. Não é que não queira ou que não possa, é que, como nos museus, passei a ter medo de ir. Com a careca brilhando, a barba branca e sem um celular na mão para ficar digitando, tenho medo que o porteiro olhe para mim e diga: ‘’E você, pra onde é que pensa que vai? Volte para a sua prateleira e não se mexa. ’’

Muito obrigado aos briqueiros e à comissão. Até o próximo domingo.

Flávio.

Bookmark and Share

23 de maio de 2015 Comentários desativados

palmira

Palmira – II

Provavelmente não voltarei às ruínas de Palmira; é quase certo que não voltarei. Não por covardia inconsequente, é que já eram ruínas, e agora, após tantos bombardeios, quem sabe nem existam mais os alicerces. É que estas antiguidades não bombardeáveis, se tornam automaticamente arsenais ou esconderijos, e aí, mais bombas.

Além disto, quando falo em voltar à indiadas, a Eliana me olha como quem diz ‘’você já não fez o que chega?’’. E com a desconstrução da Síria que vemos todos os dias, e os pescoços cortados pelos fundamentalistas, o olhar da Magra é ainda mais incisivo. Porque vidas temos várias, mas pescoços, só um.

Lembrando as ruínas vistas e a história do Hank e da Linda, confesso que gostaria de ir, e de motor-home, e vê-las pela janela envoltas em neblina. Motor-home tem dessas vantagens; o panorama muda, mas os lençóis, o pijama, o banho quente, não. Abrir a cortina de manhã e ver aonde se está estacionado, frequentemente é surpreendente.

Quando falo em Palmira – e isto tem acontecido devido aos conflitos da Síria – lembro de uma viagem do casal que falei, muitos anos atrás. Viajantes convictos, e ainda bem jovens, resolveram sair de algum lugar da Europa, não sei de onde, e ir para o Oriente Médio. No ano anterior, haviam ido à Grécia e Turquia; este ano, com o mesmo Volkswagen, iriam mais adiante. Na data certa, carregaram tudo: roupa, barraca, etc, etc, e uma boa carga de arroz integral, pois ambos eram, e são até hoje, macrobióticos. Os dois são magros, magérrimos (um dia vou relatar o que é viajar com eles pela Patagônia).

Mas para um Volks antigo, tudo incluído era uma carga considerável, e assim foram Grécia e Turquia, que já conheciam. Foram por roteiros paralelos. Da Turquia para a Síria foi fácil. Aí começaram algumas dificuldades, mas nada de guerras, atentados ou coisas parecidas. Mas problemas com idioma, estradas razoáveis, pouca velocidade, menos postos de gasolina, carregar combustível dentro do automóvel –  é uma temeridade – mas ambos iam se distraindo e divertindo por pequenas cidades, desertos enormes, frio à noite, estrelas enormes, etc.

Numa ocasião a viagem foi atrasando; não apareciam postos de gasolina e muito menos pequenas vilas. Sem outra alternativa, foram andando, e mais um pouco, já apreensivos, mas sem problemas. Até que lá pelas tantas, o Hank não aguentava mais e resolveram parar. Saíram um pouco da estrada, tentando esconder o carro dos passantes e, exaustos, nem a barraca montaram e dormiram ambos no banco dianteiro (pois, quem já teve um besouro, sabe muito bem que o banco traseiro é porta bagagem). Transformaram os sacos de dormir em cobertas, pois as noites no deserto são geladas e….desmaiaram.

Um banco de Volks não é o ideal, mas dormiram até os primeiros raios de sol. Acordaram, ainda exaustos, e viram uma neblina intensa, quase uma nuvem.

O Hank conta que acordou de frio. Abriu os olhos, o que significou muito pouco, pois só o que viu foi uma nuvem, e nem sinal de estrada alguma. Só o corpo dolorido de uma noite num banco dianteiro.

Haviam passado por caminhos maravilhosos, trilhas, centenas de quilômetros, dunas. Mas agora era o nada. Era o silêncio e nuvens; só as nuvens. Os seus movimentos despertaram Linda, o silêncio denunciava não ter viva alma há quilômetros. Mesmo assim não abriram as portas; com os primeiros raios de sol, começaram a ver ruínas, pedras trabalhadas e outras no chão. Tudo abandonado, mas fascinante. Um vulto foi se aproximando sobre um camelo e três burricos. De preto, quem sabe era a morte que fisicamente, pessoalmente, os viera buscar? Mas ela existe quando se acorda assim? Ainda mais com algo ilícito na cuca, sim.

A figura permaneceu imóvel e em silêncio a uma distância segura. O casal se olhou e o ‘’beduíno’’ continuou imóvel. ‘’Provavelmente morremos, mas estamos juntos’’, disse a Linda. ‘’Continuaremos juntos’’, respondeu ele.

Com mais luz entre as nuvens, começaram a surgir colunas, arcos, capitéis e uma longa avenida. Aos poucos o mistério se esvai. Haviam chegado e se abrigado em Palmira, a mesma da época dos romanos, que até hoje ali está ao lado da estrada sem cercas e portões.

Estive ali uns 30, 40 anos depois, ou seja, 2006 ou 2007; continuava tudo igual, sem cerca, bares ou novas edificações. Não esqueço o relato dos dois. O que o futuro reserva à Palmira, ninguém sabe.

Bookmark and Share

Palmira - I

22 de maio de 2015 Comentários desativados

P1100638

 

As notícias sobre Palmira são das piores, a manchete é clara e o perigo de ser destruída pela fúria islâmica é enorme. Tudo o que tem sido publicado é verdade. A sua importância é histórica, além disto, é a única diferente cidade de todas as que os romanos implantaram (que a própria Avenida Triunfal é em curva, não sei se porque teriam mudado o projeto, pois no meio de um deserto falta de espaço não é). E não é longe de um oásis, num semi-vale, onde estão 5 milhões de palmeiras – tamareiras, para falar a verdade. – E daí teria vindo o nome em latim, Palmira. Por que longe do oásis e no meio do deserto?

Quase no centro tem um fantástico pequeno hotel, e um bar ao ar livre todo feito sobre restos e escombros de ruínas. Os capitéis de colunas com uns 3 metros de diâmetro servem de mesas. Você senta ali sozinho (ou pelo menos no dia que cheguei era o único hóspede), pede um whisky e deixa a sua fantasia livre. A noite chega bem mais rápida, você se sente só no meio, literalmente, no meio do deserto. Está uns 500km da cidade mais próxima: Damasco, que hoje é uma ruína também.

Na vilazinha perto do oásis, há um hotel, onde se hospedava o ‘’Lawrence da Arábia’’. As segundas vias das notas de sua hospedagem estão lá à disposição. Sei que é difícil crer que um árabe desse nota, e com segunda via. Mas estão lá – ou do jeito que a guerra vai, estavam lá.

Ali, dedilhei o piano no qual o próprio Lawrence tocava, procurando preencher o seu tempo naquele deserto, bem no coração da Síria, longe de tudo. É difícil de entender como os romanos chegaram lá, como deslocavam as suas legiões, sem estradas e sem veículos à motor. É ali, e não no Sahara que se vê só areia, e areia bem fina.

Se você viu as cenas de deserto do filme (Lawrence da Arábia, com Peter O’Toole), só o entardecer no deserto já valem.

O que é que eu fui fazer ali? Hoje, uns 7, 8 anos depois, até eu me pergunto. Primeiro, eu gosto de desertos; como falava o meu vizinho Stockinger, é como gostar de cactus, de cravos, de rosas. Todos gostam. De cactus ou desertos, só alguns; uns cravos e rosas, mas todos veem a beleza. A beleza de desertos ou cactus são para poucos, mas eu sou um deles.

Bem, uns clientes meus de fotografia sabiam disto. Os conflitos de Israel e vizinhos, na época, acabaram com a sua agência chamada íbero America, que praticamente só levava religiosos aos lugares sagrados; Jerusalém, etc. Aqui, Paulo Bremm os levou uma noite ao Studio, e praticamente ali que começou esta viagem; era a tentativa de descobrir outros roteiros.

Além disto, tem uma outra história que vale a pena ser lida…

SEGUE

Bookmark and Share

Jardins e jardinagens

11 de maio de 2015 Comentários desativados

Jardinagem-02

 

Há tempo queria escrever sobre jardinagem, e o faço hoje porque estou novamente sem jardineiro, e me lembrei do que vi nos arredores de Boston há uns meses atrás. Otimista que sou, sempre penso que o que fazem lá, anglo-saxões e protestantes, pode ser feito aqui, por latinos e católicos. Até o presente, tenho me enganado, mas não quero induzi-los no meu pensamento. Portanto, antes de concordar ou discordar, compare os resultados dos últimos 200/300 anos, a excelência de Boston no gelado litoral de Cape Cod e o que temos feito aqui.

Uns meses atrás, com o outono chegando, estávamos na costa leste dos Estados Unidos, justamente onde chegaram os peregrinos com o ‘’May Flower’’ (qual deles, não sei). Leio que foram vários os barcos com este nome, que hoje cada cidade tem uma réplica do ‘’verdadeiro’’.

Íamos até Martha’s Vineyard, que é ‘’mais the best’’ fora da temporada, só um bate/volta. Fomos comprar a passagem. Havia pouca gente, apesar do dia esplendoroso (e eles sabiam o inverno que viria pela frente).

Já iam antecipando a todos, nas lojas, nos cafés, a conhecidos e desconhecidos, ‘’nice day’’, ‘’beautiful winter’’, ‘’lovely day’’, etc. Na entrada do shoppinzinho, algumas antiguidades e um belo jardim sendo aparado. A Eliana foi comprar os tickets para a ilha e eu fiquei olhando as quinquilharias e os cães; parece que todos, ou quase todos os têm.  E vejo um grupo de jovens, homens e mulheres com avental e luvas jardinando. Eram alegres e dispostos, e me aproximei da coordenadora que dava algumas ordens; só fiquei olhando.

Falar com desconhecidos, lá para cima, é normal. Não é paquera nem assédio, é uma sociedade sem medo, ninguém vai morder, assaltar, etc. Elogiei o trabalho do grupo, ela ficou surpresa e disse: ‘’São meus alunos.’’ Aí o surpreso fui eu e, no decorrer da conversa aprendi que jardinagem tem cursos, é uma técnica profissional como eletricista, encanador ou cozinheiro. É aprendido em colégio e estimulado pelas prefeituras. Ela disse ainda: ‘’Como você vê, em New England preferimos morar em casas, quase todas têm jardins. É preciso que alguém os cuide, principalmente quando os donos são idosos e não podem mais executar os serviços. Especialmente no inverno…’’ e seguiu: ‘’Estes jovens aprendem durante 6 meses numa escola técnica; é pública e em breve ganharão tanto ou mais que eletricistas, pedreiros, encanadores, etc. Alguns serão empregados por empresas, outros terão carros como aquele ali e serão independentes’’, e mostrou mais ao longe uma Pick-up longa, com toda a aparelhagem, cortadores, geradores e assopradores (de folhas). ‘’Aprendem a teoria conosco e praticam nos jardins públicos. Aos poucos vão se inserindo no mercado de trabalho. São importantíssimos, nos ajudam a manter as cidades mais bonitas, são bem pagos e trabalham com o verde e com as flores.’’

*Este texto repete o que vimos no exterior de exemplos assim ou como os das molduras, de duas ou três semanas atrás. Mas pelo visto, só interessa a você, que leu até aqui, e a mim, que preciso de jardineiro (½ expediente chega e carteira assinada, etc). Mas tem que ser de manhã, tenho 6 ferozes Dacshunds para alimentar, que durante a noite ou de dia mesmo, esburacam tudo à procura de algum roedor inimigo. E gostando de viajar, o problema é ainda maior. Já tentei dar dinheiro e mandá-los comer fora, mas eles preferem comida quentinha pela manhã; à tarde até aceitam propostas. E assim peço-lhe duas coisas: a primeira, se você conhece alguém para ser o meu jardineiro; a segunda, se você conhece alguém da prefeitura que o ouça e acredite em você, e que possa fazer prosperar a ideia de um curso ou aprendizado de jardinagem. Eu conheço vários, mas me acham um sonhador, e nunca respondem as minhas postagens; devem estar muito preocupados com a sua reeleição.

Sei que as redes sociais e o meu blog não são nenhum drone, mas eu sempre espero que esta ideia floresça entre os meus leitores. E gostaria de ter algum que se chame Fortunati ou Sebastião que a colocasse em prática.

Bookmark and Share

Emirados

09 de maio de 2015 Comentários desativados

emirados

 

Esses dias numa postagem, usei o termo ‘’cidades sem alma’’, e levei um puxão de orelhas leve, mas justo. A palavra ‘’alma’’, até um tempo atrás tinha a ver com religião, e para alguns anda tem. Hoje, a meu ver, tem a ver com música, espirito, soul, interior, ânimo, etc. Eu uso o termo, quem sabe, erroneamente, mas me parece que define bem estas cidades novas, feitas no meio de desertos e com uma arquitetura espetacular…mas só.

Têm shoppings, hotéis, lojas e tudo que as melhoram. São as maiores em tudo, têm tudo o que o dinheiro do petróleo proporcionou e espero que continue. Mas são lojões bonitos, sem dúvida, mas sem vida e sem alma, não tenho tesão em visitá-las; curiosidade sim, e muita. Afinal, continuarão tendo vida própria quando ‘’o ouro negro’’ acabar e, que se saiba, serão os últimos a deixarem de produzi-lo, pois o deles está tão próximo à superfície que o seu custo de extração sempre será mais barato. Além disto, em terra firme.

Mas até hoje, dos amigos meus que as visitaram, nenhum me disse alguma coisa que me estimulasse a ficar 15 horas dentro de um avião, que é o tempo de São Paulo até os Emirados.

Ouvi relatos de hotéis, de shoppings e até de corridas de Fórmula 1, comida (boa ou má). Mas nenhum que me estimulasse a ir, a querer vê-las e vivê-las, mesmo que por poucos dias. Quem sabe, um interior moleque que todos temos diga algo, fazendo jus ao que eu falei. Esperarei um pouco mais, se não der certo, se o E.I emplacar, se o petróleo acabar, dentro de uns 500 anos o meu espírito de arqueólogo frustrado me levará lá, mas na companhia do Chico Marshall e da Margareth Bacos e, quem sabe, mais alguns destes vasculhadores de velhices que encontro em leilões e ferros-velhos em uma viagem, como fizeram os primeiros gregos ao chegar no Egito.

E lá, alguns personagens que hoje são famosos por terem escavado buracos, como já fizeram os gregos – que já falei – até Napoleão e seus amigos. E matutando sobre coisas que serão impossíveis de imaginar. Como uma bicicleta ergométrica, por exemplo, para que servia? Já imaginaram um arqueólogo encontrando, ainda cheia de pó, uma bicicleta ergométrica, ainda com as roupas que costumávamos colocar sobre elas, e junto com seus pares, ficar pensando ‘’para que serviria? Com rodas, pedais, banco, velocímetro, marcador de temperatura, mas que não saem do lugar? É, os futuros arqueólogos também terão muito trabalho.

Bookmark and Share

Há várias formas de se ver Paris

08 de maio de 2015 Comentários desativados

paris

 

O fotógrafo Doisneau já via Paris como uma cidade habitada por fantasmas. Não os fantasmas dos outros, mas os seus próprios. Afinal, clicou a cidade por meio século, registrando a Paris das boinas e chapéus-coco, a Paris ocupada e humilhada pelos nazistas, a Paris das barricadas, das resistências, dos Maquis e das prostitutas de Bois-de-Boulogne.

Paris durante a 2ª Guerra se transformou, e foi quando trocou a tradição pela modernidade, demolindo antigos prédios para construir torres de concreto e vidro. Falando sobre o assunto, Doisneau, em 1984, lembrou a ‘’ingênua’’ baronesa de Haussmann, a mulher do urbanista que havia projetado a nova Paris ao assumir a remodelação da cidade. ‘’Com seu jeito afetado, ela dizia: ‘’Como é estranho, cada vez que meu marido compra um imóvel, chegam os demolidores!’’’’

Na época, é verdade, se demoliu muito, mas ele recusou lamentar-se sobre as ruínas. ‘’A beleza, para ser comovente, tem de ser efêmera’’, justificou, lembrando que vira desaparecer todos os seus pontos de referência sentimentais. ‘’O que me incomoda mais é o confisco dos meus oásis’’, diz Doisneau no livro, provavelmente se referindo às monstruosidades construídas, como a passarela da La Défense.

A vida diante dos edifícios da Place Pinel dá medo, escreveu, vociferando contra a especulação imobiliária que expulsou os artesãos do Faubourg Saint Agostine para dar lugar a agências de publicidade. E a última parte do livro é também a mais triste (uma foto mostra). Nela, um senhor com seu bassê olha desolado para o terraço da Défense e na paisagem devastada de Beaugrenelle, sufocadas por ‘’próteses de concreto’’ – como Doisneau dizia, que esses edifícios com fachadas de espelho transformaram Paris numa cidade ‘’abstrata’’.

Este é um assunto comum entre os frequentadores dos velhos cafés, daqueles onde não se veem telefones nem tem wi-fi.

A Paris das fotos é aquela que pulsa nas ruas, nos clubes noturnos, nas barracas dos parques de diversão. Os personagens preferidos do fotógrafo são os saltimbancos da Place de la Bastille, as strippers do Concert Mayol, as dançarinas de cancã do Tabarin, os frequentadores dos bailes populares na Rue des Canettes e os artistas que desenham a giz sobre o asfalto da Pont des Arts. Estão todos no livro, ao lado de celebridades como Simone de Beauvoir escrevendo no Deux Magots (1944), a cantora Juliette Gréco, também com seu bassê em Montparnasse (1947), o cineasta norte-americano Orson Welles bebendo antes do Grande Prêmio, a escritora Collete passeando de cadeira de rodas nos jardins do Palais-Royal (1955), o escultor suíço Alberto Giacometti sentado num café da Rue d’Alesia, além de estrelas mais recentes, como Sandrine Bonnaire (1990), Juliette Binoche, esta num flagrante de rua enquanto filmava seu angustiante filme Os Amantes da Pont-Neuf (1991).

Espero que a mostra em breve chegue aqui.

Bookmark and Share

Katmandu/Nepal

30 de abril de 2015 Comentários desativados

nepal

 

Estranhei que o número de brasileiros lá chegasse a 185 – palavra da Embaixada Brasileira – que, cá para nós, não tem muito crédito. Não primam nem pela atenção, nem pela objetividade. Só primam pela ausência; nunca estão. Por sorte nossa, sempre tem um faz tudo, geralmente português, que faz ou tenta fazer o melhor que pode.

Li ontem em um jornal (não sei qual deles, e só por isto omito seu nome), um dos brasileiros dizendo: ‘’A embaixada não me deu nem um copo d’água. Quanto ao número, como é que eles sabem se nenhum brasileiro vai a embaixada? ’’ (Os ingleses, por exemplo, todos vão, se registram e dentro do possível dizem aonde estão e para onde vão em caso de treking).

Quanto a água que o nosso coirmão falou, deve ter sido para protegê-lo. Naquela região, água não é uma boa. Eu que não sou viciado em refrigerantes, apelo para eles. Ou cerveja, para a minha hidratação. Dou preferência à Coca-Cola; é que todos sabemos que não há micróbios que sobrevivam lá dentro. Com a cerveja é mais ou menos o mesmo.

Navegadores do passado levavam barris e mais barris. Não só porque eram chegados num trago, mas porque a cerveja se mantinha, a água não.

Bookmark and Share

O Egito agora

25 de abril de 2015 Comentários desativados

egypt-sphinx-landmark-sculpture

 

Apesar da política e dos conflitos do ISIS ou do E.I – chamem como quiserem – o Egito continua insubstituível. Se você gosta de surpresas, arqueologia e escavações, poucos países se comparam, ou melhor, nenhum país se compara; está tudo lá e sempre acontecendo. Muitas outras descobertas, mas os arqueólogos não falam, e com razão. O museu do Cairo está superlotado e o país não tem fundos para novos investimentos na área. É melhor deixar as relíquias como estão. O clima é seco e as peças estão ali a milhares de anos. Mas se algo mais novo surgir, é quase certo que será lá. Temos ainda o México, a Índia, Guatemala e, com menos probabilidade, mas também possível, o Peru.

Em situações normais, o Egito já era confuso (mas seguro). Não conheço caso de roubo ou assalto a viajantes no Egito. Mas a preocupação com quem entra e quem sai está sendo olhada com mais atenção. O que para nós, viajantes, dá mais tranquilidade, mas mais despesas também, especialmente morando em um lugar em que os consulados são poucos. Temos que recorrer a despachantes que, obviamente, são pagos.

Não creio que na atual situação de sangue sobre a areia, como temos visto, muita gente vá até lá. Mas é bom saber que se preocupam com isto. É claro que vistos e carimbos só atrapalham, mas me parece que sua vinda é bem intencionada. Na própria Europa, confesso que gostaria que carimbos e fotos de passantes fossem feitos nas fronteiras. É bom que se saiba quem entra e quem sai do país.

No momento, só quem recebe o turista de ‘’além mar’’ é quem verifica os papéis. Mas, sem dúvida, o E.i está arregimentando cada vez mais integrantes e com passaporte europeu, e milhares de refugiados cruzam o Mediterrâneo com sucesso. Sinto um preocupante êxodo de judeus para Israel. E é preocupante também os altíssimos preços que os pintores clássicos e os impressionistas estão alcançando nos leilões. Seria uma forma mais segura de proteger o seu patrimônio? Eu não sei, é muita carga para a minha Vemaguete.

Dizem eles que se sentem mais seguros em Tel Aviv que em Paris, o que para nós é surpreendente.

E me faz lembrar a frase do Becquet durante a 2ª Guerra: ‘’Prefiro Paris em guerra do que a Irlanda na paz.’’

Bookmark and Share