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Posts na categoria "Curiosidades"

A Era do Concreto e das Alturas (parte 2)

17 de maio de 2013 0

Saltemos, agora, para o limiar do século XX. Com o desenvolvimento tecnológico das estruturas de aço e do elevador, a capacidade de empilhar pavimentos foi a alturas inconcebíveis.

Pela primeira vez, os edifícios mais altos das cidades não eram mais igrejas. Os arranha-céus que subiam em Chicago e Nova Iorque eram “catedrais do comércio”, repletos de escritórios e funcionários que ultrapassaram a altura da catedral de Saint Patrick. Para os mais religiosos, uma agressão, um sacrilégio!

O Empire State foi construído no ritmo alucinante de 410 dias (não foi obra pública e muito menos da Delta). Quando foi inaugurado em 1931, ele era um casamento sensacional e sem precedente de aço e cimento. Seu cerca de 1 milhão de metros quadrados de espaço de escritórios ainda hoje acomoda 21 mil empregados de mil companhias.

E quanto à maravilha construída recentemente no Oriente Médio?

É notável o fato de o edifício mais alto do mundo ser dedicado inteiramente a residências e algumas funções de apoio como de varejo, entretenimento e comércio. O Burj Khalifa é uma cidade vertical. Como ele chegou no momento em que a economia global está ardendo mais lentamente, há a tentação de vê-lo como produto de uma cultura em extinção.

Mas o Empire também foi construído durante a Grande Depressão. E as grandes inovações de hoje em materiais e estrutura têm o poder de durar, a despeito das circunstâncias em que nasceram. Se uma sociedade adorava Deus em pedra, esta outra venera a empresa em aço.

Texto básico: New York Times

A Era do Concreto e das Alturas (parte 1)

16 de maio de 2013 0

Os primeiros inquilinos já estão morando. Apesar dos contratempos normais, desde a sua inauguração, o prédio comandou uma exuberante proliferação de recordes. O prédio eleva-se a mais de 800 metros, o dobro do Empire State. Já pensou subir com a mobília? E se você toca piano? E quem leva o Totó para passear? Ou o clássico... meu bem, esqueci as chaves no carro.

Bem, isso veremos no futuro...

Toda a badalação omite duas outras marcas simbólicas que devem enriquecer os livros de história: O Burj Khalifa é, principalmente, residencial e sua armação estrutural é de concreto.

Por que esses dois fatos são importantes?

A busca da altitude máxima é um grande feito para a vaidade tecnológica da nossa época. Uma construção dessas requer um investimento técnico extraordinário e conduz inovações em materiais. Quando avaliamos edifícios, vemos que estruturas altas oferecem dividendos notáveis às sociedades que as criaram.

Pensem na Idade Média. As altíssimas catedrais foram assombrosos marcos. As igrejas aproveitam ao máximo a capacidade estrutural dos materiais disponíveis. Imagine o impacto dos peregrinos ao chegar a essas construções. Ficavam extasiados com o aparente desafio à gravidade e sentiam-se envolvidos pelo poder espiritual transmitido pelos interiores das igrejas, ainda mais quando atravessadas pelas luzes coloridas dos vitrais. Quase um milagre, quem sabe até divulgado como se fosse...

A Igreja de Notre Dame, em Paris ou a de Chartres tinham altura que tem hoje, mas em uma época em que 90% das edificações tinham um só andar, pouquíssimas tinham dois. Imagine o que isso representava?

Como descrer de um Deus que permitia que elas se mantivessem de pé?

A Lincoln Cathedral, na Inglaterra foi considerada o primeiro edifício a excedera altura da Grande Pirâmide, um marco a ser considerado. As abóbodas elevam-se como delicadas folhas entrelaçadas numa altura estonteante. Foi a construção mais alta do mundo por dois séculos e meio, até seu pináculo central desabar em 1549.

Vivendo nas alturas

15 de maio de 2013 0

Há alguns anos em um safari, literalmente no meio do mato em tendas, confortáveis, mas tendas.

Um dos companheiros tinha um livreto com um nome curioso Arquitetura sem Arquitetos. Folhei o livro e o dono, viajante também e provavelmente arquiteto o comprara em um sebo.

Nunca esqueci o livro. Eram construções simples e óbvias, mas de bom gosto, feitas em tribos usando pedras, barro e madeira, os únicos materiais que dispunham. O livro tinha mais desenhos que fotografias. Outro dia enquanto tomava um café no “Personalite” vi algumas fotos e lembrei daquele acampamento. Teria a moda migrado da África para a Europa e para a América? Não falava nisto, mas um publicitário francês Adair Laurens decidiu criar uma empresa para construir casas a 10m de altura do chão. Em princípio, maluquice completa, mas destas que dão certo.

Gostei da história e a associei a uma aqui de Belém Novo: construtor e proprietário o Gustavo Nakle, um libanês que decidiu trocar a tradição de lojinha (a sua chamava-se Ao Braço Fixo. Aquela clássica. Braço estendido do qual pendiam gravatas, suspensórios e lenços, pendurados onde? No próprio braço, claro). Com a separação, fez uma casa de Tarzan no maior eucalipto e no ponto mais alto de Belém Novo. Nós, os seus amigos, temíamos por ele e pelo filho que o acompanhou no exílio matrimonial . Nas noites de temporal, aquele eucalipto era tudo que um raio podia desejar. Agora, antes de levar a revista para ele, resolvi dividi-la com os Blogueiros e Faceiros. Portanto, se você sempre quis dar uma de Trazan e a sua Jane concordar, lembre-se que há outras.

A empresa construtora vai bem. A maioria das encomendas vem da Itália e da Provence. Entre os que encomendaram casa a La Cabane Perché, estão o Chateau Valmer que tem duas árvores e, portanto, duas suítes uma para casal e outra para famílias.

Em 12 anos a empresa fabricou 350 casas. Assim que o cliente demonstra interesse em ter uma cabana, a equipe de Laurens analisa a árvore em que será colocada: altura, circunferência, idade. As espécies mais apropriadas são carvalhos e pinheiros. E quanto mais antigas, melhor. O ideal é que a casa fique a uma altura entre 8 e 14 metros do solo. A madeira ideal para eles é o cedro vermelho importado do Canadá. Sólido, leve e não apodrece. Uma casa pode ser feita em três semanas e algumas, mais sofisticadas, levam até dois meses e meio. Nenhum prego se quer é colocado no tronco ou galhos. O sistema faz com que a cabana se encaixe nos troncos e galhos, com uma cinta colocada em volta do tronco que pode ser ajustada. As árvores continuam crescendo de forma natural. “Construímos os sonhos dos clientes, mas focamos em qualidade e na natureza”.

Aí está, portanto, uma nova forma de viver e em caso de dúvida, se morar no sul. Dê uma olhada na do Gustavo Nakle é um professor, além de muito bom escultor.

Um pouco sobre os Vikings...

13 de maio de 2013 0

Um dia destes, vamos falar mais detalhadamente do North Cap, que é um marco para viajantes. Pudera, é o último ponto que se pode chegar ao Continente Europeu (daí em diante, só as ilhas Spetsberg). Mas mesmo do penhasco não dá para observar o Polo Norte, simplesmente porque ele não existe. Não é um ponto fixo, tem verões que ele permanece, e verões que ele derrete. Já andei por lá duas vezes, mas sempre por roteiros diversos e dá para ir sem problemas, de ônibus interurbano (assim foi minha primeira ida). Nem tão lá em cima, um pouco antes, mas já no paralelo 69/ 70 mais ou menos, tem o Museu do Bacalhau numa das ilhas Lofoten. Tem também uma vila viking que foi encontrada, restaurada e é mantida como era. Só servem comida da época e produzem tudo ali com fogão a lenha. Posso garantir a vocês que não era fácil ser Viking.

É curioso, aprende-se um monte de coisas, todas da cultura inútil, é lógico. Quem de um país tropical como o nosso, quer saber como viviam os Vikings?

Bem, só mais uma coisa. Lembram-se dos Vikings e dos capacetes? Aqueles com chifres laterais? Há dezenas deles por ali, todos recuperados, nenhum com chifres que, para nós, são quase um distintivo que ninguém quer. Não vi nenhum capacete com chifres. Não estou dizendo que nenhum Viking não tivesse chifres. Provavelmente alguns o tinham... Como em todo o mundo. Não os tinham é nos seus capacetes. Como surgiu a história? Novamente, com os italianos. Um produtor de ópera, que não sei qual é, precisava na encenação, que os “diabos do norte” tivessem um aspecto agressivo, marcante e teve a ideia de coloca-los. Pegou tão bem, o impacto na plateia foi tão grande que até hoje, quando se quer caracterizar um Viking, é só colocar uns chifres laterais e está pronta a caracterização.

Os pratos mudarem é tradição na Itália

08 de maio de 2013 0

Nós, filhos de italianos não damos muita bola, mas é difícil de explicar aos “não oriundos” que a Itália foi unificada, mas suas receitas continuam independentes. A pizza alla napolitana feita em Roma leva anchova. Em Nápoles, essa pizza se chama... alla romana! Se non capisci nemmeno loro!

Vamos lá, de novo: quem tem boca vai a Roma e vai comer. Bem, o fato é que, com ou sem trocadilho, quem chega à Itália quer comer os clássicos que tem na memória: a pizza alla napoletana, a bistecca alla fiorentina. Então percebe que um restaurante é um pouco diferente do outro. Mesmo que os pratos sejam preparados daquela maneira há décadas. Variar receitas clássicas na Itália já é pura tradição. A sua é sempre a melhor.

Desde que o país foi unificado, uns 150 anos atrás, um acontecimento histórico que se celebra hoje, os italianos tentaram unificar também suas receitas. Mas não conseguiram.

Só conseguiram estabelecer o seguinte: a massa do tagliatelle deve ser fresca, feita com ovos, e servida com ragù. Como é o ragù? Bem, depende...

Os genoveses criaram o Consorzio del Pesto Genovese, que reconheceu uma receita como a mais autêntica. Mas pela Ligúria se encontram diversas variações do molho à base de manjericão, azeite e alho.

Em Roma, há a Confraternita della Carbonara; em Bolonha atuam Gli Apostoli dello Tagliatello; tem também a Confraternita del Tortellino. Por toda a Itália há gente empenhada em defender a autenticidade de suas receitas regionais. Cabe a você sair provando.

Nomear um prato de tonno alla palermitano, ou seja, "atum de Palermo", é um modo de associar um prato a determinada região. Algumas vezes as associações fazem sentido - o atum usado é mesmo um atum siciliano, servido com ingredientes locais: azeitonas, alcaparras e tomate. Outras vezes, como no “risotto alla milanese”, não se trata disso. O "risoto de Milão", preparado com açafrão, nada tem a ver com os ingredientes regionais, mas só reflete um hábito cultural local.

Comida é identidade. Identidade é algo emocional e cultural. Reivindicar a paternidade de um prato é demonstrar orgulho criativo. No final das contas, essa relação com a comida é positiva porque as receitas têm significado, origem e lugar, não são conceitos abstratos. Como nação a Itália deve muito a Pellegrino Artusi, autor de A ciência na Cozinha e a Arte de Comer Bem, publicado em 1891. O livro provou ser um aglutinador das tradições gastronômicas das várias cidades-Estado que hoje compõem o mapa italiano.

Mas unidade não significa abandonar a identidade. Afinal de contas, a Itália, como país unido, tem apenas 150 anos, os EUA têm mais de 300 anos e o Brasil está pelos 600. Comer na Itália é uma das razões de viver e os italianos retêm sua cozinha regional por apreço à tradição. Receitas são transmitidas de geração em geração; há pratos do norte e do sul da Itália que ainda não conhecemos. Lemos sobre eles, e vamos até lá cheios de expectativa e ao provar nos damos conta que é mera cópia do mesmo prato com uma pitada a mais de qualquer tempero. Por outro lado, diz o Carlo Pricchiere em Módena, há um tortellini com recheio de prosciutto, mortadela e parmigiano. O tortellini é feito em toda a Bolonha, mas 20 quilômetros ao norte, em Reggio Emilia, a mesma massa é preparada de uma maneira completamente diferente, mas o nome é o mesmo. Tudo pode acontecer...

Uma Visita ao Rio Jordão

07 de maio de 2013 Comentários desativados

Que as grandes metrópoles e os rios de regiões industrializadas estejam poluídos não chega a ser novidade. Mas, felizmente, os mesmos cérebros que “ajudaram” a poluí-los hoje estudam fórmulas para limpá-los.

Surpresa foi saber que o rio Jordão, famoso pelo batizado de Jesus, esteja poluído a ponto de algumas religiões suspenderem os batizados. A afirmação é da ONG Amigos da Terra no Oriente Médio.

Não sei onde nasce o Jordão, mas lembro dele entre a Jordânia e Israel sem indústrias próximas. Eu o associo a São João Batista e a camelos, cabras, burricos, embora, quando lá, não tenha visto nenhum. Quem sabe, o fato de não ser religioso me tenha feito olhar mais por boas fotografias do que pela fé. Mas tenho que concordar que o rio é um ícone. Tanto que muitos vão até ali só para admirá-lo, ouvir algumas obviedades do padre/ tour líder que organizou a viagem.

Obviamente, algum árabe ou judeu, mais provavelmente um judeu vestido de árabe, se deu conta que um barquinho ali seria um bom negócio. Pequenos trajetos até a outra margem, fotos com os pés nas águas sagradas, etc.

Os tours foram se tornando mais frequentes com mais paz e a valorização das antigas atrações e os preços foram subindo. Até que recentemente, um grupo de católicos da serra foi até lá e alguns dos mais devotos quiseram dar uma voltinha até a outra margem. Ao perguntarem o preço, o barqueiro deu um valor próximo a 50 dólares.

O quê? Disse o caxiense assustado. 50 dólares para ir até ali é um roubo!

Ao que o barqueiro respondeu: O senhor acha caro? E, em voz alta, continuou. Lembre-se que este é o rio que Jesus atravessou caminhando.

E ouviu: Pudera, com esses preços!

Super Bebês

26 de abril de 2013 Comentários desativados

Está comprovado que a genética favorece alguns em alguns esportes, mas me assusta um pouco a possibilidade de em breve “juntarmos” ideais genéticos para termos supercampeões.

Não creio que já tenhamos chegado lá, mas transcrevo uma matéria lida no “Le nouvel observateur” de sua correspondente em Beijing. “Bebê Gigante” é o título.

Em 1980 a imprensa de Shangai anuncia o nascimento de um bebê promissor. Filho de um casal de jogadores de basquete já anunciado com um futuro expoente do basquete de Shangai. Trinta anos depois o bebê se tornou a estrela “sideral” com 2,26m de altura e jogando no Houston Rockets. Tempos depois, a mídia anuncia a gravidez da sua mulher Yeli de 1,90m, também basqueteira e integrante da seleção nacional até que um problema com o joelho, em 2005 a retirou do esporte. Agora a China toda está fascinada e preocupada com outro esperado nascimento: seu filho.

Na internet, se lê que foi graças ao problema de joelho da mãe que permitiu que ela parasse com os treinos e “permitisse uma reaproximação sentimental” (é o que diz o artigo).

Hoje se vota na internet para a escolha do nome do bebê ou até se discute sua futura nacionalidade, pois vai nascer em Houston, onde o casal reside. Será mais um chinês que optará pela cidadania americana? Só mais um detalhe: são dezenas de milhões a responder a pesquisa.

Outras enquetes discutem o tamanho do futuro garoto (lembre que ele ainda não nasceu). Especialistas em cálculos e métodos e mais alguns sábios de plantão, dizem que ele terá entre 2m e 2,21m se for homem, ou 1,94m a 2,08m se for menina.

Faltando meses para o nascimento, um comentarista do órgão oficial do Partido já previu que a futura estrela da dinastia ajudará, sem dúvida, a China a ganhar mais prêmios internacionais.

O pai, Yao Ming melhor situado para compreender a fragilidade dos gigantes só disse que ele espera que a criança tenha melhores tornozelos que ele e melhores joelhos que sua mãe. E eu, que traduzi o artigo de Ursula Gauthier, acrescento: E se um dia ele disser: “Papai, eu quero é jogar xadrez”?

A Melhor Cerveja do Mundo (parte I)

18 de abril de 2013 0

Li e gostei de um artigo publicado no New York Times; John Tagliabue é o autor. Mas antes que você comece a ler, quero confessar que nunca estive em Vleteren, que é uma pequena vila belga. É ali que religiosos produzem a melhor cerveja do mundo. A melhor? Tenho minhas dúvidas na afirmação. Cada um tem o seu paladar e eu confio mais nisso que em qualquer outra análise. E já que estou fazendo declarações quase confidenciais, quero lhe dizer, também, que não deveria escrever sobre cervejas. Aliás, nem escreverei. É mais a história de uma pequena vila. É que a minha iniciação, no ramos, aconteceu há pouco. Estava no Leste Europeu nem lembro se em Praga ou já na República Eslovaca e, depois de tentar todos os vinhos do cardápio e errar sempre (pudera, com aqueles nomes sem vogais) é claro que eu pedia ao sommelier, mas quem disse que o sommelier, só porque tem no pescoço um cálice pendurado ao contrário, sabe do meu paladar?

Aí me dei conta que estava na região de maior consumo de cerveja. No hotel, estava à disposição, no café da manhã, junto com iogurte, café, frutas, salsichas, omeletes e apple strudel, etc., etc.

Bem decidi arriscar. Afinal, já havia errado todos os vinhos que pedira. E ao primeiro gole de um Stouts’s expressa e na temperatura certa me certifiquei que havia aprendido a desfrutar um novo prazer e até me perguntei por que havia passado uma semana antes que a ficha caísse e me lembrar que os tchecos bebem, estatisticamente, perto de 165 litros por pessoa ao ano, e lembre-se que lá também há crianças e abstêmios. Poucos, provavelmente, mas tem.

Na verdade, foi o entusiasmado site norte americano Rate Beer, que deu o bicampeonato à cerveja.

A cerveja é produzida há um século e meio pelos monges trapistas da abadia local.

Consequentemente, a fama não é recente, mas, agora, melhorou a economia local, beneficiando restaurantes, pensões e lojas que atendem peregrinos e turistas atraídos pelo mosteiro... e pela cerveja saborosa.

O tônico não poderia ter vindo em melhor hora, com a Bélgica sentindo a recessão que aflige a Europa. Em Liége, porção leste do país, importante fundição de aço anunciou a dispensa de 1,3 mil pessoas. Um mês antes, a Ford havia fechado uma fábrica de automóveis na vizinha Genk, afetando cerca de 10 mil empregados. Ou seja, a cerveja, por hora, mantém a pequena Vletern a salvo.

Nos últimos anos, nasceu uma segunda microcervejaria. “O que foi muito bom para nós”, afirmou o tabelião da que é prefeito da cidade em meio expediente. “Nossas pensões vivem cheias por causa da cerveja”.

Alguns anos atrás, se você quisesse uma cerveja Westvleterem 12, bastava ir a São Sisto e comprar. Hoje, explica o prefeito, num dia de tempo bom a fila de carros à espera para compra a bebida pode se estender por cinco quilômetros.


O Branco da Neve como Moldura

12 de abril de 2013 0

Lendo o texto de Luciano Leoneti, lembrei da minha primeira ida até lá. Cheguei à noite, de trem em Mestre e sem reserva. Era janeiro, ou seja, muito frio com um trem urbano que aqui chamamos de metrô. Hospedei-me no primeiro hotel perto da estação. Na manhã seguinte, um fuzuê. Alguns falavam alto, mas eu não entendia, até que me dei conta: “La neve, la neve”. Era a neve que caía.

Bem, nem café tomei. Quando saí, nem nevava mais. Havia nevado forte na madrugada, coisa não muito frequente, ali, ao nível do mar. Mas sair caminhando, acompanhando canais nunca vistos, pontes e pontesinhas com os beirais ainda brancos, barcos e até gôndolas estacionadas, que eu também nunca havia visto ao vivo, foi espetacular. Eram aquelas vistas que já decoramos, como se já tivessem estado naquele lugar, mas com o branco da neve como moldura.

Sozinho e com sapatos não muito próprios, tomava uma grapa, de vez em quando, para não parar. Sabia que era uma beleza efêmera. Só duraria algumas horas, e eu queria aproveitá-las todas, até os minutos. Queria ser o primeiro a deixar as marcas de pés naqueles trajetos que, dali a pouco, seriam pisoteados por centenas, milhares de visitantes que, como eu, a visitam em qualquer época. Foram, quem sabe, umas duas horas de frio e silêncio, que me emocionam até hoje, e sem queixas. Tentei repetir o trajeto, nas outras vezes que estive lá, impossível, como dizia a propaganda da Valisere: o primeiro... A gente nunca esquece.

Uma Notícia Insólita

10 de abril de 2013 0

Até me desculpo, antecipadamente, nunca imaginei vê-la impressa. Li no “Metro” assinada pelo Diego Casagrande. O Diego é meu amigo há anos. Passional, inflamado e defende com ardor os seus pontos de vista. Pode-se dizer muito sobre ele, menos que seja leviano; portanto, lhe dou todo o crédito.

Pois bem, ele mesmo inicia a matéria dizendo: “Parece mentira. É incrível”. E eu acrescento: “Se você estiver no café da manhã, não leia agora. Leia outra hora, mas leia”. São os pequenos detalhes que nos fazem conhecer melhor o país onde vivemos e que, segundo “O Globo” do Rio de Janeiro, o país gastou, no ano passado, 1 bilhão e duzentos milhões em propaganda para nos dizer que o país vaio muito bem, obrigado. Lendo o que o Diego escreveu, me pergunto: “Será que vai bem mesmo?”.

Diz ele:

No final de semana, vi em uma reportagem na TV que em lugar dos bombeiros, um limpa-fossa foi chamado para apagar chamas. Ele despejou quatro toneladas de fezes e detritos em um incêndio, pois o Corpo de Bombeiros, completamente sucateado e desaparelhado, não tem as mínimas condições de prestar o serviço. Isso foi em uma cidade do nordeste. Não é a primeira vez. O operador do limpa-fossa disse que é chamado regularmente para o serviço. Absurdo total”.

Vindo para nossa realidade local, não muito diferente, nossas escadas alcançariam até um 8º andar, isso se funcionassem. No Rio é a mesma coisa. Também noticiado pelo “O Globo” um casal se jogou do 4º andar, pois a escada está com problemas há meses. Bem, uma escada de incêndio não tem a complexidade de um computador da Nasa os problemas mecânicos ou hidráulicos. Portanto, são facilmente solucionáveis. Aliás, os fabricantes estão aí para isso, é só querer.

Mas, alguém tem que se dar conta do que isso pode representar em caso de sinistro. Isso não tem nada a ver com o “heroísmo” dos nossos soldados do fogo. Isto é a administração, a previsão, treinamento e boa manutenção, acima de tudo.

E o Diego, sempre brilhante, segue com exemplos do nosso dia-a-dia. Enquanto isso, irresponsavelmente, se colocam milhões, bilhões em concreto não em estradas de produção, mas em elefantes brancos. Um deputados com os seus defeitos é eleito por seus pares a meu ver, como “boi de piranha” para que não se comente sei lá eu o que, que se pode ser a nossa saúde, a viagem à Roma, a educação, as nossas estradas, os mensaleiros soltitos, etc.

E, para terminar, você acha que um país que tenta apagar incêndio jogando merda nas chamas está sendo tão bem administrado como diz a propaganda?