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Posts na categoria "Gastronomia"

Delicatesses Manezinhas

07 de novembro de 2014 Comentários desativados

manezinha-www.pmf.sc.gov.br

Escrevo de Florianópolis.

Para os amantes da boa mesa, nada melhor do que entrar numa delicatessen e se deparar com maravilhas do mundo inteiro espalhadas por todos os corredores. Há muitos anos em Porto Alegre, moro longe do centro e das áreas abastecidas por mercados, shoppings e bons armazéns. Isto muda os hábitos, volta-se a ter quase uma dispensa pois se faltar algo, só indo de automóvel ou caminhando algumas quadras.

Agora aqui para nós tudo mudou. É a glória ter um Hippo na frente de casa. É o máximo (não é propaganda, é gratidão). Quando fechou o super antigo ficamos desolados, já imaginava um novo edifício… mas não. Só trocou a bandeira, e para melhor, muito melhor.

Hoje temos variedade grande de sal, provenientes de diversos lugares, que vão desde os famosos franceses, até o marinho com algas marinhas, até os multicoloridos do Hawaii e do Himalaia, que vêm com moedor ou em práticos potes, e cujo uso é indicado apenas para a finalização dos pratos. Ainda não consigo ver a diferença de tamanha especialização, mas vou aprender.

Logo ao lado estão os azeites, com percentual de acidez diferente. Engana-se quem acha que os de menor percentual de acidez são os melhores, todo azeite precisa ter um pouco do ácido oleico, que protege as azeitonas das pragas no campo. Esses azeites têm nuanças que vão desde os herbais, mais amargos, oriundos das azeitonas verdes, até os frutados e adocicados, elaborados a partir das azeitonas maduras. Nem todos sabem, mas as azeitonas maduras são as que conhecemos como as pretas, na mesmo oliveira tem as verdes, que, depois de maduras, tornam-se pretas. Para cada preparação usa-se um azeite mais amargo ou mais doce, o que vale é experimentar. Entre os azeites, podemos encontrar alguns em spray, que são novidade, até os aromatizados com trufas, pimentas, alho e diversas ervas (o que é o estudo!).

Não podemos deixar de mencionar também os vinagres balsâmicos, vários deles de Modena, com envelhecimento em barricas de carvalho por vários anos. Alguns deles passam por tanto tempo nessa situação que boa parte do líquido se evapora, transformando-se num puro extrato de balsâmico, conhecido como crema. Hoje encontramos essa crema saborizada. Experimente assim que possível. Não sei como sobrevivia sem tomate seco e vinagre balsâmico.

Portanto, repito: não é propaganda, é gratidão. Por terem transformado um mercadinho grande por um que tem tudo o que é necessário e mais as frescuras que descrevi. Só atravessando a rua.

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Petra – I parte.

03 de novembro de 2014 Comentários desativados

petra

Lembro de que falamos na última postagem de um lembrete que merece ser citado novamente: Petra é a joia da Coroa. Pela manhã ou pela tarde merece sempre uma segunda visita. É que a inclinação do sol muda tudo. Já à noite, se você reservou em alguma agência, vá de novo. Você pode ir caminhando com o grupo pelo desfiladeiro num caminho só iluminado por archotes e fazer a janta da sua vida. Mesmo que você seja vegetariana, vegana ou odeie comida árabe. Você vai gostar!

Comer sentado na areia em tapetes legítimos em frente à fachada iluminada com tochas e com alguns camelos olhando pra você, mais a música árabe, que normalmente acho uma chatice (um horror, pior só os uqueleles do Hawai), mas ali foi ótimo.

Eu gosto de comida árabe e adorei o que serviram, mas teria adorado mesmo que fosse um fish and chips inglês ou buchada de bode pré eleitoral no Nordeste. Ponha na sua lista e nem precisa folhar o livro dos 1000 lugares para ver antes de morrer: Petra é um deles.

É também o principal cartão-postal da Jordânia está localizado a cerca de 3 horas e meia da capital Amã. Chamada de “cidade rosa”, Petra (pedra, em grego) foi esculpida por volta de 300 a.C. pelo povo dos Nabateus, uma tribo nômade. A região então se transformou em um ponto estratégico das rotas de caravanas que transportavam incenso, mirra e especiarias pelo Oriente Médio em direção a Europa. Foi esquecida pelo tempo e dizem que somente os beduínos locais sabiam sua localização, até ser redescoberta em 1812 por um explorador suíço. Para conhecê-la a fundo, serão necessários de dois a três dias, já que suas atrações estão espalhadas por uns 5 quilômetros quadrados, repletos de túmulos, templos, cisternas, teatros etc. A entrada é feita pelo “Siq”, “o corredor estreito’’ que falei, de uns dois quilômetros de comprimento, ladeado por imponentes paredes com até 80 metros de altura. Ao meio deste caminho, numa discreta estrada à esquerda igual a várias outras, você verá um estacionamento de jegues, camelos e algumas carretinhas. É ali que de surpresa aparece Al-Khazneh (Tesouro), uma fachada imponente com 30 metros de largura e 43 de altura esculpida na própria rocha de um rosa avermelhado – ela foi esculpida no início do primeiro século para ser o túmulo de um importante rei Nabateu onde só se pode entrar pela fenda que sempre se vê na foto. O ponto de início para os visitantes é o povoado de Wadi Musa, onde se encontram restaurantes, casas de câmbio, lojinhas de suvenires, além de hotéis. Carros não podem circular no local, mas se pode alugar carruagens ou cavalos. Patrimônio da Humanidade, Petra foi eleita recentemente uma das novas sete maravilhas do mundo e cenário de “Indiana Jones e a Última Cruzada”, além de locação da novela brasileira “Viver a Vida’’ que deve estar levando muita gente até lá mesmo não tendo nenhum shopping.

 

Várias companhias aéreas fazem a viagem – se você é dos que tem pressa. Você pode desembarcar no Aeroporto de Amã e pegar um táxi comum ou coletivo (sheruts) e ir correndo rumo ao sul pela Rodovia do Deserto até Wadi Musa, cidade que fica bem ao lado de Petra. De lá dá para fazer tudo caminhando. Mas no caso de você ter pressa, vai perder muito, mas todos os seus amigos vão vê-lo nas “selfies”. Se para você chega, tudo bem.

 

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Cozinha

13 de outubro de 2014 Comentários desativados

comida

 

Todos conhecemos, ou pelo menos temos uma referência de José Hugo Celidônio: a de chef que ele é. E dos bons.

Mas sempre que alguém vem precedido de um rótulo achamos que ele só sabe fazer aquilo.

Leitor que sou de suas receitas, aprendi que ele também pensa bem. Veja por exemplo o que ele escreveu:

 

‘’Hoje o tempo voa, amor:

Para saber quanto vale um ano, pergunte a um estudante que não foi aprovado no exame final. Para saber quanto vale um mês, pergunte a uma mãe que teve um filho prematuro. Para saber quanto vale uma semana, pergunte a um editor de uma revista semanal. Para saber quanto vale um dia, pergunte a uma diarista com dez filhos para criar. Para saber quanto vale uma hora, pergunte aos namorados que vão ter um encontro. Para saber quanto vale um minuto, pergunte a quem perdeu um trem ou um voo. Para saber quanto vale um segundo, pergunte a quem sobreviveu a um acidente. Para saber quanto vale um centésimo de segundo, pergunte a quem ganhou uma medalha de prata numa Olimpíada.

O tempo não espera…Aproveite cada momento, principalmente se você puder dividi-lo com alguém especial. E para saber quanto valem dez…minutos, tenha atenção quando estiver cozinhando o estrogonofe. ’’

José Hugo Celidônio.

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New York para Principiantes pt. VII

30 de julho de 2014 Comentários desativados

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foto: http://nyoobserver.files.wordpress.com/

Um vendedor ambulante com seu carrinho de alumínio numa boa esquina fatura uns 500 dólares por dia. Não demorará muito e ele terá o suficiente para estabelecer-se.

Nas ruas os tons de vermelho e amarelo brilham contra o fundo escurecido dos tijolos. Os ruídos urbanos e o vozerio se misturam com buzinas dos ambulantes. As vitrines e os aromas dão uma vontade urgente de comer.

Existem alguns marcos históricos mas não são os mais importantes. Primeiro vem a comida; há mais de 200 restaurantes nessas poucas quadras. Para vencer as barreiras linguísticas, basta olhar, apontar, comer e pagar. Mas se você não quer fatias de pizza “Al taglio” (ao corte, uma fátia, um dólar) são ótimas e um dia conversando com um amigo me confirmou: “sim, também gosto muito”. E depois de pensar um pouco me ocorreu, claro que sim, o trigo para massa é muito bom, os queijos são de primeira, os tomates só são usados se muito maduros e são mais doces e até perfumados. Felizmente, para eles ninguém inventou tomate chamado “Longa Vida”, que dura 30 dias. Por que alguém precisa comprar um tomate para o mês que vem? Bem, os condimentos muito bons também. E os pizzaiolos? Italianos, como não vai ser bom? Tem ainda a solução dos “Salad Bars” a palavra “bar” para eles vem de barra, mais ou menos balcão, e não são só saladas no self servisse. Além delas, têm duas ou três sopas, alguns frios e vários tipos de nozes. Quando você enxergar nozes, saiba que está tudo incluído mas “nuts” quer dizer também malucos. Nada a ver, mas é isto, você comerá muito bem e por 6/7 dólares. Se não for inverno, vá para rua, você verá escadarias cheias de gente e grupos sentados na grama. Todos estão fazendo a mesma coisa que você: comendo bem e gastando pouco.

Alguns edifícios têm telhado em pagode; no alto das ruas bandeirinhas tremulam ao vento. Becos estreitos conduzem para clubes de onde vem o som de músicas com gongos, tambores e os estalos de ma-jong, jogo semelhante ao dominó, uma paixão entre os chineses.

Outra característica marcante da arquitetura é o labirinto de escadas de incêndio – palco de várias mortes de gângsters, no cinema e na vida real. São bonitas mesmo sem as luzes de Hollywood.

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Pamonha

06 de maio de 2014 Comentários desativados

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Quem sabe com a regulamentação da comida de rua, a aposta nos food trucks gastronômicos e as feiras de comida cada vez mais frequentes, elas apareçam. Na Argentina, chama de Humitas. Na Bolívia, como Tamales, na Venezuela Hallaca. No México, Tamales, de novo. No Brasil, Pamonha, que é também um depreciativo. Fraco, mole, lerdo até mesmo lelé.

No Rio Grande do Sul, nunca pegou. Não vou dizer que seja um mistério, mas é estranho pois principalmente nós do Sul que assumimos com facilidade as especialidades dos Hermanos. O princípio dos pratos é parecido, já que o milho era uma das bases da alimentação. A América Latina toda tem o costume de comer essa massa de milho embrulhada. Populações indígenas do oeste da América do Norte até o Chile tinham como principais. Pamonhas, tamales, humitas, são bem próximos, mas cada um tem suas particularidades. Pode ser doce ou salgada; feita de milho ralado, como a da pamonha brasileiros e as humitas mexicanas.

Quantos recheios fazem? A imaginação é o limite. Pode ser molho verde, vermelho, mole, frango, pimentão, queijo, feijão, abóbora, cogumelos, grãos de milho ou frutas como abacaxi, amora, ou doce de leite.

Aqui no Brasil, predomina a pamonha doce, receita de origem tupi-guarani que foi adoçada após a colonização. Já nos países de língua espanhola, os recheios são mais variados – vão desde carne de porco, frango e peixe até torresmo e tomate com feijão.

de Paula Moura

Especial para o Estado

 

PS: 1) Não sei se tem em todo o Brasil. Mas pelo menos, no nosso Sul, onde ela com exceções não existe o significado e sempre de molenga, etc.

2) Em Santa, ela é comum mas tentei comer em Camboriú há 3 semanas. Também inexiste.

Vá entender o Brasil.

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Toulouse, a capital dos mercados

08 de abril de 2014 Comentários desativados

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França

O amigo meu, o médico João Borges Fortes até hoje diz que de máquina na mão não posso ver um mercado que já vou entrando. E verdade fotograficamente e pessoalmente, sou chegado aos hortifruti granjeiros. Reconheço, portanto, que ele tem razão, mas como resistir. Um mercado que tem tudo em cores, comidas, gente, vinhos, vida! Tomemos, por exemplo um Mercado todo colorido com tomates vermelhos, berinjelas, alface branca e roxa de Toulouse, onde viajamos com o Dr. Joãozinho, é como uma cidade de mercados desde a Idade Média.

É claro que a cidade cresceu no comércio internacional e os novos ricos da época começaram a construir mansões que ainda hoje embelezam cada rua da cidade.

Nas quartas e sextas tem uma mercado mais sofisticado é de pequenos agricultores para foie gra, galinha, fiambres e queijos de todos os tipos.

Aos sábados, são os vendedores de livros. Além de comida orgânica sempre presente e de um mercado de pulgas. Aos domingos, o grande mercado internacional para comidas, flores, roupas e artigos para casa.

E todos os dias, exceto na segunda, tem o grande mercado convencional, fixo e coberto, que faz com que todas as mercearias que conheço fiquem vermelhas de vergonha.

Os contrastes da cidade são prazerosos, mas para mim, a sua grande atração são justamente os mercados. Na Place du Salin, por exemplo, permanecem paredes levantadas pela ordem de monges em 1215. Ou seja, quase 300 anos de Cabral ter ouvido do alto da vigília o grito do Manoel (ou seria do Joaquim): “Terra à vista”. (Hoje seria terra à prestação com Fishel Barrial, F.: 05144037515).

O mercado de aves e foie grãs da sexta e sábado tem diminuído de alguns anos para cá mesmo assim um punhado de produtores ficam em volta da Madame Gazel, sentada em um banco e com uma pequena mesa. Ela tem 32 anos de mercado, suas galinhas são cuidadosamente depenadas e mantidas em caixas de isopor. Os ovos frescos ficam numa cesta, à espera do comprador.

A poucas quadras dali, o boulevard abriga outro grande mercado. O regional de antiguidades um bric a brac, que acontece no primeiro final de semana de cada mês. O mercado é tão disputado que os vendedores têm que esperar em torno de 2 anos para garantir uma banca regular, e aqueles que estão na lista de espera chegam de madrugada esperando tomar o lugar de algum colega que não apareça.

Junto com antiguidades autênticas e mobílias finas, tem muito do sótão da vovó, desde de carrinhos de neve em madeira até fotos de família. Ideais para novos ricos irem construindo seu passado inexistente.

Aos sábados, como falei – quando não chove – a praça em frene da catedral de St. Etienne fica cheia de estantes é a vez dos livros. Belos volumes junto com livros de capa mole. Todos usados.

Claro que tem também uma catedral, é um pouco estranha. Levou 6 séculos para ser terminada, mas estamos falando em feiras/mercados. Atrás da Place Dupuy, há um novo mercado aos sábados, até agora tem só uma dúzia de artistas e artesãos oferecendo suas mercadorias. Dentro de uns duzentos anos será famoso também.

No domingo de manhã ainda tem mais mercados. Primeiro, tem um enorme Mercado das pulgas que como o outro tem de tudo menos pulgas. Tem também o agitado mercado onde tudo vai se esparramando em volta da Praça – frutas e verduras, carne de gado e de aves, peixes e mariscos, queijo, pão e pastéis, ervas e temperos, geleias e compotas.

Se você precisar xampu é ali. Um cesto para ostras também. Um novo colchão ou tambor africano, este é o lugar. Se não precisar nada, é uma pena você está no lugar certo, mas no momento errado.

Agora pergunto ao meu amigo Johnny. Como é que alguém ficar alheio aos mercados?

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Portugal e seu queijo da serra

07 de abril de 2014 Comentários desativados

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Existem certas iguarias que já justificariam uma viagem a Santa Terrinha. O queijo Serra da Estrela, por exemplo, produzido em aldeias e vilas dessa charmosa região – aliás, é a única estância de inverno de Portugal. Mas a Serra da Estrela não vale só pelo queijo. Nessa região, está encravado o belíssimo Parque Natural da Serra da Estrela.

Ali existe o Roteiro das Aldeias Históricas em que o viajante se depara com um Portugal não tão conhecido, com castelos medievais, bairros judaicos, praias fluviais, lagoas e, principalmente, uma belíssima região povoada por gente hospitaleira e receptiva. É tão autêntico quanto esta rota é o próprio queijo. Para saborear o artesanal “queijo da Serra”, como também é carinhosamente chamado, é preciso perceber que ele é mais do que um simples queijo de ovelha de pasta mole.

É considerado uma das sete maravilha gastronômicas de Portugal, o queijo é um produto DOP de Origem Protegida: tem uma área geográfica de produção específica e deve ser feito artesanalmente, com leite de ovelha, flor de cardo (típica dali) e sal. De forma cilíndrica, amanteigado e de cor amarelo pallha, o Serra da Estrela tem um sabor intenso, inconfundível. Se você tiver a sorte de provar aquele ainda no início da cura verá que ele estará mole por dentro, como se estivesse “derretendo”: basta abri-lo por cima, como se retirasse sua “tampa” e se deleitar com uma colher.

Ainda hoje, é possível encontrar os habitantes que vivem do pastoreio – responsabilidade dos homens – e da fabricação do queijo, a cargo das mulheres. O melhor momento da produção é o outono/inverno, por isso prepare seu paladar entre dezembro e março.

Todos os anos, geralmente no Carnaval, são realizadas feiras, festas monstras do queijo Serra de Estrela nos diferentes concelhos municípios da região, cada um deles está convicto que tem “o melhor produtor de queijo do mundo”. A rivalidade é ótima e divertidíssima. E ainda, que o queijo autêntico possa ser encontrado em várias localidades, a sugestão é que o viajante comece pela cidade de Seia – entre as razões está o festival de jazz e blues que acontece na mesma época das feiras de queijo.

Por Pedro Barbosa

Ou seja, já fiquei com vontade de voltar a santa terrinha.

Mas queijos e jazz. Confesso que não esperava encontrar os dois juntos em Portugal.

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Queijos pt. I

25 de março de 2014 Comentários desativados

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foto: http://www.viajandonomundo.com.br/

A Holanda para nós é quase um parâmetro de qualidade em laticínios, para começar a preferência dos produtores nas vaquinhas que levam até o nome do país. E dizemos…se é holandês é bom.

Com a qualidade que produzem, sem dúvida devem exportar toneladas a cada dia. E com razão, mas mesmo assim fazem questão de manter os pequenos mercados ou venda nas próprias propriedades rurais. Neste caso, além de mostrarem e venderem os seus produtos, dão verdadeiros shows em competência, organização e simpatia. As mostras acontecem uma vez por semana, há centenas de anos, no mesmo lugar em praças abertas com sol, chuva ou neve. Nunca os vi no inverno, mas no verão são um charme. Vendedores e carregadores todos de branco, com os famosos “clocs” (tamancos), calças brancas, camisas, um chapéu de palha bem armado com uma fita que identifica de que qual comunidade veem.

No ano passado, vindo do leste europeu, tentei voltar a Alkmar. Foi a primeira coisa que perguntei no Hotel ao chegar. A Concierge com visível tristeza nos disse: “foi ontem, senhor”. Sobram mercados na Holanda, mas eu queria ver aquele. Como falei, o queijo no passado era comercializado ao ar livre e todos os dias– e naquela pequena cidade, logo ao norte de Amsterdã (60 quilômetros).

Localizada perto de Edam e Gouda, vilas onde dois dos queijos mais famosos da Holanda são produzidos. Ali é a sede de um dos mais antigos mercados de queijo do mundo, começou em 1622, ou seja, quase 400 anos vendendo queijo no mesmo lugar. Como entreposto comercial terminou há 15 anos, agora a frenética compra e venda é re-executada toda sexta de abril a setembro e mais de 100,000 kg por ano. As pessoas vão até lá no dia marcado, e às 10 da manhã na frente da casa histórica que agora incorpora o Museu do Queijo.  Um morador local toca o sino e abre a feira. Antes de começar a barganha, os compradores cheiram o queijo, batem nele com suas mãos para se certificar que os buracos estão do tamanho certo, e mergulham um pequeno furador extraindo um pedaço interno para saborear o produto.

Se o comprador gostar, faz um lance, ele grita um preço, e começa o leilão, uma forte batida de mãos no final.

Substitui o martelo do leiloeiro e sela o negócio. Os carregadores tem transportado 160 kg de queijos em carrinhos deslizantes carregados por cintas nos ombros até a casa de pesagem desde que o mercado começou.

Eles são também uma atração. Os homens ainda pertencem a quatro antigas corporações, cada corporação é representada por uma fita diferente no chapéu de palha com Se você está buscando por um pouco de ação, fique de olho, os mercadores algumas vezes convidam os turistas para se juntarem a eles e ajudar a carregar, apesar do clima holandês, tudo isto acontece num largo sem árvores e com qualquer tempo.

Mesmo que o tempo não seja dos melhores, vale a pena.

De trem são uns 40 minutos, se chover muito você perde em parte o espetáculo, mas ganha em sabores nos bares próximos: fondees, racletes, queijos tostados e muitas outras invenções. Cervejas a escolher e de vez em quando um gole de Slivovitz, uma água ardente de ameixa. Mas não esqueça, uma olhada no relógio para não perder o trem de volta.

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Patê de Foie Gras pt. II

24 de fevereiro de 2014 Comentários desativados

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A descoberta da iguaria teve o seu ápice há mais de 4.500 anos, quando os egípcios surpreendiam, esperavam e caçavam os gansos selvagens que faziam a travessia do Rio Nilo rumo à Europa. Constataram eles que seu fígado gordo graças à dieta obrigatória para enfrentar a travessia, tinha um sabor e textura inigualáveis…os faraós adoravam.

Hoje, a super alimentação das aves é de curta duração. Duas espécies principais são destinadas à engorda: o Mulard e o Bárbaria. Nos dois casos apenas os machos são utilizados para produzir foie gra. Com 12 semanas, quando o animal já é adulto, é levado para o ateliê de engorda, no qual passa duas a três semanas, de acordo com a espécie, é forçado a ingerir uma quantidade importante de milho.

É necessário que este seja de primeira qualidade: brilhante, limpo e com boas características nutricionais. Segundo alguns relatórios da União Europeia, não foi verificado nenhum aumento de estresse nos animais excessivamente alimentados, a taxa de corticosterona, hormônio responsável pelo stress, não aumenta.

Ao contrário do que parece a produção do foie gras é muito menos agressiva para o bem-estar do pato ou do ganso do que a maioria das engordas de outros animais. É verdade que, para os mamíferos, um fígado com gordura é considerado um fígado doente. Mas patos não são mamíferos. Eles têm diferente fisiologias que combinam com a qualidade de poder ingerir grandes quantidades de alimentos e estocarem no fígado o “excesso” de energia.

Polêmicas à parte o foie gras é um patrimônio cultural e gastronômico protegido na França, capaz de aguçar todos os sentidos… Possui muitos amantes e muitos críticos. Não temos dúvidas também que o autor, o restaurateur Giancarlo Bola, conhece o assunto. Só nos falta agora a opinião do pato.

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Boa comida de rua no Hawaii

07 de fevereiro de 2014 Comentários desativados

Hawaii e comida de rua

Continuamos no Hawaii mas em outra ilha (são 18 no total). E um dia à tardinha estacionamos quase em frente a um belo mercado, de aspecto clássico, é na realidade um bonito galpão misto de estruturas metálicas e de alvenaria, típicas das estações ferroviárias inglesas. A região concentra em seu entorno bares, lojas e feiras de arte depois de um dia ao sol, nada melhor. Para comer, o melhor ir cedo, é um hábito americano. É um mercado que não é na rua mas o balcão é tão pequeno que os clientes ficam em pé ou em mesas da calçada. Fomos com amigos que nos levaram lá e a única dica era: vocês vão gostar. Bingo! Gostamos muito.

Um lugar que a comida é comida de chef à preço de fast food. O nome já é engraçado “Le Camion qui Fume”.  Ficamos sabendo ali que uma jovem que queria fazer um curso de alta culinária empregou-se num misto de lanchonete e boteco, só para ir aprendendo o oficio. Já havia trabalhado no ofício durante os dois meses de férias no ano anterior. Agora, no fim do primeiro mês, soube que o bistrô/boteco ia fechar e ela seria despedida. Bem, vendeu seu automóvel no continente, pediu dinheiro aos pais, ao namorado, e aos amigos (uma espécie de crowfunding) e com a outra garçonete alugaram o “Le Camion qui Fume”, que havia sido de um casal franco-canadense. Em vez de crepes, sanduiches e verduras, hoje servem opções de sopas e alguns pratos, entre eles, os ótimos caldos de peixe, lagosta ou de verduras. Encorpados e fartos (não há porções light por ali), eles caem bem com a cerveja gelada do bar vizinho (elas buscam ao lado pois não tem a licença para vender álcool). Com o sucesso, o negócio cresceu: está sempre cheio, as sopas são ótimas e os preços também. A fila é média, mas o clima é ótimo e todos conversam entre si.

Mesmo com tanto sucesso, as duas devem ter uma alma nômade (coisa que conheço bem…). O curso de culinária já foi para o espaço e estão investindo num “caminhãozinho” de verdade. Quando terminar o contrato, o próximo equipamento vai estar pronto e com todas as licenças. E vão servir hambúrguer/gourmet. Este tipo de atividade virou febre. E dizem as duas “seremos donas do nosso nariz”. Sem ponto fixo, se um dia não quisermos trabalhar, ninguém vai saber. Espero que tenham a mesma fila e serão apenas cinco as receitas, que podem vir acompanhadas de fritas. A carne de porco, barbecue caseiro, cheddar e picles. Como sobremesa, cheesecake, um clássico da culinária americana. Todos os dias pretendem mudar de endereço, mas sempre perto de alguma atração. A atividade é lucrativo mas trabalham demais e sete dias por semana é cansativo, dizem eles. Espero que mantenham as onion rings (cebola frita). São crocantes e sequinhas (as melhores que já comi). Sua cidade foi original era Montreal. O preço? Não sei. Quando fui pagar, fiquei sabendo que o Bennê, a exemplo dos cowboys americanos, sacara o cartão de crédito mais rápido.

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