
Não há muito mais a escrever sobre estas simpáticas viajantes. Todo ano, acho que repito as mesmas coisas. Sorry, mas a verdade é que elas nos fascinam.
Quem as vê de perto pela primeira vez sente uma mistura de sensações, que variam do êxtase à surpresa de estar a poucos metros de uma criatura enorme e dócil. É que, no momento, estamos no início da temporada para observação de baleias do Sul. Elas estão viajando; algumas, mais apressadinhas, até já chegaram. Justamente ontem, dia 28 de setembro, quando escritores e alguns leitores se reuniram em Londres para os 120 anos da morte de Herman Melville, que escreveu o clássico sobre a baleia Moby Dick. Bem, na realidade, era uma orca (não sei se as orcas são da família das baleias; clique no Google para ter certeza).
É provável, também, que o livro do Melville tenha sido o responsável pelo apelido de “assassinas” para as orcas todas, mas, na verdade, não se sabe de um caso, um só, em que uma orca tenha atacado uma pessoa (com exceção da treinadora do Disney World, mas aí não é na natureza e, ao meu ver, um animal estressado, bem tratado, mas vivendo em um tanque, e não naquele marzão, que é o seu habitat). Que são carnívoras? É claro que são, e, como carnívoras grandes, atacam presas grandes, confirmando a sua fama.
Mas, vamos adiante. As nossas costas têm os pontos mais privilegiados para a atividade.
Vindas da Antártida em busca de águas quentes para se reproduzir e dar à luz seus filhotes, ficam por aqui até que seus nenês tenham metros e toneladas e se sintam fortes para a viagem – que, para eles, será a primeira, pois nascem aqui, em águas mais quentinhas. As mães podem chegar a 16 metros e mais de 40 toneladas, sendo facilmente avistadas.
Ao contrário de certas atividades turísticas, as baleias são fontes de renda e criam empregos. Um estudo mostrou que o negócio é mesmo rentável. Segundo o levantamento, 13 milhões de turistas praticaram observação de baleias no ano passado, o que movimentou US$ 2,5 bilhões em 119 países (para mim, esta é que foi a novidade: nunca pensei que 119 países fossem visitados por elas – mais que a metade dos países existentes).
Em barcos ou a pé (sim, é possível ver baleias apenas caminhando à beira-mar) dois estados brasileiros oferecem essa opção: Bahia e Santa Catarina.
O “verão” delas dura até novembro, e, além das francas, acontece o espetáculo das jubartes, conhecidas pelo temperamento dócil e por um desenvolvido sistema de vocalização (não à toa, são chamadas de baleias cantoras).
Em Caravelas (a quatro horas de Porto Seguro), há passeios de barco que duram de um a dois dias. É uma espécie de safári no mar. O turista, enquanto navega, não sabe se as vai encontrar. Mas, enquanto ele está ali, encantado com a natureza e esperando pelas acrobacias, os especialistas trazem à tona toda a causa da preservação marinha – não só das baleias. Mas só até elas serem localizadas, pois, quando elas surgem, ninguém mais ouve nada, é só emoção.
Nas praias da costa baiana, os encontros com os mamíferos estão garantidos até outubro. Mas, antes de se programar, lembre-se: com vento, elas vão para o fundo – e devem ficar tricotando pulôveres para suas crias nadarem protegidas para os gelos da Antártida.