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Posts na categoria "Sem categoria"

Nórdicos Tremei

29 de maio de 2016 0

28.05

Na visão dos estrangeiros, o Brasil deve se um país estranho. Mesmo sem grande perspectiva alguns jovens atletas estão se preparando com afinco para as olimpíadas, nada mais justo, pensará você. Só que parecem equivocados de evento, estão se preparando para as olimpíadas de inverno.

Não tente me explicar. A notícia é do GLOBO do Rio. O grupo treina no centro da Penha, de segunda a sábado, um tenente da marinha é o “Coach” deve ser baiano. Assim que terminar vou telefonar ao Kleo Khun para saber se há chances de nevar ali nos próximos 500 anos.

Não ter neve no Brasil não é um problema, porque mesmo nos países mais frios as pistas ficam fechadas boa parte do ano. Quando elas abrem, nós viajamos para lá. Quem pensa assim é o sr. Aveiro, treinador do Projeto olímpico Marinha – Odebrecht, que apoia a aventura canarinho.

Acho que vocês leram quem patrocina o time? Fico maravilhado com a boa vontade em servir ao esporte brasileiro.

Se no futebol que somos penta, um pequeno descuido “um apagão”, como dizem, levamos sete, competindo com o hemisfério Norte todo, só empataremos com a Jamaica. Diz ainda a nota: a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) vem fomentando a formação da equipe.

Como volta e meia vejo na TV a equipe brasileira e penso…Será que precisamos competir em jogos de inverno, se só vemos neve no cinema?

Preocupados com o sol carioca os nossos atletas o treinam de segunda a sábado, num centro atlético da Marinha na Penha, onde provavelmente não cai neve, há alguns milhares de anos. Fato que segundo o ex atleta e tenente da Marinha Saul Aveiro não chega a ser um empecilho para as ambições tupiniquins.

No bobsled um trenó tripulado por uma, duas ou quatro pessoas descendo pistas de gelo íngremes e sinuosas, chegando a 150 Km/h, já o skeleton é uma modalidade individual na qual, o atleta desliza velozmente pista abaixo deitado de bruços numa prancha sem freios. Em ambas, é preciso coragem, destreza e força física. Por isso, competidores de levantamento de peso e atletismo são geralmente recrutados!!!

Ás vésperas das Olimpíadas no Rio, o pensamento de Aveiro e seus atletas está muito longe. Mais precisamente em Lillehammer, na Noruega, onde serão realizados os jogos Olímpicos de inverno da Juventude, em fevereiro do ano que vem; como você sabe, até lá nos tornaremos experts nestas modalidades. Mas acredito que já estamos treinando também, um grito de guerra. Nórdicos tremei.

Nota: Não vi o filme (Jamaica abaixo de zero), mas vou procurar.

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Escócia I

28 de maio de 2016 0



29.05

No sábado fui ao Zaffari como de hábito, dali sai com a ração da família “Pinóquio” e da família Del Mese, além disso com uma revista embaixo do braço. Como no domingo não tem ZH, comecei a lê-la e uma feliz coincidência; uma reportagem sobre Edimburgo, a capital da Escócia, de onde viemos a poucos meses.

A seguir outra surpresa: texto e fotos da Cris Berger, gaúcha famosa que não conheço, mas sempre gosto do que ela assina, seja texto, fotos ou as cidades que ela aborda. Ali chegamos. Numa daquelas viagens que só funcionam no Reino Unido, numa só passagem ônibus, Ferry sem sair do trem e finalmente ônibus. Onde até pouco tempo se matavam por religião.

Durante o trajeto, tudo pontualíssimo e nós pensando; vamos alugar um carro? Sim? Não? E se o fizermos como provar aos famosos uísques? E depois guiar pela nossa contramão Já o fizemos muitas vezes, mas ninguém no mundo destila uísques tão bons.

Aliás falando em super os Zaffaris, estão hoje abrindo mais um e bem no centro, nos clientes devíamos até dar-lhe um prêmio pelo padrão de qualidade. E se alguém achar que estou puxando o saco já vou dizendo – Nunca fotografei para eles e sugiro até que quem discordar que visitem os concorrentes em cidades do tamanho as nossa.

Bem, ao chegar no hotel depois de sinceros abraços ficamos sabendo que o casal norueguês que viajaria conosco, como não tenho fotos imaginem; um Deus viking, com quase dois metros, louro, alegre, saudável e sempre bem disposto.

Não sei se Thor ou Odin eram casados? Mas certamente se foram era com uma réplica da Kari; pequena e bem loura, a quem ele obedece discreta e cegamente.

Bem, o problema maior havia sido resolvido, já haviam alugado um 4 portas, Volvo é claro. E ele além de beber muito pouco guia tanto na mão inglesa, quanto na francesa, ou seja, companheiros ideais. Me explicou até porque os ingleses guiam pela esquerda? Para que a mão direita a da pistola, ficasse sempre do lado da sua direita, já que a maioria das pessoas eram destras era mais seguro tê-las na direita.

Aprendi também que as sinaleiras estão naquela altura para ficar na altura dos olhos, dos cocheiros das carruagens. Para continuar com a Escócia temos tempo. Até breve!

 

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Sherlock Holmes está vivo e mora na Suíça

27 de maio de 2016 0

27.05

Retornei a Londres depois de tanto tempo, a cidade me surpreendeu. A sua moeda não era ou não estava conveniente, mas eu queria ir a Irlanda e Escócia. Naquele outono, não me ocorria outro lugar. A passagem era de milhagem, compramos algumas que faltavam e lá fomos nós. Não fui a procura da cidade de outrora, onde passei longas temporadas, mas da nova Londres.

Uma só exceção: Fui a esquina onde trabalhava. Uma agência fotográfica na rua dos padeiros a Backer Street. A 221 metros da casa do Sherlock Holmes. Que é quase um museu, vale a pena, mesmo sabendo que ele nunca existiu. Mas ali você verá tudo o que sua mente lembra das leituras juvenis. Não há exageros, tudo é como se imagina, discreto e sem neons.

*Comprei um dos livros e que começa assim: A picareta alpina apoiada numa rocha e, ao lado a cigarreira de prata foram os objetos de Sherlock que o Dr.Watson encontrou à beira do abismo da catarata de Reichenbach. Na cigarreira, um bilhete escrito às pressas, dando conta ao fiel amigo que o arquivilão Moriarty o aguardava naquele local sinistro e perigoso para “a discussão final das questões que nos separam”.

A derradeira luta vinha sendo tramada há muito tempo pelo autor. O escritor se sentia um escravo do personagem e queria se livrar dele para se dedicar a livros mais consistentes. E já havia decidido que o fim de Sherlock “deve ser violento e intensamente dramático”. Foi numa viagem à Suíça, que Doyle conheceu aquelas quedas e decidiu que aquele era ao lugar ideal para encerrar a série. Os fãs locais do famoso detetive ergueram uma placa no local, transformado, desde o começo do século em polo de romaria de Sherlockfilos do mundo inteiro. A vila gostou da ideia e aos poucos, os que já eram fãs, começaram a customizar a cidadezinha.

Aviso quem pensa que tudo fica perto na Suíça se engana. De Montreux até Meiringen (olhando no mapa parece pouca coisa), mas é na Suiça, ou seja, tivemos de pegar quatro trens diferentes e uma viagem de quatro horas.

Uma vez na estação de Meiringen pega-se, um daqueles velhos micro-ônibus de antes da guerra que leva da estação até as cataratas. E lá, para se apreciar melhor a imponente cascata que despenca numa sombria garganta, é preciso cobrir a pé um bom pedaço de montanha, escalada para alpinista nenhum botar defeito. Mas o espetáculo vale a pena.

E dá para entender por que o autor o escolheu como digno túmulo do personagem que, segundo a mais recente edição do Facts & Feats, foi o roteiro, o mais filmado roteiro em toda a história do cinema (184 filmes de Sherlock, contra 138 do drácula e 96 do Frankenstein).

Mas não é só a Meiringen e Reichenbach que se resume a saga Suíça do detetive. Em Lucena, na cidadezinha a uma boa hora de trem ao norte de Lausanne, há um castelo que foi propriedade do filho do autor, Adrian Conan Doyle. Adrian morou ali até morrer em 1970; e ali foram enterradas suas cinzas. A própria história desta imponente construção é rica em lances sherlokianos.

Muitos de seus ocupantes tiveram um fim violento. Num dos assassinatos, o Bispo Guillaume de Menthonay foi morto por seu barbeiro, um dia depois de telo o beneficiado com seu testamento. Uma pintura ingênua na sala dos Bispos retrata o evento, nada ingênuo.

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Boa viajem Sr.Tadao Ecchuya

26 de maio de 2016 0

26.05

Ao ler este nome poucos saberão quem foi, se falarmos em Sakae’s todos os apreciadores de sushis e sashimis lembrarão. É o caso da criatura ser mais conhecida que o criador.

A notícia do falecimento do “Sr. Sakae’s” chocou a muitos, comida japonesa aqui era uma ficção e só as víamos nos filmes de Kurosawa, como tínhamos uma tradição “campeira” e para fãs de assado a ideia era arriscada. Coube ao seu Sakae’s desbrava-la, e nos ensinar a apreciá-la. No início era uma lanchonete igual a outras com azulejo branco na parede, um balcão cromado e uma sra. Que nos atenda gentilmente e que chamávamos de sra. Sakae’s, ela foi quem nos explicou a diferença, entre a alga e fita isolante.

O grupo reunia as sextas-feiras, entre eles o L.F. Veríssimo, o Osterman, o Laerte Martins, o José Onofre (cinéfilo assumido) que nos contava os filmes tão bem que ficávamos com vontade de pagar o ingresso, ou quem sabe, 50% contados por ele, não havia filme ruim. Isto que entre nossos convivas estava o Goida. Comentarista de cinema do ZH, era a época dos filmes de diretores famosos; Italianos, franceses, o sueco Bergman, etc…. e os horrores do Fassbinder. O Goida era e é um dos grandes comentaristas e apreciador. Sabe tudo de cinema, aliás já sabia naquela época, tanto que quando me preguntavam se havia gostado de algum filme visto no exterior, eu respondia: − Não sei ainda, não falei com o Goida. Numa turma como aquela, não dava para pagar mico.

Propositalmente deixei para o fim quem nos reunia: o Armando Coelho Borges, que além de reunir aquele grupo, criou os almoços da SAMRIG. No Plaza começou com 250 convidados, no último ano éramos mais de 500, todos em empratados ao mesmo tempo. Buffet? Nem pensar. Se você fosse figura conhecida e não fosse convidado; só lhe sobrava o suicídio.

Pois bem, com uma mente tão ligada a gastronomia surgiu o Sakae’s. Com toda a categoria e uma comida deliciosa, no início até íamos devagar, ficamos em dúvida, aquela alga preta era ou não era fita isolante? Só o sr. Tadao tirava. Mas os deuses atenderam as nossas preces e, pelo que se dizia interveio o Consulado Japonês e em poucos meses tínhamos um restaurante a altura da tradição do país.

“O sr. Sakae” vai fazer falta. Os talentosos e os mais velhos são dignos de toda a atenção no país do Sol Nascente, nunca esqueceremos a sua amabilidade e o seu esmero.

Uma coisa é fazer comida japonesa e outra é ser um sushi man de balcão.

*Meu vizinho Xico com seu bom humor era dos convidados mais apreciados, mas com suas vestimentas de operário, não queria interromper mais cedo a fabricação do seu exército de guerreiros, para almoçar com um grupo que admirava, mas não entendia. No sábado se foi o seu Sakae, mas tenho certeza que os guerreiros do Xico e com os olhos úmidos e travestidos de samurais estavam a sua espera, sob o Torii da entrada.

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Pimenta IV

25 de maio de 2016 0

25.05

Se escreve muito sobre pimenta, mas sobre a origem e ardência, as opiniões são desencontradas. E só ver os que se referem como pátria de origem: Ao México ou na índia, salvo a curiosidade aqui não vejo analises de sabor, o que vale é a “picância” que acrescentou a culinária de cada um.

Mas saiba que a Malagueta e suas congêneres este ano foi uma surpresa, enquanto as commodities agrícolas de todos os tipos alcançam cotação recorde.  No momento a Índia está sentindo os bolsos arderem por outra razão: O tombo do preço da pimenta, um dos seus mais tradicionais produtos de exportação. O país é o maior produtor mundial, mas por alguma razão o preço caiu 50% nos últimos meses. Metade da safra indiana é exportada e o consumo interno também é um dos mais altos, portanto quando entrar num restaurante indiano vá devagar, se for na Índia mais devagar ainda.

Esta especiaria mudou o curso da história, a pimenta até hoje é um dos temperos da economia hindu e das supostas pátrias de origem da planta. A Índia é responsável por 25% da produção mundial. Em seguida vem a Indonésia e o Brasil. A Índia também está no Guiness Book como endereço da pimenta mais forte do mundo; uma delas é cem vezes mais picante do que a mexicana Chilli.

Para falar a verdade com pouca pimenta, ou muita. Me encanta a ideia da busca pelos navegadores por condimentos, novos sabores e adaptações a sua cozinha, que o digam os ingleses.

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Segundo Vargas Llosa

24 de maio de 2016 0

24.05

Em Madrid o bairro de Lavapiés não tem as ruelas de traçado irregular que cercam a Plaza Mayor. Muito menos é cortado por avenidas largas, cheias de lojas de grife como a Calle de Alcalá. Nem se vê por ali aquelas fontes monumentais que em outros pontos, os turistas posam para suas fotos. Lavapiés é um bairro para iniciados, para quem acredita que “turistar” também é tentar chegar perto do estilo de vida de um lugar. Por isso e, por ter virado uma vibrante e colorida concentração de imigrantes a partir dos anos 80, década em que Ricardo e a menina má estão em Madri – foi escolhido por Vargas Llosa como o principal cenário de seu romance na capital espanhola.

Localizado bem próximo da região central, Lavapiés tem como referências mais conhecidas, dois vizinhos: O museu Reina Sofia, onde está o quadro “Guernica” e a estação de metrô Atocha, que sofreu o atentado terrorista de 11 de março de 2004. Cerca de 15 anos pequenas lojas de design, brechós e bares, começaram a surgir no pedaço e o bairro ganhou vida ainda que tenha algumas ladeiras. Lavapiés não têm área muito grande, por isso, é um bairro para caminhar, tanto durante o dia como a noite – O madrilenho tem habito felino de ir para a rua o mais tarde possível. Antes do pôr-do-sol, gasta seu tempo olhando vitrines e entrando e saindo de lojinhas. Uma das mais curiosas é “Pepita is dead” da estilista Cristina Guisa… – Um daqueles casos em que a dica não vem do livro mas vale a pena. Ela própria recebe a clientela e explica que ali só estão à venda as peças de roupa, sapatos, tênis e óculos originais dos anos 60 e 70 (as calças Lee também já eram sucesso por lá).

Além de pequenas galerias e ateliês, Lavapiés abriga um dos mais efervescentes centros culturais: La casa Encenada, uma construção onde ocorrem cursos de artes plásticas, teatro, cinema, exposições e festivais de música – é um pouco do que a Casa do Saber de São Paulo ou Studio Clio daqui de P.A. fazem…

Entre dezenas de bares e cafés do bairro, caia, antes de mais nada, no Barbieri. Lá Ricardo passa boa parte de suas tardes em uma mesa de fundo que, no lugar de cadeiras, tem poltronas. Nesse cenário também se dá um dos mais emocionantes encontros entre protagonistas, o local virou ponto de peregrinação dos fãs do romance.

Apesar de não estar no livro, o La Buga Del Lombo merece uma visita, solitários casais ou até familiares procuram suas porções de tapas, saladas e pratos para um almoço tardio. Mas a noite, a música latina sobe o volume seu balcão e o colorido salão vão sendo tomados por gente jovem que com uma taça de vinho na mão e um cigarro na outra, se encontram para o happy hour, antes de seguir para o próximo bar.

No domingo não deixe para acordar muito tarde se o seu objetivo for conhecer El Rastro, o mercado de pulgas da capital espanhola, outro lugar frequentado por Ricardo em suas tardes madrilenas. Desde as 10 horas da manhã e até as 16 horas, mais ou menos (dependendo do verão ou inverno), centenas de barracas e milhares de pessoas tomam conta da ribeira de los Curtidores, uma imensa alameda que se transforma em formigueiro. Tradicionalmente, os visitantes do Rastro começam o passeio pela Plaza de Cascorro, tomam a Ribeira de los Curtidores e se perdem num ziguezague pelas ruas laterais. Por tanto, conforme-se em não percorrer um caminho lógico para ver as roupas usadas, camisetas estilizadas, artesanato, bijuterias, velhos trajes militares e outras quinquilharias. Na hora de ir embora, recorra a um mapa ou entre na primeira estação de metrô que avistar.

Nota: Me desculpem os seus fãs, a entrevista segue, mas os cupins a deixaram indecifrável e não posso tentar reescrever ou interpretar com prêmio Nobel.

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Pimenta III

23 de maio de 2016 0

23.05

Após a descoberta da rota para as índias, a Europa passou a ser abastecida por temperos ainda mais exóticos, como a noz moscada, a pimenta do reino, o cravo da Índia e o gengibre.

Após a primeira passagem do Cabo da Boa esperança, foi a vez da Índia, que usa até hoje muitas ervas e especiarias tanto na arte culinária quanto na medicina. Vieram de lá o cominho, o cravo da Índia, a canela, a mostarda em grão, o açafrão e o cardamomo. Até hoje, eles têm a mais aromática cozinha e a mais colorida do mundo. Os indianos usam e abusam de ervas e especiarias.

Já a história dos condimentos no Ocidente começou com os Gregos. É que ali na região do Mediterrâneo existiam o alecrim, o manjericão, a manjerona e a salsa. Temperos hoje identificados com a comida Italiana.

Portanto sobrou para os Peninsulares fama de serem os mestres em bem usar ervas e condimentos…

Com o declínio do império dos Césares, foi a vez do mundo Islâmico passar a dominar o comércio de especiarias. Com toda a quilometragem que os temperos percorriam é óbvio que eles se tornavam caros.

Se achamos caros alguns temperos nas bancas de hoje, façamos a comparação com os preços do passado. Para se ter uma ideia de seu valor, basta dizer que uma ovelha valia meio quilo de gengibre e se precisava de uma vaca para pagar um quilo de cravo da Índia.

 

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Tem dó seu juiz!

22 de maio de 2016 0

22.05

A informação não é nova, mas sobreviveu aos cupins do escritório.

Martha Rocha, famosa miss Brasil, que deu até nome para uma torta, entrou com uma ação de alimentos contra a filha. A artista plástica conceituada chamada Cláudia, fruto do seu casamento como falecido empresário Ronaldo Xavier de Lima. Ela diz que vive na miséria desde 1995, quando a Casa Piano, de seu ex-cunhado faliu.

Provavelmente você não lembra, mas sabe que em 1994, a baiana ficou em segundo lugar no Miss Universo. A revista “O cruzeiro” inventou que ela perdeu para a americana por causa de duas polegadas a mais nos quadris.

Isso revoltou o país e fez sucesso no carnaval, com uma marchinha que diz:

  • Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás
  • Por duas polegadas
  • E logo nos quadris
  • Tem dó, tem dó, seu juiz!
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Pimenta II

21 de maio de 2016 0

21.05

O hábito de consumir pimenta é antiguíssimo. Explorações arqueológicas realizadas em Teotihucán, no México, demonstram que a pimenta é utilizada na região há muitos séculos. Segundo registrou o explorador Alexandre Humbolt, em 1.800 e pouco… A pimenta era tão importante na culinária sul americana quanto o sal para os europeus.

Além disso, as espécies se cruzam com facilidade, originando sempre novas variedades que recebem novas denominações. Para medir a ardência de cada variedade, foram criados alguns parâmetros. A escala de temperatura que classifica subjetivamente o grau de “picância” atribuindo notas de zero a dez, segundo as unidades de Scoville que foram determinadas pelo farmacologista que tinha este nome e, baseiam-se em testes científicos. Além disto a pimenta é cicatrizante e bactericida. A sensação de ardência ao consumir pimentas vermelhas, também sinaliza benefícios. “O ardor na boca é entendido pelo cérebro como se o corpo estivesse ardendo, provocando liberação de endorfina e sensação de bem-estar”. Outra característica é que seu consumo aumenta o gasto calórico e diminui o apetite.

No passado, poucos ingredientes foram tão disputados quanto ela. Em busca de novas rotas que facilitassem o acesso a ela, navegadores deixaram a Europa nos séculos XV e XVI rumo à Índia, quem sabe tenha sido numa dessas viagens que Cristóvão pegou um vento errado e aportou na América.

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Mario Vargas Llosa II

20 de maio de 2016 0

20.05

Continuação:

*Em Madri qual o bairro que mais gosta?

− Lavapies, porque é um bairro que tem muita cor, é mais cosmopolita e divertido.

Quando cheguei a Madri, estudante, era um bairro mais castiço, mais madrilenho e, em poucos anos, a partir dos (anos 60 e70) foi se convertendo no bairro dos imigrantes. Hoje em dia, é um lugar muito divertido. Existem traficantes, prostituição, drogas, violência, mas tem cor e graça.

*Acredita que as cidades são também personagens como em: Travessuras de Menina Má? Sim, acredito que as cidades têm presença quase humana porque a vida dos personagens está intimamente ligada à paisagem urbana, como uma prolongação. Procuro, quando escrevo que não haja uma separação entre as histórias, os personagens e os lugares. As cidades aparecem na medida em que são importantes para o desenvolvimento da ação, para entender a psicologia do personagem; é uma projeção incorporada à história.

− Nesse contexto, Tókio aparece somente por isto. O que acontece ali tem a ver com a cidade, um mundo exótico para Ricardo, um mundo em que ele não se sente cômodo, que não conhece. Isso contribui para o sobressalto em que vive desde que pisa em Tókio.

*Acha que os romances podem ser bons guias turísticos?

− Para mim têm sido. Umas das coisas mais divertidas que fazia em Paris, quando cheguei e, em Madri, antes era seguir o itinerário dos romances. Em Paris quando trabalhava na Rádio e TV francesa, lembro de ter feito alguns programas sobre Paris, vista por alguns dos personagens de Balzac, Stendhal, Flaubert. No Brasil, nas temporadas que passei em Salvador, muitas vezes segui pelas ruas lendo as descrições de Jorge Amado sobre o Pelourinho. Acredito que a literatura é o melhor guia turístico das cidades.

Continua…

 

 

 

 

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