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Trans Siberiana

20 de setembro de 2014 0

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foto: http://www.russobras.com.br/

Eu sabia que não valia a pena, viajantes anteriores me haviam dito. Livros, haviam deixado ainda mais claro, mas viajantes são de uma raça estranha quando querem e vão. É algo interior que faz ir. Estou falando e dando como exemplo a Trans Siberiana. E ainda por cima, fui sozinho quem sabe acreditando que como meu perfil greco/romano. Alguma beldade asiática caísse no meu colo e poderia ver em mim o homem da sua vida. Não, nenhuma viu, mas a esperança é a última que …

E foram nove dias dentro de um trem, sem nada à esquerda e nada à direita, apenas as estepes. Os outros viajantes, para sorte deles, falavam vários idiomas. Russo, chinês, mongol e alguns dialetos… nem preciso dizer. Voltei quase mudo, gastei os meus dólares e não vi nada, ninguém vê nada. Até porque os soviéticos que sempre tiveram pouco que mostrar, antes e depois de qualquer vila, plantaram fileiras e mais fileiras de árvores. E você não via nada, nem a vila. A minha sonhada visita ao lago Baical. Também não aconteceu. Na época, década de 70, ofereciam a possiblidade de duas paradas. Tudo organizado pelos camaradsky mas como não havia trens todos os dias. 3 dias em cada uma custariam mais que o total da viagem. E o que ninguém avisa: já naquela época, pelo mal uso das águas, o lago em alguns lugares havia retraído 100 kms (hoje pelo que se sabe continua secando e algumas margens estão há 200 kms da margem antiga).

Melhorou um pouco depois da fronteira chinesa, mas aí era o deserto de Gobbi, que recentemente voltei a cruzar. De Ulan-Bataara Pequim no fim da viagem à Mongólia. Só quem ganhou com isto foi o meu dentista, pois os jipes russos trepidavam tanto que devo ter perdido várias obstruções na viagem.

Não havia toaletes, banho também não. Comida? O prato do dia lembrava daqueles virados de panelão de quando eu era estudante em pensões. Recentemente uma parada de estrada me lembrou a comida. Uma comida que nós e o João Nadir com a família comemos (na BR 116 perto de Vacaria, chamam de Entrevero, mais ou menos tudo o que sobrou de ontem (em japonês também existe, chama-se “soborô”, a pronúncia é quase a mesma “soborô de ontem”, nesta segunda viagem de jipe pelo Gobbi, tínhamos carne fresca à vontade especialmente de marmota. Abatidas aos tiros de 22 todos os dias. Mas só carne de ovelha, cabra, cavalo, yak (é aquela vaquinha de pulôver. Não havia cereais, alface, etc. Só encontramos macarrão depois de cruzar a fronteira chineza. Bem, voltando à indiada, viajante é assim, não aprende nem com seus próprios erros. Tanto que me convidassem para ir outra vez, se não pensar bem antes de responder, quem sabe…vá de novo.

Prezado Luiz, sinto muito.

Não gosto de frustrar sonhos de ninguém. Portanto, não desista dos seus. Mas por favor não credite a mim. O que não quero é mentir, engana-lo, frustra-lo. Existem vários livros, compre-os, leia-os todos e tire suas conclusões. Com toda a sinceridade, a Trans Siberiana foi das viagens que fiz a mais frustrantes e menos proveitosas que já fiz. Mas boa sorte! Não há duas viagens iguais. Quem sabe a deusa que eu não encontrei esteja esperando por você.

Misticismo e Aventura em Machu Picchu

19 de setembro de 2014 0

 

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foto: http://mochilabrasil.uol.com.br/

Flavio,

quem te escreve é Vanda N.P, sou tua leitora, gosto de viagens, já andei bastante mas nunca pela Cordilheira. Fui em julho do ano passado. Voltei encantada e escrevi este texto até que meu namorado sugeriu de mandá-lo para algum caderno de viagens ou algum blog. Escolhi o teu.

Será que queres publicá-lo. Achas que merece ser publicado?

 

Vanda, claro que sim. O texto é ótimo. Aliás, todos deveriam ser. Lembre-se, não há duas viagens iguais e o local é espetacular.

 

Misticismo e Aventura em Machu Picchu

Machu Picchu sempre atraiu a muitos , alguns por seu misticismo outros pela simples aventura. Até mesmo pelo seu passado pré-hispânico. A Herança hippie talvez me tenha conduzido até lá. Embarquei na véspera do Natal com destino a Lima. Na manhã seguinte, bem cedo, fui para Cuzco. Optei por não fazer nada neste dia, o que aconselho a quem embarcar nesta viagem. Por causa da diferença de altitude (3.300 m acima do nível do mar), algumas pessoas sentem mal estar, tonteira e muito cansaço. Fiquei no Hotel Libertador, magnífica mansão espanhola totalmente restaurada. Outro belo hotel é o Monastério, mais central que o Libertador e também um luxo. Cuzco é linda. As ruelas e becos, a Plaza Mayor com suas arcadas, a Catedral – tudo convida a ficar vendo a vida passar e nos imaginando no século 16. O templo do Sol vale a visita. Lá pode-se perceber as camadas de história e civilizações, uma vez que as construções espanholas foram erguidas sobre os templos dos incas. O dia seguinte foi reservado para excursão ao Vale Sagrado de Los Incas, e a Pisac, cidade onde existe uma enorme feira de artesanato e a Ollantaytambo, ruínas de um antigo vilarejo. É impressionante como a cultura Inca é forte e ainda presente no Peru, a ponto de, até hoje, as pessoas de lá chamarem os espanhóis de invasores e não colonizadores. Pude perceber que o povo guarda muito orgulho dessa cultura e com razão, pois foi uma civilização importantíssima e evoluída no que diz respeito a astronomia, engenharia e agricultura, além de respeito ao meio ambiente.

Enfim, Machu Picchu. Aqui, mais uma dica: Normalmente as excursões são de um dia inteiro, mas vale a pena dormir em Machu  Picchu nas montanhas, ou em Águas Calientes, vilarejo abaixo das ruínas, de onde saem os ônibus que nos levam para o alto. Recomendo o Pueblo Hotel, muito bem localizado no meio da floresta. Um charme.

Aconselho passar a noite no lugar porque o melhor de Machu Picchu é o dia seguinte, quando podemos passear antes da chegada das excursões, com calma, em silêncio… É muito mais bonito. A chegada em Machu Picchu, é de tirar o fôlego, literalmente. Primeiro porque é lindo, depois porque se anda muito, subindo e descendo pela antiga cidade Inca.

Os mais corajosos e com melhor preparo físico podem fazer a trilha Inca e subir a pé (normalmente 3 ou 4 dias) chegando a Macchu Picchu pela Porta do Sol. Alguma coisa acontece com nosso coração quando lá estamos. A sensação que se tem é de iluminação. A paisagem é uma mistura de floresta Amazônica, (ali fica o início dela), coma cordilheira. Voltei cheia de fluídos positivos e com a certeza de que terei um ano maravilhoso!

 

Vanda. Aí está! Obrigado, faça outros. Quem sabe o mercado dos domingos em Ollantaytambo ou a fortaleza de Sacsauamã? Sempre cabe mais uma palavra ao que já foi escrito.

Um novo corredor trans oceânico – pt. III

17 de setembro de 2014 0

canal mapa

mapa: http://www.thestar.com/

No projeto de um segundo “Canal do Panamá” entra também uma ferrovia. Ótimo, sem dúvida, e muito melhor que o sonho da nossa presidente. De um trem super rápido de Campinas para o Rio. Precisamos de trens, sem dúvida, mas precisamos andar a 300 por hora? E pagar pelo empreendimento quatro vezes mais? Porque não menos velocidade é atender a mais pessoas. Muito mais pessoas.

Mas já que é só papo mesmo, prometer? Não custa nada. Não vai sair mesmo. Querem uma prova? A Ferrovia do Sarney. Presidente e senador a vida inteira não foi capaz de viabilizá-la mesmo com o seu desmensurado poder.

Sobre estas indiadas de construção, às vezes, bato bons papos com o Eng. Caporale, ele além de ótimo cozinheiro, trabalhou na rodovia Trans Amazônica que já deve ter sido engolida pela floresta (torço pela floresta), conversamos muito sobre as dificuldades de fazer a estrada, principalmente, mantê-la.

Nossos papos são curiosos pois ele estava mais ou menos fixo num ponto com idas frequentes a Belém, Guamá, etc. E eu 4 vezes para lá e quatro vezes para cá sem contar com a Caravana da Integração Nacional de Belém/ São Paulo/RS.

Ou seja, “nós da equipe de “testes” íamos e voltávamos Belém/Brasília/Belém/Brasília de novo e de novo. Para falar a verdade, nós também não éramos pilotos de testes, a maioria nunca é pilotos de testes mas de “rodagem contínua”. Os carros sim, não os pilotos, mas o nome “de testes” tem um fascínio e é muito mais sonoro. Os Candangos (candango era o nome do jeep que produzíamos na Vemag) vinham prontos “do Alemanha”, o nosso esforço era para que o exército os comprasse. Por isto e desculpe a modéstia, colocaram uma elite de pilotos, um deles o Nenê “ovelha”, baixinho com cabelo de mola de isqueiro e louro. Só podia virar “ovelha”. Chega? Atendia também por Juvenal Terra, com ele, em dupla, ganhamos as 1ªs, 12 horas de interlagos. O Jorge Lettry, chefe da equipe e que era mais habilidade que nós todos e o “seu” Bilyk que fazia o social. Era o time do vai e volta.

Mesmo assim, o exército sempre continuou comprando os Willys. Adivinhem por que?

Voltando a Ferrovia Trans Continental (a futura) os “estudos” estão adiantados quem diz é O Globo do Rio quando dizem isto no Brasil, a gente sabe que a barba vai crescer…

Mas não esqueça, os chineses, donos do projeto, têm feitos extraordinários, inclusive, uma ferrovia que vai até o Tibet. Ela passa de 5400 de altura.

Portanto, eles têm toda a minha admiração. Voltando ao que será um projeto extraordinário e provavelmente bom para todos, especialmente, para a pobre América Central e a também muito pobre Nicarágua. Onde ele vai passar.

O impacto ambiental será resolvido com uma canetada de um dos irmãos Ortega, o que estiver de plantão.

O custo será da China e eles tem dólares sobrando. A extensão é em torno dos 300 kms. O lago Nicarágua será bem útil, é enorme mas precisarão de comportas que deverão atingir 30 metros. As do canal atual  (a olho) não devem passar de 10 metros. Mas nada tem sido impossível para os chineses.

O prazo? Se espera que o Canal esteja pronto para 2019, ou seja, mais ou menos 5 anos. Só como lembrança, a ponte que ainda não é ponte em Laguna já tem 14 anos de “obra”.

Quanto antes, melhor para todos. E não teremos o desfecho, trágico que houve em muitos lugares do extremo sul, que se deveu a abertura do Canal pois com a rota infinitamente mais curta que se abriu todas, as cidades, chilenas e argentinas do Estreito do Canal de Beagle quase faliram, ficaram literalmente “a ver navios” é que todas as cidades, até o norte do Chile, além do tráfego viviam do abastecimento e fornecimento aos barcos em trânsito que depositavam ali mercadorias que eram consumidas ou reexpedidas depois e os barcos seguiam para Peru, Equador e os barcos que seguiam até o Japão e outras ilhas, Ilhas Asiáticas deixaram de aportar ali.

Mas a história do Canal É fantástica e cheia de surpresas. Por exemplo, o que mantinha o canal no início era o trânsito entre as 2 costas americanas que cito para que se tenha ideia da importância de um canal. E o que já era a produção americana, era mais importante o movimento de americanos transportando suas próprias cargas de um lado para o outro do que faze-lo por terra. Os custos eram mais baixos mesmo tendo que passar pelo canal pagando pedágio. Só isto já pode apontar para as mudanças, que acontecerão com uma nova linha de navegação.

Estimada Maria Tomaselli - pt. III

15 de setembro de 2014 0

goreme-village-cave-hotels

foto: http://www.destination360.com/

Maria, muito obrigado, o que escrevi são considerações sobre 2 lugares de muita atração como a Capadócia e muita energia, como o Caminho. Acho que pode ser útil ou interessante a muitos, por isto, vou postá-la. Tua Áustria é perto do Vale de Goremy, não mais que duas horas de voo, na próxima ida não deixe de ir. Mas faz muito frio e na época, nem todos os ônibus tinham. Todos os vidros nas janelas. Hoje é bem diferente, estive lá no ano retrasado e o turismo em geral, estradas, ônibus, hotéis, etc, é muito bom. E o preço conveniente. Aliás, caro é o Brasil da Dilma e mesmo assim se alugam hotéis inteiros na Itália para a nossa realeza assistir a uma beatificação que ainda não foi a do Sérgio.

Maria, atenção quando falo em frio é para nós tupiniquins e não para alguém que foi criança em Insburc, que é onde austríacos fazem olimpíadas, jogos de inverno, comem chocolate, salsicha e chucrute.

Voltando ao Vale do Goremi. Eu nunca soube se os romanos e posteriormente os cruzados faziam aquelas incursões para aumentar a área conquistada ou para exterminar cristãos, infiéis, budistas ou muçulmanos ou quem quer que fossem.

Aliás, eu nunca compreendi esta e outras atrocidades que sempre se fez e se faz por religião. Contra ou a favor. Nunca consegui entender seja no Oriente Médio de hoje e muito menos protestantes e católicos se matando a pau na educada Irlanda.

E entre tudo o que visitamos na ocasião me impressionou o nível de acabamento e ainda lá estão os afrescos religioso de “igrejas” ou quem sabe, salas de oração. Tendo todas um pé direito duplo numa tentativa de imitar as igrejas convencionais. E os afrescos muito bem feitos e que pela ausência de umidade resistem até hoje em bom estado.

Quanto a gruta que ficamos era mais quente que os hotéis que podíamos pagar. Aliás, acho que só havia um ou dois na época. Hoje são 40 anos melhores com calefação e etc, quando na época com temperaturas internas, quase iguais as externas. Portanto, nas grutas/cavernas só com fogãozinho queimando carvão, era mais confortável e hoje vejo também o alto risco de asfixia que corríamos com aquele chaminézinho de eficiência duvidosa. Como Alpina que és ,sabes bem de eficiência de um saco de dormir. Portanto, não temos do que nos queixar. A ideia não é esta: queixar-se da indiada. Só estou tentando explicar. Só o que faltava mesmo era um quadro teu na parede para felicidade completa. Mesmo te conhecendo e sabendo do teu padrão de conforto, acho que se ficares nas “caves” vais gostar. E na opinião de teu fã, vai te lembrar das tuas ocas/malocas de quando iniciaste. Uma que sempre gostei muito e a que destes ao nosso amigo Renato Maciel de Sá. As  grutas são muito charmosas que os hotéis e é uma experiência que fica na estória de cada um. Por exemplo, já esqueci um monte de hotéis que me hospedei, mas não as Grutas do Vale. Assim, como não esqueci as casas redondas (i truli) de Albero Belo no Sul da Itália.

Na tua explanação me surpreende o número de andares e, é claro, que estão abandonados. Seria uma temeridade restaurá-los e levar turistas a 70 metros, quem sabe 100 metros de profundidade. Especialmente, ali que é bem próximo no “Círculo de fogo” onde terremotos são frequentes.

Só para concluir, Maria, a tua Áustria é bastante perto dali, na tua próxima viagem não deixe de ir. Mas faz muito frio. Mas hoje é bem diferente, estive lá no ano retrasado e o turismo em geral, estradas, ônibus, hotéis, etc, é muito bom.

E quando falo em frio é para nós tupiniquins do paralelo 30 e sem montanhas e não para alguém que como falei já foi criança em Insbruc.

Abraços,

Flavio.

pt. II

15 de setembro de 2014 0

capadocia

foto: http://www.365diasviajando.com/

Terminei a postagem anterior com a sugestão de que já que estão à procura de santos e beatos que beatificassem o Sérgio Reis que nunca foi à Capadócia e também nunca voou de balão, mas que fez duas vezes o caminho de Santiago.

Depois de quase 30 dias com ele no caminho sou testemunha de sua fé reconhecida na chegada à Santiago. Já era aguardado para palestras e conferências. A organização do caminho, sabia do sucesso do seu primeiro livro. (Aquele de Capa Preta). E o aguardavam. Ali ninguém é ingênuo, basta lembrar que na primavera e no verão há uma média de 1000 caminhantes iniciando o périplo e quase o mesmo número chegando em Santiago. Portanto, além do caminho de fé, é um bom negócio e o turismo espanhol agradece aos caminhantes e o clero também. Especialmente agora que o desemprego atinge os 27% na Espanha.

Falei do Caminho de Santiago, é claro que não tem nada a ver com o vale de Goremy e suas catacumbas, que a Tomaselli enviou desenhos mas é que com os meus amigos eu vou falando e escrevendo como se fosse um papo de boteco onde os assuntos se alternam sem muita reverência. Além disto, esta postagem começou com o muito obrigado a Maria Tomaselli que sabendo do meu encanto pelo Vale me mandou uma bela gravura ou será desenho? Quem sabe? Só ela.

Outra coisa que testemunhei e aí comecei a trata-lo como o beato foi a energia que fluí das suas mãos (dizem que no caminho com a introspecção, a energia da “imposição das mãos” se amplifica). Não posso afirmar mas vou citar um exemplo: na entrada de um dos albergues quase sempre mal cheirosos pelo suor empoeirado dos caminhantes e das dezenas de tênis e meias usadas. Bem usadas e colocadas no parapeito das janelas. Num deles, encontramos um casal de holandeses, grandes enormes como quase todos os “duchs”, nos chamou atenção de longe, pois a moça cortara uma perna do seu jeans, um pouco acima do joelho que estava como uma bola e a calça roçando a impedia de caminhar. Enquanto o namorado e eu nos inscrevíamos na recepção. O Beato Sérgio, depois de uma meia hora de papo, foi com ela para um canto onde algumas havia mochilas. Nós, o namorado e eu, de longe ainda no balcão, ficamos olhando, ele concentrado com as duas mãos próximas ao joelho absurdamente inchado, mas sem tocá-lo fazia a chamada “imposição” para falar a verdade, eu também não sabia dos “super poderes” do Sérgio e muito menos, o que era a imposição. Só fiquei sabendo depois, explicado por ele e reforçado por um bruxo do caminho, seu amigo de primeira viagem. Chamado Jesus Jato e um cigano dono de um albergue, figura popular no caminho. Na manhã seguinte, não os vimos, para falar a verdade até os esquecemos. Dentro de um ou dois dias.

 

Num outro muquifo voltamos a encontra-los, pois a velocidade dos caminhantes é sempre semelhante. Nos chamou a atenção de longe, uma perna vestida e uma não. Fizemos o lanche juntos e ela disse e reafirmou que seu joelho não mais inchara, nunca mais doeu e ela, que queria desistir da caminhada agora tinha certeza que iria até o fim. E eu Darwiniano convicto, juro sobre o livro “A Origem das Espécies” do Charles que tudo isto é verdade.

Mas se você leitor descrente achar que nem por isto ele merece ser beatificado dou mais uma razão, ele, o beato, Sérgio Pugina Reis que é a história da televisão brasileira também mereceria ser beatificado por seus 4 casamentos e …. 4 sogras.

- SEGUE -

14 de setembro de 2014 0

copa domingo

Caminho de Santiago

13 de setembro de 2014 0

caminho de san

foto: www.hoya.com.br

 

Um adendo a estória do caminho. Não creio que eu seja a pessoa certa para relatar experiências “do caminho”.

Mas o assunto “força interior”, “energia”, chamem como quiserem é relatado por muitos, seja por caminharem muito mais que imaginavam ser possível ou por faze-lo com os pés em bolhas ou joelhos doendo. O caminho não é exatamente um lugar bonito. Mas é o caminho, a história é longa. Existem versões, uma saindo de Portugal outra saindo da Espanha e o “nosso” saindo França. Diga-se de passagem que da França é só o primeiro dia. No segundo, já se passou a fronteira.

Creem os peregrinos que a força, “a energia” que se tanto fala seja resultado de centenas de anos de caminhadas e certamente de milhões de peregrinos pisando as mesmas pedras.  No passado, havia outros, o do Romeiros que iam e voltavam a Roma e daí o nome. Num passado mais remoto os que iam a Jerusalém e traziam Palmas e daí Palmeiros. Hoje, raros o fazem. Se é que ainda o fazem. Provavelmente porque temos menos tempo ou menos fé.

O que segue sendo feito. O que continua e com uma infra cada vez melhor é do apóstolo Tiago, depois Santiago que muda para Saint Jaques na França e que por sua vez tem ainda um outro nome do outro lado do Canal da Mancha: na Inglaterra. Quanto ao Jesus Jato, que falamos ontem é dono de um albergue não católico, cigano de origem mesmo assim tornou-se um indivíduo popular. Procura ajudar a todos e o seu albergue é sem dúvida o mais charmoso. A opinião não é só minha, mas também dos caminhantes que como de hábito deixam escrito no Livro de Hóspedes suas impressões. Seu albergue, que já foi incendiado pela concorrência, e por ele e a família serem “infiéis”.

Além disto, um cigano num caminho absolutamente cristão e ultra religioso é um pouco estranho. Mas contudo o que se diz pró ou contra, verdade ou não, ele, esposa e a família são muito amáveis e tiveram e tem apoio dos peregrinos e da comunidade, um apoio enorme para reconstrução do albergue, que é citado em todos os livros, incluindo o do Sérgio Reis.

Num dia, igual a todos os outros, chega uma peregrina brasileira from Bahia, com cor de bahiana e formas estimulantes e um rosto bonito. Não lembro o nome da parada e o Beato Sérgio não está na cidade para conferir se ela já havia se hospedado ali em uma passagem anterior, muitos o fazem mais de uma vez, outros fazem ida e volta. Como sempre o assunto é o caminho, as experiências pessoais e a energia do caminho. Ela que fazia notas para publicar, ouvira falar de um lugar em que a energia fluía ainda com mais intensidade. Eram algumas grutas não muito longe e que teriam sido no passado um lugar de pernoite de antigos peregrinos. O Jesus confirmou, falou, deu exemplos, etc. Mas já era à tardinha, não havia tempo nem caminhantes para fazer grupos, caminhar até lá ou dividir um taxi. O prestativo Jesus, não quis frustrar a caminhante e se propôs a acompanha-la. Tirou seu carro da garagem, deu alguma instrução aos marceneiros que colaboravam na reconstrução do albergue e se foram, passam-se duas, três horas, à noite adentra e todos, inclusive, a família se perguntavam “onde está jesus?” e ninguém sabia. Isto numa vila de poucas casas, mas de absoluta segurança como é o interior no norte da Espanha. Mesmo com toda ansiedade cada um foi se recolhendo, as caminhadas sempre iniciam antes do sol e todos sem notícias de Jesus e da nossa conterrânea.

Até que na hora do café da manhã chega o Cigano Jesus e entra no pequeno restaurante onde sua esposa e um filho ajudavam a servir o café e antes que ela falasse alguma coisa. Ele diz: es impressionante la energia que ahy adento. Em 10 minutos se desenflô la bateria y el coche no arranco más…

...E lá se foram 360 anos

06 de setembro de 2014 Comentários desativados

(com cópia para o winogron)

recife

foto: http://www.viagem-e-cia.com/

Dia 7 temos duas efemérides, o nosso 7 de setembro com desfile, banda e bandeiras e li no “O Globo” do Rio que no próximo dia 7, completam-se  também 360 anos de quando os últimos 23 judeus sefarditas foram expulsos de Pernambuco pelos portugueses. E o meu pensamento também voltou alguns anos, não tantos, é claro.

Voltou para quando eu como metalúrgico da Vemag rodei 2 anos no Nordeste tentando formar mecânicos para um automóvel dois tempos. O único na época que, pese sua excepcional em performance foi abandonado 360 anos pela poluição. Imaginem um carro que a cada tanque de gasolina espargia um litro de óleo lubrificante na atmosfera. O fabricante hoje seria crucificado. Prossegui lendo “O Globo” e fiquei sabendo que estes deportados desembarcaram em Nova Amsterdã, que era o nome da então incipiente N.Y, um mero entreposto da Companhia das Índias Holandesas, na ilha de Manhattan.

Diz a história que eles ajudaram a erguer a cidade, a fundaram a Bolsa de Valores de Nova York e a desenvolver o comércio.

É bom que se diga que naquele tempo, Recife, por causa do comércio de açúcar e pau-brasil e da “proximidade” da Europa, era muito mais importante que a tal de Nova Amsterdã.

Ou seja, a manga rosa, o sapoti eram mais importante do que a maça que no futuro seria a grande maça: a Big Apple.

Temos do episódio muitas versões. Mas uma é quase sempre deletada. O que fizeram os holandeses? E o que fizeram os lusitanos? Outro problema além dos 23 judeus, a grande maioria dos Holandeses não eram católicos. Uma coisa horrível na época. Quase tão ruim como ser judeu que só por esta razão eram afrontados e obrigados a fugir, trocar de nome e alguns até imigrarem para umas ilhazinhas chamadas Açores. Isto lhe lembra alguma coisa?

Pois bem, no caso do Recife e com a Batalha de Guarapes (escrevo de memória, melhor seria chamar os universitários como o Silvio) e a expulsão dos holandeses, isto é personificado em um nome: Mauricio de Nassau. O então governador e comandante da área holandesa.

Num dos jornais de Recife (que está no museu) alguém escreveu algo parecido com até que enfim expulsamos aquele judeuzinho insignificante. Bem, pelo que se sabe, o judeuzinho ficou algum tempo no seu país e embarcou novamente, desta vez para nova Amsterdam que acabou se tornando NY de hoje. Odiada pela esquerda e idolatrada por 10 entre 10 brasileiros, turistas ou sacoleiros.

É possível que eu esteja cometendo alguns erros faz muito tempo que eu procurava formar mecânicos dando manutenção de um automóvel cuja grande dificuldade era justamente a sua simplicidade: um motor com só 7 peças móveis, que em sua simplicidade e suas diferenças o tornavam complicado no Nordeste. Nesta época, em Recife, eu frequentava a casa de alguns amigos. Um deles também piloto de competições, o GegeBandeira. A seu lado, a casa do então ex-ministro Apolonio Sales (tão amigas eram as famílias que havia um portãozinho nos fundos) ele gostava do assunto que falei acima e os almoços eram verdadeiras aulas. O que li no domingo, foi que isto se passou e justamente na cidade ainda hoje traumatizada com o acidente do Eduardo Campos refletimos lembramos que eles lá em cima holandeses, judeus e anglo saxões fizeram Nova Iorque e nós continuamos patinando em estatísticas com índices muito ruins, além de não confiáveis.

E o único que colocou as benesses produzidas por ambos em uma balança ficou com os holandeses: seu nome? Calabarfoi enforcado como traidor? Traidor porque se ambos os contendores eram colonizadores estrangeiros, nenhum era nativo. Bem, para encerrar foi enforcado, esquartejado e leva a pecha de 1º traidor brasileiro.  

31 de agosto de 2014 0

post domingo 31 08

Londres – pt. I

30 de agosto de 2014 Comentários desativados

londres onibus

foto: http://www.worldstudy.com.br/Assets

Realmente, agora as coisas mudaram, uma minha amiga me escreve de Londres e se refere sobre as coisas que desconheço. Como falei, voltei a Swinguin London depois da minha vivência ali.

Mas confesso que nunca mais retornei a Chelsea. Meu limite por ali foi High Street Kensignton. Covardia? Provavelmente. Refletindo não chamarei de covardia, mas da certeza de que não encontraria nada das minhas memórias. As coisas mudam…especialmente nos bairros agitados, como Chelsea. Preferi não voltar, assim como prefiro não retornar a restaurantes que gostei ou até visitar amigos que por muito tempo não vejo.

Prefiro lembra-los como eram e provavelmente eles também. Todos temos hoje outras atividades, outros interesses, etc? Seguem amáveis, educados e atenciosos, mas suas preocupações são outras. Os filhos estão distantes e os netos que nem conhecem bem. Como conviver com netos de um filho que foi para Austrália há 5 anos? Pelo Skype?

Com os restôs, é mais ou menos a mesma coisa. O que se gostava muito, provavelmente, foi vendido e o novo dono nem sabe ao que você se refere no seu comentário de antanho, ou simplesmente o chef mudou e o tempero é outro. Coreano, provavelmente. E o osso buco que você saboreava e até aquele momento sonhava. Não existe mais. Nunca mais.

Estas voltas quase sempre negativas no meu caso, correspondem a passar uma borracha no passado, melhor não fazê-lo.

Há exceções, é claro. Há uns 2 anos o Laerte Martins publicitário e palestrante conhecido ia para Florença, cidade que fizemos nossa base durante 4 meses. Minha mulher na Universidade, eu flanava e fotografava. A ideia claro era fazer mais um documentário para o Studio.

Graças a carolice da minha mãe, ela conseguiu um lugar para nós em um convento a uns 150/200 metros do Ponte Vecchio e com estacionamento. “Parquegio” no centro de Firenze é como uma loteria.

Com frequência almoçávamos num restô escondidinho bem no nosso trajeto. Pela manhã, víamos o cardápio e se gostássemos, voltávamos lá pelas 14h, ou seja, após a faculdade. Passávamos pelo peladão David e em 10 minutos estávamos ali.

Nem sempre voltávamos no dia mas sempre retornávamos. E, às vezes, já nos diziam qual era o menu turístico do dia seguinte. Quando o Laerte nos contou o seu roteiro, é claro que lhe dei o nome: O Javali Branco, em português e em italiano, indiquei o dono um sr. assim. Assim, pois não lembrava o nome. Lá chegando, o Laerte usou todo o seu italiano de raízes libanesas e comentou sobre um cliente de alguns anos atrás, etc, etc. As selfies ainda não eram comuns, para mim ainda não são. Mas o restaurante continuava e muito bom tanto que no primeiro Natal depois da visita do Laerte, o dono mandou um cartão do restô com votos carinhosos e de saudade. Foi o único caso que valeu a pena. Até hoje tá no painel do escritório.