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Turismo de Risco - 1

24 de agosto de 2016 0

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Há vários relatos frequentes de turistas sequestrados em locais de terrorismo insurgente, mas o fato age como atração, falo em países como Filipinas, Afeganistão e Somália, desaconselhados mas que continuam atraindo a curiosidade, o único destino que praticamente sumiu do mapa é a Síria onde já matam 400 mil pessoas mas ainda há destemidos que querem entrar. Estes são atravessados pelas agências “especializadas” via Turquia.

Aqueles que se aventuram se expõem também aos conflitos e estão sujeitos aos mesmos riscos enfrentados pela população.

Outros que vão ao Afeganistão por exemplo vivem o risco dos ataques talibãs bem como sequestros e emboscadas. No início deste mês, um comboio da agência Hinterland Travel com 12 turistas foi atingido por um morteiro perto de Herat, no Oeste do país. Seis, entre eles o chefe da agência, Geoff Hann, ficara feridos. De acordo com viajantes, o Talibã tinha ciência de que o grupo levava visitantes. Procurada pelo GLOBO, a Hinterland não quis comentar o incidente.

Num dos casos mais marcantes, o japonês Haruna Yukawa foi à Síria alegando ser um consultor de segurança que repatriava conterrâneos. Acabou sequestrado pelo Estado Islâmico junto ao amigo Kenji Goto, vídeo jornalista que colaborava com diversos meios de comunicação. Apenas ali veio à tona que Yukawa jamais havia atuado no país! Os dois foram decapitados em janeiro.

Em setembro passado, no Sinai, militares egípcios que caçavam jihadistas atacaram um comboio de turistas que fazia uma excursão no deserto, deixando oito mexicanos mortos. A operação matou ainda quatro egípcios.

“O grupo de turistas estava em uma zona proibida”, justificou o Exército.

Na África, um destino desaconselhado é a Somália, altamente desaconselhado. Os sequestros feitos pelo grupo al-Shabaab e ataques armados contra hotéis que mataram dezenas de turistas e até um embaixador nos últimos dois anos. Isto fez que o Departamento de Estado americano adverti-se contra viagens ao local, mas não em vão.

Alguns lugares onde prosperava no turismo convencional já sofrem com os efeitos dos conflitos. Após atentados matarem nove alemães em Istambul em janeiro, e de uma tentativa de golpe frustrada em agosto, a Turquia espera uma queda de até 40% na visita de estrangeiros.

— A demanda dos brasileiros diminuiu. Eles têm medo de viajar para a Turquia, acho que pelas notícias negativas — diz a guia Dilek Karakas. Ela acha que é isto!!!

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Stratford ir ou não ir

23 de agosto de 2016 0

 

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Este ano marca os 400 anos da morte de Shakespeare e lhe foram prestadas muitas homenagens. Muitas foram também as reapresentações de suas peças. Algumas no teatro circular a céu aberto, em Londres, construído em 1996 similar ao que foi destruído por incêndio em 1613 onde eram apresentadas suas peças.

Ele merece a louvação que recebe dizem os experts, pois sua obra, além de rica popularizou-se e foi acolhida internacionalmente.

Numa reportagem do jornal Zero Hora, em 23/4, foi dito que ele foi capaz de escrever sobre cada um de nós, ao abordar sentimentos humanos como ciúme, dúvidas e ambição. Lições suas, algumas delas sintetizadas em frases ou versos, integraram-se ao uso corrente em outros idiomas. “Ser ou não ser, eis a questão”

No nosso caso, um amigo inglês de mais vinte anos foi sincero numa janta em sua casa no ano passado e disse, claro, é uma ida para “currículo”. Se você é um literato deve ir. Se és chagado a essência do teatro também. Botar o pé em Stratford é importante. Se você não mudou muito desde que nos conhecemos pense 2 vezes. Você tem mais a fotografar, aqui em Londres ou para onde você vai depois: A Cornualha.

Stratford é fácil de ir, de encontrar bons hotelzinhos…. é só sair caminhando da estação de trem. Como vocês já viram ele é um viajante de antes da internet e do GPS.

Segui o seu conselho. Além disto é sempre bom reservar algo a ver num dia especialmente em uma cidade que recebe milhares de visitantes e com um trem que sai as 7h e volta as 9h pontualmente.

Nota: A Cornualha é aquela parte do Sul a esquerda quando se olha o mapa da Inglaterra.

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Perguntar não ofende

22 de agosto de 2016 0

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Este foi título usado pela Rosane de Oliveira na página 10 da ZH deste domingo. Ela tem razão, o que ofende os pagadores de impostos como você e eu é não ter respostas.

Especialmente num Estado com falta de dinheiro até para pagar salários. Sem um tostão para investir em áreas essenciais à espera de um socorro Federal incerto. E mesmo que o socorro venha, por que manter o que reconhecidamente o Estado faz mal?

A iniciativa privada além de fazer melhor ainda paga impostos.

Às voltas com a falta de dinheiro para pagar os salários e sem como investir em áreas essenciais.

  1. Faz sentido o Rio Grande do Sul ter dois bancos públicos e ser sócio de um terceiro?
  2. Qual a razão da existência de estatais que não faturam o suficiente para cobrir seus custos?
  3. Vender a CEEE e a Sulgás poderia ser a solução?
  4. Por que o governo está demorando tanto em se desfazer dos imóveis que não são utilizados ou estão alugados a preço vil?
  5. Por que não se propõe uma mudança na legislação para impedir qualquer pagamento acima do teto salarial, começando pela acumulação de salário?
  6. Qual é a lógica de uma estatal ter um programa permanente de demissões voluntarias, a que os funcionários aderem as vésperas da aposentadoria?
  7. Que fim levou o estudo para identificar o que é essencial na estrutura do Estado?
  8. Um Estado quebrado tem de ter gráfica, TV, zoológico?
  9. Por que não se cogita transferir atividade de fundações para organizações da sociedade civil, como prevê lei aprovada no governo Yeda Crussius?
  10. Por que tanta demos em lançar as concessões das estradas, se o Estado não tem dinheiro para conserva-las?

Uso um exemplo antigo para deixar claro o que é obvio e não política próxima de eleições. Lembram da Aços Finos Piratini? Durante 25 anos não deu lucro. Era um dos nossos orgulhos. Vendida. Deu lucro em 6 meses e PAGA IMPOSTOS ATÉ HOJE.

Empresas são para empresários ou como se diz no campo: ovelha não é para mato.

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21 de agosto de 2016 0

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Quanto ao país parece que estamos aguardando uma mudança pretendida há uma década, acertou o Claudio Paiva ao abrir a porta da geladeira de sua charge. Ali viu que estão os ovos da serpente. Não podia dar outra coisa. Ultrapassamos com folga a popularidade nefasta do Maluf, dos anões do orçamento nem se fala. Continuamos colocando políticos desclassificados administrando coisas técnicas… não podia dar em outra coisa. Nenhum deles havia administrado algo antes e chegaram com seu apetite voraz as burras do Estado. Ser a favorita do Ex já não diz nada, pelo contrário. Ter um comportamento de “gerentona” muito menos. Pelo que leio se entende que o jogo já foi jogado.

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Santos em paredes

20 de agosto de 2016 0

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Caminhar por ruas antigas do Rio traz a mente Amália Rodrigues cantando:

“…um São Jose de azulejos

mais o sol de primavera

uma promessa de beijos

dois braços à minha espera…

É uma casa portuguesa, com certeza!

É, com certeza, uma casa portuguesa! ”

Eu nunca havia me dado conta disto até ler o artigo do Eduardo Vanini. Até mesmo porque no Rio é difícil levantar os olhos do nível da rua e perder tudo o que balança na nossa frente… O que vemos sempre nos atrairá sempre mais do que os santos fixos em paredes.

Depois de ter lido vi que o uso de imagens religiosas nas fachadas das casas permanece tão viva na cena urbana carioca como no Chiado na Alfama ou Cidade Alta do distante Portugal e que a tradição lusitana de fixar azulejos com imagens nas fachadas permanece muito viva lá, como neste lado do Atlântico.

Mesmo que os moradores atuais não sejam portugueses a maioria dos descendentes faz questão de manter o adorno e para minha surpresa, ainda podem ser comprados nas lojas do centro. É só caminhar nesta área onde o bom gosto fez implodir o “minhocão” ou elevada se você preferir para aparecerem as figuras que falo. Quatro azulejos dispostos na diagonal em uma moldura elevada que faz parte da própria parede. Uma moradora que me viu de máquina na rua disse: “aqui, diferente é a casa que não tem. ”

Quem sabe o chapéu de beijar santo em parede do gaúcho também venha daí…

 

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Dia da fotografia

19 de agosto de 2016 0

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Como de habito a Camila entrou sorridente me felicitando pelo dia da fotografia.

Confesso que não sabia, não tinha a menor ideia, sempre soube do dia dos pais, mães, namorado eram todos os 365 dias e não um ou dois.

Apelei ao Google que sabe de tudo e fiquei sabendo que a escolha do dia 19 é uma homenagem a invenção do daguerreotipo, o antecessor das câmeras fotográficas e foi nesta data em 1839 que a Academia Francesa de Ciências anunciou a nova invenção. Desenvolvida pelo francês Daguerre o dia levou o seu nome.

Conversamos um pouco sobre o tema os grandes fotógrafos e veio a pergunta.

E tu como começaste? Novamente eu não sabia a resposta.

Intuição quem sabe. Sempre gostei mas sem convicção apesar do meu pai conhecer bem o assunto que era comum em casa. Mais jovem, é claro que queria ser bombeiro, piloto de caça ou chofer de ambulância como todos os guris. Mas fotografia? Tinha dúvidas. Acho que foi um dia quem sabe fazendo pose em frente ao espelho no meu quarto e minha mente foi mais veloz que minha teatralidade juvenil e me alertou: Flavio se optares por este ramo, fique atrás das câmeras, terás mais sucesso que na frente delas. Como se pode ver o assunto é infinito e cada foto que você faça terá uma estória, mas assim como elas surgem também desaparecem. Alguns brilhantes como o Cartier-Bresson encheram o saco, ele de uma hora para outra largou tudo e se dedicou a pintura. Nunca mais fez um click.

Outro caso que me intriga até hoje foi o do Raul Daudt um gênio em estúdio, foi para os “States” já com 4 entrevistas marcadas, seu filho Tuca havia agendado e mostrado algumas fotos que tinha, cada vez que ele mostrava ouvia: Diga a ele que venha nos ver. Mas ele cancelou todas as visitas e nunca mais fotografou profissionalmente, coisas de artista, de gênio se você quiser.

Fotografia é assim mesmo. Há alguns meses atrás o Eurico Salis fez uma exposição no museu sobre as montanhas que o Ansel Adams popularizou com suas fotos e seus livros. Por alguma razão que ninguém sabe seis profissionais bons da cidade chegaram antes do horário previsto. Acho que foi fim do horário de verão, sentamos no café do próprio museu e falamos, falamos até a abertura da mostra… e nenhum tinha algum trabalho agendado para a semana mas ninguém pensa em parar. Portanto se você deseja aderir a profissão informe-se em algum estúdio, visite uma cartomante, vá a um pai de santo e não creia só em um…

Camila!

Muito obrigado pela pergunta. Jamais teria lembrado.

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Um piano ao cair da tarde

18 de agosto de 2016 0

 

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Este era o nome de um programa da rádio Eldorado quando eu era metalúrgico em SP. A cidade já era gigante mas as outras rádios só ticavam músicas caipiras e emboladas nordestinas. Felizmente os sertanejos universitários ainda não tinham chegado e os de hoje devem ter sido reprovados mas com louvor.

Mas não vem ao caso, aos nossos ouvidos de industriários acostumados a linhas de montagem, a motores, prensas, fresas, tornos e apitos de fábricas. A rádio Eldorado era ótima mas nós chamávamos o programa: uma tarde ao cair do piano.

Bem ontem dia 17 uma nova versão: um piano caiu no colo de alguém.

Falo numa rifa feita pela ONG Brasil sem Grades criada pelo Luis Fernando Oderich quando o seu filho Max que morava em São Sebastião do Cai vem a Porto Alegre comprar a roupa da sua formatura e foi assassinado.

STOP PRESS

Fui informado agora que o número sorteado pertence a uma medica pediatra e foi o 0936. Seu nome, Carolina Bergamaschi  Zilio. Fiquei sabendo também que ela não toca piano. Certamente foi uma das pessoas que comprou por conhecer a causa desta ONG cujo o nome é o que todos gostaríamos. Um BRASIL SEM GRADES pois as que eu vejo são só nas das nossas janelas.

Boa sorte e boa música Dra Carolina

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Hotel x Prisão

17 de agosto de 2016 0

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Já escrevi sobre um hotel que existe em Estocolmo na Suécia?

É o Hotel Langholmen, lá está, era uma ex-prisão que foi fechada em 1975 por falta de detentos e aí convertida em acomodação de três estrelas. Você dorme em uma cela e pode comer uma refeição típica de prisão ou escolher “à la carte” em um agradável restaurante. Algumas partes foram deixadas como museu também uma experiência cativante. Esta poderia ser uma ideia. Quem sabe poderíamos transformar algum outro hotel em prisão fazendo o inverso de Estocolmo em Curitiba pois já estão faltando celas.

Ao que parece, todo momento tem uma nova decisão do Dr Moro e já faltam alguns beliches e alias tornozeleiras também…

Bem, é bom lembrar que nós que estamos livres, também não podemos muito, o que me lembro é que ainda podemos pintar a nossa fortaleza da cor que queremos pois já estamos cercados com barras nas janelas e frequentemente nos condomínios até com crachá no pescoço e eu vejo lá fora os pássaros soltos e confesso. Eu os invejo…

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Sem o alemão Octávio

16 de agosto de 2016 0

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Nos últimos três anos, num dia combinado alguns amigos se encontram num restaurante meia boca, mas que ele gostava, para falar sobre ele, sem tristeza, mas com saudade. Falo do Luiz Octávio, que provavelmente embalou romances de alguns de vocês, pois foi o primeiro cantor do Norberto Baldauf e aplaudido nos bailes da reitoria, além de outros.

No ano que passou eu estava ausente, mas li as mensagens, a mais sucinta e a mais objetiva “life goes on”. Foi da viúva de um engenheiro sul-africano com esta citação inglesa.

O Alemão Octávio (ele brigava pelo C do seu nome) deixou saudades. Ele só perdeu uma luta: com o cigarro. E eu até sinto por isso uma certa culpa, fui um dos que insistia que ele parasse. Se eu tivesse sido mais persuasivo, se eu fosse mais objetivo, se tivesse um papo mais convincente e se eu…

Tudo que começa com “se”, hoje é inútil. Devo muito ao alemão… Ele sempre falava que eu o coloquei na Vemag, que eu o introduzi no mundo do automóvel, da fabricação e das competições. Tudo é verdade, mas nunca falava do que ele fazia pelos outros, no meu caso, se eu pude viajar a vida inteira foi porque ele tomava conta com mais afinco do que eu das minhas coisas. De contas no banco, a ração preferida da família Pinóquio, tudo com um extrato de contas quando eu voltava. E quando eu não queria ler aquela chatice, ele solenemente dizia “se não acompanhares o que anotei”, renunciarei à tua procuração.

Só anos depois, muitos anos depois, quando me casei e ele espontaneamente renunciou a procuração já bem amarelada, aí é que fomos ver que tinha todos os poderes. Ele podia até ter me casado (e ele era chegado a um casamento), por sorte não o fez.

Sem a lealdade do alemão Octávio, sem a sua dedicação e responsabilidade, minha vida teria sido outra. Numa das vezes, fiquei fora 2 anos e meio… e eu havia saído por 90 dias… vendeu um automóvel para pagar as contas da casa, empregada, impostos, ração para os salsichas etc e como nunca falamos em vender os filhotes, quando eu cheguei tinha 17 que não me conheciam e que não me deixavam entrar.

No ano de 2013 quem viajou foi ele. Que continue sua boa viagem Octávio Medeiros de Albuquerque Neto, fazes falta aqui, mas chegastes aos 80 com tabaco e tudo. Chegar a oito décadas não é só um privilégio, é preciso também gostar de viver. Mas a leitora Zenaide tem razão: life goes on, só não precisava ser tão cedo.

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Prisões ou hotéis?

15 de agosto de 2016 0

 

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Volta e meia comento sobre hotéis exóticos, com frequência ouvimos falar de edifícios comerciais e casas de fazenda sendo transformadas em hotéis mas ouvimos pouco a respeito do que precisamos mais. Hotéis ou novas prisões? Mesmo com a carência de prisões no Brasil nunca ouvimos falar. Aqui somos bem mais objetivos, o prédio não interessa mais. Destruímos seja lá o que for? Imaginem como seria o cadeião que existia ao lado da usina do Gasômetro, você já deve ter ouvido falar nele, para quem olha para o poente era a esquerda, podia ter sido transformado em hotel ou até mesmo em Museu, Casa de Cultura, sede para Ospa ou até mesmo reformado para ser novamente o cadeião. Um dos grandes castigos seria olhar o belo pôr do sol e os pássaros livres. Mas não, não nos organizamos a tempo. Eu morava em São Paulo quando vim a Porto Alegre e me contaram.  Fui até lá. Fazia frio e lá pelas cinco o sol já estava baixo e o vi ao passar pelo esqueleto sem telhado, sem paredes internas, sem janelas com um paredão escuro na frente parecendo um incêndio frio que é como as vezes fica o nosso entardecer no outono. No dia seguinte fui entrevistado ao meio dia pelo Ivan Castro. O assunto era automobilismo mas numa deixa comecei a defender o “ O Cadeião” e o que se poderia fazer com aquela enorme e solida estrutura?

Assim falei alguns minutos e fui almoçar no Treviso. Dos que haviam visto a entrevista ninguém concordou comigo. O Programa tinha grande audiência. Porto alegre era pequena e quase todos almoçavam em casa com TV ligada mas não conquistei adeptos.

E a frase que mais ouvi foi. O que você quer com aquela velharia? Ou seja, as coisas acontecem no seu tempo e não no tempo que queremos. Hoje se peleia por prédios insignificantes a até se demolem elevados como no Rio para dar visão aos prédios antigos. O novo tempo chegou, e hoje teria grande importância o cadeião para os gaúchos, qualquer fosse a sua função.

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