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SAIA BEM NA SELFIE

10 de janeiro de 2017 0

Para os jovens, devo informar o retorno da Kodak… fabricando telefones. É o que diz a notícia… li várias vezes, pois não acreditei.

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No mês passado, a Kodak, antiga fabricante de câmeras fotográficas, anunciou um celular de 21 megapixels, sistema Android e design retrô, o Elektra. O preço previsto é 500 euros, e demonstra como o celular se tornou fundamental também para fotos. A Kodak dominou o mercado nos últimos 50, 60 anos, 100 anos, quem sabe, desde que o vovô Eastman entrou no negócio. Aliás, ele era amigo de Edwin Land, que inventou a Polaroid, e de Thomas Edson, que inventou a lâmpada incandescente (já imaginaram o padrão do papo no chopinho deles da sexta-feira?)

Contudo, para evitar que seu álbum de viagens se torne uma coleção de selfies com o braço aparecendo, separamos uns gadgets que ajudarão você a sair melhor na foto.

Tripés feitos especialmente para smartphones dão um toque mais profissional para a imagem – há opções a partir de U$ 19,90 em lojas online. Além do tripé tradicional, este é como uma estrutura flexível, permitindo ser encaixado em lugares como barras e galhos de árvores.

A resolução das imagens nos celulares já não é mais uma preocupação, pois são espetaculares. Mas a lente certa ainda faz falta. Marcas como a Ollo-clip tem lentes olho-de-peixe, grande angular e macro para serem encaixadas nos smartphones. As da marca custam em torno de U$ 70, mas há opções a partir de U$ 9,70 (não sei o que pode sair usando uma lente de 9,70, mas pode-se tentar. Estou curioso: se você usar uma, por favor, me avise).

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COM OU SEM WI-FI?

10 de janeiro de 2017 0

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Adriana Setti escreveu isto em junho de 2015. Foram os cupins que a trouxeram de volta, voltei a lê-la e achei ainda mais atualizada.

Passei dez dias em Fiji e me hospedei em duas ilhas diferentes. Uma delas tinha internet wi-fi grátis. Na outra, não havia conexão e nem o 3G funcionava. Analisar o comportamento humano nas duas situações foi uma legítima experiência antropológica.
O resort com wi-fi ficava de frente para uma das praias mais bonitas do mundo, sem nenhum exagero. A ala “social” tinha um restaurante, um deque com pufes e day beds incríveis, além de uma piscina e algumas redes. Era um lugar perfeito para esquecer da vida. Mas era, também, onde o sinal do wi-fi tinha mais força. Resultado? O lugar parecia uma central de comando, repleto de laptops, tablets e celulares, desde cedo até a noite.
Algumas mesas do restaurante eram grandes e acabavam sendo compartilhadas. Mas muita gente ficava focada no cibermundo até na hora de comer. Nos seis dias em que passamos ali, conversamos apenas com um casal de ingleses.
Como você já deve estar imaginando, a vida na ilha off-line foi bem diferente. Jogamos Uno (algo que eu não fazia desde os 12 anos de idade) com um norueguês. Aprendemos noções do esporte que é paixão nacional na Irlanda, o hurling. Ficamos horas ouvindo as histórias de um suíço que passou meses aprendendo kung fu na China e tivemos uma conversa profunda com uma professora de Pequim sobre os abismos culturais que separam o Ocidente da China.
Durante a minha viagem pela Austrália, que antecedeu à ida a Fiji, fiquei muito surpresa com a dificuldade de encontrar conexão wi-fi em cafés, bares e restaurantes. “É que a gente não quer que nossos clientes fiquem lobotomizados na frente do celular”, me explicou a gerente de um café badalado na adorável praia de Byron Bay.
Acho que ela está certíssima. A gente anda precisando desesperadamente ficar off-line e compartilhar conteúdo na vida real. Nem que seja na marra.

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HOTEL ALTO ATACAMA

08 de janeiro de 2017 0

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Paramos o Rocinante no estacionamento e fomos caminhando para a recepção. O projetista procurou mimetizar o hotel com o entorno, seja na cor, seja nos materiais locais, seja no estilo… e conseguiu.

Antes de chegar ao balcão já estávamos convencidos que ali nos hospedaríamos quando o motor home ficasse em casa. Coisa difícil depois que você se acostuma a dar uma de caramujo e carregar a casa nas costas. Aliás, depois daquela viagem até mandei fazer um cartazete, que colei na traseira: “Sorry! Não tenho pressa, já estou em casa! ”. Como o Rocinante é um motor-home de pouca velocidade: morro acima. A frase é bem oportuna. Não éramos hóspedes, viemos para um copo do bom vinho chileno e para conhecer o hotel.

Entre montanhas de terra marrom avermelhado está o Atacama Lodge, se mimetizando com a paisagem. Desde o bloco da entrada, tudo tem a cor do entorno e lembra algumas das casas locais, feitas de adobe, uma mistura de barro e palha que contribui para o conforto térmico. Os telhados de palha contribuem também para a estética, mas estão sendo abandonados. A razão? Aumenta muito o preço do seguro.

À tardinha, para andar entre uma construção e outra, é só esperar um pouquinho para a vista se acostumar com a escuridão e se dar conta que com a iluminação, propositalmente feita apenas por pontos de luz no chão, se pode admirar melhor o céu estrelado. Entre um passeio e outro, arrume um tempo para ficar numa cadeira à beira de uma das piscinas, o serviço é ótimo e aceitam curiosos.

E tudo isto fica a 10 minutos da rua principal de San Pedro, e o hotel oferece bicicletas para os hóspedes (são menos de 20 minutos de pedaladas).

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VIAJAR DE AVIÃO

07 de janeiro de 2017 0

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É um desses momentos da vida que já se aprendeu a temer. Assim que o voo se aproxima do destino,  já é costume ouvir o piloto falar que vão precisar ficar circulando por um tempo porque há muito congestionamento.

Estes medos são compartilhados por milhares de nossos colegas viajantes. Graças a carência de tempo e dos pagamentos parcelados, cada vez mais pessoas estão viajando de avião. Mas eles estão gostando cada vez menos, porque no verão especialmente mais da metade de todos os voos do terceiro mundo atrasam…

Além dos passageiros, as companhias aéreas também se frustram, já que estão perdendo dinheiro apesar da alta demanda. O problema? As viagens cresceram mais rápido do que os países conseguem adaptar os aeroportos. Depois que os países abriram os céus para a concorrência, o número de passageiros quase dobrou.

Enquanto isso, novas companhias privadas surgem. Algumas delas oferecem o serviço integral, mas outras, as low-cost, atraíram milhões de viajantes que antes se locomoviam de trens e ônibus. Com isto, muitos aeroportos não tem áreas de embarque e outras instalações suficientes para gerenciar a invasão e criam descontentamentos.

De fato, as companhias se encontram num momento paradoxal. A demanda é alta, e a previsão é que o número de passageiros domésticos cresça em 25% nos próximos anos. Por causa das limitações no sistema de embarque e desembarque, as empresas estão sendo forçadas a procurar outras oportunidades engajando-se em guerras por tarifas que reduzem seus lucros. Algumas recorrem à atitudes absurdas, como a que levou ao recente acidente em Medellín.

Tomem a Índia como exemplo. A companhia Air Deccan anuncia uma tarifa de apenas $6,60 mais taxas por um voo de Nova Delhi até Jaipur, ou seja, eles devem ter carga para o destino, mas não passageiros. Acrescente o aumento dos combustíveis e você tem a receita para contas no vermelho. Analistas creem que as perdas das companhias podem ter chegado a milhões de dólares no ano passado.

A solução recomendada tem sido a fusão das menores para sobreviver, pois estavam perdendo mercado para companhias mais eficientes. O governo espera que a incorporação diminua o congestionamento nos aeroportos. Mais fusões também estão por vir – a Índia, que falamos, hoje possui 13 companhias aéreas, provavelmente em breve terá duas ou três empresas grandes e três ou quatro de pequeno porte. A saúde da aviação do país dependerá das melhorias nos aeroportos.

Um novo aeroporto em Bangalore já está sendo construído; também estão sendo construídos novos terminais em Nova Delhi e Mumbai. Esses aprimoramentos são prioridade para passageiros como Mehta, que desabafa: “finalmente estão começando a remodelar os aeroportos”. Mas até que o governo alcance a rapidez da iniciativa privada, as companhias devem ficar presas nas filas do check-in…

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BILBAO

06 de janeiro de 2017 0

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No coração do País Basco, lá no norte da Espanha, está Bilbao, que entrou oficialmente no radar turístico. Com a inauguração do imponente Guggenheim, o museu revestido com escamas de titânio confirmou seu arquito, Frank Gehry, como um nome conhecido em todo mundo.

A cidade é pequena, tem aproximadamente 350 mil habitantes, e é uma história de sucesso urbano que ainda está sendo escrita, com melhorias no transporte, espaços verdes, planos para a revitalização de bairros esquecidos e modernas torres erguendo-se ao lado de ícones antigos, que também receberam restauro recentemente.

Bilbao se tornou uma cidade projetada pelas paradas de metrô desenhadas pelo arquiteto britânico Norman Foster que parecem camarões gigantes. A cidade também se tornou um destino procurado pelos amantes da gastronomia: conta com estrelas Michelin, comida autêntica vendida em pequenos bares e restaurantes – frequentados por forasteiros e moradores – e vitrines da Thermomix (loja especializada em utensílios para cozinha) para comprovar sua fama.

E como turistas tendem a permanecer nos arredores do Gugen (apelido local para o Guggenheim), a cultura e a qualidade de vida da cidade foram preservadas, aguardando agora quem se dispuser a explorá-las e suas grandes modificações.

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E O QUEEN MARY? ACHO QUE ELE AINDA PODE HOSPEDÁ-LO

04 de janeiro de 2017 0

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Depois de cruzar o Atlântico exatamente 1001 vezes, o lendário Queen Mary, símbolo de elegância entre as décadas de 30 e 60, fez sua última travessia. Aposentado desde 1967, foi ancorado no porto de Long Beach, na Califórnia, onde hoje funciona como hotel. Agora, os mais nostálgicos têm a chance de experimentar parte desse glamour num irmão gêmeo, pois a Cunard Lines construiu o Queen Mary II, ao custo de 780 milhões de dólares. Mas no velho estilo – casco negro e deques superiores brancos –, o transatlântico tem até uma réplica do apito do Queen Mary original e apartamentos duplex com até 544 metros quadrados, mordomo e academia de ginástica. A viagem inaugural foi feita em 2003.

Nesses anos todos em que o Queen Mary I esteve ancorado, a indústria dos cruzeiros cresceu vertiginosamente. Um dos projetos mais ambiciosos é o do ResidenSea, navio gigante que, em vez de cabines, tem casas. A cada ano, o ResidenSea faz um cruzeiro pelo mundo inteiro com seus moradores. É possível comprar uma “residência” ou aluga-la por curtos períodos, mais ou menos em time sharing. As mais modestas têm duas suítes, copa, cozinha e sala. As luxuosas possuem 3 suítes, duas salas, cozinha, mesa de jantar com oito lugares e varanda. O ResidenSea passa por 40 países, sempre em épocas festivas, procurando estar presente em eventos como o Carnaval do Rio, o Festival de Cinema em Cannes e o Prêmio de Fórmula 1 em Mônaco, etc, etc.

Eu sabia que o Queen I estava, mas confesso que nunca havia pensado em ir até lá, a tentação era grande, não só pelo Queen mas porque bem perto dali estava o Sprooce Goose ( mais ou menos o Ganso do Cedro), pois na falta de alumínio o interior da asa era de madeira) projetado, feito e voado pelo Howard Hugges, que além disto era milionário e dono de vários recordes de velocidade em aviação, o que durante a 1ª Guerra era uma busca notável e uma colaboração heroica com os aliados, ele mesmo pilotava os aviões que projetava .Além disto namorava a…. Jane Russel, para quem desenhou o sutiã meia taça. Precisa mais? Para mim não e lá fomos, o Henrique Mutti e eu tomar o café da manhã com o casal Pace. O casal Pace que falo era o Moco, piloto de fórmula 1 e vencedor do Grande Prêmio Brasil. Com uma Brabhan, mas com o convite do Moco era irrecusável. É um pouco curioso, você estar num navio ancorado e que não vai sair.

Ficamos de papo desde o breakfast até quase meio dia, visitamos uma boa parte do barco. Tudo de extremo luxo, mas de uma estética de quando foi fabricado que era rigorosamente mantida, e pelo que soube não fez muito sucesso como Hotel, quem sabe pelo aspecto retrô, ou pela distância que o separa da cidade.

Acho até que não mais está em Long Beach e o Sprooce Goose (que é uma visita que vale a pena) também deve estar em outro hangar.

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ZOOLÓGICO? PRIVADO OU ESTATAL?

03 de janeiro de 2017 0

436Para os visitantes o zoo será sempre um lugar de encanto quase infantil. Os visitantes que alimentavam os animais no domingo nem tinham ideia da discussão que acontece na assembleia. Uma criança só acrescentou: não quero que os bichos passem fome. Se não sabiam da discussão é claro que não imaginavam que como empresa privada, os animais continuarão com a simpatia de todos, melhor cuidado, atrações, etc.

Digo isto pensando no primeiro zoo do mundo: o de Berlim, que visitei no ano passado e que continua no mesmo lugar, ou seja, hoje está no centro da cidade, como o nosso Parque da Redenção. Lembram do urso polar Knut, nascido ali, no maior do zoo do mundo, com 17 500 animais, e a comoção com sua morte, aos 4 anos, em 2011, por afogamento resultante de uma provável encefalite, que comoveu o mundo. Em 2007, quando o irresistível Knut passou a conviver com o público, o zoo de Berlim teve o ano mais lucrativo de seu mais de século e meio de história.
Quando o visitamos, a campanha era para a preservação das girafas, e o veterinário dizia: a experiência ímpar de ter a mão lambida por uma girafa, obviamente, depende de um fator incontornável – a sobrevivência das girafas. Os zoológicos contemporâneos mostram-se conscientes do fato que a recreação insubstituível que eles oferecem cobra uma imensa responsabilidade. E assim prosseguimos, antes de liderar uma caminhada em que ele ficava dando detalhes de cada animal visitado… é isto que queremos no nosso zoológico.

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ANO BOM OU ANO RUIM?

03 de janeiro de 2017 0

Ano bom ou ano ruim? A gente nunca sabe, mas no ano passado o Brasil conseguiu apear o PT do poder, o que já nos alegra, e conseguimos também julgar e prender mais de uma dezena de larápios dos cofres públicos, coisas antes nunca vistas no Patropi, e estão em andamento processos judiciais de outras dezenas. Estão também reerguendo e salvando a Petrobrás. O presidente e a equipe econômica estão aprovando no Congresso medidas para conter os gastos. Afinal, o governo só vai gastar o que arrecada. Recapitulando, acho que foi um ano produtivo que reacendeu a vela da esperança.

A operação Lava-Jato conseguiu também estancar o roubo de bilhões de reais e recuperar outros bilhões. Não foi pouca coisa. Poderíamos comemorar o ano. Mas eis que surge o vazamento da primeira delação envolvendo cerca de 50 políticos. Será que vão paralisar o país até ouvir as outras 49? A quantia não é pouca, mas comparada aos bilhões desviados da Petrobrás é merreca.
Até parece que quem vazou a delação é parte interessada no “quanto pior, melhor”.Acho que depois de tanto sofrimento o povo tinha ou teria direito a um fim de ano mais tranquilo. Mas reconheço que os petistas sempre se mostram profundamente indignados com a corrupção, só faltou dizer… dos outros!

 

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NO DIA 2 O CHAMPANHE TERÁ ACABADO E COMEÇA A TORTURANTE TAREFA DE GOVERNAR

03 de janeiro de 2017 0

Entre os escombros provocados pelos cupins, achei um artigo que eles não comeram. Não deveria ser do gosto deles, mas era do meu e guardei: em breve passaremos exatamente pelo mesmo. Quando guardei? Não sei (sou um juntador compulsivo de artigos, cacarecos e bugigangas) mas felizmente tenho o autor: é João Mellão Neto, que escrevia no Estado de SP há muito tempo.
Quanto aos cupins, se seus pertences não foram atacados, não se vanglorie. Segundo um tratado que li, só existem 2 tipos de residência no país: as que já foram atacadas e as que ainda serão. Diz o articulista “no dia 2 o champanhe terá acabado e começa a torturante tarefa de governar”.

 

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NO DIA 2 O CHAMPANHE TERÁ ACABADO E COMEÇA A TORTURANTE TAREFA DE GOVERNAR
Daqui a uns dias, o Sr. estará assumindo o comando de sua comunidade. Que Deus o tenha em Sua imensa graça…
Os reconduzidos já conhecem razoavelmente o ofício, mas a grande maioria o fará pela primeira vez. É a estes que eu me dirijo.
Já presenciei vários inícios de governo. Como também já assisti a numerosos finais. De todos os cargos executivos, o mais ingrato e espinhoso, sem dúvida, é o seu, de prefeito. Está muito próximo do povo. Um mandato municipal pode ser tanto o feliz início de uma grande carreira como o triste fim de uma pequena.
Sinto dizer-lhe que o melhor já passou, o glorioso interstício entre a eleição e a posse. Seu prestígio cresceu, os bajuladores se multiplicaram e o Sr. começa a sentir-se muito, mas muito bem, mesmo. Não se preocupe. Isso passa.
Dizia Luiz XIV que, ao preencher um cargo público, ele obtinha um ingrato e dez descontentes. No dia 2 de janeiro o Sr. já terá ambos, aos montes. Mas o champanhe acabou; a unanimidade, também. Começa a torturante tarefa.
À porta da prefeitura haverá uma legião de solícitos burocratas à sua espera. Trate-os bem. Afinal, são eles, e somente eles, que conhecem o caminho das pedras. Mas não se iluda. Como gatos, eles são fiéis à casa, e não ao dono: “O nosso prefeito é ótimo! Melhor que ele só o próximo!”. É impossível contrariar essa gente. Eles são do tipo que jamais diz não. Preferem dizer sim, senhor, e logo a seguir fazer o contrário. É impossível agradar a todos. Conquiste os mais competentes, serão eles que o defenderão dos demais.
Não imagine que vai “virar a mesa”. Reza a experiência que todos os governos começam com muitos políticos e terminam com muitos tecnocratas. Da voluntariosa equipe montada, com o tempo só restarão alguns poucos. Metade será demitida porque “não eram capazes de nada” e metade você terá de demitir porque “eram capazes de tudo”. A cada um que sair, entrará um “técnico” em seu lugar. Em breve eles estarão, como sempre, ocupando quase toda a cadeia de comando.
Passados dois anos, num balanço o Sr. percebe, aflito, que ainda não começou a governar. Os vereadores da oposição estão querendo a sua cabeça e os aliados, até mesmo a sua mesa. No front interno, a situação não é melhor: seus planos e programas ainda não foram efetivamente implantados, seus auxiliares passam o tempo brigando entre si e o Sr. não faz outra coisa senão administrar pressões, arranjar justificativas e pagar dívidas da gestão anterior. O que restou?
Algo muito importante: experiência. Agora o Sr. está realmente calejado para planejar, executar e governar de forma eficaz. Basta pôr em pratica tudo o que aprendeu na política:
-Errar é humano, perdoar é divino. Mas eu não tolero nenhum dos dois!
-De quem a gente menos espera é que não sai nada mesmo.
-A principal causa dos problemas são suas soluções.
-Quem afirma não ter pecados já demonstra ter pelo menos um!
-Segredo é algo que só guarda quem não sabe!
-A maneira mais segura de manter a palavra é não dá-la.
-Jamais se discute publicamente com um idiota. O povo pode não perceber quem é quem.
-O homem em quem a gente confia menos rouba menos.
-Bem aventurados aqueles que não esperam gratidão. Estes, ao menos, não serão desapontados.
-Estou contando os dias para me livrar desse inferno!
-Corto minha mão se continuar na política!
(…)
-Salve o planeta! Reeleja o Maneta!

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DESPEDIDA DO SENADOR

29 de dezembro de 2016 0

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Já se disse mais de uma vez que no Brasil não se morre de tédio. Oquei, certo. Pode-se até morrer de raiva, ódio ao pensar que por exemplo que o presidente do nosso Congresso tem uma dúzia de processos, alguns dos quais estão há 10 anos sob a proteção de alguma bunda que sentou em cima e esqueceu.

E agora a poucos dias para o final do ano…

O futuro prefeito do Rio de Janeiro, em seu discurso de despedida do Senado, faz elogios apaixonados a Renan Calheiros, declarando seu prazer em vê-lo na presidência da Casa. O que esperar de Marcelo Crivella, um bispo em licença, considerando os exemplos por ele aplaudidos e destacados no infeliz discurso? Engrossarei as fileiras dos pessimistas, diz Nelsimar Vandelli, no jornal O Globo.

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