Parece que vivemos uma época de sonhos possíveis. Isto até já acontecia há muito tempo. No fundo, era a busca do conforto; em breve, quem sabe, uma necessidade. Por exemplo, os romanos tinham seus fornecedores de gelo – certamente, os imperadores (deles, é claro, não estou falando no Sarney e família), e, como se sabe, os escravos que iam buscá-lo nas montanhas.
A costa norte da Califórnia também já foi abastecida por barcos que vinham do norte trazendo gelo para que o whisky on the rocks ficasse exatamente como queriam.
E até no quente sul da Índia havia esta mordomia: vi a “Casa de Gelo”, como é chamada uma construção de pedra numa ilha bem em frente à cidade de Madras, em pleno Golfo de Bengala. Claro que o abastecimento vinha do Sul – não sei de onde, mas, certamente, do sul.
Nesses casos que relato, o gelo vinha cortado em cubos e armazenado em porões de navios. Agora, com o aquecimento global, a questão começa a ser repensada, só que, em vez de armazenado nos porões, rebocado – mais ou menos como você pode ver na foto que reproduzi da Revista Time.
Segundo eles, o gelo é potável e transportável. Ou seja, os enormes icebergs seriam rebocados até estes lugares de crônica falta d’água. De acordo com os especialistas, não há grandes dificuldades. O iceberg é como um reservatório flutuante. Só na região da Groenlândia, com o aquecimento atual, se desprendem uns 15.000 por ano. Portanto, em vez de deixá-los dissolverem-se lentamente à espera de algum Titanic para afundar, rebocá-los até onde se quer – o sedento sul da Europa, por exemplo.
A primeira tentativa foi em 1950. a idéia agora é fazer uma espécie de proteção isolante, uma espécie de saia, para desacelerar o degelo e ir aproveitando as correntes marítimas. Quanto maior o iceberg, menor a perda, dizem os técnicos, calculada em até 38% em 120 dias de reboque.
Tecnicamente, tudo parece resolvido. A próxima etapa será conseguir entre 3 e 4 milhões de dólares. Se o susto não congelar os investidores, teremos uma interessante experiência pela frente e, quem sabe, novos empregos para os aspones cujo partido não emplacou: enxugadores de gelo.



