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Posts com a tag "gelo"

Um iceberg no seu whisky?

30 de setembro de 2011 0


Parece que vivemos uma época de sonhos possíveis. Isto até já acontecia há muito tempo. No fundo, era a busca do conforto; em breve, quem sabe, uma necessidade. Por exemplo, os romanos tinham seus fornecedores de gelo – certamente, os imperadores (deles, é claro, não estou falando no Sarney e família), e, como se sabe, os escravos que iam buscá-lo nas montanhas.

A costa norte da Califórnia também já foi abastecida por barcos que vinham do norte trazendo gelo para que o whisky on the rocks ficasse exatamente como queriam.

E até no quente sul da Índia havia esta mordomia: vi a “Casa de Gelo”, como é chamada uma construção de pedra numa ilha bem em frente à cidade de Madras, em pleno Golfo de Bengala. Claro que o abastecimento vinha do Sul – não sei de onde, mas, certamente, do sul.

Nesses casos que relato, o gelo vinha cortado em cubos e armazenado em porões de navios. Agora, com o aquecimento global, a questão começa a ser repensada, só que, em vez de armazenado nos porões, rebocado – mais ou menos como você pode ver na foto que reproduzi da Revista Time.

Segundo eles, o gelo é potável e transportável. Ou seja, os enormes icebergs seriam rebocados até estes lugares de crônica falta d’água. De acordo com os especialistas, não há grandes dificuldades. O iceberg é como um reservatório flutuante. Só na região da Groenlândia, com o aquecimento atual, se desprendem uns 15.000 por ano. Portanto, em vez de deixá-los dissolverem-se lentamente à espera de algum Titanic para afundar, rebocá-los até onde se quer – o sedento sul da Europa, por exemplo.

A primeira tentativa foi em 1950. a idéia agora é fazer uma espécie de proteção isolante, uma espécie de saia, para desacelerar o degelo e ir aproveitando as correntes marítimas. Quanto maior o iceberg, menor a perda, dizem os técnicos, calculada em até 38% em 120 dias de reboque.

Tecnicamente, tudo parece resolvido. A próxima etapa será conseguir entre 3 e 4 milhões de dólares. Se o susto não congelar os investidores, teremos uma interessante experiência pela frente e, quem sabe, novos empregos para os aspones cujo partido não emplacou: enxugadores de gelo.

Como viver no seu freezer

21 de dezembro de 2010 Comentários desativados

Com o frio europeu só o que a gente lembra é neve e gelo.

O inverno inicia-se hoje no Hemisfério Norte, mas as primeiras neves já apareceram causando transtornos enormes.

Junto com elas volta uma atração que depende inteiramente das baixas temperaturas: os hotéis de gelo que abriram as portas mais cedo neste ano.

Como somos todos “tropicais”, até Gramado, Canela e Flores da Cunha, é bom que se explique um pouco como é um hotel de neve.

Bem, não é de “ neve” como o nome faz crer. Também não é em formato de iglu como eu pensava que viviam os esquimós até ir para lá. ( inuit é a palavra certa). Eles odeiam “esquimó” que quer dizer comedores de carne crua. Eles comem carne crua, mas não querem ser chamados de comedores de carne crua. Vá entender!

Na realidade os hotéis são feitos com blocos de gelo quase sempre extraídos de lagos ou rios congelados. O que me enviou um folder diz que foram usadas 25 mil toneladas de gelo cortados com precisão.

O que mais me surpreendeu é que são feitos sob orientação e desenho de grandes arquitetos. É só um exemplo da perfeição escandinava, se bem que devemos lembrar: os finlandeses não são escandinavos  etnicamente, não são descendentes dos vikings, mas dos eslavos, pois a Finlândia fazia parte da Rússia.

Voltando ao “ Ice Hotel” este ano terá 60 apartamentos. Aliás, quartos, pois os banheiros e toiletes são coletivas. Tudo é fino, elegante, com tapetes, vasos de flores etc...mas o único serviço é que na hora que você pediu para ser acordado ou descongelado se você preferir, vem um funcionário com uma bandeja de chá. Nada mais oportuno quando a temperatura pode estar até 10 graus negativos.

A temporada vai até abril, portanto você tem tempo para se decidir para qual você irá. Existem na Europa mais ou menos 25, todos acima do Circulo Polar ( paralelo 64). Ou seja, se você transferir isto para o hemisfério sul, estará em plena Antártica.

Quem não quiser se hospedar paga mais ou menos 10 euros para visitar( foi o que eu fiz).

É bom que se diga que estes hotéis existem também no Canadá, mas lembre-se que ali a temporada é mais curta.